Caros pais e alunos,
Por meio da imprensa nacional e internacional, além de comunicados oficiais emitidos pela OMS (Organização Mundial de Saúde), temos informações suficientes para afirmar que a gripe ocasionada pelo vírus A (H1N1) é de baixíssima letalidade e apresenta riscos e sintomas análogos à gripe comum. Mais de 99% dos casos foram e são tratados com medicamentos usuais no tratamento da gripe comum, sem a necessidade de qualquer internação ou uso de antivirais.
Sabemos, contudo, que um forte apelo da comunidade escolar para o adiamento do retorno às aulas se avolumou após o Governo do Estado de São Paulo, junto à Secretaria Estadual de Saúde, adiar por duas semanas o início do segundo semestre. Orientação estendida inclusive às Universidades Estaduais (USP, Unicamp e UNESP). Essa medida, de caráter supostamente preventivo, foi acionada sem qualquer consideração aos dados objetivos dessa doença e, em nossa opinião, veio a colaborar com a criação de um ambiente de pânico; e não, propriamente, evitar a propagação da gripe que, segundo unanimidade da comunidade científica, é inevitável.
Entretanto, ao se posicionar de forma supostamente zelosa, o Governo do Estado de São Paulo coloca, indiretamente, aqueles que questionam tal ação como insensíveis diante do “clamor público” e do “grande perigo” da doença. Conhecemos bem esse tipo de discurso. Portanto, é importante frisar: historicamente, a disseminação do medo foi sempre uma arma poderosa para o controle dos cidadãos e, da mesma forma, a propagação rotineira do temor tem sido uma ferramenta tradicional das forças reacionárias.
Nós, do D’Incao Instituto de Ensino, colocamo-nos ao lado da razão e da ciência, instrumentos inimigos do conservadorismo e proporcionadores da democracia e do avanço da humanidade rumo ao progresso e à superação dos desafios de nossa sociedade. Dessa forma, não podemos deixar de questionar a validade e a intenção do Governo do Estado de São Paulo ao adotar uma medida descabida de fundamentos científicos e lógicos, justamente em uma administração sob o mandato de um ex-Ministro da Saúde.
Como efeito prático de suas ações, observamos que, infelizmente, o Governo do Estado de São Paulo favoreceu com sucesso a disseminação do pânico através da imprensa. Assim, diante da notícia de que a maioria dos pais de nossos alunos encontravam-se muito temerosos ou já anunciavam a ausência de seus filhos na próxima semana de aula e entendendo que não haveria propósito em lecionar para salas vazias ou com menos de 20% de presença, decidimos adiar o início das aulas para o dia 10 de agosto.
Por fim, gostaríamos de nos solidarizar com a preocupação dos pais em proporcionar sempre a maior segurança possível para seus filhos. Orientamos a todos os responsáveis sobre a necessidade de manterem a calma e buscarem informações de fontes seguras e não , sensacionalistas. Asseguramos, ainda, que não haverá qualquer perda pedagógica nesse adiamento de início das aulas e, mais uma vez, lamentamos o andamento da divulgação dessa nova gripe pela imprensa e pelas autoridades públicas que parecem ser movidas por outros interesses, que não os de informar e conscientizar a população.
Atenciosamente,
A Direção








