Não há dúvida de que os materiais didáticos utilizados nas salas de aula são de grande auxílio aos professores para melhor trabalharem os conceitos com os estudantes. Apesar disso, o uso de laboratórios como recurso didático está tornando-se cada vez mais freqüente nas escolas. Segundo especialistas, as aulas práticas podem motivar os estudantes a gostar de determinadas matérias, pois além da visualização, têm a oportunidade de manusear materiais. Pensando nisso, o D’Incao Instituto de Ensino inaugura no início do próximo ano letivo o laboratório de física nuclear – o primeiro de Bauru e um dos únicos do Estado de São Paulo.
A física nuclear estuda as propriedades e o comportamento dos núcleos atômicos e os mecanismos das reações nucleares. Esta área da ciência teve início a partir da evolução do conceito científico acerca da estrutura atômica – até meados do século 19 acreditava-se que os átomos eram esferas maciças indestrutíveis e indivisíveis.
De acordo com Pedro D’Incao, diretor e professor da instituição, o laboratório a princípio será destinado aos estudantes do ensino médio e do curso pré-vestibular. Posteriormente, a escola estuda a possibilidade de colocar à disposição das instituições de ensino superior a infra-estrutura do colégio. “É difícil encontrarmos um laboratório deste, até mesmo nas universidades”, afirma.
Por meio de assessoria de imprensa, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) informou que a instituição não possuiu um laboratório de física nuclear. Já a Universidade de São Paulo (USP) possui um no câmpus da Capital.
O diretor explica que o novo espaço dará suporte experimental ao conteúdo discutido em sala de aula. “O conteúdo nesta área dependia somente da dedicação do aluno, já que ele não via nada de concreto. Agora, eles verão isso na prática”, revela Pedro. “O educando, ao realizar uma experiência, compreende melhor um conceito. Com a diversificação de materiais didáticos e o desenvolvimento de atividades experimentais, os professores podem desenvolver melhor suas aulas e os estudantes atingirão os objetivos, assimilando os conteúdos programáticos com maior facilidade. O laboratório serve para a construção teórica”, acrescenta.
De acordo com Pedro, os docentes e as instituições de ensino precisam acabar com a visão de que os alunos do ensino médio devem ser adestrados para o vestibular. “Inclusive o conhecimento científico tem sido cobrado cada vez mais nos vestibulares. Na prova da Fuvest, por exemplo, realizada no último domingo, uma das questões de física era experimental”, afirma.
O D’Incao aguarda o laudo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para a inauguração do espaço. Pedro explica que a documentação é necessária porque alguns materiais são importados, e para fazer a compra é necessário a autorização. “Alguns experimentos nesta área já ocorrem na escola. Inclusive já temos bastante aparelhagem, compradas da Alemanha”, conta Pedro. “É importante deixar claro que o nível de radiação neste laboratório é baixo. Em um ano, o nível é menor do que o transmitido em um exame de raio X no dentista”, finaliza o diretor.
Fonte: JC







