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Nós pagamos pelos maus hábitos dos outros

Nós pagamos pelos maus hábitos dos outros

Publicado no New York Times de 29 de Março de 2010
por Sandeep Jauhar (Cardiologista)
traduzido por Luís Paulo Domingues

Aumento de impostos fecha o cerco contra fumantes e comilões nos EUA.

Aumento nos impostos de saúde acendem a luz vermelha nos EUA: quem leva uma vida desregrada deve pagar a conta?

“-Eu estou cansado de pagar pela estupidez dos outros”, é um comentário que eu li na internet semana passada depois que a conta da reforma da saúde foi aprovada no Congresso americano. Esse pensamento veio somar com a visão de muitos americanos preocupados por terem que contribuir com taxas mais altas para cobrir os não segurados. Por que nós deveríamos pagar a conta quando tantas doenças em nosso país originam-se do mau comportamento com a saúde, como o fumo e comer em excesso?

Qual é o papel do Governo ao ajudar as pessoas a fazer uma escolha de vida saudável?

De fato, a maioria dos americanos diz que é justo exigir que as pessoas que mantém um estilo de vida prejudicial paguem mais pelo seguro de saúde. Nós americanos acreditamos no conceito de responsabilidade pessoal. Você ouve isso consultórios médicos, nos cafés, entre os operários e trabalhadores do comércio, e entre os executivos. Até o Presidente Obama disse “Nós temos que conseguir que o povo americano faça algo de bom pela própria saúde”.
Mas a responsabilidade pessoal sempre é um assunto complexo, especialmente quando o tema é saúde. Escolhas pessoais sempre envolvem conceitos amplos e complicados. Quando as pessoas pleiteiam a necessidade de cada um assumir sua responsabilidade pela conta da saúde, elas pressupõem mais controle sobre a saúde e a doença do que realmente podemos ter.
Hábitos prejudiciais são um fator que provocam doenças, mas muitos outros fatores são sociais, envolvem a renda ou a dinâmica das famílias, a genética e a educação. Os pacientes que não se submetem às recomendações médicas, sem dúvida, contribuem para uma saúde pobre, mas isso reflete muitos mais problemas como comunicação deficiente entre paciente e o profissional da saúde, os custos dos remédios, algumas barreiras culturais e recursos inadequados do que o desejo de desconsiderar um conselho do médico.
Poucos anos atrás, médicos do sistema público de Melbourne, na Austrália, estavam se recusando a fazer cirurgias de coração e pulmão em fumantes, mesmo que o paciente precisasse da operação para manter-se vivo. “-Por que os contribuintes deveriam pagar por isso?”, disse um dos cirurgiões entrevistados pela reportagem na época. “-Isso está consumindo recursos para uma pessoa que está contribuindo para seu próprio fim”.
Embora muitos australianos tenham ficado ultrajados com esse posicionamento – A Associação Médica da Austrália chamou de “inadmissível” taxar serviços médicos baseado em hábitos pessoais -, muitos médicos concordaram com o procedimento. Como a maioria dos americanos, eles não viram nada de errado no fato de os pacientes pagarem pela consequência de seus atos.
O problema é que medidas punitivas para forçar comportamentos saudáveis não costumam funcionar muito bem. Em 2006, o Estado da Virgínia do Oeste começou a recompensar os paciente que assinassem um compromisso para se inscrever em um plano de bem estar (e que se comprometessem a seguir as ordens de seus médicos), com benefícios que incluíam a cobertura completa de medicação, programas de ajuda ao abandono do fumo e acompanhamento nutricional. Aqueles que não assinassem eram inscritos em um plano mais restritivo que, entre outras coisas, limitava a cobertura de medicamentos a apenas 4 receitas por mês.
O programa da Virgínia está falhando, por muitos motivos. Em Agosto de 2009, apenas 15 por cento dos 160 mil pacientes escolhidos para o programa tinham aceitado assinar o documento. Pacientes com opções limitadas de transporte estavam encontrando problemas para se comprometer a gastar tanto tempo nas visitas periódicas obrigatórias aos consultórios de seus médicos. Além disso, dizem os especialistas, não há evidências de que a restrição aos benefícios dos que não assinam o programa promoveria comportamentos saudáveis nos pacientes.
A vida saudável deve ser incentivada, mas a punição a pacientes que escolhem o contrário é uma simplificação extrema de um assunto complexo.
Eu devo admitir que frequentemente me sinto como meus colegas, que se queixam de passar o dia todo tratando pacientes que não parecem cuidar da própria saúde e ainda exigem uma cura rápida. Isso porque eu eu tento sempre comer de modo certo e fazer exercícios o bastante. Mas aí eu me lembro que às vezes eu também envio mensagens de texto enquanto dirijo.
O ponto principal deste debate é a redução de riscos. Quando as pessoas investem contra a falta de responsabilidade no cuidado com a saúde, estão realmente exigindo um modelo diferente para a saúde, não apenas dividindo os custos por toda a sociedade. As pessoas doentes – os que exigem mudanças estão claramente dizendo isso – devem pagar mais.
Qual modelo nós eventualmente adotaremos neste país? Isso dirá muito sobre qual é o tipo de sociedade em que nós queremos viver.

Sandeep Jauhar é cardiologista e autor do livro “Intern: a Doctor’s Initiation.”

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30. mar, 2010
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Grupo descobre como mosquito da malária escolhe alvos

04/02/2010 – 08h53

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S. Paulo
Uma equipe de pesquisadores identificou as proteínas que o mosquito da malária usa para localizar suas vítimas pelo cheiro. O achado abre a possibilidade de criar melhores repelentes ou armadilhas para o inseto transmissor da moléstia.

Outros dois grupos de cientistas acharam uma enzima essencial para penetração das células sanguíneas pelo parasita, que poderá servir de alvo para medicamentos semelhantes usados com sucesso contra o vírus da Aids, o HIV, as drogas inibidoras de protease.

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Anopheles Albimanus pica humano: para ele, uns são mais atraentes que outros

Juntas, as pesquisas oferecem novas estratégias contra a doença, que atinge centenas de milhões de pessoas, tem metade da população do planeta em áreas de risco e causa quase 1 milhão de mortes a cada ano.

Insetos detectam cheiros através de neurônios receptores olfativos. A equipe de John Carlson, da Universidade Yale, EUA, inseriu os genes desses receptores presentes em mosquitos em moscas-das-frutas transgênicas da espécie Drosophila melanogaster com “neurônios vazios”, isto é, um neurônio olfativo mutante que não tem o seu receptor próprio.

Dissecação

A pesquisa envolveu um trabalho paciente e delicado, desde a dissecação dos mosquitos para extrair seu DNA até a inserção dos genes nas moscas e a medição dos impulsos elétricos causados pelos odores.

Foram inseridos 72 genes diferentes de mosquitos da espécie Anopheles gambiae, principal transmissor da doença na África, dos quais 50 tornaram-se funcionais.

E cada um deles foi testado com 110 diferentes substâncias odoríferas –gerando um banco de dados de 5.500 combinações de receptores-odores. Também foram feitas comparações com os receptores das moscas-das-frutas.

“Nós identificamos vários compostos que ativam fortemente muitos desses receptores. Estamos também buscando compostos que os inibam”, declarou Carlson à Folha.

“Alguns desses compostos ativadores e inibidores podem ser muito úteis para atrair mosquitos a armadilhas, repeli-los ou confundi-los”, completou ele, que ressalta: “Desenvolver um produto efetivo vai provavelmente levar vários anos.”

No Brasil, o principal transmissor da malária é de outra espécie, o A. darlingi. “É possível que alguns dos resultados do nosso trabalho sejam aplicáveis a outros mosquitos vetores de doenças”, diz Carlson.

Sangue doce

Uma das substâncias que provocaram forte ativação foi o indol, presente no suor humano. Já os ésteres e aldeídos não obtiveram muito sucesso com os receptores do mosquito, mas ativaram fortemente os das moscas -algo que se explica pela sua forte presença nos odores exalados por frutas.

“Algumas pessoas parecem ser muito mais atraentes para os mosquitos do que outras, e a base olfativa disso é um foco de estudo empolgante e atual”, acrescenta Carlson. Ou seja, para o mosquito, há gente que é “cheiro bom” ou “sangue bom”, e há quem é menos.

O estudo de Carlson e mais quatro colegas vai ser publicado em edição futura da revista científica britânica “Nature”, mas já está disponível no site da publicação para os assinantes.

Inspiração na Aids

A mesma revista publicou dois artigos de duas equipes distintas de pesquisadores com a descoberta da enzima envolvida na infecção das células vermelhas do sangue pelo parasita da malária.

Uma das equipes é liderada por Alan Cowman, do Instituto de Pesquisa Médica Walter & Eliza Hall (Austrália), e a outra é comandada por Daniel Goldberg, da Universidade Washington em Saint Louis, EUA.

Quando infecta um glóbulo vermelho, o parasita da malária injeta nele centenas de proteínas que ajudam a enganar o sistema de defesa do organismo e modelam a célula humana para suas necessidades.

As duas equipes agora identificaram uma protease –enzima que quebra proteínas– fundamental para a viabilidade do parasita, a chamada plasmepsina 5.

“Sua identificação como uma enzima crítica para a exportação de proteína provê um importante alvo para o desenvolvimento de novos antimaláricos”, escreveram Cowman e colegas.

Eles completam que “inibidores de protease do HIV-1 têm sido tratamentos bem sucedidos no combate ao HIV e, por isso, esses inibidores podem prover uma plataforma para o design de novos compostos antimaláricos.”

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04. fev, 2010
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O mundo é muito barulhento

Estudo de antropólogo canadense disseca o mundo dos ruídos produzidos pelo homem e pela natureza durante os séculos.

Por Luís Paulo Domingues

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É possível conviver com o barulho deste mundo?

Grande estudioso de ambientes acústicos, o canadense R. Murray Schafer conseguiu reunir em seu livro “A Afinação do Mundo” um panorama legível e profundo sobre o problema dos ruídos em diversos lugares e épocas. Levando sempre em conta os aspectos culturais, Shafer localiza, através de extensa pesquisa documental e de campo, os excessos e desvios dos barulhos que o ser humano teve e tem que suportar ouvir em seu dia-a-dia.
Segundo o pesquisador, mesmo em tempos mais antigos, como na Idade Média, o homem poderia evitar barulhos irritantes e melhorar a qualidade de vida, o conforto sensorial e as paisagens sonoras. Mas é com a sociedade contemporânea que Shafer mais se preocupa. Nunca antes na história houve níveis de ruído tão intensos e freqüentes quanto agora. Isso, segundo ele, deteriora a vida das pessoas muito mais do que elas pensam. Os níveis de stress e as ocorrências de doenças relacionadas ao stress nunca foram tão grandes e os ruídos intermitentes da sociedade moderna estão totalmente relacionados a isso.
Shafer também faz uma diferenciação bem clara e lógica dos ruídos segundo figura e fundo, ou seja, ruídos de frente, aqueles que a gente nota conscientemente, e ruídos de fundo, aqueles que são tão perenes em nossa vida e que, na maioria das vezes, nem chegamos a perceber. Por exemplo: o ar condicionado do escritório, que as pessoas só ouvem se prestarem atenção ao barulho.
Alguns ruídos também, segundo ele, são característicos de uma cultura: é o que ele chama de marca sonora, como o apito de uma fábrica em uma cidade industrial, ou a buzina dos carros em uma cidade grande. Esses mesmos ruídos podem ser considerados como sinais sonoros, pois têm o claro objetivo de avisar um grupo de pessoas sobre alguma coisa.
O problema é que a atenção dos governos e das instituições que tratam do assunto se voltou para a busca de uma solução para a altura dos ruídos apenas recentemente. Isso porque, culturalmente, os ruídos altos sempre estiveram associados ao poder. Nas batalhas da antiguidade, por exemplo, as trombetas ensurdeciam os soldados antes das lutas e eles corriam contra o inimigo batendo pesadamente as espadas nos escudos, o que criava um sentimento de ameaça e pânico no oponente.
Depois da Revolução Industrial o problema teria aumentado, obviamente pelo trabalho incessante e barulhento das imensas máquinas. Quanto mais barulho, mais poderosa parecia aquela corporação industrial. Esse poder de produção e liderança social teria também levado os ruídos incômodos para dentro das casas do cidadão comum. Liquidificadores, televisão, rádio, batedeira elétrica… tudo sugeria que o poder de compra já havia chegado àquela casa, seguindo os ditames da “American Way of Life”.
Com os carros, o mesmo fenômeno. Até os anos 1970, ter um carro que fazia estrondos ruidosos era visto como status. Depois dos anos 70 isso começou a mudar, através de leis que limitavam e suprimiam os ruídos que chegavam às ruas.
Shafer também fala sobre os moozaks, o que chamamos de música de elevador. Os moozaks são usados até comercialmente em ônibus, aviões e elevadores, e são feitos para acalmar as pessoas e mantê-las presas às suas ações cotidianas, numa relação (segundo o autor) extremamente anti-revolucionária entre patrão e funcionário.
O pesquisador conta que esses ruídos são usados em corredores de prédios comerciais, como forma de controle dos freqüentadores. Muitos moozaks, contudo, acabam existindo naturalmente, pelos barulhos intermináveis e intermitentes da pulsação da cidade, ou mesmo da natureza.

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18. jan, 2010
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O planeta que se dane

Uma ensandecida teoria da conspiração ambiental começa a ser desenhada pela direita festiva da imprensa brasileira

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Segundo Diogo Mainardi, apesar de todos os dados científicos, o aquecimento global nem existe

Por Luís Paulo Domingues

O colunista da “Veja” Diogo Mainardi está delirando. Não é a primeira vez que ele afirma que o aquecimento global não existe. Ou melhor, ele diz que a Terra está esfriando nos últimos tempos.

Pelo o que eu entendi, o polêmico escriba acha que o aquecimento global é um tipo de teoria da conspiração que “essas ONGs” inventaram para se locupletar do dinheiro alheio. O séquito de seguidores de Reinaldo Azevedo – outro colunista da Veja com a mesma tendência a delírios reacionários – também tem a mesma opinião. Um de seus leitores colocou uma sugestão em seu blog para ele ler uma reportagem completamente imbecil sobre um tal de Lord Lawson, que diz que os pesquisadores forjaram os números sobre o aquecimento global.

Então eu procurei no Google e estava lá: Lord Lawson, político britânico, conservador – como Diogo e Reinaldo -, foi Chanceler do governo de Margaret Thatcher de 1983 a 1989. Ela mesmo, Iron Maiden em pessoa, a Dama de Ferro.

Eu pergunto: com exceção dos americanos, a quem interessa mais esse tipo de sandice do que aos conservadores britânicos? Afinal, reduzir a emissão de gases, o efeito estufa, o aquecimento global… essas coisas demandariam muito dinheiro para os países mais desenvolvidos e industrializados, como a Inglaterra.

Contrariando a teoria da conspiração do colunista da Veja e de Lord Lawson, os jornais publicaram nesta terça-feira que o efeito estufa deve aumentar a temperatura da Terra em até 6 graus até o final do século. Mas como disse o Diogo Mainardi em seu texto de 17 de outubro último, o planeta que se dane!

É isso mesmo que você está lendo: “O planeta que se dane” é, inclusive, o título do texto do dia 17. Na “obra”, Mainardi escreve: “O aquecimento global nem existe. O pico de calor foi em 1998. De lá pra cá, a Terra está esfriando.”

Nem se ele morasse na Finlândia isso iria deixar de ser uma asneira.

Lord Lawson é conservador. Já Diogo e Reinaldo são conservadores polêmicos. É diferente. “Viraram isso” desde que a Veja “virou isso” em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente.

Eles não são conservadores porque são contra “as esquerdas”, mas porque vivem de replicar babaquices americanóides como essa de que o mundo está esfriando. Também gostavam bastante do George Bush, apoiaram com unhas e dentes a invasão do Afeganistão e do Iraque, pedem insistentemente mais tropas americanas no Oriente Médio, acham que Barack Obama é uma farsa e que ele não pode, de modo algum, retirar suas tropas de ocupação, acham que o golpe em Honduras está certo. O candidato perfeito pra eles na presidência dos Estados Unidos ainda seria o Dick Chaney, a gracinha do ex vice-presidente americano da era Bush. E ainda xingaram o Chico Buarque (mas por boas razões).

A verdade é que os dois são bons articulistas, defendem “n” posições em que estão, na minha opinião, cobertos de razão – este artigo é só pra falar mal deles, qualquer dia eu falo do lado bom -, mas acabam esbarrando em fanfarronices dessas que estão acima. Acabam deixando aquela impressão de que escrevem o que escrevem para criar polêmica, porque vende mais.

Segunda-feira, Reinaldo Azevedo foi entrevistado no Jô Soares e apesar de se mostrar um cara um tanto freak, um tanto descontrolado, deu uma entrevista interessante e divertida. Porém, no momento em que ele estava quase falando do aquecimento global, foi cortado pelo apresentador. Sorte dele. “O planeta que se dane” na TV não iria pegar bem.

E há uma contradição no “planeta que se dane” do Diogo. Se não há aquecimento global, o planeta não se dana. Tanto.

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O Criacionismo no Mundo Islâmico

O criacionismo emerge no mundo Islâmico entre a discussão da evolução e da Terra nova

Artigo de Kennet Chang
New York Times 02/11/09
Tradução de Luís Paulo Domingues

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A criação divina é um grande obstáculo para a aceitação do evolucionismo

O criacionismo está crescendo no mundo muçulmano. Pesquisadores islâmicos de várias partes do mundo se encontraram em Amherst, no estado americano de Massachussets, para discutir a questão.
Porém, os muçulmanos não acreditam na teoria criacionista da Terra Jovem – uma corrente que está ganhando muita força entre os evangélicos e que afirma que Deus criou o Universo, a Terra e a vida a poucos milhares de anos atrás. Uma razão para isso é que, apesar de o Corão (o livro sagrado islâmico) dizer que Deus criou a Terra em seis dias, o próprio Corão diz que o dia, nesse caso, está descrito em estado metafórico: “-mil anos da maneira que você calcula”, diz o texto.
Por outro lado, alguns cristãos criacionistas (os adeptos da Terra Jovem) afirmam que a Terra tem 6.000 anos. Isso elimina a possibilidade da ocorrência da evolução e também desmente muito do que diz a geologia moderna e a cosmologia – que calculam que a Terra tenha bilhões de anos.
“-Essas novas teorias são claramente influenciadas pelas bases das crenças religiosas”, diz Salman Hameed, que organizou dois dias de conferência sobre o tema no Hampshire College, onde é professor de ciências integradas e humanidades. “-Não existe essa verdade do criacionismo da Terra Nova”, afirma.
Mas isso não significa que a evolução seja aceita pelo islamismo, ou que todo muçulmano aceite de bom grado as descobertas da biologia moderna. Cada vez mais parece claro que os muçulmanos estão aderindo ao chamado “criacionismo da velha Terra”. Eles não são contra as teorias astronômicas ou geológicas, apenas refutam a biologia, pois insistem que a vida é criação de Deus e não a consequência de ocorrências aleatórias.
O debate sobre a evolução só agora ganha proeminência nos países islâmicos, pois com a melhora da educação, muitos estudantes são expostos às ideias da moderna biologia.
Mas o grau de aceitação da evolução varia entre os países islâmicos.
Pesquisas coordenadas pelo Evolution Education Research Center, na Universidade McGill, em Montreal, descobriu que textos de biologia do segundo grau nas escolas do Paquistão abordaram a teoria da evolução. Porém, partes do Corão no início dos capítulos sugerem que a religião e a teoria da evolução coexistem harmoniosamente.
Em um levantamento feito entre 2527 estudantes secundaristas paquistaneses, conduzido pelos pesquisadores da McGill University e seus colaboradores internacionais, 28% dos estudantes concordaram com o criacionismo. Porém, mais de 60% discordaram e o restante não soube opinar.
86% concordaram com a declaração: “milhões de fósseis nos mostram que a vida existe há bilhões de anos e muda a todo tempo”.
A situação na Turquia é diferente e mudou apenas nas últimas duas décadas. Um dos participantes da conferência, Taner Edis, declarou que nunca encontrou criacionistas na Turquia enquanto cresceu, na década de 1970. “-A primeira vez que eu tive notícias do criacionismo foi quando eu vim para a América para estudar na faculdade”, disse Edis, agora professor de física da Truman State University, no Missouri.
Alguns anos mais tarde, em uma livraria, durante uma visita à Turquia, o Dr. Edis achou livros criacionistas nas prateleiras de ciências. “-Aquilo realmente me pegou de surpresa”, disse.
Na Turquia, oficialmente um regime secular, mas não governado por um partido islâmico, o ensino da evolução desapareceu substancialmente nos últimos anos, ao menos abaixo do nível universitário, e nas escolas públicas o currículo de ciências é escrito em deferência ao credo religioso.
Harun Yahya, um criacionista turco da variedade da Terra Antiga, ganhou proeminência na Turquia e em outros lugares. A maioria dos professores de biologia da Indonésia usa o livro criacionista do Sr. Yahya nas classes.
Apesar disso, pela pesquisa da McGill University, os estudantes da Indonésia aceitaram mais a evolução do que os do Paquistão. 85% dos indonésios entrevistados acreditam que os fósseis mostram que a vida têm existido há bilhões de anos e muda a todo tempo.
“-No mundo muçulmano, a qualidade da educação em biologia varia extremamente dependendo de qual país você está e de qual escola você está”, disse Jason R. Wiles, um professor de biologia da Syracuse University e diretor associado da McGill.
Além disso, a situação em países de maioria xiita pode ser bem diferente de lugares onde os sunitas são mais numerosos. Isso porque não há um único líder, como o Papa na Igreja Católica, que pode ditar uma visão oficial para todos os muçulmanos.

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Entrevista com Albert Speer Jr: Arquitetura de Futuro Sustentável

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Publicado na revista Nature de 22 de Outubro de 2009
tradução: Luís Paulo Domingues

O arquiteto alemão Albert Speer Jr. é um pioneiro em construção de prédios e cidades planejadas e tem se firmado como grande designer de comunidades ecológicas de Colônia a Xangai. Com a publicação de um novo livro que aborda sua filosofia, ele expõe por que nós deveríamos adotar uma aproximação mais holística do desenvolvimento urbano.

O que a sustentabilidade significa para você?

Significa que nós não podemos, nas próximas gerações, usar recursos que não sejam reaproveitados. Em todos os locais, nós ainda precisamos de muita energia e de muitas outras coisas – como mobilidade, terra, transporte… A sociedade ocidental pensa em setores e não em círculos – como é o pensamento holístico. Nós precisamos ser mais holísticos e interdisciplinares.

Você está otimista quanto ao poder da arquitetura para desenhar cidades sustentáveis?

A arquitetura e o planejamento controla grosseiramente 5% de todas as decisões exigidas para governar uma cidade: o resto é política, ou é baseado em diferentes interesses econômicos. É preciso de uma equipe interdisciplinar, que é o que falta em muitos corpos governamentais.
O mundo está levando muito tempo para fazer decisões importantes. Levamos aproximadamente duas décadas para termos o pensamento sustentável na mente dos políticos e dos governos desde a conferência do Rio de Janeiro, em 1992.

A China está construindo muitas novas cidades – qual é a aproximação deles com a sustentabilidade?

Pela minha experiência, eu sinto que a cultura chinesa é melhor organizada para gerir problemas do que outras. Nós estamos projetando novas eco-cidades na China, onde desenhamos a infra-estrutura e o planejamento urbano. Nosso alvo principal é proteger o meio ambiente e reduzir a quantidade de terras rurais que são convertidas em cidades. O pensamento chinês é direto e prático e eles tomam decisões rápidas. Minha impressão é que nem todas as coisas estão na direção certa com os chineses, mas eles estão aprendendo rapidamente e querem construir coisas de modo diferente do que no passado.

Existe diferença entre o trabalho em países desenvolvidos e em países em desenvolvimento?

Em geral, os problemas são os mesmos, mas as soluções são muito diferentes. Em países em desenvolvimento, existe muita urbanização, pois as cidades estão crescendo. Na Europa e em outros países a população está decaindo, as cidades não estão mais crescendo, então o ideal é se concentrar nas partes da cidade existentes, ao invés de pensar no desenvolvimento ou na construção de novos centros urbanos.

Cada lugar precisa de sua própria aproximação da sustentabilidade?

As preocupações com o clima, meio ambiente, esgotamento da terra, transportes e participação cívica são as mesmas em qualquer lugar. A arquitetura será similar em todo o mundo porque as pessoas precisam de espaços similares. Mas todas as cidades precisam pensar mais em suas próprias características e oportunidades, bem como em sua paisagem, cultura, história e futuro. O desenvolvimento urbano integrado tornar-se-á mais importante porque as cidades estão todas competindo entre si.

Isso é verdade para megacidades como Teerã, Manila ou Cairo?

Se você olhar para essas cidades mais detalhadamente, verá que elas não são lugares para 10 ou 50 milhões de pessoas. Lá há 15 ou 20 cidades com 800.000 a 2 milhões de pessoas. Não é realista parar o desenvolvimento dessas cidade. Nós temos que vê-las como um policentro, e incentivar o tanto quanto elas puderem melhorar em funcionalidade.
Por exemplo: eu estou envolvido em um projeto que começou há 25 anos para reestruturar uma cidade de 3 milhões de habitantes que fica dentro de Cairo. É chamada de “Cidade de 6 de Outubro” e fica bem atrás das pirâmides. Muitas coisas têm sido construídas lá, mas o transporte público é falho, não existe cinturão verde e o planejamento urbano é muito desordenado. Nosso plano básico foi adotado este ano e nós estamos agora na fase de coordenação do desenvolvimento.

As cidades necessitam de engenharia social também?

Sim. O desenvolvimento urbano e as cidades sustentáveis têm muito a fazer pelas pessoas que moram dentro delas. No ano passado, em Colônia, nós apresentamos um plano gerenciador para a região central – que tem 130 mil habitantes – e a participação cívica foi uma grande parte de nosso trabalho. Em princípio, o interesse foi minoritário, mas depois de um ano nossas palestras estavam todas cheias. Mas a participação cívica não pode ser estimulada por uma aparição pública e uma palestra. Ela tem que continuar acima nas preocupações por muitos anos.

Qual foi a maior mudança durante sua carreira?

O pensamento holístico é mais aceitável agora. Quando eu comecei a planejar cidades ecológicas, há 30 anos, a palavra “ecológico” dificilmente aparecia. Por causa da tecnologia e da globalização, é mais fácil agora comparar sua própria situação com o que acontece em outros lugares.

Qual é a sua cidade favorita?

Na Europa é Barcelona. Todas as coisas que nós estamos debatendo – transporte, espaços verdes e tantos outros – estão integradas dentro de um tecido humano. Na Ásia é Cingapura, que é uma cidade muito densa em população, mas muito verde e com ótima qualidade de vida.

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Guerra e desequilíbrio ecológico

A relação entre as guerras e os desastres ambientais revelam-se na história dos pântanos do Iraque

Por Luís Paulo C. Domingues

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O Iraque é um erro histórico e político. Criado por iniciativa de Winston Churchil durante o congresso do Cairo, no final da Primeira Guerra Mundial, o novo pais tinha o objetivo de baratear os gastos da Coroa inglesa com o controle das colónias e com a política externa. Arrancado do mapa do Império Turco-Otomano, que fora derrotado na guerra junto com os alemães, a criação do Iraque visava ao bloqueio de uma reorganização futura do antigo território turco, sem falar no controle do petróleo abundante existente no subsolo.
A água era outra preciosidade na região, repleta de desertos, mas cortadas pelos imensos e históricos rios Tigre e Eufrates. Havia, portanto, água para armazenas e sustentar populações e culturas agrícolas, além dos pântanos do sul do pais, reconhecidos como o lugar dos lendários jardins suspensos da Babilónia.
Toda essa riqueza foi posta à prova depois de sucessivos fracassos políticos, ditaduras desastrosas e substituições de grupos no poder. As guerras foram as ações mais devastadoras para a natureza do território.
No fim da primeira Guerra do Golfo, Sadam Hussein mandou drenar completamente os pântanos do sul do Iraque para acabar com possíveis esconderijos para os dissidentes do regime e futuros invasores. Trata-se de uma área imensa, de 20 mil quilómetros quadrados, que constitui um verdadeiro oásis de lagos, restingas e pântanos interligados. O povo que habita os pântanos é chamado de Shiahs ou Mad’dans. Possui uma cultura própria e um estilo de vida completamente integrados àquele ambiente, sem os quais não conseguiria sobreviver histórica ou fisicamente.
Alem disso, um imenso número de espécies de vegetais e animais também só têm os pântanos como habitat e se extinguiriam completamente se toda a área fosse drenada.
Sadam quase conseguiu seu intuito. Apenas 10% da área existente nos registros dos anos 1960 e 1970 resistiram. Depois da queda do regime do ditador iraquiano, esforços começaram a ser feitos por entidades internacionais e diversos países para a recuperação dos pântanos. De fato, a partir de 2003, a atividade de reestruturação do antigo ecossistema foi levada a sério pelos ecologistas e pelas autoridades americanas, que passaram a ocupar militarmente o pais.
Estudos realizados pelos pesquisadores Curtis Richardson e Najah Hussain, das universidades de Duke (EUA) e Basrah (Iraque), respectivamente, mostram que em dois anos de trabalho ambiental, o ecossistema da região já mostrou sinais de recuperação. Várias espécies de invertebrados, plantas, pássaros e peixes já retornaram ao local. A revista BioScience publicou todos os resultados em sua edição de Junho de 2006. O estudo também mostra que, até Setembro de 2005, 39% dos três grandes pântanos tiveram o fluxo de água reestabelecido.
As obras de drenagem apagaram a economia árabe dos mangues e reduziram a população local de 250 mil para 40 mil pessoas. Ironicamente, os bombardeios dos Estados Unidos sobre as represas iraquianas que abasteciam as grandes cidades liberou a água para escoar, pelo menos parcialmente, até os pântanos.
Segundo o Ministério dos Recursos Hídricos do Iraque, cerca de 4 milhões de pessoas serão beneficiadas com a reestruturação dos mangues, lagos e pântanos. Pesca, agricultura e turismo (a população local vive em ilhas artificiais feitas de barro e cana) serão as atividades económicas mais privilegiadas com a recuperação dos mangues.
O desastre poderia ser evitado, se Sadam não tivesse conseguido acesso aos planos do Império Inglês para fazer a mesma drenagem catastrófica no passado.

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A evolução poderia acontecer ao contrário?

Um estudo diz que esse é um caminho com apenas um sentido

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O inseto que os cientistas usaram para descobrir a não reversibilidade

Os biólogos evolucionários vêm pensando há muito tempo se a história particular de cada ser vivo poderia correr no sentido contrário. É possível que as proteínas do nosso corpo retornem às antigas formas e funções que tinham há milhões de anos?
Examinando a evolução de uma proteína, um grupo de cientistas disse que a resposta é não. Eles perceberam que as mutações tornam praticamente impossível que a evolução reverta sua própria direção. “-As mutações queimam a ponte que a evolução acabou de cruzar”, disse Joseph W. Thornton, um professor de biologia da Universidade do Oregon e co-autor de um trabalho nos pesquisadores em grupo, na atual edição da Nature.
O biólogo belga Luis Dollo foi o primeiro a considerar uma possível reversão da evolução mas concluiu, em uma declaração de 1905, que um organismo nunca volta ao seu estágio anterior. Essa observação foi mais tarde chamada de Lei de Dollo.
Para saber se ele estava certo, os biólogos tiveram que reconstruir a história da evolução. Em 2003, um grupo de cientistas estudou as asas do bicho pau – qualquer inseto da ordem Phasmatodea). Eles descobriram que seus ancestrais comuns tinham asas, mas apenas alguns dos descendentes as perderam. Mais tarde, alguns dos que perderam as asas desenvolveram-nas novamente.
Ao contrário do que possa parecer, esse estudo não refuta necessariamente a Lei de Dollo. O bicho pau pode desenvolver, de fato, um novo tipo de asas, mas não fica claro o quando essa troca pode ser entendida como uma evolução reversa no nível molecular. Os insetos teriam voltado atrás em sua exata bioquímica original para construir asas, ou descobriram uma nova rota, desenvolvendo, essencialmente, novas proteínas?
Dr. Thornton e seus colegas observaram de perto a evolução reversa, no nível molecular. Eles estudaram uma proteína chamada glucocorticóide receptor, que ajuda os humanos e muitos outros vertebrados a competir para agarrar um hormônio chamado cortisol e que então comanda um gene defensivo
Comparando o receptor com a referida proteína, os cientistas reconstruíram a sua história evolutiva. Por volta de 450 milhões de anos atrás, ela começou a modificar seu formato. O novo formato permitiu a ela agarrar apertadamente outros hormônios, mas fracamente o cortisol. Depois, há mais de 40 milhões de anos, o receptor mudou seu formato de forma tão drástica que se tornou muito sensível ao cortisol, mas sem capacidade de agarrar os outros hormônios por muito tempo.
Durante estes quarenta milhões de anos, Dr. Thornton descobriu, o receptor mudou em 37 pontos, mas só 2 desses pontos fizeramo receptor sensível ao cortisol. Outros 5 pontos impediram o receptor de agarrar outros hormônios. Quando ele sofreu essas 5 mudanças, ele começou a se comportar como um novo gucocorticóide receptor.
Dr. Thornton percebeu que se ele tentasse a operação reversa, ele poderia ter de volta o novo glucocorticóide receptor dentro de um ancestral. Então, ele e seus colegas teriam feito a operação reversa na mutação para a antiga forma.
Mas para a surpresa de Dr. Thornton, o experimento falhou. “-Tudo o que nós conseguimos foi um receptor completamente morto”, disse.
Para descobrir por que eles puderam ir na direção a frente, mas não para trás, eles examinaram novamente o velho e o novo receptor. Eles descobriram 5 novas mutações que foram cruciais para a transição (do velho para o novo). Se eles tivessem revertido essas cinco mutações, o novo receptor teria se comportado como um antigo.
Baseado nesses resultados, Dr. Thornton e seus colegas concluíram que a evolução retrógrada falhou em 2 capítulos. No primeiro, o receptor adquiriu 7 mutações que o fizeram sensível ao cortisol, mas não para outros hormônios. No segundo, adquiriu as 5 mutações extras, que Thornton chamou de mutações restritivas.
Essas mutações restritivas podem ter se adaptado bem quando o receptor agarrou o cortisol. Ou elas podem não ter surtido efeito algum. Em ambos os casos, essas cinco mutações adicionaram twists e rabos ao receptor. Quando o Dr. Thornton tentou retornar o receptor à sua forma original, esses rabos e twists tinham desaparecido.
Dr. Thornton argumenta que uma vez que a mutação restritiva foi desenvolvida, elas tornaram praticamente impossível para o receptor desenvolver novamente a forma original. As cinco chaves de mutação não puderam ser revertidas porque os receptores tornariam-se inúteis. Nem poderiam as 7 mutações restritivas serem revertidas – aquelas mutações tinham pequeno efeito. Então, não houve como a seleção natural favorecer indivíduos com mutações reversas.
“-Eu nunca vou dizer que evolução reversa é impossível”, disse o pesquisador. “-Mas eu acho que ela só pode ser levada a cabo quando envolve traços muito simples, como quando uma única mutação está envolvida”, completa
“-Quando novos traços são produzidos por várias mutações que influenciam uma às outras, a complexidade fecha a possibilidade de evolução reversa”, conclui o biólogo.

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Vista Aérea do genoma do HIV

Para aqueles que estão gostando da série de matérias tiradas da revista Nature – e que estão servindo como fonte de conhecimentos científicos e linguísticos (são publicadas em inglês) -, propomos a leitura deste texto sobre uma nova técnica para o estudo do genoma do HIV, chamada de SHAPE (selective2ʹ-hydroxyl acylation analysed by primerextension).
Enquanto os métodos correntes preocupavam-se em fazer cortes no RNA do vírus e aproximar cada vez mais profundamente a visão de cada parte do genoma, o SHAPE faz exatamente o contrário: os pesquisadores aumentam o campo visual (mesmo que não consigam uma visão tão definida quanto a dos outros métodos) e obtém um panorama do RNA como um todo, podendo assim analisar o comportamento das dobras e dos loops presentes em seu interior, inclusive em comparação com o que acontece no DNA do mesmo vírus.
Confira o artigo na íntegra:
HIV genome

nature
legenda: HIV. Transmissão eletrônica magnética de uma sacção de um HIV. O virus é circundado por uma membrana externa (vermelha) e há um núcleo (rosa) interno de proteína.

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10. ago, 2009