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D’Incao adquire gerador Van de Graff

Instrumento que auxiliou a física nuclear está disponível para alunos do colégio

O gerador de Van de Graff é uma máquina eletrostática inventada pelo engenheiro norte-americano Robert Jemison van de Graff, em 1929. O aparelho foi usado em pesquisas de física nuclear para produzir tensões muito elevadas, necessárias em aceleradores de partículas.
Versões pequenas do gerador são frequentemente vistas em demonstrações sobre eletricidade, produzindo o efeito de arrepiar os cabelos de quem tocar na cúpula, isolado da terra, pois o cabelo fica eletrizado com cargas da mesma polaridade, que conseqüentemente se repelem.
O terminal pode atingir um potencial de vários milhões de Volts, no caso dos grandes geradores utilizados para experiências de física atômica, ou até centenas de milhares de Volts nos pequenos geradores utilizados para demonstrações nos laboratórios de ensino.
O gerador Van de Graff comprado pelo D’Incao Instituto de Ensino foi importado da Alemanha e será essencial para os alunos da instituição na tarefa de compreender os mistérios da eletrostática, um dos ramos fundamentais da física.

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16. mar, 2010
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Terremotos, enchentes e governos

Sobre o depreparo e o descaso dos governos diante dos acidentes: os da natureza e os provocados pelo próprio homem.

Por Luís Paulo Domingues

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Aqui sim o Prefeito de São Paulo poderia culpar exclusivamente a natureza.

O homem está destruindo o meio ambiente. E a natureza, cedo ou tarde, dá o troco. Isso não é novidade alguma.
A humanidade sempre foi porca – ou quase sempre, pois dizem que os gregos eram um pouco mais asseados, mas eu não acredito. Assim como não acredito que sejamos mais danosos para a natureza agora do que eram os habitantes de uma cidade na idade média. Ou vocês acham que Paris no século XIII era legal? Era um nojo.
O problema agora é a escala da destruição. É muita gente sujando e atrapalhando o perfeito desenrolar das coisas, e com uma velocidade e uma voracidade sem precedentes. Sabemos que a Revolução Industrial foi o estopim para tal aumento de escala e que apenas a partir do início dos anos 1970 o homem começou (muito timidamente) a se preocupar com isso.
Já os terremotos não são provocados pelos homens e nem pelas suas atitudes em relação ao meio ambiente. Terremotos acontecem quando têm que acontecer, onde têm que acontecer. O máximo que o homem pode fazer é monitorá-los, tentar prevê-los e aperfeiçoar a engenharia para que as estruturas não desabem tão facilmente.
Mas isso antes do terremoto. Depois dele, o homem (leia-se governos, principalmente) pode fazer muito. E para que isso aconteça, é preciso que os planos sejam traçados antes de a desgraça acontecer. E que sejam traçados por gente competente, para serem executados por gente competente.
O que enxergamos ao acompanhar as notícias desta última semana no Chile é que o governo chileno não estava preparado. Nem um pouco. Eles conseguiram se atrapalhar até com o aviso de alerta do tsunami após o terremoto. A marinha chilena retirou o alerta no exato instante em que as ondas chegavam à costa, o que custou a vida da maioria das vítimas – morreu muito mais gente em decorrência do tsunami do que do terremoto.
Assisti em um jornal uma chilena falando: “-O terremoto não foi nada, perto do que aconteceu depois. O governo não deu auxílio, o exército não chegou, não temos água, comida… estamos entregues à própria sorte.”
A incompetência do governo chileno torna-se mais grave quando lembramos que o maior terremoto da história (o de Valdívia) aconteceu exatamente lá, em 1960, com 9,5 de magnitude. Já deveriam estar preparados para outro.
Mas essa não é uma “qualidade” exclusiva do Chile. Percebemos isso claramente no furacão Katrina, e com muito mais contundência, porque veio acrescido de uma visível diferença de tratamento quanto às questões racial e de classes. E o Katrina ocorreu justamente no primeiro dos primeiros mundos – pelo menos diz-se por aí que é -: os Estados Unidos.
Em New Orleans (cidade mais atingida) e adjacências, quem tinha dinheiro se salvou ou foi salvo; quem não tinha – imensa maioria de afro-americanos – foi deixado lá para se virar, numa tremenda demonstração de descaso e despreparo do então governo Bush.
Este ano também tivemos o exemplo da Ilha da Madeira e do litoral da França. Na França, ao menos, o presidente Sarkosy reconheceu que estar despreparado para aquela situação, no século XXI… na França… era um absurdo.
Aí vem o Brasil, que não podia ficar fora dessa. A propaganda do Kassab na TV (ou melhor, a tentativa de tentar achar um culpado pelo atendimento precário à população durante as últimas enchentes) fez o que se espera de um político brasileiro mediano – ou, como mostra os outros casos deste texto, o que se espera de um político mediano do mundo todo -: colocou a culpa na natureza.
Ontem tivemos um novo terremoto em Taiwan. Vamos esperar para ver como o governo de lá se comporta.

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Jobs, consumidores e cidadãos

A tecnologia avançada é um benefício, mas também um fetiche para a humanidade.

por Luís Paulo Domingues

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Steve Jobs: perfeição para criar novas necessidades tecnológicas

O escritor argentino Néstor Canclini é um dos maiores estudiosos de comunicação, cultura e sociologia do quotidiano na América do Sul. Em seu livro “Consumidores e cidadãos”, Canclini investiga a cultura moderna no sentido de sua desterritorialização – face à realidade da globalização – e no da transformação da cidadania em consumo, ou seja, de cidadãos em consumidores.
Por que estamos nos transformando em consumidores ao invés de cidadãos? Porque o lugar do consumo foi tomando o lugar da cidadania no quotidiano do mundo atual. Isso aconteceu a partir dos anos 1950 com a “American Way of Life” e todas as suas promessas de felicidade através da compra e da posse de produtos inovadores e cada vez mais facilitadores do dia-a-dia – o que também mostrava que os americanos eram melhores que os outros (leia comunistas e seu modo de vida). Assim, todos os que seguissem o estilo de vida americano estariam no topo da pirâmide da felicidade e do bem estar.
A globalização só fez exacerbar esse sentimento de se precisar de algo que não se precisava antes, de não mais se conseguir viver sem a posse de certas coisas que a indústria e a mídia criam – novas necessidades que não existiam e que infestam as propagandas e os corações das pessoas.
No lugar, portanto, do homem cidadão, que deveria lutar para exercer sua cidadania e garantir seus direitos fundamentais, surge o homem consumidor, que luta para adquirir os produtos que estão em voga no dia de hoje e que amanhã já serão substituídos por outros melhores e tornar-se-ão completamente obsoletos.
Quarta-feira foi aniversário do Steve Jobs, dono da Apple e grande mestre em criar demandas. Seu último lançamento, o IPad, causou um alvoroço insano no mundo todo na semana passada, com multidões sonhando – simultaneamente ao anúncio do produto – em adquiri-lo o mais rápido possível, talvez mesmo sem saber para que serve exatamente a engenhoca.
Por que será que somos todos tomados por esse frenesi? Por que temos que ter a posse do novo produto no momento do lançamento, se é sabido que pouco tempo depois ele estará mais barato? Se sabemos que não vai acabar, que se todos os seis bilhões de habitantes quiserem e tiverem dinheiro para comprar, a indústria irá produzir seis ou mais bilhões de unidades?
Foi assim quando o Windows Vista foi lançado. Por que formaram-se filas enormes em frente às lojas para adquirir o produto no primeiro dia, se ele estaria lá no segundo dia, uma semana depois, três meses depois? E tudo isso para se descobrir mais tarde que o produto era muito ruim. Ninguém mais quer.
Não se engane, caro leitor. Aqui não fala nenhum apocalíptico da tecnologia, que acha que devamos voltar ao modo de produção pré industrial para sermos melhores. Eu sei que a tecnologia eletrônica, cibernética, robótica e sei lá mais quantas são grandes facilitadoras de nossas vidas. O que incomoda é o auê, é ter que ler o novo Harry Porter na madrugada do lançamento, só para sair dizendo: eu já li.
No caso do IPad de Jobs, trata-se de um computador portátil de diversas funções: é computador, é livro, é televisão… é tudo. E é bom.
O que se discute aqui, na verdade, é o fetiche pela novidade tecnológica. É aquilo que faz o mundo dos Jetsons (o desenho animado) ser o que é: um mundo regido pelo mito da dualidade entre o animal e o humano, o natural e o artificial, o primitivo e o avançado. Através das mensagens que a propaganda espalha, o homem pós-moderno só se sente humano nessas segundas opções. É um modo até legítimo de pensar, mas que tem lá suas muitas consequências.

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Grupo descobre como mosquito da malária escolhe alvos

04/02/2010 – 08h53

RICARDO BONALUME NETO
da Folha de S. Paulo
Uma equipe de pesquisadores identificou as proteínas que o mosquito da malária usa para localizar suas vítimas pelo cheiro. O achado abre a possibilidade de criar melhores repelentes ou armadilhas para o inseto transmissor da moléstia.

Outros dois grupos de cientistas acharam uma enzima essencial para penetração das células sanguíneas pelo parasita, que poderá servir de alvo para medicamentos semelhantes usados com sucesso contra o vírus da Aids, o HIV, as drogas inibidoras de protease.

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Anopheles Albimanus pica humano: para ele, uns são mais atraentes que outros

Juntas, as pesquisas oferecem novas estratégias contra a doença, que atinge centenas de milhões de pessoas, tem metade da população do planeta em áreas de risco e causa quase 1 milhão de mortes a cada ano.

Insetos detectam cheiros através de neurônios receptores olfativos. A equipe de John Carlson, da Universidade Yale, EUA, inseriu os genes desses receptores presentes em mosquitos em moscas-das-frutas transgênicas da espécie Drosophila melanogaster com “neurônios vazios”, isto é, um neurônio olfativo mutante que não tem o seu receptor próprio.

Dissecação

A pesquisa envolveu um trabalho paciente e delicado, desde a dissecação dos mosquitos para extrair seu DNA até a inserção dos genes nas moscas e a medição dos impulsos elétricos causados pelos odores.

Foram inseridos 72 genes diferentes de mosquitos da espécie Anopheles gambiae, principal transmissor da doença na África, dos quais 50 tornaram-se funcionais.

E cada um deles foi testado com 110 diferentes substâncias odoríferas –gerando um banco de dados de 5.500 combinações de receptores-odores. Também foram feitas comparações com os receptores das moscas-das-frutas.

“Nós identificamos vários compostos que ativam fortemente muitos desses receptores. Estamos também buscando compostos que os inibam”, declarou Carlson à Folha.

“Alguns desses compostos ativadores e inibidores podem ser muito úteis para atrair mosquitos a armadilhas, repeli-los ou confundi-los”, completou ele, que ressalta: “Desenvolver um produto efetivo vai provavelmente levar vários anos.”

No Brasil, o principal transmissor da malária é de outra espécie, o A. darlingi. “É possível que alguns dos resultados do nosso trabalho sejam aplicáveis a outros mosquitos vetores de doenças”, diz Carlson.

Sangue doce

Uma das substâncias que provocaram forte ativação foi o indol, presente no suor humano. Já os ésteres e aldeídos não obtiveram muito sucesso com os receptores do mosquito, mas ativaram fortemente os das moscas -algo que se explica pela sua forte presença nos odores exalados por frutas.

“Algumas pessoas parecem ser muito mais atraentes para os mosquitos do que outras, e a base olfativa disso é um foco de estudo empolgante e atual”, acrescenta Carlson. Ou seja, para o mosquito, há gente que é “cheiro bom” ou “sangue bom”, e há quem é menos.

O estudo de Carlson e mais quatro colegas vai ser publicado em edição futura da revista científica britânica “Nature”, mas já está disponível no site da publicação para os assinantes.

Inspiração na Aids

A mesma revista publicou dois artigos de duas equipes distintas de pesquisadores com a descoberta da enzima envolvida na infecção das células vermelhas do sangue pelo parasita da malária.

Uma das equipes é liderada por Alan Cowman, do Instituto de Pesquisa Médica Walter & Eliza Hall (Austrália), e a outra é comandada por Daniel Goldberg, da Universidade Washington em Saint Louis, EUA.

Quando infecta um glóbulo vermelho, o parasita da malária injeta nele centenas de proteínas que ajudam a enganar o sistema de defesa do organismo e modelam a célula humana para suas necessidades.

As duas equipes agora identificaram uma protease –enzima que quebra proteínas– fundamental para a viabilidade do parasita, a chamada plasmepsina 5.

“Sua identificação como uma enzima crítica para a exportação de proteína provê um importante alvo para o desenvolvimento de novos antimaláricos”, escreveram Cowman e colegas.

Eles completam que “inibidores de protease do HIV-1 têm sido tratamentos bem sucedidos no combate ao HIV e, por isso, esses inibidores podem prover uma plataforma para o design de novos compostos antimaláricos.”

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04. fev, 2010
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O mundo é muito barulhento

Estudo de antropólogo canadense disseca o mundo dos ruídos produzidos pelo homem e pela natureza durante os séculos.

Por Luís Paulo Domingues

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É possível conviver com o barulho deste mundo?

Grande estudioso de ambientes acústicos, o canadense R. Murray Schafer conseguiu reunir em seu livro “A Afinação do Mundo” um panorama legível e profundo sobre o problema dos ruídos em diversos lugares e épocas. Levando sempre em conta os aspectos culturais, Shafer localiza, através de extensa pesquisa documental e de campo, os excessos e desvios dos barulhos que o ser humano teve e tem que suportar ouvir em seu dia-a-dia.
Segundo o pesquisador, mesmo em tempos mais antigos, como na Idade Média, o homem poderia evitar barulhos irritantes e melhorar a qualidade de vida, o conforto sensorial e as paisagens sonoras. Mas é com a sociedade contemporânea que Shafer mais se preocupa. Nunca antes na história houve níveis de ruído tão intensos e freqüentes quanto agora. Isso, segundo ele, deteriora a vida das pessoas muito mais do que elas pensam. Os níveis de stress e as ocorrências de doenças relacionadas ao stress nunca foram tão grandes e os ruídos intermitentes da sociedade moderna estão totalmente relacionados a isso.
Shafer também faz uma diferenciação bem clara e lógica dos ruídos segundo figura e fundo, ou seja, ruídos de frente, aqueles que a gente nota conscientemente, e ruídos de fundo, aqueles que são tão perenes em nossa vida e que, na maioria das vezes, nem chegamos a perceber. Por exemplo: o ar condicionado do escritório, que as pessoas só ouvem se prestarem atenção ao barulho.
Alguns ruídos também, segundo ele, são característicos de uma cultura: é o que ele chama de marca sonora, como o apito de uma fábrica em uma cidade industrial, ou a buzina dos carros em uma cidade grande. Esses mesmos ruídos podem ser considerados como sinais sonoros, pois têm o claro objetivo de avisar um grupo de pessoas sobre alguma coisa.
O problema é que a atenção dos governos e das instituições que tratam do assunto se voltou para a busca de uma solução para a altura dos ruídos apenas recentemente. Isso porque, culturalmente, os ruídos altos sempre estiveram associados ao poder. Nas batalhas da antiguidade, por exemplo, as trombetas ensurdeciam os soldados antes das lutas e eles corriam contra o inimigo batendo pesadamente as espadas nos escudos, o que criava um sentimento de ameaça e pânico no oponente.
Depois da Revolução Industrial o problema teria aumentado, obviamente pelo trabalho incessante e barulhento das imensas máquinas. Quanto mais barulho, mais poderosa parecia aquela corporação industrial. Esse poder de produção e liderança social teria também levado os ruídos incômodos para dentro das casas do cidadão comum. Liquidificadores, televisão, rádio, batedeira elétrica… tudo sugeria que o poder de compra já havia chegado àquela casa, seguindo os ditames da “American Way of Life”.
Com os carros, o mesmo fenômeno. Até os anos 1970, ter um carro que fazia estrondos ruidosos era visto como status. Depois dos anos 70 isso começou a mudar, através de leis que limitavam e suprimiam os ruídos que chegavam às ruas.
Shafer também fala sobre os moozaks, o que chamamos de música de elevador. Os moozaks são usados até comercialmente em ônibus, aviões e elevadores, e são feitos para acalmar as pessoas e mantê-las presas às suas ações cotidianas, numa relação (segundo o autor) extremamente anti-revolucionária entre patrão e funcionário.
O pesquisador conta que esses ruídos são usados em corredores de prédios comerciais, como forma de controle dos freqüentadores. Muitos moozaks, contudo, acabam existindo naturalmente, pelos barulhos intermináveis e intermitentes da pulsação da cidade, ou mesmo da natureza.

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18. jan, 2010
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O planeta que se dane

Uma ensandecida teoria da conspiração ambiental começa a ser desenhada pela direita festiva da imprensa brasileira

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Segundo Diogo Mainardi, apesar de todos os dados científicos, o aquecimento global nem existe

Por Luís Paulo Domingues

O colunista da “Veja” Diogo Mainardi está delirando. Não é a primeira vez que ele afirma que o aquecimento global não existe. Ou melhor, ele diz que a Terra está esfriando nos últimos tempos.

Pelo o que eu entendi, o polêmico escriba acha que o aquecimento global é um tipo de teoria da conspiração que “essas ONGs” inventaram para se locupletar do dinheiro alheio. O séquito de seguidores de Reinaldo Azevedo – outro colunista da Veja com a mesma tendência a delírios reacionários – também tem a mesma opinião. Um de seus leitores colocou uma sugestão em seu blog para ele ler uma reportagem completamente imbecil sobre um tal de Lord Lawson, que diz que os pesquisadores forjaram os números sobre o aquecimento global.

Então eu procurei no Google e estava lá: Lord Lawson, político britânico, conservador – como Diogo e Reinaldo -, foi Chanceler do governo de Margaret Thatcher de 1983 a 1989. Ela mesmo, Iron Maiden em pessoa, a Dama de Ferro.

Eu pergunto: com exceção dos americanos, a quem interessa mais esse tipo de sandice do que aos conservadores britânicos? Afinal, reduzir a emissão de gases, o efeito estufa, o aquecimento global… essas coisas demandariam muito dinheiro para os países mais desenvolvidos e industrializados, como a Inglaterra.

Contrariando a teoria da conspiração do colunista da Veja e de Lord Lawson, os jornais publicaram nesta terça-feira que o efeito estufa deve aumentar a temperatura da Terra em até 6 graus até o final do século. Mas como disse o Diogo Mainardi em seu texto de 17 de outubro último, o planeta que se dane!

É isso mesmo que você está lendo: “O planeta que se dane” é, inclusive, o título do texto do dia 17. Na “obra”, Mainardi escreve: “O aquecimento global nem existe. O pico de calor foi em 1998. De lá pra cá, a Terra está esfriando.”

Nem se ele morasse na Finlândia isso iria deixar de ser uma asneira.

Lord Lawson é conservador. Já Diogo e Reinaldo são conservadores polêmicos. É diferente. “Viraram isso” desde que a Veja “virou isso” em 1994, quando Fernando Henrique Cardoso foi eleito presidente.

Eles não são conservadores porque são contra “as esquerdas”, mas porque vivem de replicar babaquices americanóides como essa de que o mundo está esfriando. Também gostavam bastante do George Bush, apoiaram com unhas e dentes a invasão do Afeganistão e do Iraque, pedem insistentemente mais tropas americanas no Oriente Médio, acham que Barack Obama é uma farsa e que ele não pode, de modo algum, retirar suas tropas de ocupação, acham que o golpe em Honduras está certo. O candidato perfeito pra eles na presidência dos Estados Unidos ainda seria o Dick Chaney, a gracinha do ex vice-presidente americano da era Bush. E ainda xingaram o Chico Buarque (mas por boas razões).

A verdade é que os dois são bons articulistas, defendem “n” posições em que estão, na minha opinião, cobertos de razão – este artigo é só pra falar mal deles, qualquer dia eu falo do lado bom -, mas acabam esbarrando em fanfarronices dessas que estão acima. Acabam deixando aquela impressão de que escrevem o que escrevem para criar polêmica, porque vende mais.

Segunda-feira, Reinaldo Azevedo foi entrevistado no Jô Soares e apesar de se mostrar um cara um tanto freak, um tanto descontrolado, deu uma entrevista interessante e divertida. Porém, no momento em que ele estava quase falando do aquecimento global, foi cortado pelo apresentador. Sorte dele. “O planeta que se dane” na TV não iria pegar bem.

E há uma contradição no “planeta que se dane” do Diogo. Se não há aquecimento global, o planeta não se dana. Tanto.

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Hubble revela nascimento de estrelas

Texto publicado no site da NASA
Tradução de Luís Paulo Domingues

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Imagem capturada pela nova câmera do Hubble: nunca vista antes

A nova e espetacular câmera que foi instalada no telescópio espacial Hubble – durante a missão de serviço em Maio – produziu a mais detalhada visão do nascimento de uma estrela, nos braços curvos da galáxia espiral M83.
Apelidado de “Southern Pinewheel”, a M83 possui formação de estrelas mais rápida do que a nossa galáxia – a Via Láctea -, especialmente em seu núcleo.
A lente afiada da Câmera de campo aberto 3 (WFC 3) capturou centenas de aglomerados de estrelas jovens e centenas de milhares de estrelas individuais – a maioria azuis supergigantes e vermelhas supergigantes.
A fronteira de análise do comprimento de onda da WCF3, do ultra-violeta ao infra-vermelho, revela estrelas em diferentes estágios de evolução, permitindo que os astrônomos dissequem a história da formação de estrelas na galáxia.
A imagem revela detalhes sem precedentes da atual taxa de nascimento no famoso grand design da galáxia espiral.
Os restos de cerca de 60 explosões de supernovas – a morte de estrelas massivas – podem ser visto na imagem, com detalhes cinco vezes mais nítidos que os já conhecidos anteriormente nessa região.
O WCF3 também identificou as reminiscências das supernovas. Estudando essas reminiscências, os astrônomos podem entender melhor a natureza das estrelas progenitoras, que são responsáveis pela criação e pela dispersão da maioria dos elementos pesados da galáxia.

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O Criacionismo no Mundo Islâmico

O criacionismo emerge no mundo Islâmico entre a discussão da evolução e da Terra nova

Artigo de Kennet Chang
New York Times 02/11/09
Tradução de Luís Paulo Domingues

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A criação divina é um grande obstáculo para a aceitação do evolucionismo

O criacionismo está crescendo no mundo muçulmano. Pesquisadores islâmicos de várias partes do mundo se encontraram em Amherst, no estado americano de Massachussets, para discutir a questão.
Porém, os muçulmanos não acreditam na teoria criacionista da Terra Jovem – uma corrente que está ganhando muita força entre os evangélicos e que afirma que Deus criou o Universo, a Terra e a vida a poucos milhares de anos atrás. Uma razão para isso é que, apesar de o Corão (o livro sagrado islâmico) dizer que Deus criou a Terra em seis dias, o próprio Corão diz que o dia, nesse caso, está descrito em estado metafórico: “-mil anos da maneira que você calcula”, diz o texto.
Por outro lado, alguns cristãos criacionistas (os adeptos da Terra Jovem) afirmam que a Terra tem 6.000 anos. Isso elimina a possibilidade da ocorrência da evolução e também desmente muito do que diz a geologia moderna e a cosmologia – que calculam que a Terra tenha bilhões de anos.
“-Essas novas teorias são claramente influenciadas pelas bases das crenças religiosas”, diz Salman Hameed, que organizou dois dias de conferência sobre o tema no Hampshire College, onde é professor de ciências integradas e humanidades. “-Não existe essa verdade do criacionismo da Terra Nova”, afirma.
Mas isso não significa que a evolução seja aceita pelo islamismo, ou que todo muçulmano aceite de bom grado as descobertas da biologia moderna. Cada vez mais parece claro que os muçulmanos estão aderindo ao chamado “criacionismo da velha Terra”. Eles não são contra as teorias astronômicas ou geológicas, apenas refutam a biologia, pois insistem que a vida é criação de Deus e não a consequência de ocorrências aleatórias.
O debate sobre a evolução só agora ganha proeminência nos países islâmicos, pois com a melhora da educação, muitos estudantes são expostos às ideias da moderna biologia.
Mas o grau de aceitação da evolução varia entre os países islâmicos.
Pesquisas coordenadas pelo Evolution Education Research Center, na Universidade McGill, em Montreal, descobriu que textos de biologia do segundo grau nas escolas do Paquistão abordaram a teoria da evolução. Porém, partes do Corão no início dos capítulos sugerem que a religião e a teoria da evolução coexistem harmoniosamente.
Em um levantamento feito entre 2527 estudantes secundaristas paquistaneses, conduzido pelos pesquisadores da McGill University e seus colaboradores internacionais, 28% dos estudantes concordaram com o criacionismo. Porém, mais de 60% discordaram e o restante não soube opinar.
86% concordaram com a declaração: “milhões de fósseis nos mostram que a vida existe há bilhões de anos e muda a todo tempo”.
A situação na Turquia é diferente e mudou apenas nas últimas duas décadas. Um dos participantes da conferência, Taner Edis, declarou que nunca encontrou criacionistas na Turquia enquanto cresceu, na década de 1970. “-A primeira vez que eu tive notícias do criacionismo foi quando eu vim para a América para estudar na faculdade”, disse Edis, agora professor de física da Truman State University, no Missouri.
Alguns anos mais tarde, em uma livraria, durante uma visita à Turquia, o Dr. Edis achou livros criacionistas nas prateleiras de ciências. “-Aquilo realmente me pegou de surpresa”, disse.
Na Turquia, oficialmente um regime secular, mas não governado por um partido islâmico, o ensino da evolução desapareceu substancialmente nos últimos anos, ao menos abaixo do nível universitário, e nas escolas públicas o currículo de ciências é escrito em deferência ao credo religioso.
Harun Yahya, um criacionista turco da variedade da Terra Antiga, ganhou proeminência na Turquia e em outros lugares. A maioria dos professores de biologia da Indonésia usa o livro criacionista do Sr. Yahya nas classes.
Apesar disso, pela pesquisa da McGill University, os estudantes da Indonésia aceitaram mais a evolução do que os do Paquistão. 85% dos indonésios entrevistados acreditam que os fósseis mostram que a vida têm existido há bilhões de anos e muda a todo tempo.
“-No mundo muçulmano, a qualidade da educação em biologia varia extremamente dependendo de qual país você está e de qual escola você está”, disse Jason R. Wiles, um professor de biologia da Syracuse University e diretor associado da McGill.
Além disso, a situação em países de maioria xiita pode ser bem diferente de lugares onde os sunitas são mais numerosos. Isso porque não há um único líder, como o Papa na Igreja Católica, que pode ditar uma visão oficial para todos os muçulmanos.

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7,3 bilhões de anos mais tarde, a teoria de Eisntein prevalece

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Em matéria publicada na página de ciências do New York Times de hoje (29 de outubro), cientistas do telescópio espacial  de raios Gama Fermi, da NASA, dizem ter comprovado que a teoria da relatividade de Einstein continua atual.
Isso porque em um dos testes mais precisos já realizados, os pesquisadores observaram raios gama de diferentes energias e comprimentos de onda emitidos da explosão de uma estrela que ocorreu quando o universo tinha a metade de sua idade atual. Depois de uma jornada de 7,3 bilhões de anos luz, todos os raios chegaram dentro da nonagésima parte de um segundo um do outro em um detector do microscópio Fermi.
Einstein proclamou em 1905, quando publicou a teoria da relatividade, que a velocidade da luz é constante e independente de sua cor, energia, direção ou o lugar em que o observador se move.
A conclusão é que não há evidência que a energia ou o comprimento de onda da luz afeta sua velocidade através do espaço. Isso é importante para o estudo da estrutura do espaço tempo, pois alguns teóricos têm sugerido que o espaço, em uma escala muito pequena, tem uma estrutura granular que aceleraria algumas ondas de luz mais rapidamente que outras – ou seja, que a relatividade poderia ser falha para as menores escalas.
O diretor da equipe de pesquisa, Dr. Peter Michelson, diz que, por enquanto, os novos resultados do telescópio Fermi não eliminam por completo a possibilidade de falha na teoria, mas observações mais detalhadas ainda com explosões de raios gama podem verificar ou refutar tal hipótese. Isso teria um enorme efeito nos esforços dos físicos em unificar a teoria da gravidade de Einstein que governa o espaço sideral, à mecânica quântica, que governa o espaço interior dos átomos.
Para ler mais detalhadamente este artigo, baixe o original aqui.

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29. out, 2009
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27. out, 2009