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No aniversário de morte de Friedrich Engels, conheça livros do filósofo

05/08/2010
da Livraria da Folha

Engels: filho de ricos industriais, cerrou fileira com os interesses dos proletários.

Há 115 anos, no dia 5 de agosto de 1895, em Londres, morria Friedrich Engels, filósofo alemão que, ao lado Karl Marx (1818-1883), transformou o sonho socialista em uma proposta científica.
Filho de um rico industrial prussiano, Engels conheceu desde a infância as dificuldades sociais e a miséria que o proletariado europeu enfrentava nas fábricas do século 19.
Escreve, em 1844, “A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado” , livro no qual analisa a formação da sociedade moderna calcada na propriedade privada, na produção, no comércio e no poder do Estado.
Com Marx, quatro anos depois, publica “O Manifesto do Partido Comunista”, texto que transformou o mundo e declarou a luta de classes como o motor da história. Participou ativamente das Revoluções de 1848, ano crucial para a história europeia.
“Anti Dühring”, de 1878, é um estudo da doutrina socialista de Eugen Düring, professor da Universidade de Berlim. A obra revela o conteúdo da teoria marxista aos líderes da social-democracia alemã e suas consequências políticas.

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Conteúdos que serão avaliados nas provas bimestrais de história – Prof. Fernando

1os anos: capítulo 4 (pp. 87-97; 98-103)

2os anos: capítulos 1, 5, 6, 7, 8

3os anos: Período Regencial e Segundo Reinado

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17. jun, 2010
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Matéria para Prova BIMESTRAL de EPC

1.o Ano – O fetiche da mercadoria; O dinheiro; Alienação; Formas econômicas de alienação.

2.o Ano – O fetichismo da mercadoria; Atitude não-alienada da arte e da ciência; Análise do Disco: The dark side of the moon.

3.o Ano – Introdução ao Oriente Médio; Geografia física do Oriente Médio; Questão nacional no Oriente Médio.

Oriente Médio em foco 2009

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15. jun, 2010
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Ciro vira alvo de fogo amigo no PSB e pode perder seus cargos no governo

26 de abril de 2010 | 0h 00

Caros alunos do D’Incao e leitores externos: leiam este texto antes da matéria do Estadão. É meio longo, mas vale à pena.
Por Luís Paulo Domingues
D’Incao On Line

Ciro é deixado só pelo PSB: meio óbvio.

A matéria abaixo só vem confirmar que a prática quotidiana da política se transformou há muito tempo num jogo de comadres, onde paga-se e recebe-se  muito bem por apoios e indicações (veja o caso da Secretaria dos Portos, abaixo). Jura-se amor por uma bandeira, enquanto o juramento for recompensado por poder, influência ou dinheiro.
Ciro Gomes queria ser presidente. Até aí, nenhuma novidade. Para tanto, em 1998 e em 2002, na ocasião da primeira eleição vitoriosa de Lula, Ciro “alugou” o PPS, que o lançou como candidato. O PPS (Partido Popular Socialista) é um partido que se diz de esquerda, já tinha sido PCB (Partido Comunista Brasileiro), e agora “aluga” vaga para quem quer fazer jogo de cena e atingir objetivos não muito coerentes na carreira política.
Uma vez este jornalista entrevistou um deputado federal do PPS de Araraquara, cidade aqui ao lado. Perguntei se ele, sendo do Partido Popular Socialista, acreditava mesmo que o Brasil poderia se transformar em um país socialista. Queria saber até que ponto ele acreditava na abolição da propriedade privada, na socialização dos meios de produção, no regime de partido único… e ele respondeu que nunca acreditara nesse socialismo científico. Ou seja, ele nunca havia acreditado em nada, no que diz respeito ao S do PPS.
Esses mesmos interesses que fazem as pessoas se ligarem a partidos e a grupos por conveniência fizeram Ciro ingressas no PSB. O PSB é o Partido Socialista Brasileiro, que assim como o combalido PPS, teve um notório e valoroso passado (leiam sobre Miguel Arraes, fundador do PSB), mas agora é uma legenda de aluguel que só serve para aumentar a base governista ou oposicionista de seja quem for.
Dentro do PSB, Ciro foi nomeado Ministro do governo Lula. Agora aparece em entrevistas pelo Brasil afora dizendo que Dilma não é preparada, que Serra é melhor, que a aliança do PT com o PMDB é amoral… só porque seu partido (rezando a cartilha do “paga e leva” da política brasileira) recusa-se a lançá-lo candidato à presidência.
Para um político como Ciro, que começou no PDS (a Arena, dos militares), foi para o “amoral” PMDB, depois (por anos) para o PSDB e mais tarde para os agora insossos PPS e PSB, a revolta é que soa amoral. A não ser que a gente se dê por vencido, veja no tal jogo de comadres uma política lícita e diga: “-Ah, política é assim mesmo!”
Aí então Ciro tem Razão.

Eugênia Lopes, de Brasília – O Estado de S.Paulo

A um dia de perder a legenda para disputar a Presidência da República, o deputado Ciro Gomes (CE) transformou-se em alvo de fogo amigo do próprio PSB. Em retaliação às críticas desferidas pelo deputado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PSB, integrantes da cúpula partidária defendem que Ciro perca os cargos que possui no governo.

Na mira dos dirigentes socialistas está a Secretaria de Portos, que tem status de ministério, sob o comando de Pedro Brito, homem de confiança de Ciro Gomes. A Secretaria de Portos comanda sete Companhias Docas pelo Brasil e foi criada pelo presidente Lula, em 2007, para atender à reivindicação do PSB de mais espaço no governo.
Secretário executivo de Ciro Gomes no Ministério da Integração Nacional, no primeiro mandato de Lula, Brito ganhou o cargo por indicação do deputado. Antes, ele ocupou por quase um ano a titularidade da pasta da Integração Nacional, com a saída de Ciro Gomes para disputar uma cadeira na Câmara, em 2006. O sucessor de Brito na Integração Nacional foi o peemedebista Geddel Vieira Lima, hoje candidato ao governo da Bahia.
O Orçamento de 2010 para a Secretaria de Portos é de R$ 1,5 bilhão. Desse total, R$ 300 milhões já foram empenhados, ou seja, podem ser usados, segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi). São 34 portos públicos marítimos sob a gestão da secretaria e sete Companhias Docas: do Pará, do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Bahia, do Rio de Janeiro e de São Paulo, responsável pelo Porto de Santos.
A Executiva Nacional do PSB se reúne amanhã para bater o martelo sobre a retirada da pré-candidatura de Ciro da corrida presidencial. A expectativa é que o partido apoie a candidatura de Dilma Rousseff (PT).
Em troca, o PT deverá permitir que partidos aliados se coliguem com o PSB em alguns Estados. Seria o caso de São Paulo, onde o pré-candidato do PSB ao governo, Paulo Skaf, quer atrair para sua chapa o PR e o PC do B.
As críticas feitas por Ciro a Lula e ao PSB irritaram integrantes da cúpula do partido, que, nos bastidores, passaram a defendem as retaliações.
O presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, não gostaram da reação de Ciro diante da iminência de ter a candidatura negada. O deputado os acusou de não estarem “no nível que a história impõem a eles”. Outro que ficou aborrecido foi Lula, que foi surpreendido com a comparação feita entre Dilma e o pré-candidato tucano, José Serra. Ciro disse que “Dilma é melhor do que Serra como pessoa, mas o Serra é mais preparado, mais legítimo, mais capaz”.
Polêmica. A ordem do Palácio do Planalto e do PSB é, no entanto, evitar responder às críticas e não polemizar com Ciro. Na avaliação dos socialistas, a candidatura dele perdeu densidade com a polarização da eleição presidencial entre Dilma e Serra.
Um dos sinais de que o próprio Ciro teria jogado a toalha em relação a sua entrada na disputa foi o fato de Pedro Brito não ter se desincompatibilizado, no início de abril, para disputar uma vaga na Câmara pelo Ceará.
Na reunião da Executiva do PSB, a direção apresentará levantamento que mostra a maioria dos diretórios hoje contra a candidatura Ciro.

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26. abr, 2010
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05. abr, 2010
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01. abr, 2010
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Inglaterra vai proibir castigos físicos nas escolas

Inglaterra vai acabar com punição física em escolas religiosas

TER, 30/03/10
PUBLICADA NA REVISTA ÉPOCA
EDUCAÇÃO

Ao contrário da Inglaterra, como a foto acima mostra, em alguns lugares da Índia, as punições foram até modernizadas.

O governo inglês vai acabar com uma brecha na lei que ainda permite a professores e tutores em escolas religiosas usar punições físicas em seus alunos. Em entrevista ao jornal The Guardian, o chefe do conselho de segurança das crianças, Sir Roger Singleton, afirmou que algumas escolas e madrasas (instituições educacionais árabes) evocavam imagens sagradas de punição física para castigar as crianças.
Professores de escolas públicas são proibidos de bater em crianças desde 1987. A lei contra a punição em escolas privadas só entrou em vigor em 1993.
Singleton disse que a lei será mudada o mais rápido possível. Ele afirma que apenas os pais têm direito de optar pelo castigo físico na educação de seus filhos.

Enxergue:
Estamos em tempos de construtivismo global nas escolas do mundo, que é disseminado pelos governos (é muito mais fácil governar) e pelos abastados (é muito mais fácil mandar e se manter abastado). O construtivismo esvazia toda a autoridade e a importância do professor na sala de aula, conferindo ao aluno o poder para (até) escolher o que quer aprender.
A escola tradicional, por outro lado (que é a escola a que o texto acima se refere), é aquele clássico modelo educacional, no qual o professor tem o poder, a capacidade, a autoridade e formação bastante para transmitir os conteúdos fundamentais produzidos pela humanidade e que serão condicionais para que o aluno tenha uma boa formação.
Mas a escola tradicional também é voltada para a classe dominante (hegemônica) e os castigos físicos (resquício medievalesco) não se justificam no século XXI, mesmo que sejam pelo louvável propósito de manter a autoridade do professor .
obs: Ao contrário da Inglaterra, como a foto acima mostra, em alguns lugares da Índia, as punições foram até modernizadas.

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Terremotos, enchentes e governos

Sobre o depreparo e o descaso dos governos diante dos acidentes: os da natureza e os provocados pelo próprio homem.

Por Luís Paulo Domingues

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Aqui sim o Prefeito de São Paulo poderia culpar exclusivamente a natureza.

O homem está destruindo o meio ambiente. E a natureza, cedo ou tarde, dá o troco. Isso não é novidade alguma.
A humanidade sempre foi porca – ou quase sempre, pois dizem que os gregos eram um pouco mais asseados, mas eu não acredito. Assim como não acredito que sejamos mais danosos para a natureza agora do que eram os habitantes de uma cidade na idade média. Ou vocês acham que Paris no século XIII era legal? Era um nojo.
O problema agora é a escala da destruição. É muita gente sujando e atrapalhando o perfeito desenrolar das coisas, e com uma velocidade e uma voracidade sem precedentes. Sabemos que a Revolução Industrial foi o estopim para tal aumento de escala e que apenas a partir do início dos anos 1970 o homem começou (muito timidamente) a se preocupar com isso.
Já os terremotos não são provocados pelos homens e nem pelas suas atitudes em relação ao meio ambiente. Terremotos acontecem quando têm que acontecer, onde têm que acontecer. O máximo que o homem pode fazer é monitorá-los, tentar prevê-los e aperfeiçoar a engenharia para que as estruturas não desabem tão facilmente.
Mas isso antes do terremoto. Depois dele, o homem (leia-se governos, principalmente) pode fazer muito. E para que isso aconteça, é preciso que os planos sejam traçados antes de a desgraça acontecer. E que sejam traçados por gente competente, para serem executados por gente competente.
O que enxergamos ao acompanhar as notícias desta última semana no Chile é que o governo chileno não estava preparado. Nem um pouco. Eles conseguiram se atrapalhar até com o aviso de alerta do tsunami após o terremoto. A marinha chilena retirou o alerta no exato instante em que as ondas chegavam à costa, o que custou a vida da maioria das vítimas – morreu muito mais gente em decorrência do tsunami do que do terremoto.
Assisti em um jornal uma chilena falando: “-O terremoto não foi nada, perto do que aconteceu depois. O governo não deu auxílio, o exército não chegou, não temos água, comida… estamos entregues à própria sorte.”
A incompetência do governo chileno torna-se mais grave quando lembramos que o maior terremoto da história (o de Valdívia) aconteceu exatamente lá, em 1960, com 9,5 de magnitude. Já deveriam estar preparados para outro.
Mas essa não é uma “qualidade” exclusiva do Chile. Percebemos isso claramente no furacão Katrina, e com muito mais contundência, porque veio acrescido de uma visível diferença de tratamento quanto às questões racial e de classes. E o Katrina ocorreu justamente no primeiro dos primeiros mundos – pelo menos diz-se por aí que é -: os Estados Unidos.
Em New Orleans (cidade mais atingida) e adjacências, quem tinha dinheiro se salvou ou foi salvo; quem não tinha – imensa maioria de afro-americanos – foi deixado lá para se virar, numa tremenda demonstração de descaso e despreparo do então governo Bush.
Este ano também tivemos o exemplo da Ilha da Madeira e do litoral da França. Na França, ao menos, o presidente Sarkosy reconheceu que estar despreparado para aquela situação, no século XXI… na França… era um absurdo.
Aí vem o Brasil, que não podia ficar fora dessa. A propaganda do Kassab na TV (ou melhor, a tentativa de tentar achar um culpado pelo atendimento precário à população durante as últimas enchentes) fez o que se espera de um político brasileiro mediano – ou, como mostra os outros casos deste texto, o que se espera de um político mediano do mundo todo -: colocou a culpa na natureza.
Ontem tivemos um novo terremoto em Taiwan. Vamos esperar para ver como o governo de lá se comporta.

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Jobs, consumidores e cidadãos

A tecnologia avançada é um benefício, mas também um fetiche para a humanidade.

por Luís Paulo Domingues

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Steve Jobs: perfeição para criar novas necessidades tecnológicas

O escritor argentino Néstor Canclini é um dos maiores estudiosos de comunicação, cultura e sociologia do quotidiano na América do Sul. Em seu livro “Consumidores e cidadãos”, Canclini investiga a cultura moderna no sentido de sua desterritorialização – face à realidade da globalização – e no da transformação da cidadania em consumo, ou seja, de cidadãos em consumidores.
Por que estamos nos transformando em consumidores ao invés de cidadãos? Porque o lugar do consumo foi tomando o lugar da cidadania no quotidiano do mundo atual. Isso aconteceu a partir dos anos 1950 com a “American Way of Life” e todas as suas promessas de felicidade através da compra e da posse de produtos inovadores e cada vez mais facilitadores do dia-a-dia – o que também mostrava que os americanos eram melhores que os outros (leia comunistas e seu modo de vida). Assim, todos os que seguissem o estilo de vida americano estariam no topo da pirâmide da felicidade e do bem estar.
A globalização só fez exacerbar esse sentimento de se precisar de algo que não se precisava antes, de não mais se conseguir viver sem a posse de certas coisas que a indústria e a mídia criam – novas necessidades que não existiam e que infestam as propagandas e os corações das pessoas.
No lugar, portanto, do homem cidadão, que deveria lutar para exercer sua cidadania e garantir seus direitos fundamentais, surge o homem consumidor, que luta para adquirir os produtos que estão em voga no dia de hoje e que amanhã já serão substituídos por outros melhores e tornar-se-ão completamente obsoletos.
Quarta-feira foi aniversário do Steve Jobs, dono da Apple e grande mestre em criar demandas. Seu último lançamento, o IPad, causou um alvoroço insano no mundo todo na semana passada, com multidões sonhando – simultaneamente ao anúncio do produto – em adquiri-lo o mais rápido possível, talvez mesmo sem saber para que serve exatamente a engenhoca.
Por que será que somos todos tomados por esse frenesi? Por que temos que ter a posse do novo produto no momento do lançamento, se é sabido que pouco tempo depois ele estará mais barato? Se sabemos que não vai acabar, que se todos os seis bilhões de habitantes quiserem e tiverem dinheiro para comprar, a indústria irá produzir seis ou mais bilhões de unidades?
Foi assim quando o Windows Vista foi lançado. Por que formaram-se filas enormes em frente às lojas para adquirir o produto no primeiro dia, se ele estaria lá no segundo dia, uma semana depois, três meses depois? E tudo isso para se descobrir mais tarde que o produto era muito ruim. Ninguém mais quer.
Não se engane, caro leitor. Aqui não fala nenhum apocalíptico da tecnologia, que acha que devamos voltar ao modo de produção pré industrial para sermos melhores. Eu sei que a tecnologia eletrônica, cibernética, robótica e sei lá mais quantas são grandes facilitadoras de nossas vidas. O que incomoda é o auê, é ter que ler o novo Harry Porter na madrugada do lançamento, só para sair dizendo: eu já li.
No caso do IPad de Jobs, trata-se de um computador portátil de diversas funções: é computador, é livro, é televisão… é tudo. E é bom.
O que se discute aqui, na verdade, é o fetiche pela novidade tecnológica. É aquilo que faz o mundo dos Jetsons (o desenho animado) ser o que é: um mundo regido pelo mito da dualidade entre o animal e o humano, o natural e o artificial, o primitivo e o avançado. Através das mensagens que a propaganda espalha, o homem pós-moderno só se sente humano nessas segundas opções. É um modo até legítimo de pensar, mas que tem lá suas muitas consequências.

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O mundo é muito barulhento

Estudo de antropólogo canadense disseca o mundo dos ruídos produzidos pelo homem e pela natureza durante os séculos.

Por Luís Paulo Domingues

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É possível conviver com o barulho deste mundo?

Grande estudioso de ambientes acústicos, o canadense R. Murray Schafer conseguiu reunir em seu livro “A Afinação do Mundo” um panorama legível e profundo sobre o problema dos ruídos em diversos lugares e épocas. Levando sempre em conta os aspectos culturais, Shafer localiza, através de extensa pesquisa documental e de campo, os excessos e desvios dos barulhos que o ser humano teve e tem que suportar ouvir em seu dia-a-dia.
Segundo o pesquisador, mesmo em tempos mais antigos, como na Idade Média, o homem poderia evitar barulhos irritantes e melhorar a qualidade de vida, o conforto sensorial e as paisagens sonoras. Mas é com a sociedade contemporânea que Shafer mais se preocupa. Nunca antes na história houve níveis de ruído tão intensos e freqüentes quanto agora. Isso, segundo ele, deteriora a vida das pessoas muito mais do que elas pensam. Os níveis de stress e as ocorrências de doenças relacionadas ao stress nunca foram tão grandes e os ruídos intermitentes da sociedade moderna estão totalmente relacionados a isso.
Shafer também faz uma diferenciação bem clara e lógica dos ruídos segundo figura e fundo, ou seja, ruídos de frente, aqueles que a gente nota conscientemente, e ruídos de fundo, aqueles que são tão perenes em nossa vida e que, na maioria das vezes, nem chegamos a perceber. Por exemplo: o ar condicionado do escritório, que as pessoas só ouvem se prestarem atenção ao barulho.
Alguns ruídos também, segundo ele, são característicos de uma cultura: é o que ele chama de marca sonora, como o apito de uma fábrica em uma cidade industrial, ou a buzina dos carros em uma cidade grande. Esses mesmos ruídos podem ser considerados como sinais sonoros, pois têm o claro objetivo de avisar um grupo de pessoas sobre alguma coisa.
O problema é que a atenção dos governos e das instituições que tratam do assunto se voltou para a busca de uma solução para a altura dos ruídos apenas recentemente. Isso porque, culturalmente, os ruídos altos sempre estiveram associados ao poder. Nas batalhas da antiguidade, por exemplo, as trombetas ensurdeciam os soldados antes das lutas e eles corriam contra o inimigo batendo pesadamente as espadas nos escudos, o que criava um sentimento de ameaça e pânico no oponente.
Depois da Revolução Industrial o problema teria aumentado, obviamente pelo trabalho incessante e barulhento das imensas máquinas. Quanto mais barulho, mais poderosa parecia aquela corporação industrial. Esse poder de produção e liderança social teria também levado os ruídos incômodos para dentro das casas do cidadão comum. Liquidificadores, televisão, rádio, batedeira elétrica… tudo sugeria que o poder de compra já havia chegado àquela casa, seguindo os ditames da “American Way of Life”.
Com os carros, o mesmo fenômeno. Até os anos 1970, ter um carro que fazia estrondos ruidosos era visto como status. Depois dos anos 70 isso começou a mudar, através de leis que limitavam e suprimiam os ruídos que chegavam às ruas.
Shafer também fala sobre os moozaks, o que chamamos de música de elevador. Os moozaks são usados até comercialmente em ônibus, aviões e elevadores, e são feitos para acalmar as pessoas e mantê-las presas às suas ações cotidianas, numa relação (segundo o autor) extremamente anti-revolucionária entre patrão e funcionário.
O pesquisador conta que esses ruídos são usados em corredores de prédios comerciais, como forma de controle dos freqüentadores. Muitos moozaks, contudo, acabam existindo naturalmente, pelos barulhos intermináveis e intermitentes da pulsação da cidade, ou mesmo da natureza.

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18. jan, 2010