O podcast é uma das ferramentas tecnológicas mais utilizadas pelos professores do D’Incao Instituto de Ensino. Com o objetivo de introduzir e auxiliar os conteúdos trabalhados em aula, o podcast é um pequeno vídeo, geralmente apresentado pelo professor, que aborda fatos, acontecimentos, teorias, notícias, fórmulas… enfim, tudo o que pode dizer respeito a um determinado tópico de uma disciplina, ou a um assunto qualquer que se queira abordar.
Para a produção dos podcasts, o D’Incao Instituto de Ensino conta com uma equipe multimídia de profissionais de comunicação e com um estúdio de última geração construído na sede do ensino médio. A proximidade e a convivência dos profissionais de mídia, professores e alunos, principal público alvo da produção de podcasts, facilita e dinamiza o aprendizado, a troca de informações e de experiências.
Agora os podcasts do D’Incao estão disponíveis no site da escola para pesquisa dos alunos e do público externo. Basta acessar:
Novo site de podcasts do D’Incao Instituto de Ensino
Jobs, consumidores e cidadãos
A tecnologia avançada é um benefício, mas também um fetiche para a humanidade.
por Luís Paulo Domingues

Steve Jobs: perfeição para criar novas necessidades tecnológicas
O escritor argentino Néstor Canclini é um dos maiores estudiosos de comunicação, cultura e sociologia do quotidiano na América do Sul. Em seu livro “Consumidores e cidadãos”, Canclini investiga a cultura moderna no sentido de sua desterritorialização – face à realidade da globalização – e no da transformação da cidadania em consumo, ou seja, de cidadãos em consumidores.
Por que estamos nos transformando em consumidores ao invés de cidadãos? Porque o lugar do consumo foi tomando o lugar da cidadania no quotidiano do mundo atual. Isso aconteceu a partir dos anos 1950 com a “American Way of Life” e todas as suas promessas de felicidade através da compra e da posse de produtos inovadores e cada vez mais facilitadores do dia-a-dia – o que também mostrava que os americanos eram melhores que os outros (leia comunistas e seu modo de vida). Assim, todos os que seguissem o estilo de vida americano estariam no topo da pirâmide da felicidade e do bem estar.
A globalização só fez exacerbar esse sentimento de se precisar de algo que não se precisava antes, de não mais se conseguir viver sem a posse de certas coisas que a indústria e a mídia criam – novas necessidades que não existiam e que infestam as propagandas e os corações das pessoas.
No lugar, portanto, do homem cidadão, que deveria lutar para exercer sua cidadania e garantir seus direitos fundamentais, surge o homem consumidor, que luta para adquirir os produtos que estão em voga no dia de hoje e que amanhã já serão substituídos por outros melhores e tornar-se-ão completamente obsoletos.
Quarta-feira foi aniversário do Steve Jobs, dono da Apple e grande mestre em criar demandas. Seu último lançamento, o IPad, causou um alvoroço insano no mundo todo na semana passada, com multidões sonhando – simultaneamente ao anúncio do produto – em adquiri-lo o mais rápido possível, talvez mesmo sem saber para que serve exatamente a engenhoca.
Por que será que somos todos tomados por esse frenesi? Por que temos que ter a posse do novo produto no momento do lançamento, se é sabido que pouco tempo depois ele estará mais barato? Se sabemos que não vai acabar, que se todos os seis bilhões de habitantes quiserem e tiverem dinheiro para comprar, a indústria irá produzir seis ou mais bilhões de unidades?
Foi assim quando o Windows Vista foi lançado. Por que formaram-se filas enormes em frente às lojas para adquirir o produto no primeiro dia, se ele estaria lá no segundo dia, uma semana depois, três meses depois? E tudo isso para se descobrir mais tarde que o produto era muito ruim. Ninguém mais quer.
Não se engane, caro leitor. Aqui não fala nenhum apocalíptico da tecnologia, que acha que devamos voltar ao modo de produção pré industrial para sermos melhores. Eu sei que a tecnologia eletrônica, cibernética, robótica e sei lá mais quantas são grandes facilitadoras de nossas vidas. O que incomoda é o auê, é ter que ler o novo Harry Porter na madrugada do lançamento, só para sair dizendo: eu já li.
No caso do IPad de Jobs, trata-se de um computador portátil de diversas funções: é computador, é livro, é televisão… é tudo. E é bom.
O que se discute aqui, na verdade, é o fetiche pela novidade tecnológica. É aquilo que faz o mundo dos Jetsons (o desenho animado) ser o que é: um mundo regido pelo mito da dualidade entre o animal e o humano, o natural e o artificial, o primitivo e o avançado. Através das mensagens que a propaganda espalha, o homem pós-moderno só se sente humano nessas segundas opções. É um modo até legítimo de pensar, mas que tem lá suas muitas consequências.
D’Incao terá laboratório inédito de física nuclear em Bauru
Não há dúvida de que os materiais didáticos utilizados nas salas de aula são de grande auxílio aos professores para melhor trabalharem os conceitos com os estudantes. Apesar disso, o uso de laboratórios como recurso didático está tornando-se cada vez mais freqüente nas escolas. Segundo especialistas, as aulas práticas podem motivar os estudantes a gostar de determinadas matérias, pois além da visualização, têm a oportunidade de manusear materiais. Pensando nisso, o D’Incao Instituto de Ensino inaugura no início do próximo ano letivo o laboratório de física nuclear – o primeiro de Bauru e um dos únicos do Estado de São Paulo.
A física nuclear estuda as propriedades e o comportamento dos núcleos atômicos e os mecanismos das reações nucleares. Esta área da ciência teve início a partir da evolução do conceito científico acerca da estrutura atômica – até meados do século 19 acreditava-se que os átomos eram esferas maciças indestrutíveis e indivisíveis.
De acordo com Pedro D’Incao, diretor e professor da instituição, o laboratório a princípio será destinado aos estudantes do ensino médio e do curso pré-vestibular. Posteriormente, a escola estuda a possibilidade de colocar à disposição das instituições de ensino superior a infra-estrutura do colégio. “É difícil encontrarmos um laboratório deste, até mesmo nas universidades”, afirma.
Por meio de assessoria de imprensa, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) informou que a instituição não possuiu um laboratório de física nuclear. Já a Universidade de São Paulo (USP) possui um no câmpus da Capital.
O diretor explica que o novo espaço dará suporte experimental ao conteúdo discutido em sala de aula. “O conteúdo nesta área dependia somente da dedicação do aluno, já que ele não via nada de concreto. Agora, eles verão isso na prática”, revela Pedro. “O educando, ao realizar uma experiência, compreende melhor um conceito. Com a diversificação de materiais didáticos e o desenvolvimento de atividades experimentais, os professores podem desenvolver melhor suas aulas e os estudantes atingirão os objetivos, assimilando os conteúdos programáticos com maior facilidade. O laboratório serve para a construção teórica”, acrescenta.
De acordo com Pedro, os docentes e as instituições de ensino precisam acabar com a visão de que os alunos do ensino médio devem ser adestrados para o vestibular. “Inclusive o conhecimento científico tem sido cobrado cada vez mais nos vestibulares. Na prova da Fuvest, por exemplo, realizada no último domingo, uma das questões de física era experimental”, afirma.
O D’Incao aguarda o laudo da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para a inauguração do espaço. Pedro explica que a documentação é necessária porque alguns materiais são importados, e para fazer a compra é necessário a autorização. “Alguns experimentos nesta área já ocorrem na escola. Inclusive já temos bastante aparelhagem, compradas da Alemanha”, conta Pedro. “É importante deixar claro que o nível de radiação neste laboratório é baixo. Em um ano, o nível é menor do que o transmitido em um exame de raio X no dentista”, finaliza o diretor.
Fonte: JC
D’Incao na Revista Info Exame
O D’Incao Instituto de Ensino foi destaque em uma das principais matérias da edição deste mês da revista Info. Com circulação em todo o país e publicada pela editora Abril, a Info é a maior referência em informática no Brasil, além de ser a publicação mais vendida no gênero.

A matéria aborda o universo das raras escolas do país que utilizam a tecnologia avançada como ferramenta indispensável para potencializar o aprendizado dos alunos.
Os únicos colégios brasileiros mencionados pela revista foram o Bandeirantes e o Dante Alighieri, de São Paulo, e o D’Incao, de Bauru. O D’Incao é a única escola da América Latina a adotar o sistema one to one – 1 lap top Apple por aluno. A opção pela tecnologia Apple (outra exclusividade do D’Incao no Brasil) demonstra que o colégio bauruense está utilizando o que os especialistas apontam como mais avançado no mundo da informática.
O império da cópia
Nossa referência do que é a verdade passou a ser aquilo que copia alguma coisa. As máquinas transformaram a simulação em uma verdade maior.
Por Luís Paulo Domingues

Estamos nos apaixonando pelo reflexo do que nós realmente somos?
Nada incorpora mais a alma dos seres humanos ocidentais modernos do que o Xérox. Ou melhor, a máquina de fotocópias que acabou sendo chamada assim porque todo mundo só usava a de uma marca.
Ao longo do século XX, fomos nos moldando ao mundo das imagens e abandonando o mundo das palavras. O cinema e a TV causaram uma hipnose global pelas “verdades” que estão expressas nas imagens, a ponto de não nos prestarmos mais a gastar tempo com metáforas. Afinal, “a imagem está ali, nua e crua; a imagem não mente, pois eu estou vendo isto ou aquilo; ninguém me contou, eu vi”.
Mas é muito mais fácil contar uma mentira através de uma imagem. É muito simples embutir um discurso em uma fotografia e fazer com que todos acreditem que é aquilo ali mesmo. É só uma questão de contexto.
O mais incrível nesta ditadura da imagem é que não se trata da imagem que estamos vendo agora, na rua, neste momento. Não é a imagem real que transmite nossa moderna ideia do que seja a verdade, mas sim a imagem simulacral, aquela que chega a nós através de uma mídia: do cinema, da TV, da tela do computador, do IPod, do celular…. aí sim é que mora nossos conceitos e nossos padrões do que é válido, do que existe, do que é certo.
Ao longo do século XX, fomos perdendo a capacidade de discernir os acontecimentos do mundo e de nossas vidas sem o intermédio desses aparelhos. Tudo começou com o rádio, mas o rádio era frio demais, a pessoa tinha que pensar na imagem, tinha que criar.
Com a TV (o cinema já existia, mas não estava dentro de casa a todo momento) é que ocorreu a grande reviravolta – muito vantajosa para alguns. Já vinha tudo pronto, não precisávamos mais criar a imagem na mente, pois ela passou a ser exatamente o que estava aparecendo na tela. Não tem debate, não tem discussão.
As TV’s e a qualidade de suas imagens e sons se desenvolveram, assim como a capacidade de pensar e metaforizar diminuiu.
Estamos em um mundo fake. Se aparece uma pessoa na tela, aquilo nos soa como uma verdade maior do que a pessoa real, que está viva e palpável em um outro lugar.
Eu já falei isto aqui na coluna: quando eu morava em São Paulo, encontrei o Edgar Scandurra em um bar. Eu já tinha ouvido e visto o Scandurra tantas vezes na TV, nas capas dos seus discos, nas revistas e nos jornais, que ele (o cara do meu lado) me pareceu ser a cópia de tudo aquilo que eu já tinha visto. Ele era a cópia de suas próprias cópias.
É o que a verdade está se tornando: a cópia da cópia dela mesma.
“-Nossa, que pôr do sol fantástico! Parece um cartão postal!” Só que o cartão postal é que parece o pôr do sol.
O povo assiste ao Datena mostrando os crimes que ocorrem na esquina ao lado e recebe aquilo como se fosse uma ficção. Virou um filme. Por outro lado, todo mundo acompanha a novela das 8 e passa a se portar como os personagens, a se vestir como eles e a adotar seus valores – às vezes até xingam o “vilão” na rua.
O deputado do castelo, que dá mais valor à sua cópia de castelo medieval em Minas do que à história da Idade Média; a revista Caras, que leva “famosos” para fotografar em propriedade aristocráticas como se eles frequentassem aqueles lugares; as pirâmides e a Torre Eiffel de mentira nos cassinos de Las Vegas; as batalhas entre os cowboys no Beto Carreiro… tudo nos faz perceber que estamos vivendo uma época em que simular é melhor do que ser, em que a verdade e o mundo palpável estão perdidos para nós, envoltos por um plástico, um látex, alguma coisa que não nos permite tocá-los.
obs: O Raul Seixas já foi preso porque o próprio público achou que ele não era ele.
Quer saber mais sobre blogues e twitter?
Aprender sempre é importante, pensando nisso estamos disponibilizando algumas apostilas
Por que a liberação total da Internet nas campanhas políticas é importante
Um Espaço Democrático de Verdade
A Internet, diferente de outros lugares e outras midias, é um espaço realmente democrático, onde qualquer um podeexpressar sua opinião. Na Internet todo mundo pode escolher, e ninguém é obrigado a nada.
As más idéias são rápidamente identificadas, e qualquer tipo de sacanagem ganha ampliação pelos próprios usuários.
Através da internet as pessoas podem, de forma fácil, acessar informações, vídeos, textos, documentos, que podem ajudar a formar sua decisão. Além disso, todos podem comentar, indicando, ou apontando falhas.
Internet promove debate de forma fácil
Hoje todos os sites de web 2.0 possibilitam que seus usuários expressem amplamente sua opinião de inúmeras manerias. Sites como o Youtube, Vimeo, DailyMotion, BlipTV, etc, candidatos poderão postar videos, e seus vídeos poderão ser disseminados em blogs pelo mundo todo pelos apoiadores, ou até por críticos através da ferramenta deincorporação, além de usuários poderem postar respostas, seja em texto, ou até mesmo em vídeo, usuários vão poder avaliar com uma nota de 1 à 5 (estrelinhas) e até mesmo indicar o vídeo como Favorito, fazendo com que o video apareça na página de seu perfil, além do proprio site exibindo uma listagem dos vídeos mais visualizados do dia, semana, e os mais discutidos, é um exlente lugar para divulgar uma idéia e ter esta idéia ampliada pelos próprios usuários.
Em redes como o Twitter, candidato poderão montar uma base de seguidores, e cada twitada poderá ser retwitada(RT) pelos usuários, que neste ponto passam a ser apoiadores, colocando seu nome, e sua credibilidade em seu grupo de amigos, para divulgar uma idéia ou informação.
Bloggers em centenas de lugares, poderão bloggar e discutir sobre seus candidatos, e maioria dos blogs tem espaço para comentários, promovendo debates abertos.
Linha direta com o candidato
Ao se tornar ativo em uma rede social, seja qual for, o candidato estará se expondo, e estará na verdade abrindo um canal de comunicação direta com os usuarios da rede, afinal, ter uma conta em alguma rede social é ter um canal de duas vias, que envia e que recebe.
Evidentemente estes candidatos poderão de forma muito eficiente, poder determinar o que seus eleitores realmente consideram importantes, e poderão, se forem espertos, promoverem debates e montar uma boa estratégia de campanha a partir das ideás e necessidades de seus apoiadores.
Coleta de dados importantes
Aravés da internet, os candidatos poderão analisar todos os dados de acesso de seu site, e processar todas as mensagens e informações que serão enviados pelas redes sociais, então será muito fácil para uma boa gestão de realmente dar ouvidos e dar atenção para seus apoiadores.
Através dos dados coletados dos acessos ao site, o candidato pode saber quais assuntos estão chamando mais atenção ou menos. Vão poder saber de qual localidade estão vindo os acessos, dessa forma identificando as redes que estão sendo mais receptivas, alem de saber o tempo online no site.
Candidatos melhores
Candidatos precisam se esforçar MUITO para conseguirem o respeito necessário para obter o apoio desejado na web.
Não é só dizer que fez 10 mil projetos, mas sim mostrar o teor dos projetos. Na internet, tudo pode ser avaliado então, não tem como disfarçar, tudo precisa ser comprovado, e tudo será constantemente avaliado.
Considerações finais
Para o povo, é muito melhor podermos ter uma eleição com uma campanhaque atinge onde podemos dar nossa opinião, para os candidato, é uma forma barata de divulgar boas idéias e os candidatos com as melhores propostas tem mais chance de serem percebidos.
Eu vejo com muita alegria a notícia de que teremos uma campanha politica na internet.
Chegou a vez do povo realmente poder questionar, chegou a vez do povo poder debater de verdade !
Me lembro com vergonha das eleições passadas onde politicos idiotas tentaram bloquear o Twitter, e a própria legislação não estava atualizada com relação á internet. O politico poderia ter um site, mas o site nao poderia ter um Feed,pois o conteúdo não poderia estar em outros sites, colocar videos no Youtube, nem pensar, pensa que burrice! Cndidatos não poderiam ter orkut, esse tipo de coisa burra, que não deve se repetir nas próximas eleições.
Jetsons e os humanos
Um estudo de como a mentalidade do avanço tecnológico no desumaniza
Por Luís Paulo Domingues

Um mundo suspenso no espaço pela tecnologia: a ausência da natureza é o símbolo da felicidade nos Jetsons
Existe algo de ruim na “ultra-tecnologia”. Algo que nos remete à deliciosa ou terrível realidade do desenho animado dos Jetsons, com pessoas que vivem boiando no espaço, sem contato com o chão, as pedras e os rios. Nos Jetsons, o chefe da família entra em casa e nem precisar andar até a poltrona, pois uma esteira rolante faz o papel de suas pernas. Eles são servidos por um robô que aperta botões em uma máquina que solta pastilhas com gosto e proteínas de sanduíches, verduras e chocolates.
Os Jetsons foi um dos primeiros desenhos em que as pessoas perderam a capacidade de imaginar como seria ou estaria o interlocutor com quem se fala ao telefone, pois a imagem dele aparecia numa tela (na internet já existe isso faz tempo, mas o desenho é antigo). Perderam, na verdade, muito mais que isso: perderam a característica humana da metáfora, esqueceram a poesia, padecendo em engarrafamentos aéreos todos os dias.
A história do século XX, como a de todos os outros séculos, foi a história do homem tentando vencer seus limites, mas principalmente (o século XX foi onde isso foi levado ao extremo) no que diz respeito ao abismo natural e invisível de comunicação que existe entre um e outro ser humano. Para isso, a tecnologia foi aperfeiçoada de maneira incrível e rápida. O telefone e os celulares, o fax quase imediatamente ultrapassado pelo e-mail, a “recente” e corriqueira internet, guerras e mais guerras que foram e serão feitas em busca do domínio dessas tecnologias e mercados.
O mundo dos Jetsons é uma falsa celebração da vitória dessas tecnologias sobre o homem. O desenho veste os personagens com todas as características e dimensões humanas, mas a tecnologia não deixa que eles exerçam sua existência junto à natureza – não há, aliás, natureza. Nesse desenho, o homem foi colocado do lado oposto de todas as coisas naturais. Não há plantas e nem animais, como se o “texto” dissesse explicitamente que o homem não pertence mais a um mundo “atrasado” e “primitivo”; e que, por ter o controle e a ciência diante das coisas artificiais, o homem não pode nem mesmo conviver com a natureza.
É curioso que os Jetsons façam parte de uma visão integrada (benéfica) do mundo da reprodução industrial e dos meios de comunicação de massa. O filme Blade Runner, que mostrava uma sociedade futurista cheia de andróides e num declínio aterrorizante, não oferece, na verdade, uma possibilidade tão pior para nosso futuro.
Nessa questão de ultra-tecnologia, às vezes o avanço corresponde a um retrocesso na capacidade de imaginação – pelo menos no que se refere ao cotidiano, ao cidadão comum. Quanto mais simultâneas as informações, menos tempo temos para analisá-las e questioná-las. Uma criança que brinca de playmobill cria mundos fantásticos. Uma que só joga vídeo game apenas transfere um universo de cores e atitudes para dentro de si e de sua vida.
Mas eis que a própria tecnologia surge fantasticamente, não mais como um instrumento apocalíptico (negativo e destruidor) do pensamento, e sim como uma via integrada (positiva) de conforto e desenvolvimento verdadeiros. Quando criaram os tão criticados sistemas que permitem o compartilhamento de arquivos de música e filmes na internet, criaram também um sopro de democratização e de inclusão social para o mundo tecnológico. Qualquer pessoa (aqui ou na China) de posse dessa tecnologia pode buscar ou colocar música na rede mundial. Não só a música produzida, lavada e enxaguada pelas grandes gravadoras; dá para colocar as próprias músicas do internauta, ou da banda alternativa do bairro, que até hoje só tocou ao vivo na festa de final de ano da escola.
Há então uma verdadeira possibilidade de escolha e criação para o cidadão comum. Isso pode humanizar um pouco mais o futuro que é visto e projetado no mundo dos Jetsons ( se um dia ele realmente existir) e minimizar sua prepotência absoluta de certezas.
Um mundo que “dá certo”, que traz felicidade e integração para o homem, pode também ter suas contradições, pois elas decorrem do exercício árduo que é ser um humano. No caso dos Jetsons, a tecnologia lapidou o homem (e vice-versa) com tanta “perfeição”, mas tanta “perfeição”, que o cachorro é um robô com sentimentos que você pode desligar quando quiser. Do mesmo modo que a empregada.
No mundo perfeito dos Jetsons não há espaço para os animais e nem para os empregados. Seria muito “desumano”.
Microblogueiros e Microvídeos
Luís Paulo Domingues
a partir de reportagem do New York Times de Jenna Wortham
Microblogueiros, conheçam o micro-vídeo
Ray Flamings, o executivo chefe da Particle, em São Francisco, decidiu criar um tipo de Twitter ou Facebook em vídeo. Sua companhia desenvolveu um serviço chamado robo, que permite que usuários publiquem 4 segundos de vídeo que funcionem como uma vídeo atualização de status.
A idéia por trás do negócio é simples: o usuário grava um microvídeo em uma webcam ou uma câmera de telefone celular e passa via Facebook e Twitter com poucas linhas de texto.
A idéia do Robo é significante por funcionar como um cartão de visitas digital on line. É um centro de dados que armazena informações sobre identidades individuais na WEB.
Embora a ideia foque principalmente os afixionados da WEB – que costumam gravar cada detalhe de seu dia-a-dia, o Robo conquistou um número de seguidores significante desde que veio a público em Agosto: mais de 100.000 membros – mesmo com o fato de o cantor POP Justin Timberlake ser um dos principais acionistas da empresa e postar vídeos diariamente.
Segundo Flaming, o Robo não quer se tornar o próximo grande destino na WEB, assim como o Orkut ou o Twitter, mas sim ser um destino suplementar para desafogar o dilúvio de mensagens que flui pela internet. Por exemplo, quando Kanye West explodiu na mídia por causa do MTV Music Award, uma enxurrada de mensagens invadiu o Twitter e o Facebook.
Mas o que essas mensagens diziam?
A idéia do Robo é diferenciar os fluxos de mensagens sobre alguém ou alguma coisa através de palavras chave.
O serviço funcionará gratuitamente, mas a companhia vai se associar a outras empresas que podem patrocinar o serviço com suas marcas.
Mr. Flaming diz que pretende introduzir um método completamente novo de compartilhamento de vídeos curtos.
A era dos plugados: o homem esfomeado por eletricidade
O desafio de criar padrões contra o desperdício de energia nos equipamentos eletrônicos modernos.
Por Jad Mouawad e Kate Galbraite, do New York Times
Tradução: Luís Paulo Domingues
Há uma febre de consumo acerca das novas televisões de tela plana . Mas o que poucos sabem, é que elas precisam de mais energia do que as geladeiras.
A proliferação de computadores pessoais, IPods, celulares, jogos eletrônicos e de todo os produtos eletrônicos personifica o mais rápido crescimento na demanda de produtos que consomem energia no mundo.
Os americanos têm agora cerca de 25 produtos de alto consumo elétrico em suas residências, comparado com apenas três em 1980. No mundo todo, os equipamentos de alto consumo elétrico representam agora 15 por cento da exigência de consumo das residências e é esperado um aumento de três vezes nessa demanda nos próximas 2 décadas, segundo a Agência Internacional de Energia. Isso trará mais dificuldade para a contenção da emissão de gases responsáveis pelo aquecimento global.
De acordo com a Agência, para satisfazer essa demanda por equipamentos será necessário construir o equivalente a 560 usinas de carvão, ou 230 usinas nucleares.
A maior parte dos especialistas em energia vê apenas uma saída: regras oficiais eficientes para especificar o quanto de energia um equipamento pode usar.
Produtos como refrigeradores já estão cobertos por tais leis nos Estados Unidos, mas os esforços para que essas leis cubram outros produtos de alto consumo, como televisores e games, estão esbarrando em industriais preocupados com o alto custo exigido para alcançar esses padrões.
Isso se tornou o problema central: como disseminar o uso dos contendores eficientes de consumo energético feito para os eletrodomésticos em anos recentes.
Em 1990, padrões eficientes de consumo para refrigeradores foram implantados nos Estados Unidos. Hoje, são feitos nos EUA mais refrigeradores do que nunca, mas seu poder de consumo total decresceu 45 por cento depois de que as leis para implantar esses padrões foram levados a efeito.
Graças em parte à adoção desses padrões, o consumo de uma lavadora de hoje, por exemplo, é de 70 por cento menor do que uma nova unidade em 1990.
Parte dos problemas é que muitos dos aparelhos modernos não podem ser inteiramente desligados, mesmo quando não estão em uso. Consomem energia, por exemplo, quando estão a espera do sinal do controle remoto, ou quando estão programados para gravar um programa de TV.
“-Nós entramos em uma era em que todos os equipamentos ficam ligados a todo momento”, diz Alan Meier, cientista senior da Lawrence Berckeley National Laboratory e um especialista em energia eficiente.
É claro que as pessoas podem reduzir o desperdício – mas para isso é preciso ser uma pessoa consciente e isso depende do tipo de proprietário da residência.
Uma família americana (a família Troat) cortou seu uso de energia mensal aproximadamente em 16 por cento, em parte por plugar seus computadores e equipamentos de entretenimento em um equipamento de consumo de energia inteligente. O equipamento desliga os objetos eletrônicos quando estes não estão em uso, cortando o consumo de energia totalmente.
Enquanto a experiência dos Troasts demonstrou que os consumidores podem limitar a energia desperdiçada através de dispositivos de inatividade, outro problema não é tão fácil de ser resolvido: muitos produtos agora requerem grande quantidade de energia para funcionar.
A mais prejudicial é a TV de tela plana. Como as telas de cristal líquido e a tecnologia de plasma substituem os velhos tubos de raios catódicos, e como as telas aumentaram de tamanho, as novas televisões necessitam de mais energia do que os modelos antigos. E com todas aquela novas e elegantes tv’s em suas salas de estar, os americanos estão gastando mais tempo assistindo TV, em média cinco horas por dia.
O resultado é uma explosão no consumo de eletricidade ocasionado pelo uso das TV’s, que podem consumir mais eletricidade em um ano do que qualquer refrigerador que está no mercado.
Especialistas em energia dizem que os fabricantes prestaram muito pouca atenção no consumo de energia da televisão, em parte por causa da abstenção das autoridades federais.
Outro verdadeiro ralo de energia é o video game, que é encontrado em 40 por cento das residências americanas. Especialistas em energia – e muitos pais frustrados – dizem que é muito difícil economizar energia quando se trata de games, porque as crianças frequentemente mantém o equipamento ligado o dia todo.
Noah Horowitz, do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, calculou que os vídeo games americanos, como o Xbox 360 da Microsoft e o Sony Play Station 3, usam atualmente a mesma quantidade de energia por ano que a cidade de San Diego, a nona maior dos Estados Unidos.
Padrões regulatórios de eficiência para equipamentos eletrônicos obrigaria as fábricas a redesenhar seus produtos, ou a gastar mais dinheiro para adicionar componetes para melhor controle do uso de energia.
Muitos fabricantes reclamam no Congresso, pois a adoção dos padrões aumentaria muito seus gastos. Eles também reclamam que seria impossível essas inovações em uma indústria com mudanças tão rápidas.
O governo nunca fez esforços agressivos contra os fabricantes de TV por causa do lobby que eles mantém em Washington. Em 1987, antes de os aparelhos de TV consumirem tanta energia, o governo americano deu ao Departamento de Energia – que geralmente cuida dos padrões nessa área – a opção de estabelecer regras para as TV’s.
Mas, de acordo com Steve Nadel, do Conselho Americano para uma Economia Eficiente de Energia, a oposição da indústria foi forte e conseguiu obstruir o poder dessa autoridade .
A mais recente tentativa para requerer que os equipamentos eletrônicos não usem mais que 1 WATT de potência quando estão em Stand By encontrou o mesmo infortúnio. O Governo Federal avançou apenas em 2 padrões para carregadores eletrônicos de baterias e suprimentos de energia externa.
Com a abstenção federal, poucos Estados se mobilizaram por si próprios. A Comissão de Energia da Califórnia apenas propôs novos padrões para as televisões, propondo que elas deveriam cortar o nível de consumo pela metade em 2013. Mas essa ação causou uma tempestade de protestos entre os fabricantes e sua associação ( ainda é esperado que o projeto passe em Novembro próximo).
Um porta voz da indústria disse que a regulação do governo não poderia ser mantida com o ritmo de mudança tecnológica em voga.
“-Os políticos ignoram a natureza fundamental da Indústria, que precisa inovar devido às exigências do consumidor e ao desenvolvimento tecnológico, e não devido às regulações do governo”, disse Douglas Johnson, diretor senior de política tecnológica da associação dos fabricantes.
Mr. Johnson disse que os limites impostos pela Califórnia – que ele chamou de arbitrários – podem atrasar ou mesmo impossibilitar a fabricação de alguns novos equipamentos. Por outro lado, ele elogiou o programa governamental Energy Star, que ele disse encorajar a eficiência, sem danos para a inovação.
“-Limites oficiais, tal como vemos na Califórnia, são uma ameaça que podem aumentar o preço para o consumidor e reduzir seu poder de escolha”, disse ele.
Há várias estimativas que consideram quanto iria custar a implantação de um programa de regulamentação na área dos equipamentos eletrônicos. Para algumas mudanças – como como garantir dispositivos que consumam o mínimo de eletricidade no modelo stanby – os especialistas dizem que o custo pode ser de apenas poucos centavos extras. Por outro lado, uma televisão atual mais eficiente em consumo de energia poderia custar 100 dólares a mais (esse gasto poderia, é claro, ser recuperado depois, pois a TV gastaria menos energia por mês).
Alguns tipos de eletrônicos caseiros são fiscalizados pela Energy Star, um programa que classifica produtos em mais de 60 categorias de acordo com seu consumo de energia. Mas esse programa, se pensado como um catalisador da consciência de um consumidor que só quer comprar o produto mais eficiente, não previne a venda de equipamentos de alto consumo.
A falta de regulamentação dos equipamentos é um notável contraste para a situação dos eletrodomésticos.
O Congresso americano adotou o primeiro padrão de eficiência elétrica nacional nos anos 1980, focando inicialmente o fogão e outros grandes eletrodomésticos. Esse esforço representou alguns passos, particularmente para os refrigeradores, que estavam entre os maiores gastadores de uma residência típica.
O esforço federal dos anos 1980 ficou defasado pela a administração de George W. Bush, e o departamento de energia perdeu o prazo para para estabelecer a votação dessas regulamentações no Congresso.
Mas a administração Obama está comprometida ao máximo no uso das leis existentes, acelerando a adoção de 26 padrões em uma amostra de produtos que incluem fornos de microondas e secadoras de roupa.
Especialistas como Dan W. Reicher, que dirige os Esforços Energéticos da Google, dizem que os Estados Unidos devem fazer melhor, tornando-se um exemplo para o resto do mundo.
“-Se nós não conseguirmos melhorar a eficiência de simples eletrodomésticos e proporcionar um melhor uso da energia deles, é difícil acreditar que teremos sucesso com coisas mais difíceis, como acabar com as usinas termoelétricas de carvão”, diz ele.










