Agora teremos que aguentar o filho do Fábio JR e seu pretenso “talento”
Por Luís Paulo Domingues
D’Incao Instituto de Ensino
De tempos em tempos, a cúpula “pensante” que decide o que as pessoas irão consumir no Brasil - além de como e quanto a indústria cultural irá lucrar com isso -, inventa um novo nome, um novo produto arrebatador de corações e mentes.
A bola da vez é Fiuk, um misto de filho do Fábio Júnior, músico e artista. Durante a última semana, sua foto apareceu no canto de quase todos os sites de jornais e revistas que têm alguma área destinada aos “famosos”.
Eu não sei e nem quero saber se suas músicas – se é que são dele – têm algo de aproveitável. Não precisa. O que interessa é que ele é mais uma marionete fabricada para ser empurrada goela a baixo do “púbrico”, custe o que custar. E não interessa que você não seja parte do ‘púbrico” alvo. Tem que engolir. Sei também que pelo visual do rapaz e pelo nome da música escolhida para a nova abertura de “Malhação” (“Quem eu sou”), ele só pode ser “emo”.
Também sei que ele é ator da Malhação, o que é nada bom.
Ninguém aqui está discutindo a beleza do gajo. Fui obrigado a vê-lo todos esses dias nas páginas dos jornais on-line e concordo que ele realmente é bem bonito. Um gato. Apesar de que aquelas caras e bocas que mandaram ele fazer para atrair as menininhas nas fotos soaram um tanto falsas.
Mas no fundo é assim mesmo que os cartolas da música preparam um novo nome. Tem (!!) que soar falso. A falsidade é uma condição para atrair a malta de despreparados e alienados que vão sustentar a troca de informações pela internet, a venda de discos, a propaganda boca a boca, os gritinhos nos programas de auditório, o comércio de posters e broches, enfim, que vão garantir o prolongamento do negócio nos aproximadamente dois anos e quatro meses que vão durar a carreira da banda Hori – o nome da banda de Fiuk.
Para Fiuk, seria mais garantido investir tudo na carreira de ator, pois se ele tiver um mínimo de algo que possa ser uma veia dramática, a projeção das novelas globais irá bancá-lo por décadas. Mas a indústria cultural tem que lucrar em todas as áreas, então, já que ele tem uma banda…
Só que não adianta ser qualquer banda. Eles não podem fazer a música que eles quiserem e têm que vestir algo entre o alternativo e o circense. Em uma de suas fotos de divulgação, tiradas durante um show na chácara do Jockey Club, Fiuk parecia o ponto médio exato entre o Syd Barret (primeiro vocalista do Pink Floyd) e o palhaço Arrelia.
Como ele está no Brasil, precisa adotar aquela “humildade” alardeada pelos jogadores de futebol. O David Bowie, o Mick Jagger, o Liam Gallagher… nenhuma dessas pessoas inglesas precisa ser humilde. A humildade, na Inglaterra, não é uma condição para que alguém seja criativo e inteligente. No Brasil parece que é. Tanto que Fiuk segue a cartilha à risca e diz no programa “Altas Horas”:
“-Quando eu era menor, achava que se um dia encontrasse meus ídolos eles nunca me dariam bola. E decidi que se um dia eu ficasse famoso eu iria tratar bem todos os meus fãs.”
Por isso, a única coisa que o tira do sério, ainda segundo a entrevista, é quando alguém fala para ele ser humilde. “-É uma coisa que machuca”, garante. E justifica as críticas com uma originalidade extrema: “-Tem gente que não consegue ver a alegria dos outros”.
Fiuk também diz que gosta tanto de cantar, que acha que o palco é sua vida. “-Quero viver no palco, vou dormir no palco”.
Diante de tanta bobagem, resta a Fiuk torcer para que ele realmente NÃO tenha talento. Porque depois de toda essa coleção de clichês, será quase impossível convencer alguém de que ele quer e pode fazer alguma coisa interessante.
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abril 22nd, 2010 at 16:27
é valido ressaltar que não é a primeira vez que isso acontece na familia dele. Cléo Pires, tbm surgiu do nada num filme , q nem eh grande coisa assim, mas ja q ela era a versao novinha e gostosa da mãe, entrou na novela seguinte com status de estrela.
Globo, a gente se vê por aqui(?)
abril 26th, 2010 at 10:47
Muito boa a matéria!