Carlos D’Incao
A ideia de controle do comportamento humano não é nova. A História da humanidade bem poderia ser feita, desde seus primórdios, sob a perspectiva da tentativa de controle e dominação de homens sobre outros homens.
A mais recente forma de tentativa de controle e dominação sistemática do Homem foi promovida pela ascensão dos regimes fascistas, que encontrou no nazismo sua face mais sofisticada e abrangente.
O nazismo possuía mais do que um projeto político. Possuía também uma visão de ser humano, que deveria ser disseminada em nome do progresso da própria humanidade. Nessa visão, o Homem é dotado de uma biologia bem específica dentro do reino animal. Essa biologia específica lhe permite o desenvolvimento de uma moral e de um comportamento muito mais elevado em comparação a qualquer outra forma de vida existente na natureza.
Porém, nem todos os Homens possuem uma moral e um comportamento comprometidos com o “bem-estar”, a “união” e o “progresso” de sua sociedade. Como os nazistas explicavam esse fenômeno? Primeiramente, esse fenômeno é justificado pela variação biológica existente nos Homens, isto é, devido a existência de raças diferentes no interior do gênero humano.
Algumas raças teriam elementos biológicos objetivos que lhes tornariam capazes de gerar civilizações avançadas e expressões morais, éticas e artísticas superiores a de outras raças. Essas raças foram capazes de se organizar de forma progressista e coesa na forma de Estado Nacional. A ideia de uma nação unida pelo progresso em harmonia só existiria nas raças mais desenvolvidas.
As outras raças, por serem dotadas de características genéticas degeneradas, ou por não terem um organismo com as mesmas virtudes das primeiras, só teriam atingido formas incompletas e irracionais de vida social: formariam, então, tribos, civilizações teocráticas ou, em último caso, nem mesmo conseguiriam se constituir de forma organizada e fixa como sociedade ao longo de sua História. Este seria o caso dos judeus e dos ciganos, por exemplo.
As raças inferiores deveriam ser eliminadas, pois degenerariam as superiores com sua genética, seus valores e comportamentos. Aqueles que fossem das raças superiores mas não aceitassem esse “fato científico” deveriam ser tratados por meio terapêutico-medicinal ou reeducados através da disciplina penitenciária. Caso isso não fosse suficiente deveriam ser eliminados ou, no mínimo, deveriam ser esterilizados de modo a não mais contaminar a sociedade com seus valores degenerados.
A violência nazista não era irracional e indisciplinada. Nos olhos dos oficiais nazistas que estão executando prisioneiros judeus não encontramos a loucura ensandecida, mas a frieza daqueles que eliminam no dever de desinfetar a Humanidade dos degenerados.
A barbárie assumia uma nova face: racional, científica e disciplinada. O nazismo como expressão de movimento político e organizado foi derrotado pelo socialismo soviético com o apoio discreto e desconfiado dos “aliados” ocidentais, liderados por nações como os EUA e a Inglaterra – as mesmas que menos de dez anos antes assistiam de forma condescendente – e com simpatias – o triunfo nazista na Espanha e na Polônia. A maioria dos nazistas capturados pelos soviéticos teve um rápido encontro com a forca e o pelotão de fuzilamento. Os “aliados” foram mais cautelosos. Preferiram “entender”, analisar os seus “interesses estratégicos” e, só depois com muito pesar, condenar alguns poucos e desprezíveis oficiais.
O nazismo não foi superado no ocidente, foi apenas cooptado. Como superar o nacionalismo, o cientificismo, o positivismo e a ideia de controle? Essas são ideias compartilhadas entre os nazistas e as outras nações do ocidente, pois foram produzidas por uma outra lógica que ambos são produtos: a lógica do capital. Boa parte da ciência nazista foi aprendida pelos “aliados” e, sobretudo o sonho nazista do “controle e dominação social”, continua sendo um sonho de todas as sociedades capitalistas contemporâneas.
Os nazistas compreendiam que a degeneração começava a se revelar na escola já nos primeiros anos. Eram comportamentos notados pela desatenção, indisciplina, atos imorais, oposição à autoridade e rendimento acadêmico baixo. Em uma palavra, eram crianças com aquilo que hoje chamamos de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiper-atividade). Os nazistas chamavam de “comportamento degenerado”, fruto de problemas biológicos. As escolas e psiquiatras hoje pensam da mesma forma: problemas biológicos, só que não falam em raça, falam em problemas hormonais, etc.
O absurdo hoje é racional, científico e disciplinado. Os problemas do comportamento são problemas fisiológicos. Obviamente que na falácia do “politicamente correto” aconselha-se também “terapia”. Mas não se deve abrir mão da “ciência”, isto é, do medicamento. No final, fica-se apenas com o medicamento e pronto.
Conta-se que Hitler, dias antes de se suicidar e frente a inevitável derrota para com os comunistas soviéticos, teria discursado para seus oficiais dizendo-lhes que as gerações futuras entenderiam aquilo que ele tentou fazer e que a humanidade se incumbiria de realizar seu “sonho dourado”. Cada comprimido de Ritalina ingerido pelas nossas crianças nos torna um pouco mais próximos de entender melhor Hitler e de realizar seu “sonho dourado”.
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julho 9th, 2010 at 9:58
Desculpe amigo mais só sendo um DDA para saber o que a ritalina é, sou maior de idade uso e recomendo… pena que minha mãe não me medicou… a tempo…
julho 12th, 2010 at 15:36
Dê uma olhada no site da Sociedade Brasileira de TDAH e veja como eles fazem o diagnóstico de uma pessoa que “supostamente” tem TDAH. 100% das pessoas do mundo têm TDAH, segundo eles. Então, como não se trata de um desvio, e sim de uma regra da espécie humana, não há o que ser tratado, certo?
julho 14th, 2010 at 23:52
Infelizmente existem pessoas que fazem uso do medicamento para outros fins (recerativo – o que não vejo como).. e não excluo situações que nem todos devem ser tratados com ritalina como as crianças hiperativas… não sou hipertativo nunca fui… porém não tinha o minimo de atenção, desanimo, e dizem que a rita lina faz com que a criança fique lerda obdiente… acredito que para algumas sim mas o medicamento é eficiente para falta de atenção, no meu caso como falei melhorei muito e não me sinto robotizado e sim libertado…. no meu entendimento a ritalina é muito muito eficinet para DDA e talvez não para TDAH… não sei responder porque como falei não sou TDAH…. falo pela minha experiencia.