O MAIOR INIMIGO DE ISRAEL

SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JUNHO DE 2010

Barreira israelense: exército patrocina a humilhação dos palestinos ao invés de defender Israel.

Gustavo Ioschpe

Revista Veja 06/2010

Sou judeu, neto de sobreviventes do Holocausto. Devotei minha juventude à militância em movimento sionista e hoje sou casado com uma israelense. Essas circunstâncias pessoais, aliadas à curiosidade, me levaram a estudar o Oriente Médio há muito tempo. Por conta desse interesse, eu me manifestei sempre que o estado de Israel foi atacado injustamente.

Seria vigarice intelectual ficar quieto diante do ocorrido na semana passada, pois as ações do governo israelense são uma afronta ao direito internacional, às básicas noções de moralidade e ao que se espera de um estado judeu que se declarou, na sua criação, “baseado na liberdade, justiça e paz, conforme prevista pelos profetas de Israel”.

A interceptação da flotilha destinada a Gaza é apenas a mais recente trapalhada do governo israelense, hoje o maior inimigo de Israel. Não há como defender a legalidade de uma abordagem em águas internacionais, não havendo nenhuma quebra da soberania israelense, ainda mais contra uma embarcação lotada de civis e suprimentos.

A existência de um Israel pujante e democrático não é apenas uma alegria para o povo judeu como pode ser um auxílio ao mundo civilizado no combate ao extremismo islâmico – desde que haja paz. Países são ideias, que só ganham concretude quando compartilhadas pela comunidade internacional. Os sucessos militares de Israel, somados à sua relação com os Estados Unidos, parecem ter embriagado o país a ponto de fazê-lo pensar que a superioridade das armas resolve tudo.

Essa visão procedia quando da fundação do estado, atacado por seus vizinhos, mas desde a guerra de 1967 e a construção da usina nuclear de Dimona ela se tornou anacrônica. O poder bélico deve estar a serviço da consolidação de paz, não da manutenção da guerra eterna. Até porque as superioridades militares não duram muito, e é bem possível que daqui a algumas décadas Israel precise das salvaguardas das instituições internacionais que hoje despreza.
Em um mundo que se defronta com crescentes ameaças internacionais – do aquecimento global à proliferação nuclear -, não podemos mais deixar que um país ignore o direito internacional. No caso israelense, a aderência às regras de convivência pacífica é fundamental para um país menor que Alagoas e que precisa exportar para crescer.

Se o Hamas estivesse no comando de Israel, dificilmente conseguiria causar tanto estrago, em tão pouco tempo, quanto a dupla Olmert-Netanyahu. Em menos de dois anos, o país prejudicou suas relações com seus aliados, isolou-se, fortaleceu os extremistas e antissionistas do mundo todo e criou vergonha entre seus apoiadores e ódio em suas vítimas. O bloqueio a Gaza, além de imoral, é inútil.

A única maneira de acabar com o Hamas é fortalecer os elementos moderados entre os palestinos. O bloqueio precisa acabar, a construção de assentamentos em territórios ocupados precisa acabar, a ocupação precisa acabar e Israel precisa chegar a um acordo que estabeleça um estado palestino viável nas fronteiras pré-1967. Antes que seja tarde demais.

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3 Comentários para esse post

  1. Francisca Vanda Says:

    Você já esteve em Israel?
    Você de fato conhece a Bíblia e a história do povo judeu e de Israel?
    Quais os fatos que comprovam isso que você está escrevendo?
    Você passou de 6 meses a um ano em Jerusalém resp daquilo que lhe perguntoirando a atmosfera israelense?
    Se para todas essas perguntas a resposta for não: vá tentar pelo menos realizar 50%

  2. luispaulo Says:

    Caro(a) leitor(a)

    O texto publicado em nosso jornal é de Gustavo Ioshpe, colunista da Veja e de outras publicações importantes do país. Mas, como jornalista responsável pela seleção dos textos, acredito que você comete um grande erro ao misturar a Bíblia com o acontecimento político e histórico em questão. Os países mais desenvolvidos do mundo perceberam isso no século XIX e desvincularam o Estado da religião. Como pessoa inteligente que deves ser, sabes também que não precisamos (necessariamente) passar de 6 meses a um ano em um local para escrevermos sobre ele. E, para terminar, os fatos que comprovam os argumentos do texto foram largamente divulgados na imprensa do mundo inteiro.

  3. José Alexandrino Says:

    As frotinhas, os colonos, os barquinhos…dão um carater inofensivo, com parte da estratégia para atacar Israel.Não se engane, por trás de cada flor existe uma bomba, com alvo indefinido, até mesmo uma criança judia inocente pode ser o alvo.Não pense que é paranóia de minha pessoa, eles nos odeiam.
    Shalom

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