D’Incao Instituto de Ensino
Luís Paulo Domingues
Pergunto ao leitor: o que faria um Deputado Federal brasileiro trabalhar na madrugada de terça para quarta-feira?
Resposta: a votação do novo Código Florestal Brasileiro.
Gostaria de acreditar que o meio ambiente é um assunto tão importante para nossos políticos, que conseguiu mover corações e mentes para, arduamente, conseguirem concentrar seus esforços na votação do Código, essencial para o bem estar da nação.
O novo Código Florestal foi aprovado no Congresso pelo massacrante placar de 410 votos a favor, 63 contra e 1 abstenção. Por mais que eu tente, não consigo crer em um surto de boas intenções de parlamentares repentinamente comprometidos com o desenvolvimento do país. O placar é elástico demais. Não dá para não ver que há um lobby poderoso da bancada ruralista que, sabe-se lá como, convenceu até a base aliada do governo (que é contra o Código) a votar a favor da aprovação do novo texto.
Vejamos o que disse o Deputado Federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) sobre o assunto, em seu site – lembrando que Caiado é da turma ruralista:
“-O Brasil disputa com o protecionismo internacional uma agricultura de ponta. Agricultura que preserva o meio ambiente e que, de 851 milhões de hectares, só ocupa 236 milhões de hectares. Exatamente um quarto do território. O restante é de floresta nativa”.
Bom, então vamos destruir mais um quarto? Assim a gente se equipara aos Estados Unidos e à maioria dos países europeus em poder de destruição?
É verdade que quando se analisa uma questão polêmica como esta, temos que ser cautelosos em nossos julgamentos. Temos que entender que o meio ambiente deve ser preservado, mas que também é essencial que o país promova o desenvolvimento da agricultura.
Há um grande interesse dos países do primeiro mundo nessa questão. Para eles, o ideal seria que o Brasil não expandisse sua agricultura e preservasse tudo o que resta das matas. Já houve até teorias conspiratórias nesse sentido, que diziam que a Amazônia seria internacionalizada por ser o “pulmão do mundo”. Depois, cientistas declararam que a Amazônia não é o pulmão do mundo coisa alguma e que as algas marinhas teriam um poder muito maior de fotossíntese.
Mas há uma maneira mais fácil para decidirmos de que lado ficar quanto às decisões políticas no Brasil. Quando se trata do nosso Parlamento, basta observarmos o voto de alguns Deputados e Senadores “figurinhas fáceis”, para sabermos como nos posicionar. O Ronaldo Caiado é um deles. Se ele está a favor da aprovação do Código, é porque (muito provavelmente) há alguma coisa errada nele. Funciona assim:
Se o Epitácio Cafeteira, o Almeida Lima, o Wellington Salgado, o Renan Calheiros, o Paulo Maluf, o Fernando Collor, o José Sarney e o Ronaldo Caiado (olha o time!) são a favor de seja lá o que for, o certo é sermos contra. Se eles são contra, o certo é sermos a favor. Quase nunca falha, é incrível!
No caso do Código Florestal, que vai agora para votação no Senado, a Presidente Dilma já avisou que irá usar o poder de veto, porque ele prevê a anistia a todos os proprietários que desmataram terras ilegalmente até Junho de 2008.
Está muito certo. Desmatou irregularmente, tem que pagar. Você não paga suas multas? Os fazendeiros devem pagar as suas e regularizar sua situação.
Outro modo de decidirmos como opinar sobre esse tema tão difícil é pensarmos no que é mais urgente: o desenvolvimento agrícola ou a preservação? Os dois lados devem ser abordados pela lei, mas todos estamos “carecas” de saber que (não só no Brasil, mas no mundo todo) chegamos a uma situação limite em relação à destruição do meio ambiente.
Chegou a hora de privilegiarmos a preservação em detrimento da lógica mega-empresarial do Blairo Maggi, por exemplo. O que ele faz no Mato Grosso pode movimentar a economia do Estado, empregar muita gente, impulsionar a agricultura do Brasil e nos tornar competitivos mundialmente. Mas a longo prazo, isso de nada nos servirá quando nossos netos não conseguirem respirar.
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