Histórico | Cultura

Tags: , , , , , , , ,

Tea Party e “Ocupe Wall Street” mostram polarização nos EUA


07/11/2011 – 07h18

Inocência conservadora: direita alienada americana protesta contra Obama, que seria o causador da crise.

Folha de São Paulo

A um ano da eleição presidencial de 6 de novembro de 2012, o presidente Barack Obama e seus adversários republicanos que buscam a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos enfrentam um ambiente cada vez mais polarizado e com profundas divisões ideológicas, no qual movimentos como o Tea Party, à direita, e o “Ocupe Wall Street”, à esquerda, vêm ganhando destaque.
As eleições americanas tradicionalmente concentram todas as atenções nos candidatos democrata e republicano, com suas gigantescas máquinas eleitorais, campanhas publicitárias, debates e batalhas por Estados-chave.
Mas em 2012, o presidente Barack Obama e seu adversário republicano terão ainda de lidar com a maciça presença de protestos organizados por movimentos que nenhum dos dois lados pode controlar.
Tanto o Tea Party, que reúne diversos grupos conservadores, como os protestos contra a desigualdade, o desemprego e as grandes corporações iniciados com o “Ocupe Wall Street”, em Nova York, e espalhados por todo o país, têm em comum o descontentamento com a situação política e econômica do país e devem ter impacto na votação do próximo ano, apesar de ambos recusarem as comparações.
INCÓGNITA
Mas se o Tea Party já mostrou sua força nas eleições legislativas do ano passado, quando elegeu vários de seus candidatos, e há pré-candidatos republicanos abertamente identificados com o movimento, como Michele Bachmann, a força dos protestos inspirados no “Ocupe Wall Street”, surgido há menos de dois meses, ainda precisa ser testada.
Os participantes dos protestos do “Ocupe Wall Street” têm perfil variado e rejeitam qualquer ligação com o Partido Democrata, mas o crescimento do movimento e, principalmente, a simpatia do público americano por sua mensagem de frustração, fazem com que seja observado com atenção por ambos os partidos.
“Enquanto o Tea Party serviu de combustível para o entusiasmo do Partido Republicano nas eleições de 2010, ainda não há prova de que os manifestantes do “Ocupe Wall Street” farão o mesmo pelos democratas”, dizem os analistas Aaron Blake e Chris Cillizza, do jornal “Washington Post”.
“Dito isso, o movimento (“Ocupe Wall Street”) pode favorecer significativamente os democratas”, afirmam, ao observar que ainda é preciso saber se o movimento vai motivar os até agora pouco empolgados eleitores identificados com a esquerda a votar.
INSATISFAÇÃO
Diversas pesquisas mostram que a principal preocupação dos eleitores americanos é a economia, em um momento em que o país cresce em um ritmo considerado lento demais para baixar a taxa de desemprego — atualmente em 9%, patamar mantido há dois anos – e em que há o temor de uma nova recessão.
Uma pesquisa divulgada neste domingo pelo Washington Post e pela rede de TVABC News revela que a insatisfação com o governo atingiu níveis recordes.
Nesse cenário, analistas já afirmam que esta será a reeleição mais difícil de um presidente americano desde 1992, quando Bill Clinton tirou George Bush pai da Casa Branca.
Obama tenta evitar o mesmo destino de Bush, Gerald Ford ou Jimmy Carter, integrantes da temida lista de presidentes americanos de um só mandato, mas os problemas com a economia americana são um desafio em sua campanha.
A mesma pesquisa do “Washington Post” e da ABC, conduzida pelo instituto Langer Research Associates, revela que apenas 13% dos americanos dizem que suas vidas estão melhores agora do que antes de Obama assumir o governo.
REPUBLICANOS
Apesar da popularidade em baixa e dos problemas da economia, Obama ainda aparece com boas chances nas pesquisas, quando confrontado com os principais candidatos à indicação do Partido Republicano para concorrer no pleito de 2012.
No levantamento do Post e da ABC, Obama aparece tecnicamente empatado com o favorito Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e com o azarão Herman Cain, empresário recentemente envolvido em uma polêmica de acusações de assédio sexual, mas ainda assim dividindo a liderança nas pesquisas.
O descontentamento dos americanos se estende também ao Congresso.
De acordo com diferentes pesquisas, tanto Obama e seu Partido Democrata como os republicanos perderam pontos com o público americano depois do embate para aprovar a elevação do teto da dívida pública, que quase levou o país ao calote no meio do ano.
Nesse cenário, muitos analistas afirmam que nenhum dos pré-candidatos republicanos até agora tem demonstrado força suficiente para empolgar os eleitores do partido.
No entanto, a situação ainda pode mudar, já que as primárias para escolher o adversário de Obama na votação de 6 de novembro de 2012 começam apenas em janeiro.

Popularity: 3% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.C, HistóriaComments (0)

As 100 marcas de maior valor


04/10/2011

Divulgação do documentário "The Corporation": marcas associadas ao estilo de vida das pessoas.


Nota do D’Incao: de acordo com a tese do documentário, estas são as marcas que conseguiram mais sucesso em vender a si mesmas, ao invés de produtos produzidos por elas.
CAROLINA MATOS
Folha de São Paulo

A Apple foi a empresa que teve o maior aumento do valor de marca, de acordo com o ranking “Melhores Marcas Globais” 2011 da consultoria Interbrand, divulgado nesta terça-feira.
As quatro empresas que mais subiram foram Apple, Amazon.com (32% de aumento no valor, em 26º lugar), Google (27%, em 4º) e Samsung (20%, em 17º lugar).
No topo da lista aparecem Coca-Cola, IBM e Microsoft.
Veja a tabela completa e o valor de cada marca:
Veja as empresas
Posição Empresa Setor Valor da marca (US$ bilhões) Variação (em %)
2011 2010
1 1 Coca-Cola Bebidas 71,861 70,452 2%
2 2 IBM Tecnologia/serviços 69,905 64,727 8%
3 3 Microsoft Software 59,087 60,895 -3%
4 4 Google Serviços de internet 55,317 43,557 27%
5 5 GE Diversos 42,808 42,808 0%
6 6 McDonald’s Restaurantes 35,593 33,578 6%
7 7 Intel Eletrônicos 35,217 32,015 10%
8 17 Apple Eletrônicos 33,492 21,143 58%
9 9 Disney Mídia 29,018 28,731 1%
10 10 Hewlett-Pack Eletrônicos 28,479 26,867 6%
11 11 Toyota Automotivo 27,764 26,192 6%
12 12 Mercedes-Benz Automotivo 27,445 25,179 9%
13 14 Cisco Tecnologia/serviços 25,309 23,219 9%
14 8 Nokia Eletrônicos 25,071 29,495 -15%
15 15 BMW Automotivo 24,554 22,322 10%
16 13 Gillette Produtos de consumo 23,997 23,298 3%
17 19 Samsung Eletrônicos 23,43 19,491 20%
18 16 Louis Vuitton Luxo 23,172 21,86 6%
19 20 Honda Automotivo 19,431 18,506 5%
20 22 Oracle Tecnologia/serviços 17,262 14,881 16%
21 21 H&M Vestuário 16,459 16,136 2%
22 23 Pepsi Bebidas 14,59 14,061 4%
23 24 American-Express Serviços financeiros 14,572 13,944 5%
24 26 SAP Tecnologia/serviços 14,542 12,756 14%
25 25 Nike Itens esportivos 14,528 13,706 6%
26 36 Amazon.com Serviços de internet 12,758 9,665 32%
27 31 UPS Transporte 12,536 11,826 6%
28 29 J.P. Morgan Serviços financeiros 12,437 12,314 1%
29 30 Budweiser Bebidas alcoólicas 12,252 12,252 0%
30 27 Nescafe Bebidas 12,115 12,753 -5%
31 28 Ikea Móveis domésticos 11,863 12,487 -5%
32 32 HSBC Serviços financeiros 11,792 11,561 2%
33 33 Canon Eletrônicos 11,715 11,485 2%
34 35 Kellogg’s Produtos de consumo 11,372 11,041 3%
35 34 Sony Eletrônicos 9,88 11,356 -13%
36 43 eBay Serviços de internet 9,805 8,453 16%
37 39 Thomson Reuters Tecnologia/serviços 9,515 8,976 6%
38 37 Goldman Sachs Serviços financeiros 9,091 9,372 -3%
39 44 Gucci Luxo 8,763 8,346 5%
40 45 L’Oréal Produtos de consumo 8,699 7,981 9%
41 42 Philips Eletrônicos 8,658 8,696 0%
42 40 Citi Serviços financeiros 8,62 8,887 -3%
43 41 Dell Eletrônicos 8,347 8,88 -6%
44 48 Zara Vestuário 8,065 7,468 8%
45 47 Accenture Tecnologia/serviços 8,005 7,481 7%
46 49 Siemens Diversos 7,9 7,315 8%
47 53 Volkswagen Automotivo 7,857 6,892 14%
48 38 Nintendo Eletrônicos 7,731 8,99 -14%
49 46 Heinz Produtos de consumo 7,609 7,534 1%
50 50 Ford Automotivo 7,483 7,195 4%
51 51 Colgate Produtos de consumo 7,127 6,919 3%
52 58 Danone Produtos de consumo 6,936 6,363 9%
53 56 AXA Serviços financeiros 6,694 6,694 0%
54 52 Morgan Stanley Serviços financeiros 6,634 6,911 -4%
55 57 Nestlé Produtos de consumo 6,613 6,548 1%
56 54 BlackBerry Eletrônicos 6,424 6,762 -5%
57 59 Xerox Eletrônicos 6,414 6,109 5%
58 55 MTV Mídia 6,383 6,719 -5%
59 63 Audi Automotivo 6,171 5,461 13%
60 62 adidas Itens esportivos 6,154 5,495 12%
61 65 Hyundai Automotivo 6,005 5,033 19%
62 60 KFC Restaurantes 5,902 5,844 1%
63 61 Sprite Bebidas 5,604 5,777 -3%
64 70 Caterpillar Diversos 5,598 4,704 19%
65 64 Avon Produtos de consumo 5,376 5,072 6%
66 69 Hermès Luxo 5,356 4,782 12%
67 67 Allianz Serviços financeiros 5,345 4,904 9%
68 68 Santander Serviços financeiros 5,088 4,846 5%
69 73 Panasonic Eletrônicos 5,047 4,351 16%
70 77 Cartier Luxo 4,781 4,052 18%
71 71 Kleenex Produtos de consumo 4,672 4,536 3%
72 72 Porsche Automotivo 4,58 4,404 4%
73 76 Tiffany & Co. Luxo 4,498 4,127 9%
74 81 Shell Energia 4,483 4,003 12%
75 82 Visa Serviços financeiros 4,478 3,998 12%
76 66 Yahoo! Serviços de internet 4,413 4,958 -11%
77 79 Moët & Chandon Bebidas alcoólicas 4,383 4,021 9%
78 78 Jack Daniel’s Bebidas alcoólicas 4,319 4,036 7%
79 74 Barclays Serviços financeiros 4,259 4,218 1%
80 88 Adobe Software 4,17 3,626 15%
81 83 Pizza Hut Restaurantes 4,092 3,973 3%
82 80 Credit SuisseFinancial Serviços financeiros 4,09 4,01 2%
83 75 Johnson & Johnson Produtos de consumo 4,072 4,155 -2%
84 84 Gap Vestuário 4,04 3,961 2%
85 90 3M Diversos 3,945 3,586 10%
86 85 Corona Bebidas alcoólicas 3,924 3,847 2%
87 87 Nivea Produtos de consumo 3,883 3,734 4%
88 92 Johnnie Walker Bebidas alcoólicas 3,842 3,557 8%
89 89 Smirnoff Bebidas alcoólicas 3,841 3,624 6%
90 N/A Nissan Automotivo 3,819 N/A N/A
91 93 Heineken Bebidas alcoólicas 3,809 3,516 8%
92 86 UBS Serviços financeiros 3,799 3,812 0%
93 95 Armani Luxo 3,794 3,443 10%
94 94 Zurich Serviços financeiros 3,769 3,496 8%
95 100 Burberry Luxo 3,732 3,11 20%
96 97 Starbucks Restaurantes 3,663 3,339 10%
97 N/A John Deere Diversos 3,651 N/A N/A
98 N/A HTC Eletrônicos 3,605 N/A N/A
99 91 Ferrari Automotivo 3,591 3,562 1%
100 98 Harley-Davidson Automotivo 3,512 3,281 7%

Popularity: 3% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.CComments (0)

Tags: , , ,

O inferno de Evo Morales


Segunda, 02 de Outubro de 2011, 03h06
Fonte: O Estado de São Paulo

De cabeça para baixo: governo de Evo Morales enfrenta crise em sua base de apoio.

Quando se lançou candidato à presidência da Bolívia em 2005, Evo Morales conseguiu atrair bolivianos de todos as bandeiras. Por mais que esse líder sindical de ascendência aimará ostentasse suas raízes sectárias, muita gente da elite boliviana – branca, urbana e abastada – apostou na sua destreza política e articulação social.

Se não morriam de amores por seus arroubos socialistas, pelo menos enxergavam nesse jovem e carismático líder um bálsamo para as profundas fendas sociais e raciais do convulsionado país andino. “Acreditava que ele, só ele, era capaz de promover a paz”, disse um ex-diretor de uma agência internacional de desenvolvimento com larga experiência na Bolívia.

Bons tempos, aqueles. Hoje a Bolívia está mais dividida que nunca. A divisão não é apenas o fosso milenar, entre brancos e índios ou ricos fazendeiros da baixada e pobres camponeses dos Andes. Na Bolívia de Evo, é o índio contra o mestiço, cocaleiros contra ambientalistas, governo contra governo, e todos contra a polícia.

A explosão social se desenha há anos, mas se potencializou nos últimos dias, com a polêmica sobre a construção de uma nova estrada que atravessará o seio do país, do norte ao sul. São 306 quilômetros apenas, uma obra modesta pelo padrão heroico da engenharia sul-americana. 

A OAS, construtora brasileira que toca a obra, já encarou empreitadas bem mais complexas. Mas a julgar pela convulsão que se criou, deve ser a maior encrenca por quilômetro do hemisfério. E, se o imbróglio se alastrar, pode acabar trincando ainda mais a quebradiça nação andina, fragilizando um governo já enfraquecido e ainda contaminando as relações entre a Bolívia e seu maior parceiro econômico, o Brasil. 

Lançada há dois anos, a rodovia ligará a pequena San Ignacio dos Moxos, no departamento amazônico do Beni, a Villa Tunari, em Cochabamba, ao custo de US$ 415 milhões. Apesar de cruzar terras remotas e pouco interessantes à economia brasileira, terá financiamento de US$ 322 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pelo acordo celebrado com pompa pelos governos de Evo e Lula, com direito a juras fraternas e muita flor de coca, safra principal da região e matéria-prima da cocaína.

Sim, a estrada corta áreas protegidas, o Parque Nacional e Território Indígena Isiboro-Securé ( Tipnis), com impactos incertos sobre a fauna, flora e diversas comunidades nativas que lá moram. Mas tudo valia pela “integração nacional” e pelo resgate das preteridas etnias, artigos de fé da nova Bolívia, rebatizada ao sabor da Constituição de Evo de Estado Plurinacional.

Os indígenas do Tipnis tiveram outra ideia e, em agosto, começaram uma longa – e pacífica – caminhada de protesto rumo à La Paz. A caminho, o protesto engordou, com adesões de peso, de diversas comunidades indígenas, a nata do eleitorado de Evo.

O governo reagiu e, seguindo ordens que ninguém assume, enviou a tropa de choque à frente. Houve cassetetes, gás lacrimogêneo, tiros, dezenas de feridos e crianças desaparecidas. Agora vem o sismo político. Uma meia dúzia de ministros e autoridades do governo caíram e Evo leu um pedido de desculpas forçado à nação. 

A julgar pelo clima nas cordilheiras, foi pouco. O Movimento Sem Medo, ex-aliado de Evo e agora oposição ferrenha, abriu queixa no Ministério Público contra os responsáveis pela repressão. Sobrou ainda para OAS, acusada de superfaturar a estrada. A suspeita – sempre negada pela construtora – é antiga e já vazou até pelo WikiLeaks, mas ganhou nova vida no rescaldo da crise do Evo.

Corrupção, conflito e bravatas. A história política da Bolívia é a de um país com memória longa e pavio curto. Só na última década, irrupções sociais levaram a confrontos violentos, derrubando os presidentes Gonzalo Sánchez de Lozada, em 2003, e Carlos Mesa, dois anos depois. Assim emergiu Evo, esperança das cinzas. Agora, arrisca-se acabar nelas.

Popularity: 3% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.CComments (0)

Tags:

Memórias póstumas de Bin Laden


13 de setembro de 2011 | 0h 00

Atentado ao World Trade Center: o Islã novamente como protagonista depois de 13 séculos.

Arnaldo Jabor – O Estado de S.Paulo
“Dedico estes pensamentos ao primeiro peixe que mordeu as frias carnes de meu cadáver, aqui, a 3 mil metros de profundidade neste oceano. Algum tempo hesitei se devia abrir minhas memórias pelo princípio ou pelo fim. Escolhi o fim. Dito isso, expirei no dia 1.º de maio de 2011, baleado na cabeça e no peito por um soldado americano que tremia de emoção por estar à minha frente. Depois, me lavaram, me envolveram num lençol como manda o Islã, e desci suavemente entre águas-vivas fosforescentes e tubarões curiosos, desci bafejado pelas asas de imensas arraias azuis que me rondaram. Agora, no fundo do mar, penso na minha vida e concluo que sou um grande vitorioso. Minha morte foi súbita e quase indolor, ao contrário dos cães infiéis que caíram como frutos podres dos 200 andares do WTC. Sou um vitorioso, tenho orgulho de meus feitos porque poucos influenciaram a história humana como eu. Claro, houve Alexandre, Napoleão, Hitler, mas garanto que, em velocidade, eu sou o recordista: em meia hora, o Ocidente mudou para sempre.

Mas, não foi apenas a queda das torres infiéis; eu tive dois grandes auxiliares, muito melhores que o Muhammad Atta: George W. Bush e Dick Cheney – um imbecil e um demônio. Eles me obedeceram e fizeram tudo que eu queria – se concentraram em duas guerras erradas para roubar petróleo e ganhar prestígio (eu forneci um programa de governo à besta do Bush) e abriram caminho para um gasto de US$ 4 trilhões só nas guerras. Nunca se errou tanto na América.
Depois, arrebentaram as finanças públicas do país e abriram caminho para o verdadeiro golpe importante que eu dei: 15 de setembro de 2008, com a queda da torre do Lehman Brothers… Ali, sim, foi traçado o destino do Ocidente; com o capitalismo desmoralizado, os moleques do mundo financeiro deitaram e rolaram na roubalheira de hipotecas e alavancas e mostraram que são um cassino de papéis abstratos, com dinheiro vendendo dinheiro. Hoje, graças a Alá, o Ocidente está à beira de moratória.
Modestamente (oh, Alá, perdoa meu orgulho!), eu ajudei Wall Street a fazer seu terrorismo de derivativos e índices. Eu sou a musa dos tea parties que continuam a me obedecer sem saber… Aliás, espero que ganhem a eleição para banir aquele negão comunista.
A América achava que chegaria a um futuro de paz e progresso. Ianques idiotas. Nós, islâmicos, já estamos no futuro. Nosso futuro é hoje. Não há passado. Aliás, eu não estou no passado. Nunca estive tão presente como agora. Presente na mídia, presente no medo, no desassossego.
Arrebentei com o tempo ocidental, que “movia” a História. Ilusão. Não há este “tempo” ocidental. Nós, islâmicos, moramos na história imóvel, dentro da verdade incontestável. Eles acham que têm a beleza da democracia; mas nós temos a teocracia. Eles têm a ilusão da liberdade. Nós nem sabemos o que é isso, graças a Alá – Islã é submissão.
Eu acabei com a ideia de “projeto”, de “finalidade”. O “projeto” agora é procurar bombinhas em aviões, localizar bueiros com bombas e cartas venenosas.
Eu acabei com a insuportável “razão” ocidental, aquela invenção de cães infiéis europeus do século 18.
Acabei também com o conceito de “vitória”. Não há mais vitória contra inimigos invisíveis. O homem-bomba não existe – ele se volatiliza em segundos. Sua força está em “não existir”. A única arma possível para os miseráveis é o ataque suicida. Eu fiz os miseráveis do meu povo amar a própria miséria, que agora é orgulhosa, vingativa e temida.
Eu trouxe a peste para o Ocidente – agora, a paz será uma ameaça permanente. Eu acabei com o tédio do mundo ocidental, que clamava por um acontecimento que lhes libertasse do fatalismo capitalista. Nada acontecia mais. Tudo era igual, normal, tudo que fosse diferente era sugado pelo buraco negro da pax americana.
Um dos dramas de hoje é que não há mais “fatos”. Só expectativas. Havia uma fome de fatos no ar; eu trouxe não apenas a desgraça redentora, mas o “acontecimento”. Eu vos brindei com o primeiro acontecimento do século 21.
Alá perdoe meu orgulho, mas criei o primeiro filme catástrofe ao vivo. Eu via aqueles filmes no meu DVD da caverna: Godzilla, Independence Day e pensava: Os americanos têm um reprimido desejo de autodestruição. Viviam destruindo Nova York nos filmes. Que obsessão suicida… As agulhas góticas da cidade pareciam pedir a ruína. O que pode acontecer a prédios de 200 andares, arranhando os céus de Deus? Só a queda. Em Godzilla há uma imagem igual àquela das pessoas fugindo da torre caindo ao fundo. Mas eu, como cinéfilo, rs, rs, eu prefiro Deep Impact.
Impressionou-me como tudo foi fácil. Em 30 minutos eu tinha jogado o mundo de volta à Idade Média, ao século 8.º. E essa viagem no tempo só foi possível pelo meu passado, digamos, “ocidental”, pois sou milionário saudita, estudei e pude vencer os americanos; eu sou um triunfo da iniciativa privada.
Eu repeti na prática um ensinamento leninista: “As armas da crítica não podem substituir a crítica das armas”.
E mais, vejo que estou muito feliz aqui ao fundo do oceano. Um belo cardume de peixes luminosos me cerca. Creio que adivinham minha grande vitória, pois me fitam com suas lamparinas na cabeça, brilhantes como safiras na água escura, me envolvendo numa nuvem colorida que talvez me leve agora para o céu de Alá… Considero-me um vitorioso. Tão grande é meu triunfo, que mesmo os cães infiéis deviam me agradecer, porque eu trouxe o medo de volta, porque eu trouxe a dúvida, melhor que a certeza burra, agradecer-me porque eu trouxe a pulsão de morte que andava escondida dentro da América, sublimada nos filmes, nos hambúrgueres, na gargalhada infinita do entertainment, na liberdade narcisista, na euforia dos mercados. Deviam me agradecer, porque eu devolvi ao mundo o “legado de nossa miséria”.”

Popularity: 3% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.C, HistóriaComments (0)

Tags: , ,

Piratas no parlamento estadual de Berlim


19 de setembro de 2011

Jovens apoiadores do Partido Pirata comemoram resultado das urnas.

Por Tatiana de Mello Dias

Com campanha direcionada a público jovem, Partido Pirata conseguiu 10% do parlamento regional

O Estado de São Paulo – O Partido Pirata alemão entrará no parlamento estadual de Berlim. Com 8,5% dos votos, o partido conseguiu 14 cadeiras num total de 149.
“O Partido Pirata é o verdadeiro vencedor das eleições estaduais de Berlim”, estampou o jornal Deutsche Welle.
O Partido apostou no público jovem com uma campanha irreverente. Criado em 2006, a organização foi além dos temas usualmente abordados – pirataria, compartilhamento de arquivos e liberdade de expressão – e incluiu questões sociais em sua campanha.
Um dos projetos, por exemplo, é garantir transporte público gratuito na cidade.
Essa é a segunda vez que os piratas se saem bem na Europa. Em 2009, o Partido Pirata da Suécia (o primeiro do mundo) conseguiu uma cadeira no Parlamento com 7% dos votos.
No Brasil, o Partido Pirata já anunciou que começa uma articulação para disputar as eleições. Quais as chances deles por aqui?

Popularity: 2% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.CComments (0)

Quem é radical no Tea Party?


Candidatos a candidatos republicanos: Deus salve a América deles.

Nota do D’Incao: o texto abaixo é uma ótima amostra para que o leitor entenda o que pensam e o que representam os republicanos. Certamente, dentro das ideias, das propostas e das preocupações dos republicanos reside o que há de pior nos Estados Unidos e no mundo.

Folha de São Paulo

DE WASHINGTON, por Luciana Coelho

Michele Bachmann bem que tentou, mas não conseguiu evitar: a disputa republicana é, agora, Rick Perry X Mitt Romney. Ela ainda tem importância, sim, mas como alguém cujo apoio _ ou nome na chapa_ pode garantir alguns milhões de votos, especialmente na ala mais radical do Partido Republicano.

Os oito principais pré-candidatos republicanos à Presidência se enfrentaram ontem no quarto debate do partido. Bachmann não foi tão apagada quanto no anterior, semana passada, mas também não soube fazer frente ao agora favorito Rick Perry.

Quem enfrentou o governador do Texas foi, como era de se esperar, Romney, o ex-governador de Massachusetts e, por ora, a voz mais moderada entre os pré-candidatos _para não dizer a única voz adulta. Ele está em segundo na disputa. Mas também o libertário Ron Paul (quarto) e Jon Huntsman (lá na lanterna) dificultaram a vida do cowboy de Paint Creek.

Paul, o mais direto, sempre com ótimas tiradas (apesar de ser um quase-anarquista, juro que o deputado do Texas às vezes soa como o mais centrado): “Eu moro no Texas, pago impostos, e eles dobraram no tempo de Perry no governo”.

Perry, bom dizer, assumiu há DEZ anos, como vice de Bush, quando este renunciou para disputar a Presidência. Apesar de dividirem o partido, o fervor religioso e a cadeira de governador, os dois não se dão bem.

Mas Perry é o homem da hora. Mesmo com Paul dizendo que ele aumentou impostos, e aumentou o deficit _um sacrilégio pela atual bíblia republicana_ , o homem parece ter teflon. Nada cola.

E ele permaneceu no palco, impávido, com um sorrisinho de desdém, repetindo que a Seguridade Social é um programa inútil que funciona como ume esquema-pirâmide, no qual os novos apenas pagam, sem ganhar nada, para sustentar  os lucros de quem entrou antes. Nenhum dos demais candidatos, nem Paul, concorda com ele (assim como a maioria deixou de concordar que aquecimento global não existe).

Romney fez seu melhor debate, e tem também uma campanha azeitada. Mas tem um ponto fraco entre o eleitorado republicano: seu programa de saúde em Masachusetts, muito elogiado, serviu de base para o de Obama, execrado pelos demais pré-candidats (e agora por ele).

Impressionante, como notou no twitter meu colega Gustavo Chacra, do Estado, foi a ausência da política externa do debate. Restringiu-se à discussão sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão serem ou não uma despesa inútil. No mais, os atuais candidatos republicanos são claramente isolacionistas, nada dos delírios wilsonianos de Bushinho (para o bem e o mal).

Sobre imigração, a maioria dos candidatos defende um muro; Bachmann quer testes de inglês, história e exames médicos (!) e Perry, embora tenha a condescendência de defender bolsas de estudos para filhos de imigrantes e imigrantes, acha que a fronteira tem de ser patrulhada por 45 mil soldados e helicópteros.

A análise apressada diz que foi o eleitorado mais radical do Tea Party é que empurrou o partido à direita, ou que o movimento surgiu para atender a esse eleitor mais estridente. Pois bem, o debate de ontem foi patrocinado pelo Tea Party e a CNN. Muitas perguntas vieram dos eleitores do grupo. Eram quase todas pertinentes e bem sacadas. Nenhum extremismo. Havia, isso sim, sensatez.

O extremismo estava no palco, entre candidatos que não sabiam responder como consertar a economia (não que Obama pareça saber, mas…) e que defendiam ordens executivas _a MP dos EUA _ para abolir o plano de saúde federal. Congresso para que, não é mesmo?

Mais tarde, no excelente programa de entrevistas do Charles Rose, estava o Michael Bloomberg]. É uma pena que o Partido Republicano não possa ter um candidato como ele. Independentemente da sua opção política, alguém centrado (não necessariamente centrista) enriqueceria o debate muito mais.

*

Faltou comedimento ao outro organizador do debate, a CNN: a abertura, nomeando os candidatos como “o favorito”, “a exaltada” etc parecia a abertura do prograna “O Aprendiz” ou de uma novela. O Hino Nacional americano, antes de começar, foi igualmente bizarro.

E os incentivos do apresentador Wolf Blitzer para que os candidatos brigassem entre si certamente caberiam melhor em um relaity show desregrado. Está consumada a espetacularização da campanha.

Popularity: 3% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.C, HistóriaComments (0)

Veja como a arte aborda o tema da melancolia


16/08/2011 – 08h30

GUILHERME GENESTRETI
IARA BIDERMAN
DE

Folha de São Paulo

Como visão de mundo ou expressão do temperamento do artista, a melancolia é um tema recorrente na história da arte.
Nas artes plásticas, a obra referencial é “Melencolia I”, gravura de 1514 do pintor, gravurista e arquiteto alemão Albrecht Dürer (1471-1528).

Melencolia I’, Albrecht DürerSegundo o crítico e professor de arte Rodrigo Naves, a gravura representa uma concepção de mundo em que estados de espírito e vocações eram regidos por forças exteriores ao indivíduo (deuses, planetas).
Nessa visão, a melancolia é também a deusa das artes liberais, associada ao pensamento reflexivo e à atividade intelectual.
A postura do anjo de Dürer, com a mão apoiada na cabeça, vai se consagrar como símbolo de melancólico.

São Jerônimo no Deserto’, Leonardo da VinciPara Frérederic René Guy Petitdemange, professor de história da arte da faculdade Anhembi Morumbi, é a postura prenunciada na obra “São Jerônimo no Deserto” (1480), de Leonardo da Vinci (1452-1519).

Retrato do Dr. Gachet’, Vincent Van GoghÉ também a posição que vai representar a melancolia em obras dos séculos seguintes, como o “Retrato de Dr. Gachet” (1890), do pintor pós-impressionista Vicent van Gogh (1853-1890).

O Pensador’, de Auguste RodinA escultura “O Pensador” (1902), de Auguste Rodin (1840-1917), é outro exemplo da representação desse estado de espírito, que reforça a ligação entre a melancolia e a reflexão intelectual.

Saturno Devorando um Filho’, de Francisco de GoyaA simbologia relacionada à melancolia, como o deus greco-romano Saturno (ou Cronos, senhor do tempo) surge na obra do espanhol Francisco de Goya (1746-1828). A pintura “Saturno devorando um filho” (cerca de 1820) é o melhor exemplo e uma das mais famosas da “fase negra” do pintor.

Vampiro’, de Edvard MunchSeres noturnos (morcegos, vampiros e corujas) são outros símbolos da melancolia usados ou aludidos pelos artistas. Um exemplo é a obra “O Vampiro” (1894), do norueguês Edvard Munch (1863-1944).

Nude’, de Francis BaconNo olhar do século 20, pessoas sozinhas e espaços vazios, com cores frias, retratam a melancolia/monotonia moderna. É o nu do britânico Francis Bacon (1909-1992), com a mesma cabeça apoiada na mão pintada pelos renascentistas ou o solitário que contempla o nada na tela “Office in a Samll City” (1953), do americano Edward Hopper (1882-1967).

NA LITERATURA
Poetas e escritores também foram acometidos pela melancolia.

“Se eu morresse amanhã”, do poeta romântico Álvares de Azevedo

A sensação de mal-estar marcou o romantismo, movimento literário dos séculos 18 e 19 que começou na Europa e chegou ao Brasil pelas mãos de autores como Álvares de Azevedo (1831-1852) e Fagundes Varela (1841-1875).
“O poeta dessa época vive assombrado pela ideia de perda e pelo suicídio”, explica Márcio Seligmann-Silva, professor de teoria literária da Unicamp.
O escritor João Guimarães RosaRiobaldo, protagonista de “Grande Sertão: Veredas” (1956), do mineiro João Guimarães Rosa (1908-1967), é do tipo melancólico, segundo Seligmann. “Ele perde Diadorim e vai trabalhar a perda narrando a sua história”, diz.

A escritora Clarice LispectorClarice Lispector (1920-1977) é outra escritora lembrada por seu temperamento mais introspectivo.
Sua obra mistura duas fontes de melancolia, diz seu biógrafo, Benjamin Moser. A primeira é o Brasil, cuja realidade social a deixava incomodada; a segunda é a sua origem judaica _isso sem falar nos seus dramas familiares.
“Ela era deprimida, mas conseguiu fazer algo com a depressão, que é a sua obra”, disse Moser à Folha. “Como os grandes artistas, ela era muito sensível ao que acontecia ao seu redor.”

Nos EUA, o escritor David Foster Wallace (1962-2008) é outro exemplo.

O autor dos contos de “Breves Entrevistas com Homens Hediondos” e do romance “Infinite Jest” (ainda não traduzido para o português) sofria de depressão e cometeu suicídio.
“Ele era irônico, sarcástico. Muitas vezes, essa ironia é uma resposta à melancolia”, diz Seligmann.

NO CINEMA
Melancolia é tradição dos filmes nórdicos, segundo Luiz Nazario, professor de história do cinema na UFMG. “A luz pálida do inverno, o frio intenso, a solidão e o medo do contato físico… Tudo ali parece levar a uma profunda melancolia.”

Cena do filme “Gritos e Sussurros”, de Ingmar Bergman

O sueco Ingmar Bergman (1918-2007), diretor de filmes como “Gritos e Sussurros” e “A Hora do Lobo”, não foge à regra. “A sua obra é uma grande psicanálise da vida dele mesmo. Seus personagens estão mergulhados em depressões existenciais que beiram a loucura”, diz Nazario.
Esse estado de ânimo também inspirou os diretores do expressionismo alemão, da década de 1920.

Cena do filme “O Gabinete do Dr. Caligari”, de Robert Weine

Os personagens atormentados desses longas “arrastam sua melancolia por cenários deformados”, segundo Nazario. Alguns exemplos: o sonâmbulo Cesare de “O Gabinete do Dr. Caligari” (1920) e o pianista ensandecido de “As Mãos de Orlac” (1925)
Nicole Kidman como Virginia Woolf no filme ‘As Horas’No mais recente “As Horas” (2002), depressão e morte se repetem nas três histórias do filme, que mistura a vida da escritora inglesa Virginia Woolf (1882-1941) com a de uma depressiva dona de casa americana dos anos 50 e a de seu filho suicida.

Popularity: 5% [?]

Postado em Cultura, Filosofia, HistóriaComments (0)

Tags: ,

Sem governo central, Somália é retrato de tudo que pode dar errado


15/08/2011 – 08h42

Praia em Mogadiscio, na Somália: 20 anos sem governo central.

Folha de São Paulo

Futuro é um termo de curtíssimo prazo na Somália. O país ocupa o topo do amaldiçoado ranking de Estados mais falidos do mundo. Fome, doenças, ruína econômica e balas perdidas estão sempre à espreita.
Por quatro dias, sob forte escolta armada, o correspondente da Folha Marcelo Nínio circulou pelas esburacadas ruas de Mogadício, visitando hospitais, campos de refugiados e a sede do governo transitório, que controla alguns distritos da capital.
Os grandes blindados da Amisom (missão de paz da União Africana) dividem as ruas da capital com carroças puxadas por burros e um comércio informal, a porção mais ativa da economia.
A seca arruinou boa parte da agricultura familiar e do rebanho de vacas e ovelhas. Até camelos estão morrendo de sede. Serviços municipais são praticamente inexistentes e o errático fornecimento de eletricidade é um luxo para poucos. Vans caindo aos pedaços fazem o transporte de quem tem como pagar.
Uma montanha de lixo tomou conta do píer perto da parte antiga da cidade, onde o casario italiano dos tempos de colônia está em ruínas.
Único país do mundo sem um governo central, após duas décadas de guerra civil, a Somália é um retrato de tudo o que pode dar errado quando desastre natural e disputas tribais se unem.
Leia reportagem na íntegra na Folha de São Paulo.

Popularity: 6% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.C, Geografia, HistóriaComments (0)

Tags: ,

Pequeno pônei


Poder pelo consumo: infantilização do consumidor mata a cidadania e traz falsa ideia de poder.

Por Michel Blanco . 09.08.11 – 20h22
Yahoo
Pônei, ursinho, cachorrinho… A publicidade, fada madrinha do hiperconsumismo, segue uma lógica infantilista. Parece ver o público como um grupo de escoteiros: um bobo vestido de criança e crianças vestidas de bobo. Duvida? Ligue a TV.
Criaturas fofas estão em comerciais de carros a cerveja, num estímulo de desejos pueris e narcisistas. Uma Terra do Nunca para uma geração inteira de aspirantes a Peter Pan. A fuga da realidade atenua os riscos inerentes a um e outro produto. Volante e álcool são coisas para gente grande; desnecessário lembrar não fossem os bichinhos falantes.
Mas o produto quase não vem ao caso, o objeto de venda é a marca e todo apelo simbólico que representa: prestígio, satisfação e beleza plenas. Pouco importa se o carrão está ao alcance do público, a marca deve ser um sonho de consumo. Se o telespectador for uma criança, está aberta a oportunidade para o melhor negócio: um pequeno que estabelece uma relação de afeto com uma marca é o consumidor fiel em potencial. É, pôneis malditos!
A infantilização do consumidor e a invenção de necessidades são o que dão a liga ao capitalismo contemporâneo, num caldo de hiperconsumismo. A conclusão é do cientista político Benjamin Barber, para quem vivemos a era dos “kidults” ou “criançultos”. É este sujeito, impulsivo, egoísta e pouco habituado a frustrações, a quem a publicidade exalta. O motorista responsável não é descolado o bastante para um comercial.
E daí? Junte-se ao discurso infantilizado a promessa de virilidade e emoções fortes no embalo de um motor possante que o estrago está feito. As montadoras e a propaganda não são, obviamente, os únicos responsáveis pelas mortes diárias no trânsito caótico das cidades brasileiras, mas sua parte no problema é inegável.
O impacto da fantasia hiperconsumista não está restrito a essa geração de adultos infantilizados; afeta nosso próprio juízo de cidadania. A identidade que se consolida é a do consumidor, para quem o Estado é reduzido a um insáciável órgão arrecadador a encarecer as compras e tolher liberdades. A própria política se tornou marketing, adverte Barber. Campanhas eleitorais mundo afora não o desmentem.
Daí para ideia de que só exercermos poder quando consumimos é um pulo. Essa mesma noção embala a moda do nariz de palhaço em protestos “cívicos” recentes: paguei e não recebi de acordo. Cômico se não fosse trágico o crescente número de patetas ao volante:

Popularity: 4% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.CComments (0)

Tags:

Direitos espancados (editorial da Folha)


Fumaça legal: policiais atiram com balas de borracha em participantes da marcha da maconha.

Editorial da Folha de São Paulo
24/05/2011

As cenas de agressão policial a manifestantes da Marcha da Maconha e a jornalistas que cobriam o evento, na avenida Paulista, são resultado da visão embotada de alguns juízes, incapazes de distinguir entre a liberdade de expressão e a apologia ao crime.

A decisão de um desembargador de proibir a marcha não é a primeira. Desde 2008, a Justiça vem barrando manifestações semelhantes. O teor das decisões ao longo dos últimos anos é quase idêntico -alegam não se tratar de um debate de ideias, mas sim de uma iniciativa para o consumo público coletivo da maconha.

O argumento é falacioso. Os juízes não têm como saber, de antemão, se os participantes estarão lá para consumir substâncias ilícitas. Se isso vier a ocorrer, devem ser tratados de acordo com a lei vigente no país, mas a mera possibilidade não pode servir de base para a proibição de manifestação legítima a favor de uma ideia, por controversa que seja (legalização de droga considerada “leve”).

Tais determinações judiciais parecem ignorar, também, que existe um debate muito mais amplo na sociedade, não restrito apenas a usuários e especialistas, em torno do que fazer em relação à complexa questão das drogas.

Relatório de 2009, de um grupo liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e por colegas da Colômbia e do México, defendia que a guerra às drogas fracassou e cobrava um debate público sobre alternativas, inclusive a descriminalização. No final do ano passado, foi o governador do Rio, Sérgio Cabral, quem se posicionou pela discussão acerca da legalização das drogas leves.

Proibições a manifestações pacíficas e sem objetivo declarado de ferir a lei não vão frear o debate. Servem apenas, como foi o caso em São Paulo, para favorecer a exibição de despreparo das forças de segurança, que agiram com inaceitável truculência, sob o pretexto de cumprir ordem judicial.

Duas ações no Supremo Tribunal Federal, em andamento desde 2009, contestam pontos da atual legislação empregados nas decisões dos juízes para proibir as manifestações por suposta apologia ao consumo de drogas.

O STF deve manifestar-se o quanto antes e cumprir sua função de garantidor da Constituição, que ampara de modo inequívoco o direito à liberdade de expressão.

Popularity: 5% [?]

Postado em Atualidades, Cultura, E.P.CComments (0)

  • Populares
  • Novos
  • Comentários
  • Tags
  • Assine
Advertise Here