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EUA processarão bancos por enganar clientes sobre títulos hipotecários


02/09/2011 – 04h35

O cineasta Michael Moore dá voz de prisão para os diretores de um banco americano: finalmente, o governo resolveu olhar para o povo.


DA EFE
Folha de São Paulo

O governo dos Estados Unidos irá abrir um processo de “bilhões de dólares” contra vários dos bancos mais importantes do país por enganar os investidores sobre a qualidade dos valores baseados em hipotecas vendidas durante a “bolha” imobiliária, informou o jornal “The New York Times”.
A Agência Federal de Financiamento de Casas (FHA, na sigla em inglês), encarregada que observar as enormes instituições hipotecárias Fannie Mae e Freddie Mac, apresentará o processo contra uma lista de “mais de uma dúzia” de bancos, entre os quais Bank of America, JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Deutsche Bank.
Segundo os “três indivíduos informados a respeito” que foram citados pelo “New York Times”, a ação será interposta nesta própria sexta-feira ou na próxima terça, pouco antes do fim do prazo limite para a apresentação de processos por parte da FHA.
No processo, a FHA argumentará que os bancos, ao agrupar hipotecas para poder emitir valores baseados nesses ativos, não averiguaram devidamente a confiabilidade dos contratos hipotecários, como exigem as leis das bolsas de valores.
Quando a “bolha” imobiliária explodiu no final de 2008, diante da falta de pagamento das hipotecas por parte de muitos prestatários, a cotação destes títulos hipotecários caiu muito.
Como consequência, Fannie Mae e Freddie Mac perderam mais de US$ 30 bilhões, perdas que foram cobertas sobretudo pelos cofres federais.
Segundo as fontes do “New York Times”, a ação que será interposta pela FHA será muito parecida com a formulada em julho contra o banco UBS por US$ 900 milhões.

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Osama foi para o céu


10 de maio de 2011 | 0h 00

Grafite do artista Bansky: o mundo sob o ponto de vista único dos americanos.

Arnaldo Jabor – O Estado de S.Paulo

Osama é o único assunto. Jurei que não escreveria sobre ele, mas esse homem não me sai da cabeça. Aí, resolvi telefonar para o Nelson Rodrigues para ver sua opinião. Disco o telefone preto intergaláctico, pois o Nelson me ajuda a “não” pensar com as falsas luzes do bom senso, das causas e efeitos. O telefone toca. Já ouço as risadinhas dos querubins, em volta de Nelson na nuvem de algodão no céu de estrelas de papel prateado, como nos teatros da Praça Tiradentes.

- Nelson… sou eu, o Arnaldo…
- Você me ligando, rapaz, como um telefonista de si mesmo. Achei que tinha me esquecido…
- O negócio é o seguinte, Nelson, estou besta com a morte do Osama…
- Eu também, rapaz… O sujeito acabou de entrar aqui, com guarda-costas e tudo e foi correndo para o paraíso islâmico aí do lado…
Está uma barulheira danada, com todo mundo de camisola gritando “Só Alá é grande”. Deus Pai não liga muito, mas fica vagamente irritado com esse nome; ele e Alá são iguais. Com a chegada do Osama, resolvi dar uma “espiadinha” no paraíso deles…
Rapaz, parece o baile do Bola Preta! Os terroristas são tratados a pão de ló e goiabada. O Muhammad Atta, aquele chefe suicida do 11 de Setembro, estava deitado numa cama de ouro, com odaliscas do Catumbi rebolando a dança do ventre e, quando o Osama entrou, as mil virgens pularam em cima dele, pedindo autógrafos, macacas de auditório com asinhas… É… Osama é um galã de novela… Aí embaixo também; estávamos apaixonados por ele ao avesso e não sabíamos. Eu confesso que acho ele um craque…
- Como assim? – pergunto, como nos maus diálogos.
- Porque ele criou o primeiro acontecimento do século 21. Tudo que os russos quiseram fazer, ele fez em meia hora. E mudou o Ocidente.
A América perdeu a “máscara”, estavam muito folgados na época… Agora, voltaram como caubóis, mas a vida não será a mesma. Vão continuar procurando bombas em bueiros. O Ocidente sempre teve o alvo da finalidade, do progresso. O Islã, não; quer o imóvel, a verdade incontestável. Eles não vivem na História; vivem na eternidade. Agora tem os rebeldes árabes; vamos ver se vão preferir a democracia mesmo ou os dogmas assassinos do Osama. De qualquer modo, os americanos vão ter de incluir a morte em seu dia a dia. Não poderão esquecê-la como sempre tentaram. Ficarão mais “orientais”, mais fatalistas… Isso pode até ser bom.
- Como assim? – repito na minha obtusidade.
- Rapaz, me admira você não ver isso: para eles, nós somos o Mal. Eles são o Bem. Aí, a jogada genial do Barack Obama foi ser também o Mal deles. Os cães infiéis atacaram de volta… Você disse uma frase na TV que eu até gostei: “Tudo foi cinema. Começou como Godzilla em 2001 e agora acabou como Duro de Matar… Você devia abrir uma lojinha de frases…
- Quem sou eu, Nelson?…
- E agora, todo mundo tira casquinha da vitória do Obama. Os republicanos berram: “Se não fossem nossas torturas, não achavam o homem!” Do outro lado, gemem os éticos e idiotas da objetividade: “Foi ilegal – e nossos valores?” Esses caras já nascem com uma ética pré-fabricada e não se curvam ao intempestivo da História; não aguentam o mistério do acontecimento. Não veem que o certo e o errado estão misturados. Nietzsche disse: “As convicções são cárceres”. Os intelectuais têm de aprender a “não entender”…
- Mas Nelson, politicamente o momento…
- O momento é importante, sim, porque os ditadores bilionários da Arábia adoravam que os inimigos fossem os americanos, enquanto seus povos miseráveis batiam cabeça ajoelhados no chão… Agora, os árabes acordaram…
- Nelson, você virou marxista aí no céu…
- O Marx me chama de “reacionário”, mas me ouve muito e anda chateado com as bobagens que escrevem sobre ele na academia. Eu disse para ele: “Olha, Marx, a burrice é uma força da natureza, feito o maremoto”… Ele vive repetindo isso, achou uma graça infinita… Bom sujeito, o Marx…
- É… mas a História andou para trás…
- Para com isso, rapaz, a História não existe… Ela foi uma invenção daquele alemão, o tal de Hegel que, aliás, está ali sentado numa nuvem, chorando lágrimas de esguicho numa cava depressão… O sujeito achava que a História andava pra frente e, de repente, meia dúzia de malucos, cheirando a banha de camelo, transformaram nossa vida num pesadelo humorístico. Vocês achavam que a vida era movida pelas “relações de produção”, coisa e tal, mas esqueceram que a História pode ser “intempestiva, mutante”, como escreveu o Nietzsche, que também anda por aqui, bigodudo, muito sério, e disse uma frase genial para mim: “A filosofia é um exílio entre montanhas geladas…” O Nietzsche é um craque… Sempre que posso, tomo um cafezinho com ele. Nunca saímos da barbárie, pensa bem: tivemos duas guerras mundiais num século. Os alemães queimaram judeus, os americanos derreteram 200 mil em 30 segundos em Hiroshima e Nagasaki. A razão é um luxo de franceses… Aliás, tem um francês inteligente aqui, o Baudrillard. Ele disse: “Acabou o “universal” – agora, só há o “singular” e o “mundial”…” Bom, né?
- Mas, o futuro da humanidade…
- O mundo nunca foi feliz… Esse negócio de felicidade global é invenção do comércio americano… A humanidade dando milho para os pombos na Praça de São Marcos é lero-lero…Deus não quer isso. Vai olhar a Bíblia, a Torá; é tudo no “olho por olho”… Lembra da Inquisição? Deus é violento… (estou falando baixo que Ele está ali perto, consolando o Hegel).
- Mas o ser humano…
- Rapaz… A humanidade é uma ilusão. “Tudo que é real é irracional, tudo que é irracional é real.” Se o mundo acabar, não se perde absolutamente nada…
E desligou…

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Bin Laden e os bárbaros


Americanos comemoram nas ruas, sem saber qual guerra venceram.

Luís Paulo Domingues
D’Incao Instituto de Ensino

Não dá para entender por que os americanos, com sua proverbial paixão pelo espetáculo público, jogaram o corpo de Bin Laden no mar.
O mais normal neste episódio, em se tratando dos Estados Unidos, seria mumificar o corpo de Osama e deixá-lo exposto à visitação pública em Washington. Com o Saddam, vivo, eles fizeram quase isso.
Não consigo crer neste diálogo entre os comandantes americanos:
“-Matamos Bin Laden. Para onde levaremos o corpo?”
“-Jogue no mar.”
É incrível como os americanos conseguem ser tão incompetentes em política externa e tão geniais em criar espetáculos. Se excluirmos do debate a vitória americana na Segunda Guerra, os EUA perderam tudo, mas saíram como se fossem os vencedores.
Os americanos se meteram na Coreia: o país foi dividido em dois e a parte norte se transformou em um proto-regime comunista, comandado por um lunático que possui armas nucleares.
Os americanos se meteram no Vietnã: perderam vergonhosamente a guerra contra guerrilheiros paupérrimos. E a vergonha só não é maior, porque o cinema os mostrou como jovens coitados, que foram espancados, torturados e massacrados por poderosos e covardes assassinos orientais.
Os americanos se meteram no Camboja: fugiram pelo teto da embaixada em uma cena idêntica à queda de Saigon, no país vizinho.
Os americanos se meteram no Irã: o povo derrubou a monarquia ditatorial do Xá Reza Pahlevi (corrupto e colaborador dos americanos) e preferiu a ditadura dos aiatolás.
Os americanos se meteram no Afeganistão: a CIA armou e treinou os guerrilheiros afegãos, para que eles derrotassem os invasores soviéticos. Os soviéticos foram embora em 1988, derrotados, e os mesmos guerrilheiros derrubaram o World Trade Center em 2001.
A morte de Bin Laden foi comemorada como uma final de campeonato nacional de baseball ou basquete. Colocaram um ponto final, com sabor de vitória, em algo que ainda não acabou.
Fizeram a mesma coisa em 2003, quando tomaram Bagdá. Bush foi até o Golfo Pérsico e fez o discurso da vitória a bordo de um porta-aviões, em frente a uma imensa faixa com os dizeres: “Missão Cumprida”. Estamos em 2011 e os americanos ainda estão lá no Iraque, levando bomba a todo momento.
Os americanos prometem uma democracia ideal para o mundo, baseada em um monte de mentiras. Osama Bin Laden morreu no momento em que as populações árabes desencadearam revoltas para derrubar seus ditadores patrocinados pelo ocidente (leia-se USA). É cômico e trágico que as possíveis democracias que nascerão das revoltas árabes podem (e algumas vão) eleger governos fundamentalistas islâmicos. Iguais ao do Irã – que é o demônio, segundo os EUA.
É claro que não podemos analisar a questão árabe apenas sobre esse prisma – o de que a democracia só traria mais problemas ao mundo islâmico. Mas o fato é que já vimos essa história antes. Democracia não é sinônimo de bem estar – como querem os americanos, quando e onde convém a eles. Hitler, por exemplo, foi eleito pelo povo.
Outro dia eu assisti a um documentário que defendia, com fortíssimos argumentos, que os americanos jamais pisaram na lua. Tratava-se, segundo o filme, do que os americanos sempre fizeram muito bem: um espetáculo para o povo. As imagens da população americana nas ruas e dos fogos para comemorar a conquista da lua foram sobrepostas às dos soviéticos nas ruas soltando fogos para comemorar, em 1961, a ida de Yuri Gagarin ao espaço. Uma competição entre dois times e duas torcidas.
Aos que simpatizam com tudo o que os americanos fazem, minhas sinceras desculpas. Mas a comemoração de uma vitória que não existiu (os EUA estão lá no Afeganistão, tomando tiro), bem no momento em que a corrida pela reeleição de Obama se inicia, só pode ser explicada pela alienação total do povo americano.
Mesmo com todo o conhecimento acumulado por milênios, com toda a ciência e a tecnologia avançadas que o homem desenvolveu, a nação mais importante do mundo se comporta como um bando de bárbaros comemorando um saque.

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Buuu


28 de abril de 2011 | 0h 00

Vaias para Lula, FHC ou por ter que dividir espaço com a nova classe média?

Luis Fernando Verissimo – O Estado de S.Paulo
Diálogo urbano, no meio de um engarrafamento. Carro a carro.

- É nisso que deu, oito anos de governo Lula. Este caos. Todo o mundo com carro, e todos os carros na rua ao mesmo tempo. Não tem mais hora de pique, agora é pique o dia inteiro. Foram criar a tal nova classe média e o resultado está aí: ninguém consegue mais se mexer. E não é só o trânsito. As lojas estão cheias. Há filas para comprar em toda parte. E vá tentar viajar de avião. Até para o exterior – tudo lotado. Um inferno. Será que não previram isto? Será que ninguém se deu conta dos efeitos que uma distribuição de renda irresponsável teria sobre a população e a economia? Que botar dinheiro na mão das pessoas só criaria esta confusão? Razão tinha quem dizia que um governo do PT seria um desastre, que era melhor emigrar. Quem pode viver em meio a uma euforia assim? E o pior: a nova classe média não sabe consumir. Não está acostumada a comprar certas coisas. Já vi gente apertando secador de cabelo e lepitopi como e fosse manga na feira. É constrangedor. E as ruas estão cheias de motoristas novatos com seu primeiro carro, com acesso ao seu primeiro acelerador e ao seu primeiro delírio de velocidade. O perigo só não é maior porque o trânsito não anda. É por isso que eu sou contra o Lula, contra o que ele e o PT fizeram com este país. Viver no Brasil ficou insuportável.
- A nova classe média nos descaracterizou?
- Exatamente. Nós não éramos assim. Nós nunca fomos assim. Lula acabou com o que tínhamos de mais nosso, que era a pirâmide social. Uma coisa antiga, sólida, estruturada…
- Buuu para o Lula, então?
- Buuu para o Lula!
- E buuu para o Fernando Henrique?
- Buuu para o… Como, “buuu para o Fernando Henrique”?!
- Não é o que estão dizendo? Que tudo que está aí começou com o Fernando Henrique? Que só o que o Lula fez foi continuar o que já tinha sido começado? Que o governo Lula foi irrelevante?
- Sim. Não. Quer dizer…
- Se você concorda que o governo Lula foi apenas o governo Fernando Henrique de barba, está dizendo que o verdadeiro culpado do caos é o Fernando Henrique.
- Claro que não. Se o responsável fosse o Fernando Henrique eu não chamaria de caos, nem seria contra.
- Por quê?
- Porque um é um e o outro é outro, e eu prefiro o outro.
- Então você não acha que Lula foi irrelevante e só continuou o que o Fernando Henrique começou, como dizem os que defendem o Fernando Henrique?
- Acho, mas…
Nesse momento o trânsito começou a andar e o diálogo acabou.

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Governo da Síria suspende estado de emergência, diz agência


/04/2011 – 10h54

Damasco, capital da Síria: livre do estado de emergência em vigor há 50 anos.

Folha de São Paulo

O governo da Síria aprovou nesta terça-feira a suspensão do estado de emergência vigente há 50 anos no país, informou a agência de notícias estatal. A medida era a principal reivindicação dos manifestantes oposicionistas, que protestam em várias cidades do país há semanas.
Um legislador afirmou à agência de notícias Reuters que a lei foi aprovada no Parlamento e que o ditador Bashar al-Assad ainda precisa assinar o documento. A assinatura, contudo, é uma mera formalidade e tida como garantida.
A agência de notícias Sana diz que o governo sírio aboliu ainda a corte de segurança estatal, que lidava com os julgamentos dos prisioneiros políticos e aprovou uma lei permitindo o direito dos cidadãos a protestos pacíficos.
Ao menos 30 pessoas morreram e outras 90 ficaram feridas somente nos últimos dois dias durante os distúrbios ocorridos na cidade síria de Homs, que se intensificaram na madrugada desta terça-feira.
As forças de segurança sírias têm reagido com dureza contra as manifestações de oposicionistas, iniciadas um mês atrás na cidade de Deraa, no sul, e que se espalharam por todo o país.
Os protestos representam o maior desafio já enfrentado por Assad, que assumiu a presidência em 2000 depois que seu pai, Hafez al Assad, morreu ao fim de 30 anos no poder.
Depois de prometer suspender a lei, Assad nem ao menos citou a medida em seu primeiro pronunciamento público desde o início dos levantes, em 30 de março. Na época, ele disse ainda que as reformas políticas não são prioritárias e culpou uma grande conspiração internacional, que teria usado falsas informações para instigar as diferenças étnicas e levar o povo às ruas.
No sábado (16), Assad voltou a dizer que a legislação que substituirá quase meio século de lei de emergência deve estar pronta nesta semana. Dirigindo-se a seu recém-formado gabinete, Assad disse que os ministros devem preparam uma lei para regulamentar as manifestações, que são ilegais pela lei de emergência vigente há 48 anos e que proíbe ajuntamentos de mais de cinco pessoas.
No entanto, sua promessa pouco serviu para apaziguar os manifestantes que pedem maiores liberdades na Síria ou para conter a violência que organizações de direitos humanos dizem ter vitimado pelo menos 200 pessoas.
Nesta segunda-feira, após milhares de pessoas reunirem-se na cidade de Homs para os funerais dos mortos durante manifestações do fim de semana na Síria, o Ministério do Interior sírio chegou a classificar os protestos como uma “insurreição armada”.
Países ocidentais vêm condenando a violência mas não mostram sinais de que agirão contra Assad, ator central na política do Oriente Médio que consolidou a aliança anti-Israel de seu pai com o Irã e apoia os grupos islâmicos Hamas e Hezbollah, enquanto mantém conversas de paz indiretas e intermitentes com Israel.

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Bolsonaro inclui Dirceu como ‘testemunha de defesa’


12/04/2011

Jair Bolsonaro, em charge que o retrata como neo-nazista: o deputado faz sua própria defesa.

Josias de Souza
Folha de São Paulo

Expira nesta quarta (13) o prazo para que o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) apresente sua defesa à Corregedoria da Câmara.
Acusado de racismo, ele informou que irá cumprir o prazo.
Disse que decidiu arrolar como testemunha de defesa o grão-petê José Dirceu, ex-chefão da Casa Civil.
Por que Dirceu? Bolsonaro içou do baú uma notícia veiculada pela ‘Folha’ há 18 anos, em 1993.
Para provar que os deputados assinavam projetos de lei sem ler, o jornal recolheu apoiamentos a uma proposição falsa e de teor esdrúxulo.
A proposta previa a volta do Brasil à condição de colônia de Portugal e o restabelecimento da escravidão no país.
Mais de cinco dezenas de deputados acomodaram o jamegão no projeto. Entre eles o então deputado federal José Dirceu.
“Esses que assinaram tal proposta se equivocaram ou são racistas?”, indaga Bolsonaro. “Quando outros erram é humano, quando eu erro é racismo?”
Bolsonaro foi à berlinda, seu habitat natural, depois de uma resposta atravessada que deu à cantora Preta Gil no programa CQC, da TV Bandeirantes.
A filha de Gilberto Gil perguntou o que ele faria se um filho se apaixonasse por uma negra. E Bolsonaro:
“Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.
Depois, levado às manchetes em posição constrangedora, Bolsonaro alegou que entedera errado a pergunta.
Pensou, segundo disse, que Preta Gil o houvesse questionado sobre a hipótese de um de seus filhos se apaixonar por um gay, não por uma negra.
Além de Dirceu, Bolsonaro disse que pode incluir no rol de testemunhas outros deputados e ex-deputados que assinaram o projeto fantasioso de 1993.
Na elaboração da defesa, ele dispensou o auxílio de advogados. Bolsonaro cuidar, ele próprio, da peça. Auxilia-o apenas o chefe de gabinete.
“A pessoa que procura um excelente advogado é porque tem culpa no cartório”, afirmou.
Nesta terça (12), véspera da apresentação da defesa, Bolsonaro voltou a protagonizar um rififi no plenário da Câmara.
Ocupava a tribuna o deputado Pastor Marco Feliciano (DEM-SP). Discorria sobre a obrigatoriedade de ensino religioso nas escolas.
Estabeleceu-se um debate sobre a condição do Brasil, um Estado laico.
Súbito, pendurado ao microfone de apartes, Bolsonaro injetou no lero-lero uma crítica à “cartilha gay” que, segundo ele, o MEC distribui nas escolas.
Presente à sessão, o deputado Luiz Alberto (PT-BA) tentou devolver o debate ao leito inicial, retomando a meada do ensino religioso.
Longe do microfone, Bolsonaro tentou interromper a fala do colega (foto abaixo). Luiz Alberto, que é negro, rodou a baiana:
“Vossa Excelência se pronunciou, e eu não o interrompi. Vossa Excelência é um antidemocrata, violento, intolerante, racista…”
“…Esta Casa precisa tomar uma atitude em relação a Vossa Excelência, que quer se fazer de vítima nesta Casa, mas não vai sair como vítima”.

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Opositor diz que suas forças estão “nos portões” de Abidjã


31/03/2011 – 13h55

Abdjan, capital da Costa do Marfim, enfrenta combates em momento decisivo.

Folha de São Paulo
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O líder da oposição da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, afirmou nesta quinta-feira que forças sob seu comando estavam “nos portões” da cidade de Abidjã e pediu aos simpatizantes do presidente Laurent Gbagbo que ainda restam para que mudem de lado para evitar maiores sofrimentos.
Ouattara foi o vencedor das eleições de novembro do ano passado, reconhecido pela comunidade internacional. Gbagbo, que já estava no poder, se recusou a renunciar e apelou ao Conselho Eleitoral por uma recontagem de votos, que favoreceu sua campanha. Desde então, forças dos dois lados se enfrentam em confrontos que deixaram centenas de mortos e ameaçam levar o país de volta à guerra civil de 2002 e 2003.
Durante a madrugada, as forças de Ouattara tomaram o controle de diversas cidades próximas à cidade principal de Abidjã, incluindo o porto de cacau de San Pedro, apertando o cerco ao redor de Gbagbo.
“Peço a vocês que sirvam à seu país [...] Está na hora de se unir aos seus irmãos nas Forças Republicanas”, disse Ouattara em comunicado na televisão estatal.
Pouco depois, artilharia pesada foi disparada no centro da cidade e as forças de elite de Gbagbo se posicionaram ao redor do palácio presidencial, segundo testemunhas.
O primeiro-ministro de Outtara, Guillaume Soro, disse à Reuters que Gbagbo tinha apenas mais “duas ou três horas” no poder e que “o jogo acabou”.
“Duas ou três horas e acho que estará terminado. O jogo acabou para Gbagbo. Terminou”, disse Soro.
A África do Sul anunciou nesta quinta-feira que o chefe do Exército de Gbagbo, general Phillippe Mangou, buscou refúgio na casa de seu embaixador no país, em um dos principais golpes ao presidente.
Na tarde desta quinta-feira (manhã em Brasília), as forças pró-Outtara foram vistas por moradores no bairro de Cocody, onde fica a sede da TV estatal e a casa principal de Gbagbo.
A cidade está sendo sobrevoada por helicópteros militares da ONU (Organização das Nações Unidas) e veículos armados franceses passam pelas ruas do centro, perto do palácio presidencial.
Ao menos 472 pessoas morreram desde que a batalha começou, segundo a ONU, e a crise humanitária se agrava a cada dia –com um milhão de deslocados apenas de Abdijã.
O número deve aumentar. “Número de mortos e feridos estão correndo aos milhares. Esta é nossa indicação”, disse Pierre Kraehenbuehl, diretor de operações do Comitê da Cruz Vermelha, em entrevista coletiva em Genebra.
HISTÓRICO
Poucos dias após a votação de 28 de novembro, a Comissão Eleitoral Independente declarou o opositor Ouattara como vitorioso com 54,1% dos votos válidos, contra 45,9% de Gbagbo.
O resultado foi reconhecido pela ONU, Estados Unidos e União Europeia. No mesmo dia, contudo, Gbagbo apelou ao Conselho Constitucional com alegações de fraude eleitoral. O órgão anulou cerca de 10% dos votos, a maioria em redutos de Ouattara, dando a vitória a Gbagbo com 51%.
Desde então, a comunidade internacional pressiona Gbagbo a deixar o poder e já aplicou as mais diversas sanções –como veto ao visto de viagem aos países da União Europeia e o congelamento dos fundos estatais no Banco Central da União Monetária e Econômica do Oeste Africano. Gbagbo rejeitou todas as propostas, incluindo ofertas de anistia e um confortável exílio no exterior.

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Artigo: Quando que foi bom?


Cena comum na Idade Média: é fato que evoluímos.

Luís Paulo Domingues
D’Incao Instituto de Ensino

No ano 2000, Arnaldo Jabor veio a Bauru para uma palestra, na então Cervejaria dos Monges. Paguei R$40,00 Reais para entrar – um preço que pode até ser razoável hoje, mas na época eram os olhos da cara.
Na palestra, Jabor falava sobre a maior desgraça brasileira: a vontade de levar vantagem em tudo. Ele fez um retrospecto da corrupção, desde o descobrimento do Brasil, e mostrou como herdamos o vício da desonestidade de nossos patrícios e feitores portugueses. Ele mesmo se incumbiu de dar um exemplo de displicência para com o próximo, pois tentou empurrar o público para o chopp de graça (cortesia da casa), esquivando-se de responder as perguntas e entrar no debate.
O que mais me marcou naquele dia, porém, foi quando ele disse mais ou menos assim: “-A gente vive reclamando que a situação está péssima hoje, que o governo do Fernando Henrique é isto e aquilo… mas quando que foi bom? Na Primeira Guerra Mundial? Na guerra da Criméia? Na Idade Média?”
É verdade. Quando o mundo foi justo? Quando as pessoas se respeitaram? Quando as promessas saíram do papel para contemplar a todos? Nunca!
No último carnaval, fiquei ilhado em um sítio isolado entre Piratininga e Brasilia Paulista. Quem tentava sair de carro encalhava. Já estava ficando sem paciência, quando me veio a Idade Média na cabeça. Imaginei aquele lugar na Idade Média, sem luz, sem comunicação com os feudos vizinhos, sem poder chegar nem mesmo a Piratininga, pois os vândalos finlandeses, os visigodos, os tártaros poderiam estar lá.
A gente reclama do trânsito em Bauru porque não tivemos que enfrentar as invasões bárbaras. Aquilo sim era ruim. Imaginem a sala dos professores do D’Incao a todo vapor e de repente chega alguém gritando: “-Fujam! Salvem-se! Os vickings estão chegando! Já estão subindo pela Getúlio!” O que falar para um cara gigante, loiro, barbudo, cheio de tranças, que carrega um machado e fala uma língua ininteligível? ( Por favor, não me mate!?)
Reclamamos dos buracos no asfalto porque não sabemos das condições das estradas da Idade Média, que eram percorridas à cavalo, contra tudo e contra todos.
Os pedágios já existiam. A Idade Média acabou por causa de um pedágio que os turcos-otomanos colocaram em Constantinopla. Aí os portugueses – que na época eram mais poderosos que os americanos de hoje – resolveram dar a volta na África, criando assim o capitalismo mercantil e, pasmem, a globalização.
Em nossos tempos modernos de grandes cidades, anti-depressivos e Ritalinas contra o déficit de atenção, somos constantemente atingidos por uma nostalgia inexplicável de um tempo melhor, menos injusto, mais tranquilo e em harmonia com a natureza. Mas esse idílio com o passado é algo que as novelas e os filmes enfiaram em nossas cabeças. Até 1888 eram os escravos que movimentavam isto aqui. Escravos.
É comum ouvir: “-No meu tempo, a escola pública era a melhor. O ensino era de primeira linha, o aluno tinha que respeitar os professores e tinha que aprender.”
Mas a imensa maioria da população vivia no campo, analfabeta e sem contato algum com a escola. A escola pública era boa porque servia à elite urbana. Na hora que foi preciso integrar toda a multidão que se mudou para as cidades, a escola pública foi esculhambada – um pouco porque era difícil manter a qualidade para tanta gente e muito porque era imprescindível que a escola mantivesse os filhos dos pobres sem pensar.
Isso não quer dizer que tenhamos que cruzar os braços e não fazer nada para resolver os problemas do mundo. Morrer de peste bubônica no século XIII, junto a um terço da população da Europa, imaginando que aquilo era obra do demônio ou um castigo de Deus é uma coisa. Morrer de malária em 2011 porque a indústria farmacêutica não se interessa em fabricar um remédio para uma doença que só atinge gente pobre é muito pior.

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Programa que mostra que física pode ser divertida ganha nova temporada


04/03/2011 – 08h00

Física Divertida: programa de canal pago mostra a física como algo curioso e divertido.

FOLHA DE SÃO PAULO

Se você é do tipo que acha física um assunto muito chato, pode mudar de ideia com um programa do canal pago TV Rá Tim Bum. “Física Divertida” mostra experiências feitas por dois cientistas malucos, enquanto eles têm que encarar uma vizinha bem curiosa. O programa ganha nova temporada a partir deste sábado (5).
“Física Divertida” é estrelado por Rick Radioativo (Ricardo Macorin), um cientista muito inteligente que vive fazendo experiências em seu laboratório. Assim, ele consegue entender conceitos de física como som, temperatura e pressão. Ao seu lado nesta segunda temporada está Fabiônica (Fabiana Lencioni Ferrari), uma menina muito interessada, que faz muitas perguntas e vive louca para saber no que vão dar os experimentos de Rick.
O que não muda é a curiosidade de Dona Xereta (Martha Augustinis), a vizinha que vive espiando o que os cientistas fazem.
O programa passa aos sábados, às 7h45, 13h55 e 19h20, aos domingos, às 1h45, 7h45, 13h55 e 19h20, e às segundas-feiras, às 1h45.

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Pedagogo ressalta a importância dos livros na educação


Em palestra promovida pelo D’Incao, Newton Duarte debate educação com pais

Newton Duarte debate educação no ensino médio com pais.

Luís Paulo Domingues

“Qual a melhor educação para o seu filho?” Este é o título da palestra que o D’Incao Instituto de Ensino promoveu na última quinta-feira (24), na OAB de Bauru. O Professor Doutor Newton Duarte, um dos maiores nomes da pedagogia no país, falou sobre os grandes desafios da educação no Brasil.
“-Quando se debate educação, é preciso primeiro perguntar “educar para o quê?””, diz Newton à reportagem. “-Os pais estão procurando uma educação para que os filhos se adaptem passivamente a esta sociedade, ou uma que forme pessoas com pensamento crítico, que possam lutar para transformar esta sociedade e construir um mundo melhor?”, questiona o pedagogo.
Duarte sustenta que a nossa sociedade apresenta problemas estruturais gravíssimos, e que há a necessidade de se tratar esses problemas de forma estrutural, não mais com soluções paliativas.
“-As atividades desenvolvidas pelo homem sempre foram um instrumento de realização para ele. Mas hoje, a atividade humana é algo profundamente desvalorizado pela sociedade”, sustenta Newton. “-Tudo o que envolve esforço é visto como secundário nos dias de hoje. Consequentemente, vivemos em um mundo que esvazia as atividades de sentido, e onde o conteúdo não é visto como algo importante”, esclarece o pedagogo.
Duarte salienta que as pessoas, cada vez mais, procuram carreiras que tragam retorno financeiro. “-Isso impede que o conteúdo de determinada atividade seja visto como valoroso e transformador para a pessoa que realiza o trabalho e para a sociedade”, diz. “-Estamos, então, formando alunos para enfrentar esses conceitos de valor ou para se adaptar a eles?”, pergunta Newton.

Adolescência e educação

Newton Duarte sustenta que a adolescência não é determinada exclusivamente pela biologia. “-A maturação sexual é apenas um dos acontecimentos da adolescência, mas costuma-se entender toda a problemática dessa fase da vida nas questões da sexualidade”, explica.
“-A adolescência, porém, é uma fase muito mais cultural do que biológica. Observa-se isso quando estudamos sociedades que não tinham adolescência. A partir de algum tipo de ritual, o indivíduo deixava a infância e passava diretamente para a vida adulta”, diz o pedagogo. “-Podemos entender, então, que a adolescência é um fenômeno de sociedades mais complexas. E nessas sociedades mais complexas, podemos verificar até a existência de novas fases do desenvolvimento humano”, explica Newton.
O pedagogo defende, por isso, a desbiologização da adolescência. “-A adolescência reflete a sociedade na qual está inserida. Se a adolescência é percebida como uma fase de conflito, é porque a sociedade é conflituosa”, sustenta Newton. “-Mas fugir desse conflito, como propõem diversas pedagogias que estão na moda, é errado”, garante. “-Uma boa educação deve incentivar o indivíduo a enfrentar esses conflitos. Para isso, a escola tem que influenciar o aluno a adquirir conhecimentos filosóficos, científicos e artísticos, que são fundamentais para que o adolescente elabore uma concepção de mundo adequada e reflexiva”, complementa Newton.

Escola e linguagem

Duarte defende que a escola tem que manter um certo distanciamento do quotidiano do adolescente. “-Muita gente pensa que a escola é melhor se está mais próxima do quotidiano do adolescente”, diz. “-Há quem defenda que os livros devam apresentar a linguagem da rua, da internet, da TV. Mas então bastaria ao jovem assistir TV ou falar no celular, por exemplo, sem se importar com a linguagem erudita”, explica Newton
“-A linguagem da escola deve ser outra, até estranha ao aluno”, defende ele. “-Os professores devem manter uma linguagem superior, mais elaborada, para que aquele momento de aquisição do conhecimento seja devidamente aproveitado”, diz o pedagogo

Livros e apostilas

Newton Duarte também defendeu a predominância do livro sobre a apostila. “-Apostilas fazem parte da educação tecnicista, que se assemelha à administração de uma empresa e tem como objetivo maior a otimização dos lucros”, declara o professor. “-No ensino apostilado, o professor se torna um elemento descartável na educação, quando deveria ter o papel de protagonista”, diz Duarte.
O pedagogo ainda defendeu que é imprescindível que os alunos aprendam a ler corretamente um livro e que é o professor quem deve ter o papel crucial de ensiná-los a fazer isso, despertando o interesse pela leitura.

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