Histórico | Geografia

Europa precisa de um “New Deal”, diz James Galbraith


22/11/2011 – 02h30

A volta do Estado de Bem Estar Social é uma das pautas dos "indignados"na revoltas que se espalham pelo mundo.

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

Franklin Delano Roosevelt começou a tirar os Estados Unidos da grande recessão que emergiu após a crise financeira de 1929 com um plano ousado de obras públicas e intervenção do Estado na produção, nos preços e nos salários. Foi o “New Deal” (1933-1937). A Europa precisa agora de um plano assim e tem todas as instituições para fazê-lo.

A sugestão é do economista norte-americano James Kenneth Galbraith, 59, filho do célebre John Galbraith (1908-2006). Professor da Universidade do Texas em Austin (EUA), James defende um plano de três pontos para a Europa sair da crise. Além do “New Deal”, ele propõe a europeização dos bancos e a consolidação das dívidas públicas num único título a ser emitido pelo Banco Central Europeu.

Mas esse plano não será implantado por razões políticas, reconhece. Crítico em relação à gestão da crise, Galbraith opina que a democracia “está acabada” na Europa. Para ele, é crescente a influência do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs na condução dos países.

Mario Draghi, novo presidente do banco Central Europeu, foi vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa de 2002 a 2005. Mario Monti, novo chefe do governo italiano, foi seu conselheiro internacional.

Novo primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, quando foi governador do BC grego, de 1994 a 2002, atuou em operações controvertidas que envolveram o banco, segundo o jornal “Le Monde”, que classifica a situação como um “governo Sachs” europeu.

“Dinheiro é poder”, lembra Galbraith.

FOLHA – O euro vai sobreviver?
JAMES GALBRAITH – Não há saída fora do euro. Não há caminho legal para sair do euro sem sair da União Europeia como um todo. Não é uma opção para a Grécia, Portugal, Espanha, Itália. Não podem ser expulsos por mau comportamento. Não acho que a Alemanha vá deixar o euro e a união européia e adotar um novo marco alemão, embora seja possível e existam forças na Alemanha que gostariam de fazer isso.

Por que a Alemanha não faria isso?
Basicamente o euro, que seria a moeda de todos os outros, seria depreciado, e os alemães teriam desvalorizadas as dívidas que detêm. Seria uma boa solução para o sul da Europa, mas os alemães ficariam muito tristes. Isso não vai acontecer. O que vemos são os governos da Grécia e da Itália foram tomados por esses grupos de financistas.

O que dizer sobre democracia…
Está acabada. Na Grécia temos uma pessoa que foi indicada para primeiro-ministro que nem é membro do parlamento. Na Itália, Mario Monti foi indicado senador vitalício justo antes de virar primeiro-ministro. O fato é que esses dois primeiros-ministros foram ditados por Berlim, Bruxelas, Paris. Não foram escolhidos pelas populações de seus países.

Foram escolhidos pelas finanças?
Claro. É óbvio. Temos um grupo de pessoas todas graduadas pelo MIT e todas têm ligações com Goldman Sachs. Incluindo o novo presidente do BC europeu, Mario Draghi.

Como explica esse poder das finanças sobre os governos?
Qual é a conexão de dinheiro e poder? Dinheiro é poder. É claro que os líderes políticos estão atuando em nome de seus bancos, do seu setor financeiro. Quando se pergunta sobre desemprego, manutenção do crescimento, prevenção de colapsos como na Grécia, declínio da Itália, da Espanha e de Portugal e o sério declínio da Irlanda, a resposta é que não está na pauta. A liderança européia não está preocupada com essas coisas.

As populações dos países vão ficar apenas olhando?
Não acho. Há muitas greves em andamento. Os europeus estão começando a se dar conta de que o sistema político não atua em favor de seus interesses. Eles realmente achavam que o euro e a União Europeia seriam bons. E por muito tempo foi. Teremos fortes migrações dos países quebrados. Portugueses irão para Paris; gregos para os EUA, os irlandeses vão voltar para os EUA. É uma tragédia para esses lugares.

Apesar dos protestos, a direita vai avançar na Europa? O que esperar da dianteira do Partido Socialista na França?
Sim, a direita está ascendente na Europa. Mas poderemos ter surpresas nas eleições, é difícil prever. Não estou nada seguro de que os socialistas franceses representem uma alternativa séria. A crise financeira não está nem na pauta de sua reunião. Não querem falar disso, talvez porque não saibam qual posição tomar.

Quais são as soluções técnicas para a crise?
Discutimos em Austin (EUA) um plano bem articulado de Stuart Holland e Yanis Varoufakis. Tem três elementos centrais. O primeiro é consolidar as dívidas públicas de todos os países da eurozona num único título emitido pelo banco central europeu. O segundo é europeizar o sistema bancário, cujas condições financeiras estão deliberadamente obscuras pelos reguladores. Os bancos precisam ser recapitalizados pela autoridade européia, quebrando a ligação entre os bancos e governos de países, como entre bancos alemães e o governo alemão, quebrando essa conexão política, que é um problema.

O terceiro ponto é restaurar o crescimento e usar o banco europeu de investimento, que tem muitos projetos prontos para a implantação, como reconstruir a rede de transporte do leste europeu. Tudo poderia ser feito dentro da moldura institucional existente: o Banco Central Europeu trataria dos bônus. O Banco Europeu de Investimento, do crescimento. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira poderia ser o regulador dos bancos.

Seria um plano como o “New Deal”?
Sim. O “New Deal” criou novas instituições. Temos já uma instituição para projetos de investimentos. O problema com o Banco Europeu de Investimento é que ele requer copagamentos dos países que agora não têm dinheiro para isso e por isso os projetos estão lá parados. É preciso flexibilizar essa condição de copagamento e deixar o dinheiro fluir.

Nesse plano não existiriam mais bancos nacionais, só europeus?
Se um banco alemão for ainda solvente, ele poderia continuar. Mas todos os bancos que estão basicamente com problemas por causa da depreciação dos seus ativos tóxicos dos EUA e dos seus bônus da Grécia, Itália, Espanha, Portugal, Irlanda etc. seriam absorvidos pela autoridade européia e seriam capitalizados e controlados por ela.

E sobre os bancos privados?
Os bancos nacionais são privados. Mas, se eles não são solventes, não podem continuar independentes. Não se pode ter um banco que é insolvente funcionando, pois nessas condições as perdas eventualmente terão que ser cobertas pelos contribuintes. A regra com os bancos é: se eles estão quebrados, é preciso resgatá-los. A pergunta é: `Por quem?´.

Por que não há decisão política para fazer isso?
Porque os políticos estão preocupados em proteger os seus bancos nacionais e suas próprias posições.

Como está a economia nos EUA?
A situação é desagradável, mas não instável. Há maneiras de o governo estabilizar as coisas. Há crescimento econômico positivo. Há muito desemprego, mas o país não está quebrando.

E a China? Vai desacelerar?
Há problema no mercado imobiliário em algumas das grandes cidades. Os chineses têm a capacidade de se ajustar. Não prevejo uma crise política ou financeira na China nesse momento. Pode haver alguma desaceleração. Mas a China continuará a ser um mercado forte para commodities, matérias-primas. Não seria ruim uma desaceleração em algumas construções em Xangai e Pequim. Esses recursos poderiam ser usados em outros lugares.

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Saleh aceita resolução da ONU para deixar poder no Iêmen


24/10/2011

Fim da linha: o ditador do Iêmen, Abdulah Saleh, aceita renunciar ao cargo.


DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Folha de São Paulo

O ditador iemenita, Ali Abdullah Saleh, que enfrenta revoltas populares contra seu regime, aceitou nesta segunda-feira uma resolução do Conselho de Segurança da ONU que lhe recomenda adotar um plano mediado por países do Golfo para que transfira o poder, disse a agência de notícias estatal.

Saleh havia rejeitado três vezes o plano proposto pelos estados árabes vizinhos do Golfo, que pede uma transição para eleições parlamentares e presidenciais depois de ele formar um novo gabinete, liderado pela oposição, e deixar a presidência.
“O presidente iemenita expressou sua prontidão em renunciar imediatamente na mesa de diálogo com os partidos da oposição e seus parceiros, a fim de completar o diálogo sobre o mecanismo operacional para a iniciativa (do Golfo) o mais rápido possível e para alcançar a assinatura final da iniciativa e sua imediata implementação, levando às eleições presidenciais antecipadas em uma data aceita por todos”, disse a agência de notícias iemenita Saba.
Essa foi a primeira resposta de Saleh desde que o Conselho de Segurança da ONU o instou a adotar o plano, na semana passada.
Na primeira resolução aprovada por todos os 15 membros do órgão contra o Iêmen, o órgão pediu que Saleh abandonasse o poder e assinasse o acordo já estabelecido com o CGC (Conselho de Cooperação do Golfo).
No documento, constava ainda o pedido para que o ditador colocasse fim à repressão contra os manifestantes e uma clara condenação às violações de direitos humanos no país. A resolução condenava “energicamente” a violência governamental contra os manifestantes e apoia o plano de paz do CGC para pôr fim aos 33 anos de Saleh no poder.
As medidas centrais do acordo incluem a saída de Saleh desde que ele tenha imunidade contra processos e a necessidade de formação de um governo provisório até que novas eleições sejam convocadas.
Centenas de pessoas morreram desde que foram iniciados os protestos contra Saleh em janeiro.
Saleh governa o Iêmen desde 1978 e não quis deixar o poder apesar de uma tentativa de assassinato este ano que o obrigou a partir para o exterior por três meses para tratamento médico, desafiando generais e nove meses de protestos populares.

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Shalit diz esperar que libertações levem à paz entre israelenses e palestinos


18/10/2011 – 08h43

Esperança de paz: o soldado israelense, libertado após cinco anos, diz que a troca de presos pode iniciar processo de paz.

DA BBC BRASIL
Folha de São Paulo

O soldado israelense Gilad Shalit, solto nesta terça-feira em troca da libertação de centenas de prisioneiros palestinos, disse esperar que o acordo para a sua libertação nesta terça-feira possa levar a um acordo de paz entre os dois povos.
“Espero que este acordo ajude para a conclusão de um acordo de paz entre israelenses e palestinos”, disse ele à TV egípcia. “Tenho esperança que a cooperação entre os dois lados seja consolidada.
Shalit foi levado de Gaza para o Egito na madrugada desta terça-feira, após o acordo entre Israel e o grupo islâmico Hamas, que controla o território palestino. Israel confirmou que seu estado de saúde é bom.
Ele foi entregue em seguida a autoridades no lado israelense da fronteira, onde era aguardado por seus familiares, que não o viam desde 2006.
Na entrevista para a TV egípcia, o soldado de 25 anos disse sentir “falta de encontrar pessoas normais, conversar com eles e contar sobre minha experiência… tenho muito o que fazer quando estiver livre”.
“Obviamente sinto muita falta de minha família e de meus amigos… acredito que os egípcios foram bem sucedidos por meio de suas boas relações com o Hamas e com o lado israelense”, completou.
Shalit descreveu seu período de cativeiro em Gaza como “anos de solidão”, mas disse que sempre acreditou que seria “libertado algum dia”. Ele disse que soube que seria libertado “há uma semana”.
Ao mesmo tempo em que Shalit era libertado e entregue a autoridades israelenses, uma primeira leva de 477 prisioneiros deixava prisões israelenses a caminho do Egito. De lá, eles atravessaram a fronteira para a Faixa de Gaza, em Rafah, onde eram recebidos por uma multidão de palestinos.
Mais tarde, os ex-prisioneiros palestinos devem participar de uma grande festa de recepção preparada pelo Hamas na Cidade de Gaza.
A movimentação chegou a sofrer atrasos depois que duas prisioneiras palestinas se recusaram a ser deportadas para Gaza, mas o problema já teria sido resolvido.

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Forças de Gaddafi resistem à ofensiva rebelde em quartel-general


22/08/2011 – 08h27

Últimos momentos: o regime de Gaddafi agoniza depois de 42 anos.

Folha de São Paulo
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

As forças leais ao ditador líbio, Muammar Gaddafi, resistem nesta segunda-feira à ofensiva dos rebeldes oposicionistas no complexo de Bab al-Aziziyah, quartel-general do ditador e um dos últimos bastiões do regime na capital Trípoli.

O porta-voz rebelde Nouri Echtiwi disse à agência de notícias Reuters que picapes com metralhadoras emergem do complexo. “Eles disparam aleatoriamente em todas as direções, assim que ouvem disparos”.

Um médico líbio que mora perto do local disse à rede de TV americana CNN que pode ouvir disparos e confrontos nas ruas vizinhas e que vê diversos tanques.
Há rumores de que Gaddafi está em Bab al-Aziziyah, mas não há confirmação nem mesmo se o ditador continua em Trípoli.
Em Roma, o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, afirmou mais cedo que o regime líbio controla apenas entre 10% e 15% da capital.
“Ao redor do aeroporto, que é uma área chave, as últimas formas de agressão estão sendo eliminadas, atiradores estão sendo detidos e em alguns casos se rendem”, disse o chefe da diplomacia italiana.
A agência de notícias France Presse diz que os rebeldes avançam em massa para o centro de Trípoli, assim como um grupo de responsáveis pelo Conselho Nacional de Transição, o órgão político da rebelião líbia.
“Membros do CNT saíram de Benghazi [capital rebelde no leste do país] de avião e chegaram até as montanhas do oeste de Jebel Nefusa”, afirmou um rebelde, em condição de anonimato. Eles devem viajar a Trípoli de carro.
O CNT foi criado el 27 de fevereiro em Benghazi, poucos dias depois do início da rebelião contra o regime de Gaddafi.
AVANÇO
Os primeiros grupos rebeldes conseguiram chegar à periferia da capital líbia ainda na noite do sábado (20) e rapidamente tomaram os principais bairros da cidade, sem encontrar grande resistência por parte das forças de Gaddafi.
A este primeiro grupo de rebeldes, uniram-se mais tarde os combatentes da Frente Ocidental e os comandos localizados no sul e em Misrata, que conseguiram entrar por mar na capital líbia.
Apesar do controle quase total de Trípoli, Mahmud Jibril, um dos principais membros do CNT, alertou os combatentes rebeldes para que fiquem atentos a possíveis “bolsões” de resistência pró-Gaddafi na capital.
“Devem ser prudentes. O combate não acabou. Mas, se Deus quiser, em algumas horas nossa vitória será completa”, afirmou ele, que exerce o cargo de primeiro-ministro à frente do Executivo rebelde.
Durante a noite de domingo, as forças rebeldes líbias anunciaram que possuíam o controle de grande parte da cidade de Trípoli, com exceção do complexo de Bab al-Aziziyah e de alguns destes “bolsões de resistência”.
Imagens das redes de TV Sky News e Al Jazeera mostravam durante a noite uma multidão de pessoas reunidas na emblemática praça Verde, no coração de Trípoli, comemorando a chegada dos rebeldes.
O local era até então um dos símbolos do regime líbio, e desde o princípio da rebelião as redes de televisão oficiais transmitiram ao vivo manifestações de partidários de Gaddafi neste local.
APELO
Em sua terceira mensagem de áudio divulgada pela TV estatal líbia em menos de 24 horas, Gaddafi fez um apelo no domingo a seus partidários para que tomassem armas e defendessem Trípoli “dos novos colonialistas”, em alusão aos rebeldes e à Otan.
“Bela Trípoli, eles vão entrar em uma cidade destruída. Imãs nas mesquitas, vocês precisam sair agora e marchar. Vão agora com suas armas. Todos vocês. Não deve haver medo”, disse o ditador.
“Temo que, se não agirmos, eles [os insurgentes] vão queimar Trípoli. Não teremos mais água, comida, eletricidade ou liberdade. (…) Vamos lá, estou com vocês até o fim. Estou em Trípoli. Vamos vencer.”
FILHOS DETIDOS
Em meio à ofensiva deste domingo em Trípoli, os rebeldes anunciaram a captura de três filhos de Gaddafi. Aboubakr Traboulsi, um dos porta-vozes da rebelde Aliança 27 de Fevereiro, afirmou que dois filhos do ditador, Saif al-Islam e Saad, foram capturados enquanto estavam em uma área turística da capital.
A prisão de Seif al-Islam, considerado por muitos como o sucessor do pai, foi confirmada pelo Tribunal Penal Internacional, onde ele tem contra si um mandado de prisão para crimes contra a Humanidade.
Já Mohammed Gaddafi, filho mais velho do ditador líbio, entregou-se às forças rebeldes após ter sua casa cercada. Em declarações à Al Jazzera ele afirmou que recebeu garantias por parte dos rebeldes sobre sua segurança e a de sua família.
QUEDA IMINENTE
A tomada de Trípoli e o avanço em direção ao quartel-general de Gaddafi parecem sinalizar que essa é a fase decisiva de um conflito que já dura seis meses e se transformou no mais sangrento da chamada “Primavera Árabe”.
Em Bruxelas, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Ramsussen, assegurou que o regime de Gaddafi estava “claramente desmoronando”, e sustentou que o líder líbio “não pode ganhar a batalha” contra seus próprios cidadãos.
“Agora é o momento de cessarem todas as ameaças contra os civis, como exigiu o Conselho de Segurança da ONU. Agora é o momento de criar uma nova Líbia, um Estado baseado na liberdade e não no medo; na democracia e não na ditadura; a vontade da maioria e não o capricho de alguns poucos”, disse.
Já o presidente americano, Barack Obama, divulgou um comunicado neste domingo dizendo que o ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, precisa aceitar que seu regime acabou.
”Hoje, a oposição contra o regime de Gaddafi atingiu seu limite. Trípoli está se libertando de uma tirania. O modo mais certo de dar fim ao derramamento de sangue é simples: Muammar Gaddafi e seu regime precisam admitir que seu governo acabou”, afirmou Obama.

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Sudão do Sul ingressa oficialmente na União Africana


15/08/2011 – 09h56

Juba, capital do novo país: Sudão do Sul terá longa trajetória de desafios.


DA EFE, EM ADIS ABEBA
Publicado na Folha de São Paulo

Pouco mais de um mês após declarar sua independência, a República do Sudão do Sul ingressou oficialmente nesta segunda-feira na UA (União Africana) como o país membro número 54.
Em uma cerimônia na sede do órgão em Adis Abeba, na Etiópia, a delegação do novo Estado, liderada por seu presidente, Salva Kiir, entoou com emoção o hino nacional, que foi ouvido pela primeira vez em um palco internacional.
O presidente da UA, Jean Ping, cumprimentou os presentes em sudanês com a frase “longa vida ao Sudão do Sul”, e pediu aos governos do norte e do sul que apostem em uma paz duradoura e em uma relação amistosa.
“Todos sabemos que ainda existem assuntos cruciais pendentes que devem ser enfrentados” por ambos, ressaltou Ping, a quem Kiir respondeu deixando clara sua disposição em manter uma boa relação com seu vizinho do norte.
“Reafirmamos nosso compromisso de viver em paz com nossos irmãos e irmãs do Sudão”, ressaltou o governante, que admitiu que o novo país ainda deve encarar muitos desafios.
Em relação à economia, ele prometeu usar “o dinheiro procedente do petróleo para impulsionar a agricultura e alimentar a população”.
Após quase duas décadas de guerra civil pela independência do Sudão do Sul, foi assinado em 2005 o Acordo Geral de Paz, que levou o sul a celebrar neste ano um referendo através do qual 98% da população se mostrou a favor da secessão.
O Sudão do Sul declarou sua independência em 9 de julho e, pouco depois, solicitou seu ingresso na União Africana.

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Sem governo central, Somália é retrato de tudo que pode dar errado


15/08/2011 – 08h42

Praia em Mogadiscio, na Somália: 20 anos sem governo central.

Folha de São Paulo

Futuro é um termo de curtíssimo prazo na Somália. O país ocupa o topo do amaldiçoado ranking de Estados mais falidos do mundo. Fome, doenças, ruína econômica e balas perdidas estão sempre à espreita.
Por quatro dias, sob forte escolta armada, o correspondente da Folha Marcelo Nínio circulou pelas esburacadas ruas de Mogadício, visitando hospitais, campos de refugiados e a sede do governo transitório, que controla alguns distritos da capital.
Os grandes blindados da Amisom (missão de paz da União Africana) dividem as ruas da capital com carroças puxadas por burros e um comércio informal, a porção mais ativa da economia.
A seca arruinou boa parte da agricultura familiar e do rebanho de vacas e ovelhas. Até camelos estão morrendo de sede. Serviços municipais são praticamente inexistentes e o errático fornecimento de eletricidade é um luxo para poucos. Vans caindo aos pedaços fazem o transporte de quem tem como pagar.
Uma montanha de lixo tomou conta do píer perto da parte antiga da cidade, onde o casario italiano dos tempos de colônia está em ruínas.
Único país do mundo sem um governo central, após duas décadas de guerra civil, a Somália é um retrato de tudo o que pode dar errado quando desastre natural e disputas tribais se unem.
Leia reportagem na íntegra na Folha de São Paulo.

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Israel concorda em negociar fronteiras pré-1967, diz TV


DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Folha de São Paulo

Uma rede de televisão israelense divulgou nesta segunda-feira que o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, teria concordado em negociar fronteira para o Estado palestino com base nas linhas pré-1967, que hoje delimitam os territórios ocupados da Cisjordânia. As informações foram divulgadas pela agência de notícias Associated Press e mais tarde pela France Presse.

Após a Guerra dos Seis Dias em 1967, Israel ocupou as colinas do Golã, na Síria, os territórios palestinos – Cisjordânia, faixa de Gaza e Jerusalém Oriental – e a península do Sinai, no Egito.

Procurado pela AP, uma autoridade israelense sênior que preferiu não se identificar disse que não negava a informação. Até então, Netanyahu se negava a aceitar qualquer flexibilização no diálogo sobre as fronteiras, insistindo que Israel não se retiraria de nenhuma parte da Cisjordânia.

Segundo a reportagem da emissora israelense, o premiê concordaria em usar as linhas de cessar-fogo de 1967 como base, enquanto trocaria territórios com os palestinos para permitir que Israel mantenha suas principais colônias na Cisjordânia, em linha com proposta apresentada pelo presidente americano Barack Obama.

A fonte da AP diz ainda que Netanyahu continua exigindo que o governo palestino reconheça Israel como Estado judeu.

Os palestinos exigem a criação de um Estado Palestino nas fronteiras pré-1967, com Jerusalém oriental como capital.

Segundo a France Presse, a rádio estatal israelense confirmou as informalões, citando autoridades israelenses.

Netanyahu teria tomado a decisão de seguir o plano de Obama após consultar o chefe do Conselho Nacional de Segurança, Yaakov Amidror, destacou a rádio.

RECONHECIMENTO DA ONU

O secretário-geral da Liga Árabe, Nabil El Arabi, anunciou em julho que a organização irá pedir o reconhecimento da ONU ao Estado Palestino nas fronteiras de 1967. O pedido, que será encaminhado ao Conselho de Segurança e à Assembleia Geral da ONU que deverá se reunir no próximo mês de setembro.

Segundo porta-vozes palestinos, 117 países dos 192 membros da ONU já prometeram que irão apoiar o pedido de reconhecimento da Palestina. Israel e os Estados Unidos já anunciaram que são contra o pedido, o qual qualificam como “unilateral”.

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Professores israelenses ensinam perdas sofridas por palestinos


16/06/2011 – 11h53

Palestinos expulsos de suas terras em 1948: alunos israelenses começam a conhecer sua história.

DA BBC BRASIL
Folha de São Paulo

Mais de cem professores secundários de Israel estão desafiando instruções do Ministério da Educação ao ensinar seus alunos sobre as perdas sofridas pelos palestinos em 1948, ano da fundação do Estado de Israel.
Para o professor de história Iddo Felsenthal, os fatos que ocorreram durante a guerra de 1948, na qual cerca de 700 mil palestinos perderam suas casas e tornaram-se refugiados, fazem parte da história do país e devem ser ensinados nas escolas de Israel.
“Criou-se um clima geral de demagogia em Israel, no qual qualquer pessoa que mencione a Nakba (tragédia ou catástrofe, em árabe) dos palestinos é vista como se fosse contra o Estado de Israel. Muitos professores têm medo”, disse o professor à BBC Brasil.
O tema da Nakba é um tabu na sociedade israelense, grande parte do público interpreta a própria menção do termo como uma posição contra a própria existência do Estado de Israel.
No entanto, existe um setor significativo da sociedade israelense que aceita iniciativas como o ensino do que ocorreu com os palestinos em 1948. Em geral, os filhos de pessoas com essa posição estudam em escolas seculares e pluralistas.
ANONIMATO
Vários professores que ensinam a Nakba vêm falando à mídia israelense sobre o assunto em condição de anonimato, pois receiam perder o emprego ou ter sua carreira prejudicada.
Para Felsenthal, que leciona em um colégio de Jerusalém, os professores não deveriam se esconder.
“Não estamos fazendo nada de mal, muito pelo contrário. Estamos dando a nossos alunos instrumentos de raciocínio critico, para que possam entender melhor a história do nosso país e do conflito. Assim os alunos poderão analisar, eles mesmos, as diversas narrativas históricas e formar sua opinião de forma independente”, afirmou.
“A identidade de um povo não pode se basear em esquecer, recalcar ou esconder fatos históricos básicos, como a expulsão dos palestinos”, acrescentou.
KIT NAKBA
De acordo com a versão oficial do governo israelense, em 1948 os palestinos não foram expulsos, mas fugiram, seguindo os chamados dos países árabes.
A ONG israelense Zochrot (“Lembramos”, em tradução livre), que se dedica a preservar e divulgar a memória das perdas sofridas pelos palestinos, produziu um “kit Nakba”, especialmente para professores interessados em mostrar aos alunos um capítulo da história do país que não é incluído no currículo escolar oficial.
Eitan Bronstein, fundador e diretor da Zochrot, disse à BBC Brasil que o kit já está sendo utilizado por mais de cem professores secundários e que “a demanda pelos kits continua crescendo”.
O kit pedagógico, com textos, fotos e um DVD, inclui testemunhos de palestinos que perderam suas propriedades em 1948, mapas, e as diversas versões oficiais dos fatos históricos — do governo israelense, da liderança palestina e da ONU.
ALDEIAS DESTRUÍDAS
Durante a guerra de 1948, à qual Israel chama de Guerra da Independência e os palestinos chamam de Nakba, mais de 400 aldeias palestinas foram destruídas.
“Em todo o país há ruínas das centenas de aldeias que foram destruídas, mas a maioria do público não sabe que havia aldeias palestinas nesses lugares e o que aconteceu com os moradores”, afirmou Bronstein.
A ONG já organizou visitas a mais de 50 locais onde no passado havia aldeias palestinas e colocou placas em hebraico, árabe e inglês, com os nomes das aldeias.
No entanto, de acordo com Bronstein, em geral as placas são imediatamente retiradas dos locais.
“Para muitos israelenses é difícil admitir que temos capítulos feios em nossa historia”, disse. “Mas a única maneira de construir um futuro melhor é, antes de tudo, olhar com coragem para o nosso passado e não tentar negar o que aconteceu aqui em 1948″.
“A Nakba não é só a tragédia dos palestinos. Nós, israelenses, também somos vitimas dela, pois desde a fundação do Estado vivemos em guerras, e qualquer cidadão israelense, desde a infância, começa a ser preparado para tornar-se um soldado”, acrescentou Bronstein.
QUESTÃO ESPINHOSA
O problema dos refugiados, que hoje em dia são cerca de 4,5 milhões de pessoas dispersas em vários países do Oriente Médio, é considerado a questão mais espinhosa do conflito israelense-palestino, e as versões contraditórias sobre o que ocorreu em 1948 alimentam até hoje os discursos dos dois lados.
Em 2009, o ministro da Educação, Gidon Saar, proibiu o ensino da Nakba em escolas árabes-israelenses e mandou recolher livros escolares que incluíam informações sobre a expulsão dos palestinos.
O Ministério da Educação afirmou que “os professores não têm permissão para ensinar conteúdos que não foram autorizados pelo ministério, sejam quais forem os temas”.
Segundo o ministério, “os professores que ensinam conteúdos não autorizados agem de forma que contradiz os regulamentos”.

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Guerra Civil Iugoslava


A Guerra Civil Iugoslava (português brasileiro) ou Jugoslava (português europeu) é o nome dado a uma série de violentos conflitos bélicos ocorridos no território da antiga República Socialista Federativa da Iugoslávia, que ocorreram entre 1991 e 2001. Para a maior parte, o conflito tem em comum uma unidade no sentido da criação de várias limpezas étnicas em áreas sérvias dentro da Iugoslávia, e sua eventual união com a Sérvia propriamente dita, criando assim um Estado povoado por uma esmagadora maioria de etnia sérvia. O ideal de uma “Grande Sérvia”, foi a percepção e a meta principal para muitos dos combatentes sérvios e voluntários envolvidos no conflito que, especialmente para os membros das unidades paramilitares sérvias envolvidas no combate. Dezenas de milhares de não-sérvios foram mortos (mais de cem mil pessoas morreram no conflito) e centenas de milhares tiveram de fugir de suas casas, numa guerra que deixou um rastro de extrema violência. Os croatas e bósnios, em particular alegaram que o estabelecimento de um Estado foi resultado da ambição dos dirigentes sérvios, e incluiu esta reivindicação nos respectivas campanhas de guerra.
A guerra civil terminou com grande parte da antiga Iugoslávia reduzida à pobreza, enormes perturbações económicas e persistente instabilidade em todo o território onde ocorreu os piores combates. As guerras foram os conflitos mais sangrentos em solo europeu desde o final da II Guerra Mundial, tornaram-se famosas pelos crimes de guerra que envolveu, inclusive a limpeza étnica em massa.[1] Foram também os primeiros conflitos desde a Segunda Guerra Mundial onde foi formalmente julgado genocidios de carácter fundamental e muitos participantes individuais foram posteriormente acusados de crimes.[2] O Tribunal Penal Internacional para a ex-Iugoslávia (TPIJ) foi criado pela ONU para julgar esses crimes..[3]
Ao longo dos anos começou a tomar forma a hipótese, defendida por alguns meios de comunicação que várias potências mundiais, especialmente a Alemanha e os Estados Unidos criaram um ambiente propício para a fragmentação do país, através da venda de armas para as repúblicas separatistas e manipulação da mídia, especialmente com fins financeiros .[4]

Terminologia
Termos alternativos em uso incluem a “Guerra dos Balcãs”, ou “Guerra na (ou da antiga) Iugoslávia”, “Guerras de Secessão iugoslavas “, bem como a “Terceira Guerra dos Balcãs” (um termo de vida curta cunhada pelo jornalista britânico Misha Glenny, aludindo às guerras balcânicas de 1912-1913)[5]. Essas guerras foram caracterizados por amargos conflitos étnicos entre os povos da antiga Iugoslávia, principalmente entre sérvios, de um lado e croatas, bósnios e albaneses de outro, mas também entre Bosnios e croatas na Bósnia e macedónios e os albaneses na República da Macedónia. O conflito que tinha suas raízes em vários problemas políticos subjacentes, problemas econômicos e culturais, bem como tensões étnicas e religiosas de longa data.

Conflitos
As guerras civis iugoslavas podem ser divididas em dois grupos distintos de vários conflitos:
Guerras ocorridas durante a dissolução da República Socialista Federativa da Iugoslávia:
1. Guerra de Independência Eslovena (1991)
2. Guerra de Independência Croata (1991-1995)
3. Guerra da Bósnia (1992-1995)

Guerras em ocorridas em áreas povoadas por albaneses:
1. Guerra do Kosovo (1996-1999)
2. Conflito no Sul da Sérvia (2000-2001)
3. Conflito na Macedônia (2001)

Operações aéreas da OTAN contra a Sérvia:
1. Operação Força Deliberada (bombardeio sobre a República Srpska – 1995-1996)
2. Operação Força Aliada (bombardeio sobre a Iugoslávia – 1999)

Antecedentes

O presidente sérvio Slobodan Milošević com seu desejo inequívoco de defender a unidade dos sérvios, um status de ameaça de cada república rompendo com a federação, além de sua oposição às autoridades albanesas do Kosovo, inflamou ainda mais as tensões étnicas.
As tensões provinham da composição multiétnica do primeiro reino da Iugoslávia e da relativa supremacia demográfica e política dos sérvios. Estas tensões foram exploradas pelo Eixo Roma-Berlim-Tóquio na II Guerra Mundial, que estabeleceu um Estado fantoche contendo a maioria parte da Croácia e da Bósnia-Herzegovina. Foi posto no comando do Estado Independente da Croácia para uma organização fascista, a Ustashe, que conduziu uma política de genocídio contra civis sérvios no território. A milícia sérvia Chetniks retaliou contra os croatas. Ambos lutaram e foram derrotados pelo movimento de tendência comunista e anti-fascista, os Partisans Iugoslavos, composta por membros de todos os grupos na área, que resultou na formação da República Socialista Federativa da Iugoslávia.
No caso de áreas povoadas por albaneses, a principal causa foi o crescimento da população albanesa em áreas que anteriormente eram minoria. No caso do Kosovo, alguns sérvios interpretaram este crescimento da influência albanesa como uma perda de suas terras ancestrais.

As Novas Repúblicas e a Guerra Civil
Em janeiro de 1990, o Partido Comunista da Iugoslávia convoca um congresso em Belgrado, em que os membros do partido resolvem aceitar a instalação de um regime multi-partidário no país. Entretanto Milosevic se recusa a permitir outras reformas e as delegações da Eslovênia e da Croácia se retiram do congresso, provocando a dissolução do partido. Em julho do mesmo ano, o Partido Comunista da Sérvia muda o seu nome para Partido Socialista da Sérvia, mas mantém o seu patrimônio, a sua estrutura de poder e o controle sobre a mídia estatal. Milosevic também mantém firme controle sobre o partido e aumenta consideravelmente seus poderes.[6]

O Presidente croata Franjo Tuđman recusou-se a partição Croácia em linhas étnicas, o que revoltou os nacionalistas sérvios que quiseram permanecer em união com a Sérvia. E resultou na eclosão da violência e da guerra entre croatas e sérvios quando a Croácia declara independência, que terminou em limpeza étnica dos sérvios da Croácia.
Em maio de 1991, os sérvios impediram a posse do croata Stipe Mesic na presidência do país. Temiam que um presidente croata atendesse as reivindicações da Croácia e da Eslovênia, que pretendiam o estabelecimento de uma confederação de Estados soberanos. A Sérvia se opôs a esse plano; como reação, em junho de 1991, Eslovênia e Croácia declararam separadas da Iugoslávia. A decisão não foi aceita pelo governo central, dominado pelos sérvios, que ordenou um ataque contra a Croácia e a Eslovênia. Em seguida foi à vez dos muçulmanos, da Bósnia-Herzegovina se declarar independente. Desgostosos com a perda da cidadania iugoslava, os sérvios, liderados pelo presidente Milosevic, entraram em guerra com seus vizinhos, temendo serem desalojados por eles das regiões que ocupavam, algumas delas desde o século XVII, arrastando toda a região para uma guerra intermitente.

Guerra de Independência da Eslovênia e Croácia

Na Eslovênia, a guerra foi curta (ficou conhecida como Guerra dos Dez Dias) e acusou a vitória dos separatistas, que assim garantiram sua independência.[7] Na Croácia, porém, os combates se prolongaram por mais seis meses, com bombardeios aéreos, ofensivas blindadas e disputas corpo a corpo, que causaram muita destruição e milhares de mortes. A independência da Eslovênia e da Croácia foi oficializada e setembro, mas nem tudo foi resolvido: a população sérvia que habita a Croácia (cerca de 12% da população total) não aceita plenamente a separação. Cerca de 25% do território croata é controlado por sérvios, com o apoio do exército iugoslavo até o final da Guerra da Bósnia (1995). Estabeleceram-se aí duas regiões autônomas, que ficaram sob a proteção das forças de paz da ONU. Estimulados por Milosevic, em outubro de 1990, os sérvios da região de Krajina, iniciaram seu processo de autoproclamação, que culminou com a criação da República Sérvia de Krajina, oficialmente declarada em 28 de fevereiro de 1991. Em 12 de maio daquele ano, um referendo restrito aos sérvios Krajina decidiu pela independência do controle croata, mas dentro da República da Iugoslávia. Não houve reconhecimento internacional Tropas iugoslavas são enviadas à região. Logo depois, começaram os primeiros confrontos entre sérvios e croatas pela hegemonia da região. Os custos da guerra são altos. Cerca de 20 mil pessoas morrem no conflito e cerca de 400 mil ficam desabrigadas. As vitórias sérvias levam a ONU a impor sanções econômicas contra a Iugoslávia. Ao final da Guerra da Croácia, deu-se o grande êxodo dos sérvios da Krajina e da Eslavônia Oriental quando uns 600 mil deles foram expulsos de volta para a República da Sérvia.

Guerra da Bósnia (1992-1995)


O Presidente dos sérvios bósnios Radovan Karadžić que tinha uma agenda de perseguições agressivas para manter territórios sérvios de serem forçados a separar da Iugoslávia. Os exércitos sérvios bósnios seriam acusados de cometer um grande número de atrocidades como o genocídio do qual é acusado Karadžić

A desintegração da Iugoslávia continuou com a independência da Macedônia e da Bósnia-Herzegovina, em março de 1992. Somente em relação a independência da Macedônia (a mais pobre das repúblicas da Iugoslávia), a Servia não reagiu militarmente. Porém, na Bósnia, realizou-se um plebiscito sobre a independência. Os muçulmanos bósnios e os croatas que aí vivem votaram a favor, enquanto os sérvios boicotaram o plebiscito. Seguiu-se dessa forma, uma violenta e prolongada guerra civil, provocada pelos sérvios locais (31% da população), que não aceitavam a criação de um país dominado por bósnios muçulmanos (44% da população) e croatas (17%). Os sérvios-bósnios não aceitam a iniciativa, que significaria a frutração dos ideais da Grande Sérvia, eles perceberam que os muçulmanos seriam a etnia mais numerosa do novo país e se recusaram a aceitar esse fato. Proclamaram, então, a República Sérvia da Bósnia-Herzegovina (República Srpska) que seria uma parte da Iugoslávia, dominada pelos sérvios. Tal situação acabou gerando uma série de combates entre bósnios muçulmanos e bósnios ”sérvios”, estes apoiados pela Sérvia. A Europa, horrorizada, viu-se às voltas com as imagens de campos de concentração, de sítios às cidades, de bombardeios de artilharia, de tiros precisos dos francos atiradores, da morte a sangue frio da população civil. Tudo isso a fez lembrar a Segunda Guerra Mundial. A situação se agrava com a entrada da Croácia no conflito. No primeiro momento reivindica parte do território bósnio e, em uma segunda etapa, volta-se contra a Sérvia. Cresceu então entre os governos que compunham a OTAN o desejo de praticar algum tipo de intervenção armada, já que o boicote de venda de armas determinado pela ONU parecia não ter surtido nenhum efeito em diminuir a violência nos Bálcãs. Em meados de 1995, a Croácia retoma a iniciativa militar e recupera a maior parte do território ocupado pelos sérvios. Como resultado, mais de 200 mil servo-croatas se refugiam na Sérvia, ampliando os problemas econômicos do país, já sob sanções da ONU. Logo depois da vitória em seu próprio território, as forças croatas dão início a uma ofensiva contra os sérvios na Bósnia. Foi na Bósnia, em 1995, que se deram os primeiros bombardeios da OTAN (em geral aviões norte-americanos) contra os sérvios-bósnios para evitar que eles vencessem a coligação de croatas e muçulmanos apoiados pela Europa Ocidental. Isso leva Milosevic a concordar em ir à mesa de negociação em Dayton e dar fim à guerra da Bósnia. Com as negociações, Milosevic abandona o sonho de formação de uma Grande Sérvia e a ONU suspende parcialmente as sanções econômicas adotadas contra o país em 1991. Se por um lado o acordo assegurava a independência da Bósnia, por outro lado não evitava a divisão da ex-republica iugoslava em duas unidades autônomas: a Federação Muçulmano-Croata e a República Sérvia da Bósnia. [8]

República Federal da Iugoslávia (1992-2003)
A República Federal da Iugoslávia foi um estado formado pelas repúblicas da Sérvia e de Montenegro que existiu entre 1992 e 2003, quando foi reconstituído e renomeado para Sérvia e Montenegro. A federação surgiu da dissolução da República Socialista Federal da Iugoslávia, quando Croácia, Eslovênia, Bósnia e Herzegovina e a República da Macedônia se autodeclararam independentes.

Conflitos no leste e sul
No Kosovo, na República da Macedônia e na Sérvia, os conflitos foram caracterizados por tensões políticas e raciais entre os governos eslavos e minorias albanesas em busca de autonomia ou independência, como foi o caso do Kosovo.
O conflito no Kosovo entrou em erupção em uma guerra em grande escala em 1999, enquanto o conflito entre macedônios e os sérvios sulistas foi marcado por confrontos entre forças de segurança estatais e guerrilheiros de etnia albanesa. A guerra do Kosovo terminou com o bombardeio da OTAN contra a República Federal da Iugoslávia,[9] mesmo depois distúrbios generalizados no Kosovo ecloram em 2004. O conflito no sul da Sérvia e na República da Macedónia terminaram com tratados de paz internacionalmente fiscalizados entre os insurgentes e o governo, mas a situação permanece frágil em ambas as regiões.

Guerra do Kosovo (1996-1999)

O termo Guerra do Kosovo ou Conflito do Kosovo é usado para descrever dois seqüenciais e, às vezes paralelos, conflitos armados no Kosovo. Desde o início de 1998 [10] até 1999, a guerra entre o exército de República Federal da Iugoslávia e os guerrilheiros rebeldes albaneses do Kosovo. A partir de 24 de março de 1999 a 10 de junho de 1999 ,[11] a OTAN atacou a Iugoslávia, e militantes albaneses continuaram batalhas com as forças iugoslavas, no meio de um deslocamento maciço da população do Kosovo estimada em cerca de 1 milhão de pessoas.
Desde o final da guerra da Bósnia, aumenta a tensão entre os kosovares albaneses e os sérvios do Kosovo. Em janeiro de 1998, iniciam-se confrontos entre as forças sérvias e os guerrilheiros do Exército de Libertação do Kosovo (ELK). Os albaneses passam a fazer uma guerra de guerrilha visando à independência e a expulsão dos sérvios da região. Milosevic nega-se a outorgar o direito de autonomia aos albaneses, suprimido em 1989, e intervêm na província visando a repressão do terrorismo albanês. A OTAN, a União Européia e os Estados Unidos, alegam que os albaneses estão sendo vítimas de uma limpeza étnica e condenam a repressão dos kosovares albaneses.
Em maio do mesmo ano, quando a guerrilha já controla cerca de 40% do país, Milosevic concorda em negociar com os kosovares. No ano seguinte, Estados Unidos e União Européia forçam os dois lados a retomar negociações na Conferência de Rambouillet. A Iugoslávia rejeita a proposta de maior autonomia para a província seguida pelo envio de uma força de paz internacional.
Com o impasse, a OTAN bombadeia a Iugoslávia – sem consultar a ONU ou qualquer outro organismo internacional – durante 78 dias. Ao todo, cerca de 18 000 pessoas morreram no conflito enquanto 1 milhão de albaneses fugiram para países vizinhos, como Albânia, Macedônia e Montenegro. [12] Milosevic decide retirar suas tropas da província, mas não admite a derrota. Uma força de paz é enviada para o Kosovo, que passa a ser administrado de facto pela ONU.[13]
A guerra do Kosovo foi acreditada a ser a primeira guerra humanitária. [14] Foi o centro das manchetes por meses, e ganhou uma enorme quantidade de cobertura e atenção da comunidade internacional e da mídia. Kosovo e o bombardeio da Iugoslávia foi também uma guerra muito controversa e continua sendo um tema controverso, e desde o fim da guerra, o país continua a ser o território mais disputado na Europa.[15]

Queda e Prisão de Milosevic
Em setembro de 2000, o presidente Slobodan Milosevic convocou eleições, nesse momento o país sofria com as sanções impostas pelo ocidente, e milhares de sérvios estavam vivendo em pobreza absoluta. Quando Milosevic se recusou a reconhecer a vitória do líder da oposição, Vojislav Kostunica, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas das grandes cidades iugoslavas em protesto e uma greve geral chegou a paralisar o país. A era do regime autoritário de Slobodan Milosevic terminou quando milhares de iugoslavos invadiram o parlamento, em Belgrado. [16] Milosevic é afastado do poder e no dia 05 de outubro de 2000, o novo presidente, Vojislav Kostunica declara a libertação do país em discurso para meio milhão de pessoas reunidas no centro de Belgrado.[17]
Em janeiro de 2001, são restabelecidas as relações da Sérvia com a Albânia e em abril o ex-presidente Slobodan Milosevic é preso, acusado de corrupção e abuso de poder. O presidente norte-americano George W. Bush impõe a extradição de Milosevic para o Tribunal de Haia, como condição para a liberação de ajuda financeira para a reconstrução da Sérvia. Horas depois da autorização para a extradição, no dia 28 de junho, os EUA, a Europa e o Banco Mundial se comprometem a dar US$ 1,28 bilhão para a Sérvia.

República Sérvia e Montenegro (2003-2006)
Em 2002, a Sérvia e o Montenegro assinaram um novo acordo no tocante à cooperação dentro da federação. No ano seguinte, com o patrocínio da União Europeia, a Iugoslávia desapareceu formalmente dos mapas e deu lugar a uma nova entidade chamada Sérvia e Montenegro, com o projeto de o Montenegro realizar um referendo sobre a independência até 2006.[18] Cujo resultado foi que o povo de Montenegro votou pela saída do país da federação em 21 de maio de 2006. A vitória foi apertada, com 55,5% dos votos, apenas 0,5 pontos percentuais a mais do necessário para a decisão do referendo e reconhecimento da independência por parte da União Européia.
Em 3 junho de 2006, Montenegro declarou oficialmente a sua independência, com a Sérvia seguindo o fato dois dias mais tarde, efetivamente dissolvendo o último vestígio da antiga Iugoslávia.[19]

Independência do Kosovo (2008)

Após anos de negociações, Kosovo declara independência com apoio dos EUA e da UE. Isto veio na ocasião quando o aniversário de dez anos da Guerra de Kosovo estava aproximando (com o aniversário de cinco anos ser marcado por desassossego violento); o presidente dos EUA George W. Bush estava no seu último ano em poder e não era capaz buscar reeleição; e duas nações que previamente tinham se separado da Iugoslávia estavam em posições políticas importantes (Eslovênia que preside sobre a UE e Croácia uma sócia eleita do Conselho de Segurança da ONU). A proclamação foi informada ter sido adiada até depois da eleição presidencial sérvia de 2008, realizada em 20 de janeiro e em 3 de fevereiro. Kosovo era um importante tópico para as campanhas eleitorais. Entretanto, Rússia, China e Sérvia se opõem ao reconhecimento internacional da independência Estado do Kosovo, que seria declarado definitivamente nesta data junto à ONU. Os Russos sempre se opuseram aos movimentos separatistas do Kosovo.[20]
A situação permanece ainda em impasse, uma vez que a maioria dos Estados-membros das Nações Unidas ainda não reconheceram a independência de Kosovo, e a ONU encarregou a Regra da União Européia da Missão de Lei em Kosovo para assegurar a continuação de presença civil internacional em Kosovo.

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Paraguai diz esperar acordo entre Bolívia e Chile por saída ao mar


DA ANSA, EM LA PAZ
Folha de São Paulo

O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Jorge Lara, disse que seu país compreende a aspiração boliviana de ter uma saída ao mar e que espera que Bolívia e Chile superem as diferenças em relação a essa questão.
O chanceler, que desde domingo está em La Paz para uma visita de três dias, lembrou que seu país também não é banhado pelo mar, o que o leva a “compreender perfeitamente a importância das reivindicações do vizinho”.
Lara também afirmou que no “espírito de integração e fortalecimento da região, estamos comprometidos em fazer todo o esforço para que as diferenças entre ambos os países sejam superadas”.
O governo boliviano anunciou recentemente que levará o tema das fronteiras marítimas para a Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) que se reunirá em junho em El Salvador.
CORRIDA ARMAMENTISTA
Lara aproveitou a ocasião para negar que seu governo tenha intenções armamentistas e deu por encerrada uma polêmica que se iniciou no passado, depois da Bolívia ter equipado a fronteira binacional com armamentos militares.
“Por parte do governo do Paraguai, não existe nenhuma dúvida sobre o projeto de segurança e de combate ao narcotráfico que o governo da Bolívia está implementado”, disse o chanceler, ressaltando que seu país é o único com o qual a Bolívia concluiu a delimitação de fronteiras.
Com o anúncio do governo boliviano de recorrer à OEA para protestar contra o não cumprimento do Chile em atender suas demandas por uma saída ao mar, o ministro chileno da Defesa, Andrés Allamand, pediu para a população manter a “total tranquilidade” diante da polêmica porque o “Chile tem uma sólida fortaleza”.
“Em primeiro lugar, é um país que, em relação a este assunto, atua unido e tem do seu lado todo o amparo do direito internacional”, acrescentou Allamand.
O ministro ainda afirmou que o país tem “forças armadas prestigiadas, profissionais e preparadas, que estão em condições de fazer respeitar os tratados internacionais e de proteger adequadamente a soberania e a integridade territorial do país”.

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