Histórico | História

Israel, seus fantasmas e o perigo real


Israel e sua procura pelas armas nucleares.

Hipótese de ataque nuclear iraniano é delirante. Mas Telaviv e Washington estão prestes a sofrer derrota séria no Oriente Médio
Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Daniela Frabasile
O primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, visitou os Estados Unidos no começo de março. Veio para dizer, mais uma vez, que um Irã nuclear representaria ameaça a Israel, e que Telaviv reserva-se o direito de tomar ação imediata para se opor a isso. O presidente Obama afirmou energeticamente que sim, um Irã nuclear colocaria uma ameaça a Israel; e que os Estados Unidos não poderiam aprovar isso – mas que o momento não era o melhor para isso. As opções não-militares contra Teerã deveriam ser esgotadas, antes de se cogitar outras ações.
Vamos examinar as premissas. Por que um Irã nuclear representaria ameaça existencial a Israel? Ou seja: quem acredita que, se tivessem armas nucleares, as autoridades iranianas as usariam para bombardear Israel? Na realidade, e apesar de declarações em contrário, ninguém nenhuma posição de responsabilidade – seja em Israel, nos Estados Unidos ou em outro lugar do mundo – acredita nisso.
Vamos começar com os argumentos explícitos. Governantes israelenses apontam o fato de o presidente Ahmadinejad e outros terem afirmado que desejam “limpar” Israel (ou algo parecido com isso). Muitos especialistas já argumentaram que a tradução está incorreta. Mas, mesmo que fosse certa, ela iria além de que repetir antigo posicionamento de um grande número de pessoas no Oriente Médio – que se opõem ao conceito de um estado judeu e sugerem outras alternativas para uma disputa de longa data?
Por que motivo no mundo os governantes iranianos bombardeariam Israel? Eles matariam pelo menos o mesmo número de árabes e israelenses. Estariam sujeitos a retaliação imediata de Israel, que possui um grande arsenal nuclear. O bombardeio de Israel pelo Irã é uma fantasia na qual nenhum líder responsável acredita.
Mas se eles não acreditam nesta hipótese, por que eles a suscitam? A resposta me parece clara. Se o Irã finalmente tivesse algumas armas nucleares, isso ira de fato mudar algo. Modificaria o equilíbrio geopolítico no Oriente Médio e enfraqueceria politicamente a posição de Israel. Provavelmente, também levaria à rápida aquisição de armamento nuclear por outros países. Penso na Arábia Saudita, Egito e Turquia, para começar.
Se os Estados Unidos ou Israel bombardeassem o Irã preventivamente, haveriam consequências políticas enormes e imediatas. Primeiro, é quase certo que o ato seria relativamente ineficaz, para interromper o projeto iraniano. E depois, enfraqueceria politicamente a posição tanto de Israel quanto dos EUA em todo o mundo. Essas duas razões juntas explicam por que o exército e os serviços de inteligência dos dois países se opõem tanto à opção militar. Eles temem que o discurso se popularize e permita que algum líder político, que não controla atualmente os governos de Israel ou dos Estados Unidos, seja tolo o suficiente para começar a guerra.
Os Estados Unidos e Israel estão atolados numa situação em que qualquer saída é negativa. Não importa o que façam, irão perder politicamente. Acredito que estão cientes disso; e que nem Netanyahu, nem Obama sabem o que fazer realmente, ou como defender seus próprios interesses políticos internamente. Por isso, gastam o tempo culpando e chantageando um ao outro. Enquanto isso, a liderança iraniana usa o discurso para levantar a bandeira patriótica e fortalecer sua posição interna, que esteve sob sério ataque não muito tempo atrás.
Enquanto isso, voltemos à Palestina, que continua a ser o problema real para Israel, e não uma questão fantasiosa. O Hamas tomou a decisão de ligar sua estratégia ao Egito e à Irmandade Muçulmana, que parece estar prestes a controlar o governo egípcio. O Fatah claramente teme, não sem motivo, a perda de controle da Cisjordânia para o Hamas. Preso entre o Hamas e o governo dos Estados Unidos, o presidente Abbas, da Autoridade Palestina também está em uma posição na qual perderá algo; e também não sabe o que fazer. Ele hesita, o que não parece ser a melhor tática de sobrevivência.
O futuro está com as ruas da Palestina. Simplesmente não acredito que poderão manter-se silenciosas. Poderá Israel chegar a algum acordo com elas? Logo saberemos.

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Dilma sofre série de derrotas na Câmara e base ajuda a obstruir Lei Geral da Copa


Planalto sente reflexos de troca nas lideranças do Congresso e da crise com aliados
21 de março de 2012 |

Ameaça de Collor: se Dilma não ceder aos coronéis da base aliada pode cair.

Nota do D’Incao: (por Luís Paulo Domingues)

Há uma ação urgente que colocaria o país nos trilhos do desenvolvimento: a reforma política.
Todo presidente precisa ter maioria no Congresso. Do contrário as leis não passam (não são aprovadas). Acontece que nossos partidos (tanto os de direita quanto os de esquerda) perderam seus fundamentos ideológicos há um bom tempo e votam seguindo a conveniência – e não segundo os ideais.
Criou-se, então, uma situação que não existia no regime militar, por exemplo. Nos anos de chumbo, quem era da ARENA concordava com o governo militar e votava a favor. Quem era MDB era contra o governo e votava contra as propostas governamentais.
Hoje nós temos a ridícula situação de o maior adversário do governo ser sua própria base aliada. O PSDB (maior nome da oposição) é um partido dividido por brigas internas e não consegue fazer a oposição que deveria. Porém, a base aliada do governo ameaça a Presidente (principalmente o PMDB, que é um partido imenso e corrupto). Sem o PMDB, nem Sarney, nem Itamar, nem FHC, nem Lula governariam. Porém, eles estão preocupados apenas com os cargos ministeriais, por causa dos bilionários orçamentos desses ministérios.
Dilma trocou ministros e também a liderança do governo no Congresso, o que causou a “irritação”do PMDB e da base aliada. Eles já avisaram que o país será ingovernável e que até a lei da copa não será votada enquanto  Dilma não fizer o que eles querem.
CRIA-SE, ENTÃO, UMA SITUAÇÃO NA QUAL O JOGO POLÍTICO DO BRASIL É JOGADO ASSIM: DILMA X BASE ALIADA (QUANDO DEVERIA SER DILMA X OPOSIÇÃO)
Isso acontece porque os partidos não têm mais ideologia. Aqui em SP, o PSDB e o PT são inimigos mortais, mas em Minas eles são aliados. Ou seja, não há ideais, apenas conveniência.
O que Dilma tem que fazer (mas é perigosíssimo) é chamar a sociedade civil (na TV, nas midias sociais, no FACE e sei lá mais onde) e denunciar as ameaças que sofre por parte de sua própria base aliada. Chegou a hora de romper com a base aliada e chamar a sociedade civil para os protestos. É a população quem precisa pressionar o Congresso a trabalhar direito. Mas para isso seria necessário destruir os feudos políticos do Nordeste (todos nas mãos de caciques do PMDB).


Denise Madueño, de O Estado de S. Paulo
BRASÍLIA – Sequela da intervenção do Planalto na articulação política, a presidente Dilma Rousseff foi desafiada nesta quarta-feira, 20, pela base aliada e sofreu uma série de derrotas na Câmara. Os deputados impediram a votação do projeto de Lei Geral da Copa, prioridade da semana para o governo, aprovaram na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) o projeto de lei retirando poderes da presidente na demarcação de terras indígenas, de quilombolas e de preservação ambiental, e ainda convocaram a ministra do Planejamento, Miriam Belchior.

Veja também:
Mudar lei federal pode resolver caso da bebida, diz Aldo Rebelo
Alckmin vê ‘omissão’ da área federal no caso das bebidas em estádios

O revés governista aconteceu uma semana depois de Dilma ter feito alteração na coordenação política, trocando os líderes na Câmara e no Senado, com a entrada do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) no lugar de Cândido Vaccarezza (PT-SP) e do senador Eduardo Braga (PMDB-AM) em substituição a Romero Jucá (PMDB-RR).

O conflito entre a presidente e seus aliados na Câmara se espalhou nas diversas bancadas conduzido pelo tema do Código Florestal e da permissão de venda de bebidas nos estádios, assunto do projeto da Lei Geral da Copa.

Setores da base condicionaram a votação do projeto da Lei Geral da Copa à votação do Código Florestal, contrariando a estratégia do Palácio do Planalto que não quer tratar da questão ambiental antes da realização da Conferência Rio + 20.

Na Câmara, a contabilidade dos aliados aponta para uma derrota do projeto do Código Florestal votado no Senado, defendido pelo governo, devido às articulações da bancada ruralista. Grande parte da base defende o texto aprovado anteriormente pelos deputados, mais favorável aos produtores que desmataram áreas de forma ilegal. “Em todas as bancadas existem os que militam na área agrícola e é público e notório que, desde que foi votado aqui, o projeto tem em torno de 400 votos na Câmara”, reconheceu Chinaglia.

Os líderes de partidos da base aliada ficaram sem domínio de suas bancadas no plenário. “Estão todos contaminados pelo Código Florestal. Eu, como governo, não quero perder e, hoje, a proposta poderia não ter os votos para ganhar. Estou pedindo tempo para não perder”, argumentou o líder do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN), ao obstruir a votação para derrubar a sessão desta quarta.

O peemedebista identificou no plenário uma “maioria silenciosa” pronta para derrubar o projeto da Lei Geral da Copa, se a proposta chegasse a ser votada.

Pêndulo. “A instabilidade é total. Tem bateção de cabeça em todas as áreas”, avaliou o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), considerando que o Código Florestal serviu apenas como cortina de fumaça para o movimento da base contra o governo. Ao observar o plenário, ele brincou: “A base está fechada. Mas é contra o governo”.

Chinaglia minimizou as dificuldades: “Estava na contabilidade (não votar o projeto). A base está se comportando bem”, disse o petista. Apesar da pressão dos ruralistas, Chinaglia disse que o governo não está trabalhando para fixar uma data de votação do projeto do Código Florestal. “O que condiciona a votação (do código) é maioria, é acordo. É possível e necessário desvincular as votações”, disse o líder.

Ministra convocada. O primeiro movimento de aliados contra o governo foi pela manhã, na Comissão do Trabalho. Apesar da maioria governista, os deputados aprovaram um requerimento da deputada Andrea Zito (PSDB) convocando a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, para explicar os cortes no Orçamento que atingiram as emendas e o impacto e as consequências desse contingenciamento para a administração pública. “A convocação pode ter ocorrido por falta de acompanhamento”, reconheceu Chinaglia.

Rebelados da base já tinham ameaçado convocar novamente o ministro Guido Mantega (Fazenda) para falar sobre a crise na Casa da Moeda. / COLABOROU EDUARDO BRESCIANI

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A maior grilagem acabou


Cecílio do Rego Almeida: os herdeiros e as coorporações que o representavam perderam um Estado.

Por Lúcio Flávio Pinto | Cartas da Amazônia – sáb, 3 de mar de 2012

Nesta semana a subseção da justiça federal de Altamira, no Pará, vai receber os autos do processo sobre a maior grilagem de terras da história do Brasil, talvez do mundo. São quase 1.500 páginas de documentos, distribuídos em seis volumes, que provam a forma ilícita adotada por um dos homens mais ricos e poderosos do Brasil contemporâneo para se apossar de uma área de 4,7 milhões de hectares no vale do rio Xingu.
Se a grilagem tivesse dado certo, Cecílio do Rego Almeida se tornaria dono de um território enorme o suficiente para equivaler ao 21º maior Estado do Brasil. Com seus rios, matas, minérios, solos e tudo mais, numa das regiões mais ricas em recursos naturais da Amazônia.
O grileiro morreu em março de 2008, no Paraná, aos 78 anos, mas suas pretensões foram transmitidas aos herdeiros e sucessores. A “Ceciliolândia”, se pudesse ser contabilizada legalmente em nome da corporação, centrada na Construtora C. R. Almeida, multiplicaria o valor dos seus ativos, calculados em cinco bilhões de reais.
Com base nas provas juntadas aos autos, em 25 de outubro do ano passado o juiz substituto da 9ª vara da justiça federal em Belém mandou cancelar a matrícula desse verdadeiro país, que constava dos assentamentos do cartório imobiliário de Altamira em nome da Gleba Curuá ou Fazenda Curuá.
O juiz Hugo Sinvaldo Silva da Gama Filho reconheceu que os direitos conferidos por aquele registro eram nulos, “em razão de todas as irregularidades que demonstram a existência de fraude no tamanho da sua extensão, bem como a inexistência de título aquisitivo legítimo”.
Além de mandar cancelar a matrícula do imóvel, o juiz ordenou “a devolução da posse às comunidades indígenas nas áreas de reserva indígena que encontram-se habitadas por não-índios”. Condenou a empresa ao pagamento das custas processuais e da verba honorária, que fixou em 10 mil reais.
No dia 9 de dezembro a sentença foi publicada pela versão eletrônica do Diário da Justiça Federal da 1ª Região, com sede em Belém e jurisdição sobre todo o Pará, o segundo maior Estado brasileiro. No último dia 15 de fevereiro os autos do processo foram devolvidos à subseção federal de Altamira, em cumprimento à portaria, baixada em novembro do ano passado.
A portaria determinou “que a competência em matéria ambiental e agrária deve se limitar apenas aos municípios que integram a jurisdição da sede da correspondente Seção Judiciária”.
É provável que a única intervenção do juiz de Altamira se restrinja a extinguir a ação e arquivar o processo. Tudo indica que a Incenxil, uma das firmas de que Cecílio Almeida se valia para agir, não recorreu da decisão do juiz Hugo da Gama Filho. Ou por perda do prazo, que já foi vencido, ou porque desistiu de tentar manter em seu poder terras comprovadamente usurpadas do patrimônio público através da fraude conhecida por grilagem.
A sentença confirma o que reiteradas vezes declarei nesta coluna e no meu Jornal Pessoal: Cecílio do Rego Almeida era o maior grileiro do Brasil — e talvez do mundo — até morrer. E até, finalmente, perder a causa espúria. Por ter dito esta verdade, reconhecida pela justiça federal, a justiça do Estado me condenou a indenizar o grileiro.
A condenação original foi dada por um juiz substituto, que fraudou o processo para poder juntar a sua sentença, quando legalmente já não podia fazê-lo. Essa decisão foi mantida nas diversas instâncias do poder judiciário paraense, mesmo quando a definição de mérito sobre a grilagem foi deslocada (e em boa hora) para a competência absoluta da justiça federal.
Se a Incenxil não recorreu, a grilagem que resultou na enorme Fazenda Curuá foi desfeita. Mas essa decisão não se transmitiu para o meu caso, o único dos denunciantes da grilagem (e, provavelmente, o único que mantém viva essa denúncia) a ser condenado.
Em um livro-relâmpago que estou lançando em Belém junto com uma edição especial do Jornal Pessoal, reconstituo a trama urdida para me levar a essa condenação e me tirar do caminho do grileiro e dos seus cúmplices de toga.
Como vítima de uma verdadeira conspiração entre empresários, advogados e membros do poder judiciário, considero a minha condenação um ato político. Seu objetivo era me calar.
Mas calar não só aquele que denuncia a grilagem e a exploração ilícita (ou irracional) dos recursos naturais do Pará (e da Amazônia). É também para punir quem acompanha com muita atenção a atuação da justiça e a crítica abertamente quando ela erra, de caso pensado. E tem errado muito.
As atuais dificuldades enfrentadas pela ministra Eliana Calmon, corregedora do CNJ, têm origem numa barbaridade cometida por uma juíza paraense e confirmada por uma desembargadora. No mês passado a juíza foi promovida a desembargadora, a despeito de estar passível de punição pelo Conselho Nacional de Justiça.
Decidi tirar uma edição exclusivamente dedicada ao meu caso não para me defender, mas para atacar. Não um ataque de retaliação pessoal, mas uma reação da opinião pública contra os “bandidos de toga”, que usam o aparato (e a aparência) da justiça para atingir alvos que só a eles interessa.
Também contra os que se disfarçam de julgadores para agir como partes; que recorrem aos seus poderosos instrumentos para afastar todas as formas de controle que a sociedade pode exercer sobre os seus atos.
Por isso decidi não recorrer da condenação que me foi imposta e conclamar o povo a participar de uma campanha pela limpeza do poder judiciário do Pará. Nossa força é moral. E ela deriva do fato de que temos a verdade ao nosso lado.
A verdade é a nossa arma de combate. Com ela iremos ao tribunal, no dia em que ele executar a sentença infame contra mim, para apontar-lhe a responsabilidade que tem. Não satisfeito em defender os interesses do saqueador, do pirata fundiário, ainda nos obriga a ressarci-lo porque a verdade causa dano moral ao grileiro.
Que moral é essa? A dos lobos, que predomina quando é instituída a lei da selva. Sob sua vigência, vence o mais forte. O resultado é essa selvageria, que se manifesta de tantas e tão distintas formas, sem que nos apercebamos da sua origem.
Frequentemente ela está no Poder Judiciário, o menos visível e com menos controle social de todos os três poderes estabelecidos na constituição. Esse poder absoluto precisa acabar. Para que, com ele, acabe um dos seus males maiores: a impunidade. Queremos um Pará melhor do que esta selvageria em que o estão transformando.

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Europa e Unasul devem avaliar boicote a Reino Unido, diz Argentina


29/02/2012 – 22h13

Soldados argentinos durante a Guerra das Malvinas: Inglaterra desrespeita a ONU.

DA EFE, EM BUENOS AIRES
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A Argentina pediu nesta quarta-feira que a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) se some à União Europeia (UE) para analisar o conflito sobre a soberania das Ilhas Malvinas, depois que Londres recorreu à mediação de Bruxelas pelo boicote comercial proposto pelo governo de Cristina Kirchner.

Os argentinos “propõem que a UE junto com a Unasul analisem a questão e convidem as partes a reiniciar as negociações convocadas, em numerosas oportunidades, pela Assembleia Geral das Nações Unidas”, assinalou um comunicado da chancelaria argentina.

Negociações convocadas pela ONU e que “a Grã-Bretanha ignora, mostrando o desprezo pelo principal órgão para a resolução pacífica dos conflitos entre nações, pondo em risco as instituições da governança multilateral”, acrescentou o texto.

O Governo argentino respondeu assim à decisão do Reino Unido de convocar o encarregado de negócios do país sul-americano em Londres, Osvaldo Mársico, e pedir a mediação da UE após a proposta de boicote comercial a produtos britânicos.

A Argentina “se compraz” pelo fato de o Reino Unido “haver, finalmente, recorrido a um fórum para buscar uma solução diplomática à questão das Malvinas”, frisou a chancelaria.

Sua decisão, acrescentou, permitirá à UE “comprovar as violações de resoluções das Nações Unidas por parte da Grã-Bretanha devido à exploração de recursos naturais em áreas em disputa de soberania”.

UNIÃO EUROPEIA

A União Europeia anunciou nesta quarta-feira que iniciará “procedimentos diplomáticos adequados” em relação à Argentina pelas tentativas de bloqueio comercial com o Reino Unido em meio à tensão entre Londres e Buenos Aires sobre as ilhas Malvinas.

Em entrevista à agência de notícias France Presse, o porta-voz da Comissão Europeia para o Comércio, John Clancy, afirmou que a intenção é “esclarecer as preocupações comerciais legítimas” de ambos países.

“Deixamos claro que estas ações contra atividades comerciais legítimas eram um assunto de preocupação não só para o Reino Undo, mas para toda a União Europeia”.

Mais cedo, o Reino Unido pediu ao bloco que se manifestasse sobre a tentativa argentina de bloquear o comércio bilateral, após reunião na terça (28) em que a ministra da Indústria do país sul-americano, Débora Giorgi, pediu a empresas argentinas que substituam a importação de produtos britânicos.

Londres também convocou o encarregado comercial britânico na Argentina para apresentar um informe “urgente” sobre os últimos movimentos do governo de Cristina Kirchner.

O ministério de Relações Exteriores britânico chamou ainda o embaixador argentino no Reino Unido, Osvaldo Mársico, para pedir explicações sobre as tentativas de bloqueios e a proibição de entrada de dois navios de cruzeiros com bandeiras britânicas na cidade de Ushuaia, na segunda (27).

CONFRONTO

Nesta quarta, o Reino Unido acusou a Argentina de recorrer à “política do confronto” com relação às ilhas Malvinas.

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, David Cameron, considerou nesta quarta “contraproducente” a medida adotada pelo governo de Cristina Kirchner, que propôs a cerca de 20 empresas que importam produtos do Reino Unido que os substituam por artigos de outra procedência.

O porta-voz de Cameron afirmou que “é muito triste que a Argentina continue com sua política de confronto, em vez de cooperação” e considerou que essa postura é “uma má interpretação da determinação britânica sobre este assunto”.

“O Reino Unido é também um dos principais investidores da Argentina e nós importamos produtos argentinos. Não é favorável aos interesses econômicos do país estabelecer barreiras desse tipo”.

A decisão argentina coincide com um aumento da tensão entre os dois países pela presença do príncipe William nas ilhas e o envio de uma embarcação de guerra do Reino Unido ao Atlântico Sul.

A tensão entre as duas nações acontece às vésperas do 30º aniversário da guerra travada entre ambos os países pela soberania das ilhas, que deixou cerca de 900 mortos.

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Protestos: Europa volta às ruas contra oligarquia financeira


População nas ruas na Europa: contra a tomada do Estado pelos bancos.

Le Monde Diplomatique


Manifestações na Grécia, Espanha, Bélgica e Portugal. União Europeia exige novos sacrifícios. Em Atenas, partidos no poder não querem eleições
A onda de grandes protestos sociais que percorreu boa parte da Europa em 2011 deu sinais de ressurgir nesta sexta-feira (10/2). Uma greve geral, que prossegue hoje, parou a Grécia e provocou os primeiros sinais de divisão no governo do primeiro-ministro não-eleito, Lucas Papademos. Centenas de participantes do movimento 15-M manifestaram-se na Puerta del Sol, em Madri, horas depois de o governo do primeiro-ministro Mariano Rajoy anunciar um decreto-lei que facilita demissões e permite rebaixas de salários. Em Lisboa, as centrais sindicais convocaram uma grande marcha para esta tarde. Um curioso enfrentamento entre bombeiros (nas ruas) e policiais marcou a tarde de ontem em Bruxelas. Há algo em comum, entre todas as mobilizações. Elas enfrentam novas tentativas de cortar direitos sociais para preservar os interesses da oligarquia financeira –uma prática que na União Europeia (UE) parece não ter fim, a assume dimensões cada vez mais dramáticas.
O caso mais extremo é, mais uma vez, o da Grécia. Na manhã de sexta-feira, uma reunião extraordinária de governo, que durou cinco horas, terminou com o anúncio de um corte de 22% no salário mínimo, demissão de mais 15 mil servidores públicos e redução suplementar das aposentadorias.

As medidas haviam sido exigidas na véspera, numa reunião de ministros das Finanças dos países da zona do euro. Em outubro, o bloco prometera à Grécia, em contrapartida a outra bateria de medidas de “austeridade”, um empréstimo de 115 bilhões de euros e a redução, em 50%, do total devido aos banqueiros privados. Mas nos últimos meses, as bases do acordo foram alteradas.
A redução dos créditos dos bancos tem caráter “voluntário”. Para aceitá-la, eles estão exigindo contrapartidas — aumento das taxas de juros e redução dos prazos de amortização, por exemplo — que, na prática, anulam a concessão. Como as contas não fecham, os ministros europeus requereram de Atenas que reduza despesas e serviços públicos, impondo novos sacrifícios à sociedade grega.

Dezenas de milhares de pessoas foram às ruas contra tais medidas. Houve confrontos com a polícia. Entrevistado pelo New York Times, um arquiteto de 28 anos, que participava dos conflitos, afirmou: “Tenho pouco a perder. Cursei 6 anos de faculdade, mais um de serviço militar obrigatório, e nunca consegui um emprego”. Depois de cinco anos seguidos de recessão, os índices de desocupação chegaram a 20,9% — e a 48%, entre os jovens.
As novas medidas serão votadas pelo Parlamento em regime de rolo compressor. A União Europeia exige que sejam aprovadas até domingo, para liberar uma nova parcela do empréstimo de “resgate”. Num cenário já devastado pela crise, tal pressão provocou a demissão de cinco ministros. Mas os líderes dos dois principais partidos no poder — Pasok, “socialista”, e Nova Democracia, de direita — parecem estar construindo uma fórmula para se manterem no poder, a despeito das medidas impopulares. Cresceram os rumores de que negociam um acordo que postergaria para 2013 as eleições parlamentares, marcadas para abril próximo. Se o acerto se concretizar, o país continuará submetido a um governo não-eleito. O premiê Papademos, um antigo executivo de bancos internacionais, chegou ao posto em novembro de 2011, sem jamais ter obtido um voto. Ascendeu num acordo “de emergência” entre as duas agremiações, reivindicado e aplaudido pela UE.
Na Espanha, o ataque promovido pelos governos contra a democracia assumiu a forma do ocultamento de informações. Ontem à tarde, a vice-premiê Soraya Senz e a ministra do Trabalho, Fátima Báñez, anunciaram um pacote que altera leis trabalhistas estabelecidas há 50 anos, para tornar as demissões mais fáceis e menos custosas para as empresas. Mas na entrevista coletiva concedida à imprensa, omitiram um aspecto ainda mais duro do decreto-lei assinado pelo governo, para impor as medidas. O jornal El País revelou neste sábado, a partir de um exame mais detalhado do diário oficial espanhol, que cláusulas incluídas no documento permitem aos patrões reduzir unilateralmente o salário de seus empregados.
A brecha é aberta por um dispositivo denominado “quantia salarial”. Caso julgue necessário rebaixar os vencimentos de um trabalhador “por questões relacionadas à competitividade, produtividade ou organização técnica” da produção, o empresário poderá fazê-lo sem sequer preocupar-se em negociar. Bastará comunicar com antecedência de 15 dias, restando ao atingido pelo corte resignar-se ou se demitir. O Partido Popular do premiê Rajoy tem maioria absoluta no Parlamento, mas tomou uma precaução a mais para garantir a aprovação integral do pacote. Ao adotá-la por decreto-lei, impede que os parlamentares façam emendas no projeto — cabendo-lhes apenas aprová-lo ou rejeitá-lo in totum.

Em Madri, outra “novidade” indesejável de ontem foi a repressão policial. Por volta das 21h, a polícia investiu contra centenas de manifestantes que se concentravam na Puerta del Sol, alegando que seu protesto não havia sido notificado previamente. Nove pessoas foram presas e nove ficaram feridas.
No dominó de países que vão caindo, vítimas das políticas europeias de proteção aos privilégios da oligarquia financeira, Portugal pode ser a próxima pedra a desabar. Esta semana, o Tesouro do país foi obrigado a pagar juros entre 16,1% e 20,8% ao ano, para rolar sua dívida. Os credores exigem taxas cada vez maiores, porque julgam frágeis as finanças portuguesas. A situação poderia ser aliviada com um empréstimo do Banco Central Europeu (BCE), mas este recusa-se a fazê-lo. Não é por falta de meios: na virada do ano, o mesmo BCE liberou, sem reticências, cerca de 400 bilhões de euros, para bancos privados que se disseram afetados pela crise econômica. Mais uma vez, aceitou, como “garantias”, créditos podres em poder das instituições — levando ainda mais adiante o processo de transferência, à sociedade, dos prejuízos sofridos pelo sistema financeiro a partir de 2008.

Como há o risco de uma nova rodada de ataque aos direitos sociais, a Confederação Geral Portuguesa dos Trabalhadores (CGTP) antecipou-se e convocou para hoje, em Lisboa, uma manifestação de resistência. “Outra política é possível e necessária”, diz o cartaz que convida para o ato — em favor de Salários, Serviços Públicos, Direitos e Emprego.
Na jornada de mobilizações de ontem, a nota mais irreverente veio de Bruxelas. Os bombeiros estão promovendo manifestações contra a tentativa do governo eliminar alguns de seus direitos — elevando, por exemplo, a idade de aposentadoria. Para tentar restringir suas ações, foi convocada a tropa de choque, armada e paramentada.
Mas a guarnição que protestava mostrou-se digna da legendária bravura associada à imagem dos bombeiros.  Fez uso de seu instrumento de trabalho mais típico — a mangueira d’água de alta pressão — para apagar o fogo dos repressores. Vale a pena assistir a cena até o final, e esperar que também os governos dominados pela oligarquia financeira sejam constrangidos e encurralados pela pressão social por direitos e democracia…

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Premiê da Romênia renuncia após protestos contra cortes


06/02/2012 – 08h35

Emil Boc, Primeiro-ministrp da Romênia, renunciou hoje depois de protestos contra austeridade econômica.

DA EFE, EM BUCARESTE
Publicado na Folha de São Paulo

O primeiro-ministro da Romênia, o conservador Emil Boc, anunciou nesta segunda-feira em Bucareste sua renúncia, após os fortes protestos registrados contra sua política de austeridade.

“Tomei a decisão de apresentar minha renúncia para distender a situação política e social do país, mas também para não perder o que os romenos ganharam: a estabilidade econômica”, afirmou diante de seus ministros, em discurso transmitido pela TV.

A Romênia, um país atingido pela crise econômica, viveu na segunda quinzena de janeiro violentas manifestações contra os duros cortes do governo. Todas as manifestações pediam a renúncia de Boc e do presidente Traian Basescu, a quem acusam de autoritarismo.

A coalizão da oposição entre o PSD (Partido Social Democrata) e o PNL (Partido Nacional Liberal) exigia a renúncia de Boc e Basescu e eleições antecipadas no país.

Visto na Romênia como “marionete” do presidente, Boc defendeu nesta segunda-feira mais uma vez sua política de austeridade que “salvou o país do colapso econômico”. “Tomei decisões muito difíceis, pensando no futuro da Romênia, não porque eu quis, mas porque foi necessário”, afirmou.

O presidente deverá nomear um novo primeiro-ministro, que precisa ser referendado pelo Parlamento dominado pela coalizão de centro-direita que governa o país.

A renúncia de Boc ocorre após a mais recente visita de avaliação a Bucareste do FMI (Fundo Monetário Internacional), instituição com que a Romênia assinou dois acordos de crédito, tendo que aplicar uma das políticas de austeridade mais duras do continente.

No comunicado divulgado no domingo, o FMI aplaudiu novamente o programa de reformas do governo de Boc que, no entanto, afetou o nível de vida dos romenos e provocou os protestos que custaram seu cargo.

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Reintegração no interior de SP leva famílias a abrigos precários


24/01/2012 – 08h06

O "investidor" Naji Nahas, dono da área em disputa: o Estado de São Paulo funciona para ele, mas não para os 9 mil moradores despejados.

DOS ENVIADOS ESPECIAIS A SÃO JOSÉ DOS CAMPOS
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Uma tragédia humanitária. Assim a dona de casa Luiza dos Reis Salatiel, 77, definiu a situação vivida ontem pelos expulsos da invasão Pinheirinho, em São José dos Campos (97 km de SP). Na escola Dom Pedro de Alcântara, transformada em abrigo para 2.500 pessoas, a Folha viu pelo menos três doentes com pneumonia, um com tuberculose e uma pessoa com sequelas de AVC jogados em colchões no pátio de esportes.

Veja fotos do grupo preparado para a reintegração
Veja fotos do ônibus queimado em São José dos Campos
AGU demorou a agir no caso Pinheirinho, diz especialista
TJ exime governo de responsabilidade no caso Pinheirinho
Procuradoria-Geral pede decisão do STJ sobre Pinheirinho
Associação recorre ao STF para suspender reintegração

Crianças e bebês brincavam em meio a restos de comida e a fezes de pombos espalhados. Um animal morto estava preso na rede da quadra. Apenas quatro banheiros imundos serviam às mulheres. Os homens tinham de se contentar com três.

A situação sanitária era tão grave que dois vestiários, no fundo da quadra –sem vaso sanitário ou água encanada– foram improvisados como banheiros também. “Eles querem nos degradar como seres humanos”, disse o motorista Assis David Monteiro, 62.

A maioria dos antigos moradores do Pinheirinho, expulsos de suas casas a partir das 6h do domingo, não teve tempo nem sequer para pegar os próprios documentos. Sem casa, sem documentos, muitos têm apenas uma muda de roupas. E pulseirinhas coloridas, que identificam quem pode entrar nos abrigos da prefeitura. Na escola Dom Pedro, a cor é azul.

Luiz Carlos Murauskas – 23.jan.12/Folhapress

Famílias dormem em colchões após serem retiradas de casa durante reintegração de posse no interior de SP
Vários desabrigados disseram à Folha que as pulseirinhas estão servindo para discriminá-los. “É como se fosse uma coleira que nos colocaram para nos identificar quando andamos na rua. Vizinhos nos chamam de cachorros do governo”, disse Rogério Mendes Furtado, 28, catador de sucata.

Na igreja de Nossa Senhora do Socorro, improvisada em abrigo extraoficial, cerca de 1.500 pessoas dormem em bancos, corredores e debaixo das marquises. Há apenas oito vasos sanitários. Banheiros não têm chuveiro.

Segundo Shirley Albino de Faria, 45, funcionária da paróquia, os alimentos foram obtidos de doações. “A prefeitura não está contribuindo com nada aqui, diz que os ex-moradores devem procurar os abrigos oficiais”, disse.

Bichos também foram deixados para trás. Andréia, 23, doméstica, largou 20 galinhas, cinco cachorros, três gatos e três pássaros.

Apu Gomes/Folhapress

Casal observado por PM procura documentos pessoais no meio da rua ao lado da comunidade Pinheirinho
BAIRRO SITIADO

Sitiado, o Pinheirinho virou um bairro fantasma.

A PM diz que a previsão é que até a noite de hoje todos os moradores tenham retirado móveis e objetos. A demolição das mais de mil casas deve começar a seguir.

Ontem, um caminhão foi queimado e uma creche e uma padaria foram atingidas por coquetéis molotov.

O clima de tensão também atingiu o centro da cidade. De manhã, dezenas de lojas abaixaram as portas total ou parcialmente durante protesto de cerca de 200 pessoas contra a desocupação.

O fórum da cidade completa hoje duas semanas de restrição de acesso por temor de invasão. Só podem entrar juízes, funcionários, promotores, defensores e cidadãos que vão para audiências.

Editoria de arte/Folhapress

O prefeito Eduardo Cury (PSDB) disse que o cadastramento apontou 925 famílias na área (2.856 pessoas).

Segundo ele, 250 famílias foram acolhidas nos abrigos da prefeitura (760 pessoas) e, destas, 147 pediram alojamento por tempo indeterminado -não têm para onde ir.

Segundo ele, as famílias passarão por triagem dos assistentes sociais.

O TJ disse, em nota, que a mobilização da PM e o comando dos policiais estiveram sob responsabilidade da presidência do tribunal.

O coronel Carlos Messias Mello, comandante da operação, afirmou que a PM não cometeu excessos. “Foi uma operação que deu certo”, disse.

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EUA pedem que Coreia do Sul reduza importações de petróleo do Irã


17/01/2012 – 04h53

DA EFE

O assessor especial do Departamento de Estado americano para a não proliferação e o controle de armas, Robert Einhorn, fez um apelo voltado à Coreia do Sul nesta terça-feira para que a nação asiática reduza suas importações de petróleo do Irã, informou a agência de notícias Yonhap.

O funcionário americano formulou o pedido ao vice-ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Kim Jae-shin, com o qual manteve uma reunião em meio à campanha liderada por Washington para punir o governo iraniano por seu programa nuclear.

“Estamos apelando a todos os nossos parceiros para que nos ajudem e colaborem conosco para exercer mais pressão sobre o governo do Irã”, declarou Einhorn, que chegou a Seul na segunda-feira para uma visita de três dias.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou em 31 de dezembro uma lei que impõe duras sanções às entidades que mantêm negócios com o Banco Central do Irã.

Atualmente, a Coreia do Sul negocia com a autoridade monetária iraniana para realizar os pagamentos de suas importações de petróleo.

Por sua parte, o vice-ministro sul-coreano assegurou que Seul está “fortemente comprometido a apoiar e participar dos esforços internacionais para resolver este problema”.

No entanto, insistiu que a medida pode afetar a economia do Irã, mas desejou que EUA e Coreia do Sul cooperem “estreitamente” entre si para “tratar de minimizar este efeito adverso”.

As autoridades do Japão, o outro grande aliado dos EUA na região e com uma dependência do petróleo iraniano similar à da Coreia do Sul, expressaram idêntica preocupação na semana passada sobre a proposta de Washington.

A Coreia do Sul mantém uma alta dependência do petróleo iraniano, que representou 9,6% do total de importações sul-coreanas nos primeiros 11 meses do ano passado.

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Ditador da Coreia do Norte morre após 17 anos no governo


21h42

O mundo aguarda novo governo da coreia.

Publicado no site G1

Kim Jong-il tornou a Coreia do Norte um dos países mais isolados do mundo. Ele construiu o quarto maior exército do planeta e mandou fazer dois testes nucleares, tornando-se uma ameaça para os vizinhos.

Foi anunciada, nesta segunda-feira (19), a morte de Kim Jong-il, o chefe do regime comunista da Coreia do Norte, que é um dos países mais fechados do mundo. Segundo a imprensa oficial, os norte-coreanos serão comandados pelo filho mais novo do ditador, Kim Jong-un, que ainda não completou 30 anos.

Depois de esconder a morte do ditador por dois dias, o governo norte-coreano autorizou a divulgação na TV. A apresentadora aparentava estar muito emocionada. A reação nas ruas foi de desespero, com pessoas aos prantos. Pelo menos foi o que mostrou a TV estatal norte-coreana.
Segundo a imprensa oficial, Kim Jong-il morreu no sábado (17), de ataque cardíaco. Ele estava no trem de luxo que costuma usar, já que tinha medo de avião.

Foi o fim de um ditador excêntrico, que, nos 17 anos de poder, tornou a Coreia do Norte um dos países mais isolados do planeta. Kim Jong-il gostava de comida refinada, usava sapatos especiais para parecer mais alto e também chamava a atenção com um cabelo espetado, óculos grandes e roupas esquisitas.

Segundo organizações sul-coreanas, mais de 3 milhões de pessoas morreram de fome na Coreia de Norte desde a década de 90, depois do fim da União Soviética, que sustentava o país. Mesmo assim, Kim Jong-il construiu o quarto maior exército do planeta e mandou fazer dois testes nucleares, tornando-se uma ameaça para os vizinhos.

No ano passado, um navio sul-coreano afundou no Mar Amarelo, matando 46 marinheiros. A Coreia do Sul acusou a vizinha do Norte pelo ataque. Os norte-coreanos negaram envolvimento.
Poucos meses depois, um novo ataque. Em um bombardeio a uma ilha na fronteira, quatro sul-coreanos foram mortos. A Coreia do Norte afirmou que apenas respondeu a um ataque do Sul, que realizava exercícios militares.

Nesta segunda-feira (19), pouco antes do anúncio da morte do ditador, a Coreia do Norte testou um foguete, que caiu no mar.

Kim Jong-il será substituído pelo filho mais novo, Kim Jon-un, que tem 27 ou 28 anos, não se sabe ao certo. Ele foi educado na Suíça e se tornou herdeiro do cargo por outra excentricidade da família: o irmão mais velho, que era o preferido do pai, caiu em desgraça depois de ser preso no Japão com passaporte falso. Queria conhecer a Disneylândia de Tóquio sem ser reconhecido.

O temor na Ásia é que o novo ditador queira dar uma demonstração de força para unir o país em torno dele e provar que tem capacidade para substituir o pai. No caso da Coreia do Norte, isso geralmente representa ameaçar ou atacar vizinhos.

A Coreia do Sul elevou o nível de alerta e está monitorando as atividades militares do Norte.
Depois da guerra das Coreias, os dois países firmaram um cessar-fogo em 1953. Como nunca assinaram um tratado formal de paz, na prática, sempre estiveram em guerra.
O governo russo afirmou que a segurança na região é fundamental e que espera que as duas Coreias comecem a ter boas relações.
Já a China, principal aliada dos norte-coreanos, manifestou pesar pela morte de Kim Jong-il e anunciou que está disposta a ajudar o sucessor.

No Japão, o primeiro-ministro Yoshihiko Noda convocou uma reunião de emergência e mandou o governo ficar preparado para qualquer ameaça norte-coreana. “Temos que evitar que esse incidente afete a paz e a estabilidade da península coreana”, disse Noda.

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Europa precisa de um “New Deal”, diz James Galbraith


22/11/2011 – 02h30

A volta do Estado de Bem Estar Social é uma das pautas dos "indignados"na revoltas que se espalham pelo mundo.

ELEONORA DE LUCENA
DE SÃO PAULO

Franklin Delano Roosevelt começou a tirar os Estados Unidos da grande recessão que emergiu após a crise financeira de 1929 com um plano ousado de obras públicas e intervenção do Estado na produção, nos preços e nos salários. Foi o “New Deal” (1933-1937). A Europa precisa agora de um plano assim e tem todas as instituições para fazê-lo.

A sugestão é do economista norte-americano James Kenneth Galbraith, 59, filho do célebre John Galbraith (1908-2006). Professor da Universidade do Texas em Austin (EUA), James defende um plano de três pontos para a Europa sair da crise. Além do “New Deal”, ele propõe a europeização dos bancos e a consolidação das dívidas públicas num único título a ser emitido pelo Banco Central Europeu.

Mas esse plano não será implantado por razões políticas, reconhece. Crítico em relação à gestão da crise, Galbraith opina que a democracia “está acabada” na Europa. Para ele, é crescente a influência do banco de investimentos norte-americano Goldman Sachs na condução dos países.

Mario Draghi, novo presidente do banco Central Europeu, foi vice-presidente do Goldman Sachs para a Europa de 2002 a 2005. Mario Monti, novo chefe do governo italiano, foi seu conselheiro internacional.

Novo primeiro-ministro grego, Lucas Papademos, quando foi governador do BC grego, de 1994 a 2002, atuou em operações controvertidas que envolveram o banco, segundo o jornal “Le Monde”, que classifica a situação como um “governo Sachs” europeu.

“Dinheiro é poder”, lembra Galbraith.

FOLHA – O euro vai sobreviver?
JAMES GALBRAITH – Não há saída fora do euro. Não há caminho legal para sair do euro sem sair da União Europeia como um todo. Não é uma opção para a Grécia, Portugal, Espanha, Itália. Não podem ser expulsos por mau comportamento. Não acho que a Alemanha vá deixar o euro e a união européia e adotar um novo marco alemão, embora seja possível e existam forças na Alemanha que gostariam de fazer isso.

Por que a Alemanha não faria isso?
Basicamente o euro, que seria a moeda de todos os outros, seria depreciado, e os alemães teriam desvalorizadas as dívidas que detêm. Seria uma boa solução para o sul da Europa, mas os alemães ficariam muito tristes. Isso não vai acontecer. O que vemos são os governos da Grécia e da Itália foram tomados por esses grupos de financistas.

O que dizer sobre democracia…
Está acabada. Na Grécia temos uma pessoa que foi indicada para primeiro-ministro que nem é membro do parlamento. Na Itália, Mario Monti foi indicado senador vitalício justo antes de virar primeiro-ministro. O fato é que esses dois primeiros-ministros foram ditados por Berlim, Bruxelas, Paris. Não foram escolhidos pelas populações de seus países.

Foram escolhidos pelas finanças?
Claro. É óbvio. Temos um grupo de pessoas todas graduadas pelo MIT e todas têm ligações com Goldman Sachs. Incluindo o novo presidente do BC europeu, Mario Draghi.

Como explica esse poder das finanças sobre os governos?
Qual é a conexão de dinheiro e poder? Dinheiro é poder. É claro que os líderes políticos estão atuando em nome de seus bancos, do seu setor financeiro. Quando se pergunta sobre desemprego, manutenção do crescimento, prevenção de colapsos como na Grécia, declínio da Itália, da Espanha e de Portugal e o sério declínio da Irlanda, a resposta é que não está na pauta. A liderança européia não está preocupada com essas coisas.

As populações dos países vão ficar apenas olhando?
Não acho. Há muitas greves em andamento. Os europeus estão começando a se dar conta de que o sistema político não atua em favor de seus interesses. Eles realmente achavam que o euro e a União Europeia seriam bons. E por muito tempo foi. Teremos fortes migrações dos países quebrados. Portugueses irão para Paris; gregos para os EUA, os irlandeses vão voltar para os EUA. É uma tragédia para esses lugares.

Apesar dos protestos, a direita vai avançar na Europa? O que esperar da dianteira do Partido Socialista na França?
Sim, a direita está ascendente na Europa. Mas poderemos ter surpresas nas eleições, é difícil prever. Não estou nada seguro de que os socialistas franceses representem uma alternativa séria. A crise financeira não está nem na pauta de sua reunião. Não querem falar disso, talvez porque não saibam qual posição tomar.

Quais são as soluções técnicas para a crise?
Discutimos em Austin (EUA) um plano bem articulado de Stuart Holland e Yanis Varoufakis. Tem três elementos centrais. O primeiro é consolidar as dívidas públicas de todos os países da eurozona num único título emitido pelo banco central europeu. O segundo é europeizar o sistema bancário, cujas condições financeiras estão deliberadamente obscuras pelos reguladores. Os bancos precisam ser recapitalizados pela autoridade européia, quebrando a ligação entre os bancos e governos de países, como entre bancos alemães e o governo alemão, quebrando essa conexão política, que é um problema.

O terceiro ponto é restaurar o crescimento e usar o banco europeu de investimento, que tem muitos projetos prontos para a implantação, como reconstruir a rede de transporte do leste europeu. Tudo poderia ser feito dentro da moldura institucional existente: o Banco Central Europeu trataria dos bônus. O Banco Europeu de Investimento, do crescimento. O Fundo Europeu de Estabilidade Financeira poderia ser o regulador dos bancos.

Seria um plano como o “New Deal”?
Sim. O “New Deal” criou novas instituições. Temos já uma instituição para projetos de investimentos. O problema com o Banco Europeu de Investimento é que ele requer copagamentos dos países que agora não têm dinheiro para isso e por isso os projetos estão lá parados. É preciso flexibilizar essa condição de copagamento e deixar o dinheiro fluir.

Nesse plano não existiriam mais bancos nacionais, só europeus?
Se um banco alemão for ainda solvente, ele poderia continuar. Mas todos os bancos que estão basicamente com problemas por causa da depreciação dos seus ativos tóxicos dos EUA e dos seus bônus da Grécia, Itália, Espanha, Portugal, Irlanda etc. seriam absorvidos pela autoridade européia e seriam capitalizados e controlados por ela.

E sobre os bancos privados?
Os bancos nacionais são privados. Mas, se eles não são solventes, não podem continuar independentes. Não se pode ter um banco que é insolvente funcionando, pois nessas condições as perdas eventualmente terão que ser cobertas pelos contribuintes. A regra com os bancos é: se eles estão quebrados, é preciso resgatá-los. A pergunta é: `Por quem?´.

Por que não há decisão política para fazer isso?
Porque os políticos estão preocupados em proteger os seus bancos nacionais e suas próprias posições.

Como está a economia nos EUA?
A situação é desagradável, mas não instável. Há maneiras de o governo estabilizar as coisas. Há crescimento econômico positivo. Há muito desemprego, mas o país não está quebrando.

E a China? Vai desacelerar?
Há problema no mercado imobiliário em algumas das grandes cidades. Os chineses têm a capacidade de se ajustar. Não prevejo uma crise política ou financeira na China nesse momento. Pode haver alguma desaceleração. Mas a China continuará a ser um mercado forte para commodities, matérias-primas. Não seria ruim uma desaceleração em algumas construções em Xangai e Pequim. Esses recursos poderiam ser usados em outros lugares.

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