Histórico | Inglês

Fim da União Soviética (resumo para aula)


RODRIGUES, Robério Paulino. O colapso da URSS: um estudo das causas. 2006. Tese (Doutorado em História Econômica) – Universidade de São Paulo – USP
RESUMO
Investiga as causas históricas, políticas, sociais e econômicas que mais contribuíram para o colapso e desaparecimento da União Soviética em 1991. Como um esforço de reinterpretação do fenômeno, desde a gênese até o esgotamento da URSS, apóia-se em análises e dados de alguns dos mais conhecidos especialistas no assunto. Considera que um conjunto de elementos se combinou para tal desfecho. Aponta como causas principais: a) o atraso material e cultural da velha Rússia para iniciar a construção do socialismo; b) o isolamento da Revolução Russa, fruto, entre outros fatores, do reformismo político que paralisou a classe operária no Ocidente; c) as agressões militares que a URSS sofreu, com suas imensas perdas humanas e os custos insuportáveis de defesa, derivados da ameaça permanente que vinha do exterior, que contribuíram para exauri-la economicamente; d) a natureza ditatorial do sistema político, como elemento central, que se pôde acelerar a industrialização e a modernização em uma primeira fase, trouxe imensos prejuízos humanos por outro e funcionou a partir de certo ponto no tempo como uma trava à continuidade do desenvolvimento da economia e da sociedade; e) o esgotamento do modelo extensivo de crescimento na virada para os anos 70, a desaceleração econômica que chega à estagnação no início dos anos 80 e o acentuado atraso tecnológico em relação ao mundo capitalista, verificado já na década de 70; f) As grandes transformações sociais, culturais e comportamentais ocorridas no mundo e na URSS, a Revolução da Informação e as mobilizações democráticas em todo Leste Europeu, que erodiram as fundações do sistema soviético; g) A Perestroika, que como programa de reformas acelerou a democratização do regime político, levando à desagregação do velho mecanismo burocrático de planejamento e gestão estatais da economia, o que por sua vez gerou caos; h) As mobilizações nacionalistas e a ofensiva restauracionista selaram a desagregação do sistema soviético. O processo final que levou ao colapso da URSS parece mais uma combinação de progressivas revoluções ou mobilizações democráticas – que em muito se assemelham às revoluções burguesas, já que suas bandeiras e demandas não diferem muito daquelas levantadas nas revoluções de 1789 e 1848 – com a implosão de um sistema político debilitado e ultrapassado, onde já não cabiam as forças produtivas e sociais que dentro dele se desenvolviam.

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Iraque: amargo regresso dos EUA


Wallerstein analisa nova derrota internacional de Washington. E antevê um avanço dos xiitas que, paradoxalmente, pode não interessar ao Irã
Por Immanuel Wallerstein | Tradução: Daniela Frabasile
Agora é oficial. Todas as tropas norte-americanas — com uniforme dos Estados Unidos — serão retiradas do Iraque em 31 de dezembro de 2011. Podemos interpretar essa decisão de duas maneiras. Uma delas segue a visão do presidente Barack Obama: é o cumprimento de uma promessa eleitoral feita em 2008. A segunda é a interpretação dos candidatos republicanos à Presidência. Eles condenaram Obama por não ter feito o que dizem que o Exército dos Estados Unidos queria, que é manter alguns soldados depois de 31 de dezembro para treinar o exército iraquiano. De acordo com Mitt Romney, a decisão de Obama é “o resultado de um cálculo político ou simplesmente inaptidão nas negociações com o governo iraquiano”.
As duas explicações não têm sentido, e são meras justificativas para os eleitores. Obama tentou ao máximo — e em total conjunção com os comandantes do exército e com o Pentágono — manter as tropas norte-americanas depois de 31 de dezembro. Mas falhou, não pela inaptidão, mas porque os líderes políticos do Iraque forçaram os Estados Unidos a sair. A retirada marca o final da derrota americana, que pode ser comparada à derrota dos Estados Unidos no Vietnã.
O que realmente aconteceu? Nos últimos dezoito meses, as autoridades de Washington realmente tentaram negociar um acordo com os iraquianos. Esse acordo iria se sobrepor ao termo assinado pelo presidente George W. Bush, que se comprometia com a retirada total das tropas em 31 de dezembro de 2011. Eles falharam — e não é que não tenham se esforçado.
No Iraque, os grupos mais favoráveis aos Estados Unidos são os grupos sunitas liderados por Ayad Allawi, um homem com relações notoriamente próximas à CIA, e o partido de Jalal Talebani, o presidente curdo do Iraque. Os dois homens disseram — relutantes, sem dúvida — que seria melhor as tropas americanas deixarem o país.
O líder iraquiano que se trabalhou duro para chegar a um acordo que mantivesse as tropas norte-americanas foi o primeiro-ministro Nouri al-Malaki. Obviamente, ele acreditava que a pouca habilidade do exército iraquiano em manter a ordem levaria o país a novas eleições, nas quais sua posição política estaria muito enfraquecida e ele, provavelmente, colheria maus resultados nas urnas. Enfim, deixaria de ser primeiro-ministro.
Os Estados Unidos fizeram concessão atrás de concessão, reduzindo constantemente o número de soldados que manteriam no Iraque. No fim das contas, o ponto de atrito foi a insistência do Pentágono em garantir a imunidade jurídica dos soldados americanos (e dos mercenários), liberado-os da acusação de qualquer crime que cometessem no país. Maliki estava pronto para concordar com isso, mas ninguém mais estava. Os sadristas chegaram a dizer que iriam retirar seu apoio ao governo, se Maliki aceitasse as condições de Washington. Sem os votos dos sadristas, Maliki não obteve a maioria necessária no parlamento.
Então, quem ganhou? A retirada foi a vitória do nacionalismo iraquiano. E a pessoa que veio para encarnar o nacionalismo iraquiano é Muqtada al-Sadr. É verdade que al-Sadr lidera um movimento xiita que sempre foi violentamente contrário ao partido de Saddam Hussein, o Baath — o que, para seus seguidores, costuma significar ser contra muçulmanos sunitas. Mas al-Sadr afastou-se de sua posição inicial, para converter a si próprio e a seu movimento nos grandes defensores da retirada dos Estados Unidos. Ele estendeu uma mão para líderes sunitas e líderes curdos na esperança de criar uma frente nacionalista pan-iraquiana, centrada na restauração total da autonomia do Iraque. Foi ele quem ganhou.
É certo que al-Sadr — assim como Maliki e outros políticos xiitas — passou uma grande parte de sua vida exilado no Irã. Sua vitória seria o triunfo do Irã? Sem dúvida, Teerã ampliou sua credibilidade no Iraque. Mas seria um erro analítico enorme acreditar que o Irã substituiu o domínio dos Estados Unidos sobre o cenário político iraquiano.
Existem tensões fundamentais entre os xiitas iranianos e os xiitas iraquianos. Por um lado, os iraquianos sempre consideraram o Iraque — e não o Irã — como centro espiritual do mundo xiita. É verdade que, nos últimos 50 anos, as transformações no cenário geopolítico permitiram que os aiatolás do Irã parecessem dominar o universo do xiísmo. Mas isso é parecido com o que aconteceu na relação entre os Estados Unidos e a Europa Ocidental depois de 1945. A força geopolítica dos Estados Unidos provocou um deslocamento na relação cultural entre dois lados do Atlântico. A Europa Ocidental teve que aceitar o novo domínio dos Estados Unidos — mas nunca gostou disso. E agora tenta retomar a hegemonia cultural. O mesmo acontece com o Irã e o Iraque. Nos últimos 50 anos, os xiitas iraquianos tiveram que aceitar o domínio cultural do vizinho, mas nunca gostaram disso. E agora irão trabalhar para retomar o predomínio cultural.
Apesar das declarações públicas, tanto Barack Obama quanto os republicanos sabem que os Estados Unidos foram derrotados. Os únicos norte-americanos que não acreditam nisso encontram-se entre o pequeno grupo marginal de esquerda que de algum modo não pode aceitar que os Estados Unidos não são capazes de ganhar sempre, em todos os lugares. Esse pequeno grupo, atualmente em declínio, está tão obcecado em denunciar os Estados Unidos que não tolera o fato de que o país está em sério declínio.
Para esse grupo marginal, nada mudou. Agora, o representante dos interesses dos Estados Unidos no Iraque não é mais o Pentágono, e sim o Departamento de Estado, que está fazendo duas coisas: deslocando mais fuzileiros para providenciar segurança à Embaixada dos Estados Unidos e contratando especialistas para treinar as forças policiais iraquianas. Mas levar mais soldados é um sinal de fraqueza, não de força. Significa que até mesmo a bem guardada embaixada norte-americana não está suficientemente segura dos ataques. Pela mesmíssima razão, os Estados Unidos cancelaram os planos de abrir mais consulados no país.
Quanto aos especialistas, estamos falando em aproximadamente 115 conselheiros policiais que precisam ser “protegidos” por milhares de seguranças privados. Eu garantiria que os conselheiros policiais serão muito cautelosos ao sair do território da embaixada — e que isso irá dificultar a contratação de seguranças privados em número suficiente, dado que não terão mais imunidade jurídica.
Ninguém deve se surpreender se, depois das próximas eleições no Iraque, o primeiro ministro for Muqtada al-Sadr. Nem os Estados Unidos nem o Irã vão gostar.

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Nos bastidores do G20, Itália aceita ser monitorada pelo FMI em reformas


04/11/2011 – 08h27Folha de São Paulo

Sarkozy e a farsa do capital financeiro: representante de um velho mundo, com velhas ideias.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Sob intensa pressão dos mercados financeiros e dos colegas europeus, a Itália concordou que o FMI (Fundo Monetário Internacional) e a UE (União Europeia) monitorem seu progresso em privatizações e reformas previdenciárias e trabalhistas, disseram fontes seniores da UE nesta sexta-feira.
O primeiro-ministro Silvio Berlusconi, com seu governo perto do colapso após deserções na quinta-feira, entrou em reuniões tarde da noite com líderes da zona do euro e com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, nos bastidores da cúpula do G20 em Cannes.
“Nós precisamos garantir que haja credibilidade nas metas da Itália –que o país irá cumpri-las. Nós decidimos ter o FMI envolvido no monitoramento, usando sua própria metodologia, e os italianos dizem poder viver com isso”, disse uma fontes da União Europeia.
“A Itália não tem problema nenhum com a supervisão, mesmo com o FMI estando envolvido”, disse a fonte, acrescentando que a Comissão Europeia e o FMI farão relatos separados sobre o cumprimento das metas pela Itália.
A concessão feita por Berlusconi ao FMI e à União Europeia foi uma tentativa de melhorar a perigosa posição do país nos mercados de bônus, onde seus custos de financiamento dispararam acima de 6% semana passada, gerando dúvida sobre a capacidade dos italianos em lidar com a dívida pública de 120% do PIB (Produto Interno Bruto).
Uma autoridade italiana negou que o país esteja sendo separado para supervisão especial, dizendo que toda a zona do euro estará sob maior monitoramento. No entanto, a fonte confirmou que Roma está disposta a pedir conselhos ao FMI sobre a implementação dos compromissos feitos em 27 de outubro para reformas específicas.
CÚPULA
Foi retomada nesta sexta-feira o segundo e último dia da cúpula do G20 (grupo de economias ricas e emergentes) em Cannes, no sul da França.
A cúpula atual é marcada pela crise da dívida na Europa, em particular na Grécia, e que ameaça se estender para outros pesos pesados da zona do euro, como a Itália.
Os chefes de Estado e de governo do G20 adotarão uma declaração conjunta insistindo na necessidade de manter o rigor nos orçamentos públicos e de tomar medidas para reativar a economia.
Fontes citadas pelas agências de notícias informaram que o esboço do plano de ação da cúpula mostra que o grupo concordou em agir mais rapidamente em direção a sistemas de câmbio flexíveis e determinados pelo mercado
O esboço também saudou a determinação da China para aumentar a flexibilidade de sua moeda em linha com os fundamentos do mercado. O país tem sido criticado pelos ocidentais de desvalorizar artificialmente sua moeda para favorecer as exportações.
Neste último dia do encontro, a presidência do grupo, atualmente com a França, será transferida para o México.

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Aplicação de plano anticrise da Grécia é urgente, diz Trichet


Gregos protestam: soberania substituida por economia global.

DA FRANCE PRESSE, EM PARIS
Publicado na Folha de São Paulo

O presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, afirmou nesta segunda-feira que existe uma “necessidade urgente” de aplicar o último plano de resgate para a Grécia.

“Há uma urgente e imperiosa necessidade de que se aplique o conjunto das decisões adotadas na reunião de cúpula da zona do euro de 21 de julho relativas à Grécia”, afirmou em Paris.
Trichet também defende a reforma de algumas leis dos países para “permitir vigiar mais de perto a marcha dos orçamentos nacionais, o que é absolutamente inevitável”.
Os dirigentes europeus aprovaram em 21 de julho em Bruxelas um segundo pacote de resgate para a Grécia de quase 160 bilhões de euros com uma importante contribuição do setor privado. O plano deve receber a aprovação dos governos e Parlamentos dos 17 países da zona euro.
O novo plano, com vigência de 2011 até 2014, busca tornar viável a dívida grega, ampliando os períodos de vencimento, reduzindo os juros e contemplando novos mecanismos.

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Suspeito de crime de guerra, Mladic será indiciado na sexta em Haia


DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS (obs. sobre agências)
Folha de São Paulo

O ex-general sérvio-bósnio Ratko Mladic comparecerá pela primeira vez diante do Tribunal Penal Internacional para a Ex-Iugoslávia na próxima sexta-feira (3).
Nesta quarta-feira, o tribunal de Haia anunciou uma nova ata de acusação contra Mladic, que reduz de 15 para 11 as acusações, entre elas genocídio, extermínio, assassinato, deportação, atos desumanos, atos de violência, ataques ilegais e sequestro, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.
Na audiência de sexta, que ocorre às 10h (5h de Brasília) na sala 1 do tribunal, Mladic poderá declarar-se culpado ou inocente. Caso ele se negue a depor, os juízes marcarão outra data com a mesma finalidade em um prazo de 30 dias.
Durante o primeiro comparecimento também ficará claro se o acusado contará com um advogado defensor ou se ao contrário optará por conduzir a própria defesa, como fez o ex-líder político sérvio-bósnio Radovan Karadzic.
Após sua chegada nesta terça-feira à prisão de Scheveningen (perto de Haia), Mladic passou por um exame médico, como estabelece o regulamento da penitenciária.
A família e o advogado de Mladic alegaram a saúde frágil do ex-general para tentar evitar a extradição. Na terça-feira, contudo, a Justiça sérvia rejeitou o recurso e aprovou sua viagem a Haia.
O mau estado de saúde do sérvio-bósnio de 69 anos poderia ser um dos eixos principais da defesa para atrasar o início do julgamento. O TPI disse, contudo, que está preparado para dar todo o tratamento médico necessário a Mladic e garantir o julgamento.
Mladic, que liderou o Exército sérvio-bósnio durante a Guerra da Bósnia (1992-95), responde pelo massacre de Srebrenica (1995), em que mais de 8.000 muçulmanos foram assassinados, e o cerco de 43 meses a Sarajevo, a capital da Bósnia. Se condenado, Mladic pode receber sentença de prisão perpétua, uma vez que não existe pena de morte.

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Premiê da Irlanda dissolverá Parlamento na terça-feira


28/01/2011 – 08h07

União Europeia proibiu impediu a falência dos bancos - uma tendência do capitalismo especulativo.

DA REUTERS, EM DUBLIN
Publicado na Folha de São Paulo

O primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, dissolverá o Parlamento na próxima terça-feira (1º) e anunciará uma nova data de novas eleições gerais, informou a emissora estatal RTE.
Cowen está sob intensa pressão dos partidos irlandeses para deixar o governo. Ele já renunciou, no sábado passado (22), à liderança do partido Fianna Fail –que deve ser derrotado no novo pleito.
Cowen esperava apenas a aprovação do Orçamento de 2011, o mais austero na história do país, para concretizar sua saída. O orçamento atende o plano quadrienal de ajuste que a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) exigiram como condição para a aprovação de um plano de resgate internacional para a Irlanda.
O projeto foi aprovado nesta quinta-feira na Câmara dos Deputados e seguirá para o Senado, onde deve ser aprovado no sábado.
Ele assumiu em 2008, quando os 13 anos de crescimento econômico irlandês (o país chegou a ser chamado de Tigre Celta) davam lugar a uma implosão do mercado de imóveis e crises bancárias.
No último ano, ele sobreviveu a diversos votos de confiança no Parlamento, mas sua popularidade despencou com o agravamento do deficit e do desemprego. O governo teve de negociar um resgate de 85 bilhões de euros com a União Europeia.
Na última semana, Cowen enfrentou uma renúncia em massa de cinco de seus 15 ministros. Enfraquecido, anunciou sua saída da liderança do Fianna Fail. Mas isso não acalmou os colegas de coalizão do Grupo dos Verdes, que renunciaram ao governo para forçar a antecipação das eleições e a queda de Cowen, cujo governo duraria até 2012.
Dois partidos de oposição devem vencer o pleito e formar uma coalizão: o Fine Gael (centro) e o Trabalhista (esquerda).

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Silvio Santos recusa propostas de igrejas que queriam comprar horário no SBT


02/12/2010 – 08h05

Mesmo com a crise de seu grupo empresarial, Silvio vetou horário para igrejas no SBT.


Folha de São Paulo

O apresentador Silvio Santos recusou as propostas de várias igrejas que queriam comprar horários na madrugada do SBT.
Até segunda ordem, ele quer manter distância de bispos e pastores que anseiam pelos horários noturnos da emissora.
Mesmo com a crise nas empresas de seu grupo, Silvio está em Los Angeles estudando novos formatos televisivos.
De acordo com um interlocutor dele, o apresentador segue direto para Miami para as festas de fim de ano.
A informação é da coluna Mônica Bergamo, publicada na Folha desta quinta-feira (2). A íntegra da coluna está disponível para assinantes do jornal e do UOL.

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Chuva de condomínios fechados


Condomínio fechado em região de mata: a parte verde é o que restou da mata.

Luís Paulo Domingues

D’Incao Intituto de Ensino

Já é de longa data a minha pequena guerra contra a construção de mais condomínios fechados no entorno de nossa cidade. Os motivos são óbvios. Um condomínio fechado é uma aberração urbanística e um elemento reforçador de nosso fosso social.
Eu já escrevi isto: o condomínio fechado é a coroação da falsa ideia de que a defesa da classe média-alta, o que eles têm que fazer para combater a violência, é viver numa bolha e ficar pairando socialmente por cima da malta da maioria. Aí todo mundo se isola num universo privado, completamente folgado, em relação ao resto da população, e acha que vai ficar protegido.
Isso só pode aumentar a violência e o estranhamento entre as classes. Imaginem o pessoal da favela passando lá pelo Tívoli, por exemplo, e pensando:
“-Olha! Esse pessoal vive aí, num mundo diferente, onde só eles podem entrar!”
É um insulto à coletividade. E mais. É uma projeto imperfeito de comunidade e um convite às más intenções, pois a pobreza e a violência que a pobreza cria só existem em estado de comparação. Você só tem consciência de que tem pouco quando vê que o outro tem muito. E os condomínios exacerbam essa diferença.
Infelizmente, a publicidade é a maior divulgadora dessa vida exclusiva, sensacional, extraordinária, toda ela desenhada pra você. O que você é hoje depende muito do seu acesso a esse mundo exclusivo.
O problema é que, como tudo no capitalismo predatório, a onda da exclusividade nos condomínios é um fenômeno que só enriquece alguns, os construtores e os donos das florestas (é sempre em floresta), e sangra os bolsos dos moradores.
O mais ridículo em tudo isso é o elemento de sedução, quando os condomínios são lançados: “Venha morar junto à natureza!” Mas caramba! É justamente o condomínio que destrói a natureza! Todos eles, em Bauru, foram construídos em áreas onde, antes, havia uma floresta nativa.
Esta semana uma pessoa morreu arrastada pela enxurrada de uma chuva que durou uns 20 minutos. Não vou ficar criando polêmica com chuva aqui, mas houve uma boa ajuda dos condomínios nessa tragédia. Cortando a vegetação do entorno da cidade, a água só pode descer. É física e biologia. Simples assim.
E não venham culpar o governo por isso. A culpa é da iniciativa privada. É ela que queria acabar com a floresta urbana ao lado da Unesp para construir onze (ONZE!!) torres residenciais. Graças ao nosso prefeito, o negócio não vingou. E graças a isso, o estrago de terça-feira em Bauru não foi pior.

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“Velha guarda” comunista pede fim da censura na China


13/10/2010 – 07h26

FOLHA DE SÃO PAULO
FABIANO MAISONNAVE
DE PEQUIM

Até o Primeiro Ministro? O premiê chinês, Wen Jiabao, é um dos que pedem o fim da censura.

Um grupo de 23 antigos membros do Partido Comunista chinês divulgou ontem uma carta aberta exortando o governo do país a abolir o aparato de censura.

Mas, assim como ocorreu com o anúncio da nomeação do dissidente chinês Liu Xiaobo ao Prêmio Nobel da Paz, o documento foi rapidamente retirado da internet.

“Por 61 anos, temos “servido como mestres” em nome dos cidadãos da República Popular da China. Mas a liberdade de expressão e de imprensa que temos é inferior até à liberdade confiada aos residentes da colônia de Hong Kong antes de seu retorno à soberania chinesa [em 1997]“, diz o documento, em alusão ao início do regime comunista, em 1949.

Os autores da carta, que incluem Li Rui, ex-secretário pessoal de Mao Tsé-tung, e Huang Jiwei, ex-editor do jornal do PCC “People’s Daily”, exortaram o governo a abolir a censura na internet, a abrir a discussão sobre os “erros” do partido e a privatizar dois jornais estatais como piloto de mídia independente.

O documento lembra que a liberdade de expressão é garantida pelo artigo 35 da Constituição chinesa, pelo qual “os cidadãos da República Popular da China desfrutam de liberdade de expressão, de imprensa, de assembleia, de associação, de marcha e de manifestação”.

FORA DO AR

Outra mudança defendida é a reforma dos “órgãos de propaganda” do governo para que deixem “de assistir funcionários corruptos a suprimirem e a controlarem histórias e passem a apoiar a mídia no monitoramento do partido e órgão do governo”.

O texto menciona e apoia ainda as surpreendentes declarações recentes do premiê chinês, Wen Jiabao, em favor de maior abertura, inclusive uma entrevista à CNN na qual afirmou que “os desejos e as necessidades da população por democracia e liberdade são irresistíveis”.

Apesar de divulgado ontem, quatro dias depois do Nobel ter sido concedido a Liu, o documento não menciona nem o dissidente político, condenado há 11 anos, nem o motivo de sua prisão: a chamada Carta 08, publicada em 2008 e assinada por 303 ativistas, que defende reformas democráticas e o fim do monopólio político do Partido Comunista Chinês.

O documento foi divulgado em sites chineses ontem de manhã e retirado do ar em seguida. Assim como a Carta 08, é praticamente impossível encontrá-lo na internet chinesa, que tem censurado notícias sobre Liu.

Ontem, o governo chinês continuou a criticar duramente a concessão do Nobel. Em entrevista coletiva, o porta-voz da Chancelaria Ma Zhaoxu disse que o prêmio está sendo usado “por alguns políticos de outros países para atacar a China”.

A mulher do agraciado com o prêmio, Liu Xia, continuou ontem impedida de receber jornalistas e amigos em sua casa, sob permanente vigilância policial.
Pequim voltou a dar sinais de que cumprirá a ameaça de retaliar diplomaticamente a Noruega, sede do comitê do Prêmio Nobel.

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O mundo atual pede um novo macho


08/10/2010 – 07:07

A capa da Newsweek despertou curiosidade e gerou polêmica no mundo.

José Aparecido Miguel
Jornal do Brasil

Pouco repercutiu no Brasil a capa da semana passada da Newsweek, dos Estados Unidos, defendendo um novo macho. “Man up” é a manchete que destaca um texto assim: “Para sobreviver em um mundo hostil, os homens precisam encarar trabalhos historicamente femininos e fraldas sujas”. Segundo a revista, a mídia (americana, interpreto) está repleta de produtos como livros e programas de televisão estimulando o retorno ao velho ideal de masculinidade. “No entanto, sugerir que o homem continue com velhos modelos só perpetua o problema”.

A economia mudou o mundo. A parcela de homens no mercado de trabalho caiu de 70% em 1945 para menos de 50% hoje, e nas maiores cidades americanas, mulheres jovens e solteiras ganham 8% mais do que os homens. “Quebrar os velhos modelos é difícil, mas não impossível. Na Suécia, mais de 80% dos pais suecos tiram até quatro meses de licença, amparados por legislação vigente, com o nascimento de um novo filho (…)”, escreve a Newsweek, aqui resumida. “Na Alemanha, no Japão, na Grã-Bretanha e na Austrália há políticas públicas para favorecer os pais, o que deixa os EUA na lanterna”.

Outro aspecto evidenciado pela reportagem: os homens não podem mais se dar ao luxo de recusar trabalhos outrora feitos apenas por mulheres. “Afinal, dos 15,3 milhões de novos empregos estimados, a maioria será em áreas que atraem mais mulheres do que homens. Dos 12 empregos de maior crescimento entre 2008 e 2018, os homens dominam apenas dois (construção e contabilidade). O resto (incluindo as áreas de enfermagem e educação) permanecerá predominantemente feminino (…).Se os EUA atingirem a paridade de gênero no mercado de trabalho, o PIB (Produto Interno Bruto) poderia crescer 9%, segundo recente estudo do Fórum Econômico Mundial”.

O importante é que, “no final das contas, se os homens forem pais mais presentes, mais filhos terão educação e ficarão longe do crime e da pobreza”.

(Quem me sugeriu este assunto foi o escritor e jornalista João Lins de Albuquerque; a tradução que me ajudou é do Victor Barros, aqui do Jornal do Brasil.)

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