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Casa de ex-banqueiro despejado no Morumbi parece museu


26/01/2011 – 18h36

A casa do banqueiro no Morumbi: mesmo nos EUA, estaria entre as dez mais caras da Forbes.


MARIO CESAR CARVALHO
DE SÃO PAULO

Parece um museu. Logo após a garagem, entra-se num hall com uma pintura feita diretamente na parede pelo norte-americano Sol Lewitt. Na beira da piscina coberta, há um trabalho de Frank Stella, outro artista americano que se projetou nos anos 60. No jardim, há esculturas de Tunga, de Amilcar de Castro e da francesa Nikki de Saint Phaile.
É a casa do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira. A Folha foi o primeiro jornal a visitar o imóvel após a Justiça despejar Edemar, na última semana. A visita foi autorizada pelo juiz que determinou o despejo, Régis Rodrigues Bonvicino.
O choque maior é com a coleção que está na sala de estar. Ali estão expostos algumas das obras mais caras da coleção de Edemar: são telas de Robert Rauschenberg, um dos fundadores da pop arte, de Sandro Chia, um dos principais nomes da pintura italiana dos anos 80, do alemão Geeorg Baselitz e do holandês Karel Appel. Os artistas nacionais não ficam atrás: há dois Portinaris, Di Cavancanti, escultura em bronze de Maria Martins e a cerâmica de um touro de Brecheret.
A casa tem 4.100 metros quadrados, uma área que comportaria 82 apartamentos de 50 metros quadrados, como os que são feitos pelo programa Minha Casa, Minha Vida, por exemplo. Custou R$ 142, 7 milhões, segundo documentos de 2002, em valores não atualizados.
Se estivesse nos Estados Unidos, entraria na lista das dez casas mais caras da revista “Forbes”.
Se Edemar não conseguir reverter a ordem de despejo, o próximo passo será leiloar o imóvel. O valor arrecadado será distribuído entre os credores do Banco Santos, que quebrou em novembro de 2004, deixando um rombo de R$ 2,2 bilhões.
Edemar saiu às pressas do imóvel na semana passada, segundo os seguranças. Levou apenas um pijama para o flat em que está com a mulher, Márcia.

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O luto da arte


Revista Cult
Márcia Tilburi

Obra de Daniel Hirst: inclassificável no conceito de beleza artístico.

A tese da morte da arte ainda significa mais do que parece
Publicado em 05 de abril de 2010

A discussão sobre a morte da arte teve um lugar essencial nas Lições de Estética, de Hegel, no século 19. Não se pode perder de vista que a morte da arte à qual Hegel se referia era a da arte bela e não da arte de modo geral. Se Hegel tem razão, em havendo uma morte da arte que não deve ser generalizada, trata-se de entender que tipo de arte, para além da arte bela, sobreviveu. Em um século de genocídios, ditaduras e violências de toda sorte, a arte é a memória da sua própria morte.
A pré-história dessa percepção está na Crítica da Faculdade de Julgar, de Kant, que antes afirmou a existência de dois sentimentos, o belo e o sublime, como sustentáculos da experiência estética. Belo – a sensação de prazer com os objetos agradáveis – e sublime – um misto de prazer com desprazer – são formas de acesso subjetivo à beleza, tanto da natureza quanto das artes. Kant define a arte bela como aquela que pode representar de modo belo até mesmo as coisas feias. A tarefa histórica da arte sempre foi a de colocar beleza no mundo e suplantar o feio. Criamos essa expectativa e isso hoje em dia não nos ajuda.
Mas o próprio Kant disse que havia uma espécie de feiura, que não pode ser representada de acordo com a natureza sem cancelar a complacência estética, ou seja, a nossa capacidade de perceber a beleza em geral e a beleza da arte. Kant refere-se à feiura que desperta asco. O asco, segundo Kant, é uma “sensação peculiar” marcada pela imposição do objeto feio que imediatamente se nos lança sobre os sentidos, sem que desejemos aceitar sua presença. O filósofo espanhol Eugenio Trías dá um exemplo repugnante só de ler: quem pisa em um rato morto e eviscerado na rua tem a sensação de que ele vai parar dentro da boca. A experiência do asco se dá como se um prato de merda fosse oferecido para se comer.
O asco é uma espécie de sentimento impossível, por estar na contramão do gosto. Podemos traduzi-lo por nojo. E nojo é algo que se traduz por luto. A experiência do asco ou do nojo, como experiência do des-gosto, é da mesma ordem da experiência do luto, de algo que não desejamos e que mesmo assim se impõe. A lástima pela perda de um objeto amado, mas também do gosto – seja pela arte, seja pela vida – que acompanhava aquele objeto é experiência disseminada em nossa cultura, da qual a arte atual vem a ser a apresentação mais clara.
A arte, do asco ao luto

O luto é sempre uma reação à perda de um objeto amado. É, portanto, a experiência da morte enquanto ela pode ser conhecida: a morte dos outros, das coisas, das experiências. Até mesmo, como em Luto e Melancolia, de Freud, a perda de uma abstração, de um ideal qualquer. Nunca a da epicuriana morte que não encontraremos, pois já não estaremos quando ela aparecer. A arte contemporânea é experiência enlutada e, por isso, dói tanto tratar dela. Encará-la é experimentar o luto na forma de sua exposição possível. Mas, se há entre arte e vida, entre ficção e realidade, uma relação que é sempre de mimese, por imitação ou por mimetismo, e se há tanta perda na vida, a arte não deveria ser nosso resgate para além do que a vida nos dá sem nenhuma elaboração?
A promessa romântica da arte é que ela viria nos salvar da vida. Mas, após a perda da ingenuidade romântica, por que ainda esperamos tanto da arte? Arte é apenas um conceito que tem tão pouco valor quanto pouco uso nos dias de hoje. No entanto, arte ainda é, como conceito, algo que vai na frente da nossa sempre atrasada sensibilidade. Que a arte mova nossa sensibilidade é a esperança sem fundamento de muitos, mas sensibilidade é uma formulação imprecisa entre o perigoso culto da emoção e os sentimentos que só são elaborados mediante a interferência da racionalidade capaz de criar conceitos. Não há chance de que arte hoje seja mais do que uma construção para fazer pensar.
Temos na experiência contemporânea da arte a autopresentificação do seu próprio luto. Como se a arte ainda estivesse no período enojado em que tem que se haver com a memória de um cadáver que é ela mesma e que, na verdade, mimetiza o estado das coisas de um mundo em crise de sentido. Assim é que a obsolescência do conceito de arte o coloca na posição de um conceito-memória. Um conceito que foi válido, mas que perdeu sua circunstância na atualidade. Arte não é mais a bela arte, ainda que possamos com muito esforço descobrir nas obras que a beleza também é um conceito e, como tal, uma visão das coisas.
O paradoxo do gosto

O que a arte contemporânea nos sugere é a experiência do paradoxo do gosto. Como é possível “apreciar” esteticamente aquilo que repugna se neste momento a experiência estética como mediação entre sensibilidade e racionalidade foi anulada? A questão é que a arte contemporânea, sendo trabalho do luto, acontecendo na contramão do gosto, provoca sempre a experiência do desgosto. Por isso, a arte conceitual tem tanto espaço em nosso tempo, por chamar ao pensamento em tempos de cancelamento da sensibilidade. É como se toda obra nos enviasse a mensagem: se não podemos “gostar”, podemos “pensar”. É o paradoxo da inestética: a sensação é de perda da sensibilidade na arte; mais do que um problema da arte, é problema da cultura na qual ela surge. Um artista como Damien Hirst, com seus bezerros e tubarões no formol, não é, portanto, julgável segundo o padrão do gosto pela arte bela, porque estamos em tempos de perda do gosto. O que será que ele nos mostra que não sabemos pensar?
Com isso se consegue compreender o que acontece com a arte atual. Ela é a experiência da morte da própria arte bela nestes tempos de desgraça cultural. Tempos tensos: de um lado tragicofílicos – desejamos a tragédia – e de outro tragicofóbicos – evitamos a morte a qualquer custo –, como disse Hans Gumbrecht. Podemos dizer, nestes tempos, que a arte se faz na ordem do trágico, este sentimento da “morte em mim”, da morte como experiência subjetiva, como imagem da melancolia que nada mais é do que a morte do eu e do pensamento que sempre foi a prova de que existia algo chamado “eu”. Não, não exageremos.
A arte contemporânea não é nem trágica nem melancólica. Enlutada, ela nos pede que ultrapassemos a memória da morte e reinventemos o presente. Só o que impede isso é o capital culto à desgraça em que vivemos hoje. O gozo atual é com a ideologia da morte como um fim, quando, na verdade, estúpidos e conceitualmente avarentos, não sabemos entender o valor e o poder das transformações históricas das quais a arte nos dá apenas uma imagem para nos fazer acordar. Mas quando até mesmo a desgraça se tornou um “capital”, haverá espaço para a arte que denuncia o seu caráter capitalista? (Marcia Tiburi)

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Por ruas limpas


RUY CASTRO
Folha de S. Paulo

A bienal tenta inserir a pixação nos conceitos de arte: isso resolve o problema?

RIO DE JANEIRO – Leio na Mônica que os jovens que invadiram a última Bienal e picharam seus vidros e paredes foram convidados a participar oficialmente do evento este ano. Ótimo. É a pichação, assim como aconteceu com o grafite, sendo elevada à categoria de arte e, como tal, digna de ser exposta em bienais, mostras, retrospectivas.
Sou a favor de que a Bienal lhes reserve enormes pavilhões, mesmo porque a pichação exige fachadas inteiras de edifícios, quando não monumentos como o Cristo Redentor. Sou a favor também de que museus como o Masp, o MAM do Rio e o Mac, de Niterói, construam anexos com paredes internas para abrigar pichações permanentes, talvez permitindo que, de dois em dois meses, turmas diferentes de pichadores façam intervenções sobre as pichações já existentes e se esfolem uns aos outros.
Enfim, sou a favor de qualquer medida que livre nossas ruas da lambança promovida por esses ágrafos cuja forma de preencher seu vazio interior e pobreza de espírito é agredir a propriedade pública ou privada. Aliás, não há muita diferença entre seus garatujos e certas instalações em que tropeçamos nos salões -basta que os ensaístas descubram neles os conteúdos que enxergam em caixas cheias de minhocas ou em um cachorro sendo deixado para morrer de fome e de sede diante dos visitantes.
Não quer dizer que, se o mundo das artes cooptar os pichadores, eles deixarão de avacalhar as cidades. Vide o grafite. Para cada grafiteiro tirado da marginalidade e levado a expor em Berlim ou Amsterdã, as ruas ganham outros cinco sub-Will Eisners com suas mesmas figuras de língua de fora e olhos esbugalhados.
Não discuto que sejam “artistas”. Só o direito de o cidadão andar pela rua sem ser assomado por desenhos berrantes que não pediu para ver.

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O “x” da questão


FERNANDO DE BARROS E SILVA
Folha de S. Paulo

Imagem delinquente: em troca da inclusão social, propõe-se transformar vandalismo em arte.

SÃO PAULO – A estátua do Cristo Redentor, no Rio, amanheceu pichada na última quinta. Braços, peito, rosto. Não é preciso ser católico (nem burguês) para ficar incomodado com esse vandalismo.
Entre os borrões, havia dizeres contra a violência, citando casos de pessoas desaparecidas ou assassinadas. Há quem veja na depredação de um símbolo da cidade uma forma válida de protesto, uma ação “política”, talvez até “artística”.
A discussão está colocada em São Paulo. Como a Folha noticiou, a 29ª edição da Bienal, a ser realizada em setembro, decidiu abrir espaço aos pichadores. O curador Moacir dos Anjos diz que o “pixo”, com “x” (grafia usada pelos adeptos como assinatura do que fazem), “questiona os limites usuais que separam arte e política”, tema desta bienal.
O grupo que está sendo anexado ao “grand monde” agiu com método. Em 2008, pichou uma escola de arte (onde ela é ensinada), uma galeria (onde é comercializada) e a própria Bienal do Vazio (o templo da arte). São artistas ou vândalos? Representam algo “radical” ou só regressivo? A Bienal está se abrindo à cidade ou fazendo populismo ao patrocinar a delinquência?
É preciso muito boa vontade para ver algo além do testemunho da exclusão na ação ao mesmo tempo selvagem e monótona dos pichadores. Ao descrever a depredação do patrimônio por jovens no contexto europeu, o ensaísta alemão Hans Magnus Enzensberger disse: “Nas ações espontâneas expressa-se a raiva das coisas em bom estado, o ódio por tudo o que funciona e que forma um amálgama indissolúvel com o ódio por si mesmo”. Bingo!
Mas aqui não estamos em Frankfurt. Falamos de jovens da periferia, de Osasco e de Pirituba. Na afirmação de uma identidade vazia ou na destruição de qualquer identidade, a pichação é também um veículo do ódio (e da frustração) com as coisas que não funcionam -ou funcionam para os outros.
Os pichadores não precisam de Bienal, mas de família, escola e uma perspectiva de vida decente.

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Desenho de Goya é vendido por US$ 1.339 milhão em Londres


06/07/2010

Imagem do desenho vendido em Londres por mais de 1 milhão de dólares.

Nota do D’Incao: para conhecer um pouco da vida e obra de Goya digite http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Goya

DA EFE, EM LONDRES
Publicado pela Folha de São Paulo

Um desenho que faz parte de um dos oito álbuns particulares do pintor espanhol Francisco de Goya y Lucientes foi vendido hoje em Londres por US$ 1.339 milhão, um preço pouco superior à avaliação inicial estimada pela casa de leilões Sotheby’s.
O desenho não era colocado à venda desde 1877 e pertencia ao álbum F de Goya conhecido como o “Álbum Sépia” ou “Imagens da Espanha” e tinha sido avaliado pela Sotheby’s entre US$ 1,005 milhão e US$ 1.332 milhão.
É este um dos oito “álbuns privados” que o artista reuniu em volumes ao longo de sua carreira.
O desenho, de 200 por 140 milímetros, apresenta a cena mais inquietante da série dedicada à caça. Goya coloca nele a ideia de “caçador caçado” ao refletir os perigos associados ao roubo de ninhos de águia.
O ladrão de ninhos aparece pendurado pela cintura por uma corda, suspenso em uma rocha, enquanto surge ameaçadora no horizonte a águia carregando no bico a lebre que acaba de caçar.
As páginas do “Álbum F”, que, segundo os analistas, foram feitas entre 1812 e 1820, foram numeradas pelo próprio Goya e a última conhecida é a 106.

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Italianos acreditam ter encontrado ossos de Caravaggio


Publicado no Correio Braziliense
17/06

Tela de Caravaggio: pesquisadores acreditam ter achado restos mortais do pintor.

Pesquisadores acreditam que descobriram os restos mortais do pintor italiano Caravaggio, 400 anos após sua morte.Após um ano de escavações e análises de ossos centenários, os pesquisadores disseram hoje que identificaram um conjunto de ossos que acreditam ser de Caravaggio, embora admitam que nunca poderão ter 100% de certeza. Eles acreditam que o pintor pode ter morrido de insolação, pois estava enfraquecido pela sífilis.
O conjunto de ossos – um fragmento da parte frontal do crânio, dois pedaços de mandíbula, um fêmur e um fragmento do osso sacro, que fica na base da coluna vertebral – foram exibidos em Ravenna, uma cidade do norte da Itália, onde a maioria das análises foi realizada. Dentro de uma caixa de acrílico, os ossos estão sobre uma almofada de seda vermelha.

Caravaggio morreu em Porto Ercole, cidade da costa da Toscana, em 1610. Aos 39 anos, ele fora um pintor de celebridade e levou uma vida desregrada com brigas de rua, bebedeiras e prostitutas. Seus últimos dias são cercados de mistério.

Indícios

O grupo de cientistas e historiadores fizeram escavações e estudaram os ossos encontrados em criptas de Porto Ercole e analisaram arquivos em busca de documentos sobre as atividades de Caravaggio. O grupo realizou testes de carbono 14, exames de DNA e de outros tipos, até separarem alguns dos fragmentos.

“Não pode haver certeza científica porque quando se trabalha com DNA antigo, ele está degradado”, disse Giorgio Gruppioni, antropólogo do grupo. “Mas apenas um conjunto de ossos encontrado apresenta todos os elementos necessários para ser de Caravaggio: idade, período no qual morreu, sexo e altura.”

A comparação de DNA foi realizada entre os ossos que foram identificados e os de possíveis parentes masculinos na pequena cidade no norte da Itália onde o pintor – cujo nome verdadeiro era Michelangelo Merisi – nasceu em 1571. Até onde se sabe, Caravaggio não teve filhos, portanto não teve descendentes diretos.

Gruppioni disse que eles identificaram uma combinação genética nas pessoas cujo sobrenome era Merisi ou Merisio. Como os ossos são velhos e o DNA está degradado, nem todas as características genéticas puderam ser confirmadas. Apesar disso, as evidências apontam para o pintor. Os ossos pertenceram a um homem que morreu entre 38 e 40 anos de idade por volta de 1610. Os ossos também apresentam alto nível de chumbo e outros metais associados à pintura. Sedimentos encontrados nos ossos também são compatíveis com as camadas mais profundas do terreno dentro da cripta – o nível onde os ossos foram depositados, disseram os pesquisadores.

Os ossos pertenceram a um homem robusto. Caravaggio, que tinha 1,70 metro de altura, era alto para os padrões de seu tempo. A causa da morte de Caravaggio tem sido alvo de muitas conjecturas, algumas alimentadas pela existência aventureira que o artista teve. As possibilidades levantadas por estudiosos vão de malária a sífilis até assassinato cometido por um dos vários inimigos que o pintor fez durante a vida.

Os pesquisadores acreditam que Caravaggio pode ter morrido de insolação, mas Gruppioni disso que isso não deixa traços nos ossos, embora não haja certeza científica. O projeto é encerrado no momento em que a Itália comemora 400 anos da morte de Caravaggio, lembrando-o como um artista revolucionário que mudou a história da pintura moderna.

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Gangues de pichadores desrespeitam até os trabalhos do projeto Picasso Não Pichava


Administrador e moradores queixam-se da impunidade e pedem ajuda da polícia

Luiz Calcagno
Publicação: 02/04/2010 08:30
do Correio Brasiliense

Muros de escola, placas de trânsito e de endereços, paradas de ônibus, marquises e até obras de arte: pouca coisa escapou das pichações em Sobradinho. A cidade, onde a grafitagem e as artes plásticas serviram como forma de combate à depredação, hoje está manchada de preto. A população trava uma luta contra os vândalos, que escrevem nomes e frases nas paredes. Moradores e comerciantes pintam os muros, os pichadores estragam e não adianta pintar em cima. De acordo com a Polícia Militar, a maior parte deles é menor de idade e está envolvida com gangues.

O funcionário do Hospital de Base Vilmar Gomes, 51 anos, morador da Quadra 1, já se rendeu. Desistiu de pintar o muro salmão em frente de casa e vai deixá-lo do jeito que está. Foram quatro tentativas de deixar a fachada bonita somente este ano. Ele conta que o vizinho derrubou o muro e colocou grades para fugir dos pichadores. “Quem faz isso, em geral, é menor. Isso é falta de pai e mãe. Para coibir essa atitude, precisamos de leis mais severas”, protestou.

A frase na parede lateral da Imobiliária Brito, na Quadra 2, diz: “Aplausos para o bom ladrão”. O local também já passou por diversas pinturas. Uma funcionária do estabelecimento, a auxiliar de escritório Raquel Vieira, 29, contou que os patrões pensam em cobrir a sujeira novamente, embora suspeitem que em pouco tempo estará tudo pichado mais uma vez. “Isso é falta de consciência. É preciso educar ou punir quem faz isso. Mudar a mentalidade das pessoas”, analisa.

No primeiro semestre de 2009, a Administração Regional de Sobradinho cedeu as paradas de ônibus para artistas plásticos e grafiteiros do programa Picasso Não Pichava(1), da Secretaria de Segurança Pública. Paisagens e artes descoladas enfeitaram os pontos. Mas as gangues não respeitaram e assinaram em cima. A professora Adriana Santana de Morais, 43, lamenta a atitude. “Sobradinho está horrivelmente pichada. É vandalismo e falta de educação. Quem faz esses estragos geralmente fica impune. As paradas estavam tão bonitas, mas já estragaram”, reclamou.

Combate tímido

O administrador de Sobradinho, Alexandre Yanez, garantiu que a instituição faz o possível para amenizar as pichações. Para ele, é preciso que a Polícia Militar também aperte o cerco contra as gangues que sujam as paredes e muros da cidade. “A pichação depreda o patrimônio. E o problema é bem maior do que parece. Eles começam pichando, mas isso pode desencadear algo pior. É demarcação de território. Dá briga, dá roubo para sustentar a prática”, avaliou.

O administrador pediu que pais que acompanhem de perto os filhos e orientem para que eles não entrem na atividade. Yanez admitiu ainda: a lei é pouco aplicada. E argumentou que a administração não tem poder de polícia. “Todo equipamento público pichado é fotografado. Em seguida, registramos ocorrência na delegacia. Revitalizamos na medida do possível, porque você pinta e, no dia seguinte, já sujaram novamente.”

Para o comandante do 13º Batalhão da Polícia Militar de Sobradinho, tenente coronel Paulo Roberto Maciel, lutar contra as pichações é dever de toda a sociedade. Ele alertou que moradores e comerciantes podem informar a polícia sobre as gangues, além de se mobilizar para educar os jovens que praticam a pichação. “Punir nem sempre corrige. É preciso um trabalho de responsabilidade social”, disse. “Fazemos a manutenção da ordem. Prendemos os maiores e apreendemos os adolescentes, mas, muitas vezes, os mais jovens acreditam que vão sair impunes. Além disso, a polícia não pode estar em todos os lugares”, admitiu.

1 – Resposta ao vandalismo

O programa comunitário Picasso Não Pichava foi desenvolvido pela Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) em 1999 e já atendeu a mais de 20 mil alunos do DF. O programa combate a pichação por meio de cursos de artes e ofícios, tais como serigrafia e informática básica. Os participantes também recebem palestras sobre prevenção de DST/Aids, uso abusivo de drogas, responsabilidade social e respeito ao meio ambiente, entre outras.

O que diz a lei

A Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, também chamada de Lei dos Crimes Ambientais, regula penas e multas para pessoas físicas ou jurídicas que causem dano ao meio ambiente. O artigo 65 da lei define: pichação também é crime e pode até dar cadeia. O texto prevê pena de detenção de três meses a um ano para quem depredar uma edificação urbana. A pena mínima pode aumentar para seis meses caso o prédio ou objeto artístico pichado se encontre em uma área tombada ou tenha valor artístico ou arqueológico. O valor da multa pode variar de R$ 1 mil a R$ 50 mil, dependendo do patrimônio danificado.

Reconhecendo o problema em casa

A Secretaria de Segurança traçou um perfil dos pichadores para que os pais possam detectar problemas dentro de casa. A ideia? Resolver questões em família, por meio do diálogo.

Descubra alguns aspectos a observar:

Materiais escolares/
Cadernos, provas, bonés e apostilas costumam ter a mesma marca de pichação usada nas ruas.

Horários
Pais devem ficar atentos aos horários dos filhos. A maioria dos pichadores age entre as 23h e as 3h.

Apelidos
Pichadores costumam utilizar apelidos exóticos. Entre amigos, chegam a substituir o nome pelo codinome.

Morador de rua é pichado em Porto Alegre

Do D’Incao: os pichadores, que tradicionalmente causam danos ao patrimônio público e particular, podem se vangloriar pelo fato de um colega gaúcho ter achado uma nova modalidade de destruição – de extremo mau gosto e humilhante, diga-se de passagem.

Veja reportagem da TV Bandeirantes:

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Chile Estyle


No link abaixo você pode assistir a um documentário sobre a cidade chilena de Valaparaiso, onde a cultura suburbana dos grafites, vinda da europe e, princiapalmente, dos Estados Unidos, está tomando conta dos jovens, se reinventando, e criando um estilo próprio que se apropria das manifestações culturais legítimas do espírito chileno.

O que é grafite?

Leia a definição e a história do grafite na Wilkipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Grafite_(arte)

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