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“Velha guarda” comunista pede fim da censura na China


13/10/2010 – 07h26

FOLHA DE SÃO PAULO
FABIANO MAISONNAVE
DE PEQUIM

Até o Primeiro Ministro? O premiê chinês, Wen Jiabao, é um dos que pedem o fim da censura.

Um grupo de 23 antigos membros do Partido Comunista chinês divulgou ontem uma carta aberta exortando o governo do país a abolir o aparato de censura.

Mas, assim como ocorreu com o anúncio da nomeação do dissidente chinês Liu Xiaobo ao Prêmio Nobel da Paz, o documento foi rapidamente retirado da internet.

“Por 61 anos, temos “servido como mestres” em nome dos cidadãos da República Popular da China. Mas a liberdade de expressão e de imprensa que temos é inferior até à liberdade confiada aos residentes da colônia de Hong Kong antes de seu retorno à soberania chinesa [em 1997]“, diz o documento, em alusão ao início do regime comunista, em 1949.

Os autores da carta, que incluem Li Rui, ex-secretário pessoal de Mao Tsé-tung, e Huang Jiwei, ex-editor do jornal do PCC “People’s Daily”, exortaram o governo a abolir a censura na internet, a abrir a discussão sobre os “erros” do partido e a privatizar dois jornais estatais como piloto de mídia independente.

O documento lembra que a liberdade de expressão é garantida pelo artigo 35 da Constituição chinesa, pelo qual “os cidadãos da República Popular da China desfrutam de liberdade de expressão, de imprensa, de assembleia, de associação, de marcha e de manifestação”.

FORA DO AR

Outra mudança defendida é a reforma dos “órgãos de propaganda” do governo para que deixem “de assistir funcionários corruptos a suprimirem e a controlarem histórias e passem a apoiar a mídia no monitoramento do partido e órgão do governo”.

O texto menciona e apoia ainda as surpreendentes declarações recentes do premiê chinês, Wen Jiabao, em favor de maior abertura, inclusive uma entrevista à CNN na qual afirmou que “os desejos e as necessidades da população por democracia e liberdade são irresistíveis”.

Apesar de divulgado ontem, quatro dias depois do Nobel ter sido concedido a Liu, o documento não menciona nem o dissidente político, condenado há 11 anos, nem o motivo de sua prisão: a chamada Carta 08, publicada em 2008 e assinada por 303 ativistas, que defende reformas democráticas e o fim do monopólio político do Partido Comunista Chinês.

O documento foi divulgado em sites chineses ontem de manhã e retirado do ar em seguida. Assim como a Carta 08, é praticamente impossível encontrá-lo na internet chinesa, que tem censurado notícias sobre Liu.

Ontem, o governo chinês continuou a criticar duramente a concessão do Nobel. Em entrevista coletiva, o porta-voz da Chancelaria Ma Zhaoxu disse que o prêmio está sendo usado “por alguns políticos de outros países para atacar a China”.

A mulher do agraciado com o prêmio, Liu Xia, continuou ontem impedida de receber jornalistas e amigos em sua casa, sob permanente vigilância policial.
Pequim voltou a dar sinais de que cumprirá a ameaça de retaliar diplomaticamente a Noruega, sede do comitê do Prêmio Nobel.

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Mídia chinesa alerta Japão sobre escalada na disputa por ilhas


Moderno navio da marinha chinesa patrulha o mar Amarelo.

20/09/2010 – 08h02

DA REUTERS
Publicado na Folha de São Paulo

A mídia chinesa advertiu o Japão nesta segunda-feira de que está se arriscando à intensificação de represálias do país por causa de uma disputa por águas territoriais e afirmou que muitos no país apoiam o uso da força militar para resolver a antiga reivindicação por pequenas ilhas nessa área.
O governo da China suspendeu no domingo o intercâmbio de alto nível com o Japão e ameaçou adotar “fortes contramedidas” caso um capitão de barco chinês capturado por Tóquio não seja liberado.
Um tribunal japonês decidiu estender até o dia 29 a prisão de Zhan Qixiong, capitão de um pesqueiro que colidiu no dia 7, com dois barcos da Guarda Costeira que tentaram interceptá-lo na região das ilhotas, conhecidas como Senkaku, no Japão. Apesar de as oito ilhas somarem somente 6,3 km2, há potencial para petróleo e gás.
“A China deveria ter um conjunto de planos para impor mais sanções ao Japão, conduzindo uma batalha diplomática com o Japão por meio de retaliações sucessivas”, diz em editorial o jornal “Global Times”, um tabloide popular com foco em assuntos internacionais.
O jornal também publicou uma pesquisa feita online, segundo a qual 96% disseram apoiar o uso da força militar para resolver a disputa sobre as ilhotas, chamadas de Diaoyu pela China e Senkaku pelo Japão.

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Em reação aos EUA e Seul, China começa cinco dias de exercícios militares aéreos


03/08/2010
Em reação aos EUA e Seul, China começa cinco dias de exercícios militares aéreos
DA REUTERS, EM PEQUIM
Folha de São Paulo

Submarino americano na costa da Coreia: China manobra exércitos como retaliação.

A China iniciou nesta terça-feira cinco dias de exercícios aéreos, mobilizando caças e milhares de soldados em meio a um cenário de crescente tensão diplomática e militar com os Estados Unidos.
O exercício “Vanguarda 2010″ ocorre nas Províncias de Henan (centro) e Shandong (leste), próximas ao Mar Amarelo, segundo a agência estatal de notícias Xinhua. Outra agência, a China News Service, disse que mais de 100 aeronaves do Exército, Aeronáutica e Marinha participam da atividade, disparando mísseis reais para simular a defesa de Pequim contra um ataque aéreo.
As manobras militares da China são interpretadas por analistas internacionais como uma clara reação aos exercícios conduzidos por Washington e Seul na península coreana, encerrados na última quarta-feira (28).
A operação “Espírito Invencível” foi centrada em ações antissubmarinos e contou com a participação do porta-aviões nuclear americano USS George Washington, 20 navios de guerra, 200 aviões de combate e 8.000 soldados.
Pequim queixou-se publicamente a respeito do exercício patrocinado pelos EUA e também manifestou-se contra os comentários de Washington sobre uma disputa territorial no Mar do Sul da China.
O Exército chinês, no entanto, negou que as manobras estejam relacionadas com qualquer manifestação de apoio ao regime da Coreia do Norte (aliado chinês) ou às tensões regionais provocadas pela movimentação EUA-Coreia do Sul.
“O objetivo é elevar as capacidades de combate nesta região militar e tornar efetivos os preparativos para o combate militar”, disse o general Zhao Zongqi, um dos responsáveis pela atividade, ao China News Service.
SEM ENSAIO
Segundo a agência, o exercício ocorre sem ensaio prévio, para que seja o mais realista possível, e envolverá sete tipos de aeronaves, inclusive helicópteros e aviões espiões.
A China tem ampliado os investimentos na sua Força Aérea, que agora está equipada com caças de origem russa Su-30 e Su-27, superiores aos F-16 usados por Taiwan, ilha autônoma que Pequim considera ser uma “província rebelde” da China e que insiste que tem de se unificar com a China continental, à força, se necessário.
A imprensa chinesa tem anunciado vários exercícios militares nas últimas semanas, inclusive de forças navais, fatos normalmente sigilosos.
A publicação Semanário Militar disse que, embora os exercícios sejam normais e a China não tenha intenção de “buscar hegemonia”, ela reagirá a eventuais agressões contra seus interesses.
“Embora os exercícios da China sejam discretos, eles passam um recado”, disse o artigo. “Se outras pessoas ameaçarem os nossos interesses, temos suficientes meios militares e métodos tecnológicos para contê-los.”
No mês passado, Pequim demonstrou indignação contra o exercício EUA-Coreia do Sul no Mar Amarelo (que também banha a China). A maior parte das manobras acabou sendo transferida para o Mar do Japão.
A China alegava que as manobras ameaçariam sua segurança e a estabilidade regional. Washington e Seul afirmavam que o objetivo dos exercícios era dissuadir a Coreia do Norte de eventuais agressões.
EUA-COREIA DO SUL
As manobras entre Seul e Washington foram encerradas na última quarta-feira (28), e foram uma “grande demonstração de força” para a Coreia do Norte, disse à imprensa uma autoridade do Estado-Maior Conjunto de Seul.
“Praticamos bem juntos e o Exército [sul-coreano] acredita que poderá dissuadir e derrotar uma agressão da Coreia do Norte em qualquer momento, graças a sua aliança com os Estados Unidos”, acrescentou.
Apesar das ameaças de represálias com seu poder nuclear por parte de Pyongyang, os exercícios foram realizados sem informações sobre qualquer incidente.
A Coreia do Sul e os Estados Unidos, baseando-se nos resultados de uma investigação internacional, acusam Pyongyang de ter afundado um navio de guerra sul-coreano, o “Cheonan”, no dia 26 de março próximo da fronteira marítima entre as duas Coreias, no Mar Amarelo. Quarenta e seis marinheiros sul-coreanos morreram. Pyongyang nega o ataque.
Coreia do Sul e EUA asseguraram que estas operações são de caráter defensivo, e informaram que devem realizar mais manobras conjuntas nos próximos meses na península coreana.
Segundo fontes militares da Coreia do Sul, os próximos exercícios conjuntos acontecerão em setembro no Mar Ocidental (Mar Amarelo).
REAÇÕES
Nos dias que antecederam as manobras entre Seul e Washington a China protestou criticando a introdução de equipamentos militares em larga escala no Mar Amarelo.
A Comissão Nacional de Defesa da Coreia do Norte prometeu lançar uma “guerra sagrada” contra os Estados Unidos e a Coreia do Sul a “qualquer momento que se faça necessário” em resposta às manobras e o país também ameaçou responder aos exercícios conjuntos no Sul por meio de uma “potente dissuasão nuclear”.

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Sanções contra o Irã são ‘bofetada na diplomacia dos emergentes’, diz jornal britânico


Imprensa estrangeira se divide sobre papel de Brasil e Turquia na questão

EUA mostram suas reais intenções: sabotar o Irã até as últimas consequências, que são a queda do regime ou a guerra.

Nota do D’Incao: Os donos da bola (no mau sentido)

O desenrolar do acordo arrancado a duras penas pelos governos brasileiro e turco com o Irã foi risível – para não dizer patético. Os americanos fizeram o papel daquele garoto que empresta a bola para todos os outros jogarem na rua, mas só até o jogo estar favorável a ele. Como segunda-feira a Turquia e o Brasil venceram, os americanos paralizaram o jogo e levaram a bola embora. E carregaram a China e a Rússia com eles, pelo mesmo motivo.

As sanções anunciadas na terça-feira contra o Irã demonstram que as intenções americanas são muito mais profundas do que aquilo que estava escrito no papel que Ahmadinejad assinou na madrugada de segunda. Os EUA querem mesmo é pressionar e sabotar a economia e o governo iranianos, até que o governo caia e o regime dos aiatolás seja substutuído por outro que reze e obedeça a cartilha do governo e das empresas de petróleo americanas.

obs: ler também “EUA anunciam acordo no Conselho da ONU para sanções contra Irã”; “Brasil e Turquia formalizam acordo nuclear com Irã em meio a ceticismo” e “Entenda a polêmica envolvendo o programa nuclear do Irã”, publicados neste site.





Publicado pela BBC Brasil

Um editorial do jornal britânico The Guardian afirma que a resolução proposta pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU prevendo sanções contra Teerã é uma “bofetada nos esforços de negociação” das potências emergentes.
O texto defende o acordo negociado na segunda-feira por Brasil e Turquia com o Irã. Para o jornal, o entendimento turco-brasileiro é “o mais perto que chegamos até agora do início de uma resolução” para a questão nuclear iraniana.
Por isso, diz o Guardian, “a proposta de resolução (promovida pelos EUA) pode ser interpretada como uma bofetada das grandes potências nos esforços de negociação de outros países. Mas, em um mundo multipolar, Barack Obama não pode simplesmente fazer isso.”
“A Turquia está emergindo como uma importante potência diplomática no Oriente Médio. Turquia e Brasil, o outro mediador do acordo, são membros não-permanentes do Conselho de Segurança e signatários do tratado de não-proliferação. O Japão, igualmente, compartilha o comprometimento de encontrar uma solução diplomática neste impasse com o Irã. Juntas, essas nações assumiram o papel de mediadores honestos abandonados pela Grã-Bretanha, a França e a Alemanha.”

Melindre
A questão suscitou artigos incisivos nesta quarta-feira em diversos jornais estrangeiros. Na França, o matutino Le Figaro se pergunta por que a manobra iraniana “uniu as grandes potências” em torno da resolução americana, incluindo países tradicionalmente contrários às sanções, como Rússia e China.
Chocados por uma diplomacia turco-brasileira tão desenvolta no conteúdo quanto na forma, os chineses e russos cederam (à proposta americana).
Análise, Le Figaro
“A realidade é que a Rússia e a China não gostaram nem um pouco que o Brasil e a Turquia se permitissem fazer um acordo nuclear com Teerã sem se dar ao trabalho de consultar Moscou e Pequim de antemão”, opina o jornal.
“Chocados por uma diplomacia turco-brasileira tão desenvolta no conteúdo quanto na forma, os chineses e russos cederam (à proposta americana).”
Já alguns dos principais jornais americanos fizeram duras críticas ao Brasil e à Turquia por patrocinar o acordo com o Irã.
O The New York Times aponta que ambos os países “estão ávidos para desempenhar um maior papel internacional” e “ávidos para evitar um conflito com o Irã”.
“Respeitamos estas ambições. Mas como todo mundo, eles foram manipulados por Teerã”, afirma o editorial, lembrando que desde 2006 o governo iraniano “desafia as reivindicações do Conselho de Segurança de suspender seu programa nuclear”.
Para o NYT, a nova resolução “provavelmente não é dura o suficiente para fazer Teerã mudar de ideia. Mas o fato de a Rússia e a China terem concordado deve gerar nervosismo entre alguns atores dentro do dividido governo iraniano.”
“Brasil e Turquia deveriam se unir às outras potências e votar a favor da resolução do Conselho de Segurança da ONU. Mesmo antes disto, deveriam voltar a Teerã e pressionar os mulás por um acordo crível e por negociações sérias.”

Ironia
Os EUA incentivaram a diplomacia de Lula como uma maneira de angariar apoio para uma resolução de sanções na ONU. Em vez disso, Lula usou a abertura para triangular sua própria solução diplomática.

Editorial, The Wall Street Journal
Mais incisivo, o diário americano Wall Street Journal diz que o governo brasileiro aproveitou a boa vontade de Washington para entrar na negociação iraniana e “triangular sua própria solução diplomática”. Para o diário financeiro, o acordo de Brasil e Turquia com o Irã foi um “fiasco” para a diplomacia Obama.
“O governo tentou se recuperar rapidamente anunciando, no dia seguinte, que havia chegado a um acordo com a Rússia e a China para sanções na ONU”, afirma o editorial. O jornal diz que esta situação é um “fracasso” diplomático, que deve ser “totalmente creditado à estratégia diplomática infeliz do governo Obama”.
“O duplo constrangimento é que os EUA incentivaram a diplomacia de Lula como uma maneira de angariar apoio para uma resolução de sanções na ONU. Em vez disso, Lula usou a abertura para triangular sua própria solução diplomática. Assim, em vez de EUA e Europa colocarem o Irã contra a parede, foi Ahmadinejad quem colocou Obama no canto.”
Para o jornal, a política de “mão estendida” para o Irã resultou em que o Irã está hoje menos isolado diplomaticamente, e mais perto de desenvolver uma bomba atômica.
“Israel terá de considerar seriamente suas opções militares. Tal confrontação é muito mais provável hoje graças ao presidente americano, cujo principal sucesso diplomático foi convencer os vilões de que lhe falta determinação para conter suas ambições destrutivas.”

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Os Bric: pensando no futuro


Enquanto alguns dos principais países deixavam prosperar excessos especulativos, os Bric promoveram crescimento focado no trabalho e na prudência
16 de abril de 2010 | 0h 00

Luiz Inácio Lula da Silva – O Estado de S.Paulo

Presidente da Índia, Rússia, China e Brasil: Lula tem razão no texto, mas os BRICs podem pleitear mais.

Leia antes

Nota do D’Incao Instituto de Ensino

A imprensa marrom se adiantou a dizer que o encontro entre China, Brasil, Índia e Rússia de nada valia, pois os países teriam interesses divergentes quando os EUA e os interesses da Europa entravam no jogo. Mesmo assim, um encontro com quatro países em desenvolvimento, exportadores de tecnologia, que ocupam uma considerável área do planeta e que, juntos, possuem metade da população do planeta, não é de se jogar fora. Mesmo para a Veja.

O grupo Bric nasceu há dez anos como uma mera sigla. Identificava um grupo de países que começava a transformar a realidade global.
Essas mudanças começam pelo fato de que, juntos, Brasil, Rússia, Índia e China já contribuem com 15% do PIB mundial. Somos países onde tudo é em grande escala. Representamos quase metade da população mundial, 20% da superfície terrestre e possuímos recursos naturais abundantes.
Somos, sobretudo, nações conscientes de nosso potencial como agentes de renovação. Por isso, os Bric já não são apenas um conjunto de letras. São uma referência incontornável na tomada das principais decisões internacionais. Estamos unindo esforços e coordenando posições para propor uma discussão mais transparente e democrática dos desafios que defrontam a humanidade como um todo.
É esta a mensagem que o Brasil levará à segunda reunião em nível presidencial dos Bric, que se realiza, no próximo dia 16 de abril, em Brasília. Apostamos numa articulação diplomática criativa e pragmática.
Já demonstramos nosso compromisso com o enfrentamento de desafios globais como os da segurança alimentar e da produção de energia no contexto das ameaças da mudança climática.
Mas o verdadeiro batismo de fogo do grupo ocorreu durante a crise global. A sólida reação dos quatro países à derrocada econômica do mundo desenvolvido abriu alternativas, por distintos caminhos, aos surrados dogmas herdados de ontem.
A recessão global não diminuiu o peso dos Bric – muito pelo contrário.
Propusemos estratégias coletivas para superar a crise e dar aos países em desenvolvimento um peso compatível na agenda internacional.
O colapso dos mercados financeiros é sintomático da falência de paradigmas antes tidos como inquestionáveis. Desabaram as verdades sobre a desregulamentação dos mercados. Ruiu o ideal do Estado mínimo.
A flexibilização dos direitos trabalhistas deixou de ser um mantra para combater o desemprego. Quando despencaram todas essas ortodoxias, foi a mão visível do Estado que protegeu o sistema econômico do colapso criado pela mão invisível do mercado.
Enquanto alguns dos principais países deixavam prosperar excessos especulativos, os Bric promoveram crescimento focado no trabalho e na prudência. No Brasil, nunca perdemos de vista o imperativo de enfrentar a desigualdade social. Como resultado, desde 2003, 20 milhões de brasileiros deixaram a pobreza e ganharam os direitos da cidadania plena.
No G-20, propomos saídas para a crise apoiadas em políticas anticíclicas, regulação dos mercados, combate aos paraísos fiscais e renovação das instituições de Bretton Woods.
Não podemos deixar que os sinais incipientes de recuperação da economia mundial sirvam de pretexto para abandonar os compromissos de reforma dessas organizações. Os membros do Bric não injetaram quase US$ 100 bilhões no FMI para que tudo ficasse como antes.
Seguiremos defendendo a democratização do processo multilateral de tomada de decisão. Os países pobres e em desenvolvimento têm o direito de serem ouvidos. Reduzir o fosso que os separa dos países ricos não é só questão de justiça. Disso depende a estabilidade econômica, social e política mundial. É nossa melhor contribuição para a paz.
Os recursos necessários para superar a fome e a pobreza são volumosos, mas modestos, quando comparados ao custo de resgatar bancos falidos e instituições financeiras vítimas de sua ganância especulativa. Não adianta oferecer alimentos e caridade, se não ajudarmos os países a realizar seu potencial econômico e agrícola.
Mesmo esses esforços estruturantes serão insuficientes para reverter a insegurança alimentar que aflige centenas de milhões enquanto persistir a distorção do comércio agrícola mundial. Os subsídios abusivos dos países ricos desestimulam a produção local, fomentam a dependência e desviam recursos melhor aplicados em programas de desenvolvimento. Por isso, é inadiável a conclusão da Rodada Doha.
Em nenhum tema o impasse negociador é tão grave quanto na questão ambiental. Por isso, os Bric estão empenhados em ajudar a fechar o acordo que faltou em Copenhague. Reduzir os gases de efeito estufa e manter o crescimento robusto nos países em desenvolvimento requer que todos façam sua parte, como vêm demonstrando os Bric com iniciativas ambiciosas para mitigar suas emissões.
Por isso, os grandes poluidores históricos têm um encargo especial. O equilíbrio que o Protocolo de Kyoto estabelece é indispensável para podermos avançar juntos.
O cenário internacional está repleto de antigos problemas, ao mesmo tempo em que despontam novas ameaças. Nem os membros do Bric, nem qualquer outro país, tem condições de enfrentá-los isoladamente. O unilateralismo nos levou no passado a impasses, quando não a catástrofes humanas, como a do Iraque.
Dependemos cada vez mais uns dos outros. É imprescindível forjar uma governança global mais representativa e transparente, capaz de inspirar unidade de propósito e revitalizar a vontade coletiva em busca de soluções consensuais. Os Bric cumprirão com suas responsabilidades nessa caminhada.

Nota do D’Incao Instituto de Ensino

A imprensa marrom se adiantou a dizer que o encontro entre China, Brasil, Índia e Rússia de nada valia, pois os países teriam interesses divergentes quando os EUA e os interesses da Europa entravam no jogo. Mesmo assim, um encontro com quatro países em desenvolvimento, exportadores de tecnologia, que ocupam uma considerável área do planeta e que, juntos, possuem metade da população do planeta, não é de se jogar fora. Mesmo para a Veja.

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