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Síria prende opositor após entrevista; milhares protestam nas ruas


20/04/2011 – 12h37

O presidente da Síria e a primeira-dama: se não flexionar o regime, Al Assad certamente cairá.

Folha de São Paulo
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O opositor sírio Mahmud Issa foi detido na cidade de Homs (centro), no momento em que se aguarda para esta quarta-feira a suspensão do estado de emergência em vigor na Síria desde 1963 –uma das principais reivindicações do movimento de protesto iniciado há mais de um mês.
Também hoje, milhares de estudantes protestaram na Síria contra o regime autoritário que vigora no país, exigindo que o ditador Bashar al Assad cumpra as declarações feitas sobre uma possível reforma do país. Rebeldes também prometeram “uma grande demonstração” nesta quarta-feira.
Já o opositor Mahmud Issa foi detido na noite de terça-feira, depois de conceder uma entrevista ao canal Al-Jazeera, informou o presidente do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdel Rahman.
Mahmud Issa ficou detido de 1992 a 2000 por integrar o Partido do Trabalho (comunista, proibido) e de 2006 a 2009 por ter assinado um texto Damasco-Beirute que pedia um Líbano soberano e independente.
Na entrevista, o opositor citou a morte do general Abdo Jodr al-Telawi na região de Homs. Ele afirmou ignorar a identidade do assassino e pediu uma investigação sobre o crime, segundo Abdel Rahman.
A agência oficial Sana e os jornais estatais afirmaram na terça-feira que “grupos de criminosos armados que bloqueiam as estradas e espalham o medo surpreenderam o general Abdo Jodr al-Telawi, seus dois filhos e um sobrinho, que foram assassinados a sangue frio em Homs”.
Desde o início dos protestos em 15 de março na Síria, o regime acusa “grupos armados criminosos” de terem iniciado a violência.
Segundo o jornal “Al Watan”, ligado ao governo, o presidente Bashar al-Assad tinha previsto publicar nesta quarta-feira o decreto de suspensão do estado de emergência, que limita as liberdades públicas.
Esta é uma das principais reivindicações do movimento de protesto no país, que ganhou força nos últimos dias.
O estado de emergência está em vigor desde a chegada ao poder do partido Baath em 1963. Assad prometeu no sábado passado que a medida seria revogada em uma semana no máximo.
A lei de emergência impõe restrições à liberdade de reunião e de deslocamento e permite a detenção de suspeitos ou pessoas que ameacem a segurança.
O governo também anunciou na terça-feira que aboliria a Corte de Segurança do Estado, assim como a lei que regulamente o direito de manifestação.
A Anistia Internacional expressou satisfação com os anúncios e pediu a Assad uma ação imediata e concreta para que acabar com a onda de assassinatos de militantes opositores pelas forças de segurança.
Mas Assad, que chegou ao poder no ano 2000, após a morte do pai Hafez, também afirmou que não aceitaria mais novas manifestações.
Mais de um mês depois do início dos protestos, as manifestações se tornaram mais radicais e passaram dos pedidos por reformas a exigências pela queda do regime.
PROTESTOS
Pelo menos 200 pessoas foram mortas desde o começo dos protestos contra a ditadura na Síria.
Hoje, 4.000 estudantes universitários de Daara e regiões próximas protestaram perto da cidade al-Omari Mosque.
Ativistas disseram também que dezenas de estudantes protestaram hoje na Universidade Aleppo, parte norte do país. Houve confronto no campus entre estudantes favoráveis e contrários ao regime. Não há, no entanto, registro de mortos ou feridos.

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Chefe da polícia do Equador renuncia após rebelião nacional, diz porta-voz


01/10/2010 – 08h52

O presidente do Equador, Rafael Correa Delgado, que foi mantido refém pela polícia.

FOLHA DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O comandante da polícia nacional do Equador, general Freddy Martínez, renunciou ao cargo após os episódios desta quinta-feira, informou o porta-voz da polícia Richard Ramirez à agência Associated Press. Uma rebelião de policiais levou o caos ao Equador durante todo o dia de ontem. O presidente, Rafael Correa, ficou isolado em um hospital por quase 12 horas e só foi liberado no início da madrugada de hoje. Para levá-lo de volta ao palácio presidencial, o Exército do Equador e policiais rebelados entraram em confronto e houve troca de tiros.
O anúncio da renúncia deve ser oficializada à imprensa nesta sexta-feira, segundo o porta-voz da corporação.
Em discurso após ser resgatado, Correa afirmou que fará uma “limpeza profunda na polícia nacional” e que “não haverá perdão, nem esquecimentos”.
As intensas manifestações desta quinta no país foram motivadas por uma proposta do governo que reduz benefícios salariais das forças de segurança e que está em votação na Assembleia Nacional. Em reação ao amplo protesto de policiais e de parte dos militares, o Equador decretou estado de exceção por uma semana em todo o território nacional e delegou o policiamento e a segurança interna e externa do país às Forças Armadas.
O estado de exceção pode ser decretado pelo líder de um país em situações de emergência. A medida extrema inclui a suspensão temporária das garantias constitucionais, a possibilidade de decretar o toque de recolher e dá às Forças Armadas amplos direitos –como o de voz de prisão– para garantir a segurança nacional.
Centenas de agentes das forças de segurança do Equador saíram às ruas de Quito e ao menos outras duas cidades em um protesto em massa contra a lei do governo. O aeroporto foi fechado e suas operações canceladas após uma pista ser tomada por cerca de 120 militares que estariam apoiando os protestos –a cúpula militar, porém, reiterou estar ao lado do presidente. A imprensa equatoriana afirma que policiais chegaram a invadir a sede do Congresso.
O policial Froilán Jiménez, do GOE (Grupo de Operações Especiais), que apoiava o governo, morreu no conflito e outros 27 soldados ficaram feridos. De acordo com o governo, um civil também morreu e outros 50 ficaram feridos.
RESGATE
O presidente Rafael Correa permaneceu isolado por quase 12 horas em um hospital da polícia em Quito, e disse que se sentia “sequestrado” pelos manifestantes. Na noite de quinta-feira, o Exército do Equador realizou uma operação de resgate, que foi transmitida ao vivo por canais de TV internacionais. Houve troca de tiros com os policiais rebelados, que impediam a saída do presidente do local.
Os militares conseguiram romper o bloqueio e entrar no prédio. Correa foi retirado, vestindo uma máscara antigás e um capacete, e sentado em uma cadeira de rodas devido à cirurgia que fez no joelho há pouco mais de uma semana. O carro que o transportou até o palácio foi atingido por quatro disparos de fuzil, segundo a agência local Andes. O presidente foi levado ao palácio do governo, sob forte escolta militar, onde foi recebido por ministros e iniciou longo discurso para centenas de populares que se aglomeram com bandeiras nas cores do país.
Correa foi encaminhado ao hospital mais cedo, atingido por gás lacrimogêneo, depois tentar conter os protestos no principal quartel da capital. Em entrevista por telefone, ele tinha dito que não autorizava uma operação para resgatá-lo do local –onde estaria “refém” dos manifestantes– porque queria “evitar derramamento de sangue” no país.
“Saio daqui como presidente ou como cadáver. Eu não vou assinar nada sob pressão, não vou esmorecer, antes morto que perder a vida”, disse ele em entrevista a TV, acrescentando que se reuniu com três comissões dos policiais rebelados e anunciou a eles a sua intenção.
ACUSAÇÕES
Em discurso na sacada do Palácio de Carondelet, Correa acusou os policiais equatorianos rebelados de sequer terem lido a lei contra a qual estavam protestando, e de terem sido manipulados por membros da oposição para “sequestrar seu comandante e atacar a seus cidadãos”.
“Ninguém fez mais pela polícia, ninguém melhorou tanto o salário deles. Quando vi tanta agressividade, me senti profundamente triste, como uma punhalada no peito”, disse Correa ao cumprimentar os simpatizantes que o esperavam junto à sede do Executivo. “Mas não era toda a polícia.” Correa acusou o levante de ter sido provocado por policiais infiltrados a serviço do ex-presidente Lucio Gutiérrez e contra sua “revolução cidadã”.
Gutierrez negou qualquer participação. “Minhas primeiras palavras são para rejeitar as covardes, falsas e temerárias acusações do presidente Correa”, disse Gutiérrez, que está no Brasil e foi convocado pela Procuradoria por sua “suposta tentativa de assassinato contra Correa”.
“A irresponsabilidade de Rafael Correa acelerou todo este clima de incerteza no Equador; o único que quer acabar com seu mandato antes da hora é o próprio Correa”, disse o ex-presidente.
O representante do Ministério Público, Washington Pesantez, afirmou ao jornal “El País” que irá investigar “a conspiração de fora da sede do governo” que levou à revolta.

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Mídia chinesa alerta Japão sobre escalada na disputa por ilhas


Moderno navio da marinha chinesa patrulha o mar Amarelo.

20/09/2010 – 08h02

DA REUTERS
Publicado na Folha de São Paulo

A mídia chinesa advertiu o Japão nesta segunda-feira de que está se arriscando à intensificação de represálias do país por causa de uma disputa por águas territoriais e afirmou que muitos no país apoiam o uso da força militar para resolver a antiga reivindicação por pequenas ilhas nessa área.
O governo da China suspendeu no domingo o intercâmbio de alto nível com o Japão e ameaçou adotar “fortes contramedidas” caso um capitão de barco chinês capturado por Tóquio não seja liberado.
Um tribunal japonês decidiu estender até o dia 29 a prisão de Zhan Qixiong, capitão de um pesqueiro que colidiu no dia 7, com dois barcos da Guarda Costeira que tentaram interceptá-lo na região das ilhotas, conhecidas como Senkaku, no Japão. Apesar de as oito ilhas somarem somente 6,3 km2, há potencial para petróleo e gás.
“A China deveria ter um conjunto de planos para impor mais sanções ao Japão, conduzindo uma batalha diplomática com o Japão por meio de retaliações sucessivas”, diz em editorial o jornal “Global Times”, um tabloide popular com foco em assuntos internacionais.
O jornal também publicou uma pesquisa feita online, segundo a qual 96% disseram apoiar o uso da força militar para resolver a disputa sobre as ilhotas, chamadas de Diaoyu pela China e Senkaku pelo Japão.

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Saldo de mortos no Quirguistão pode chegar a 2.000, diz governo


Prática muçulmana de entrerrar mortos pode dificultar a contagem do governo
18 de junho de 2010
O Estado de S. Paulo

Polícia se protege de manifestantes em Bishkek, capital do Quirguistão.

OSH – O número de mortos devido aos distúrbios étnicos que sacudiram o sul do Quirguistão poderia chegar a quase 2.000, disse nesta sexta-feira, 18, a presidente interina do país enquanto realizava sua primeira visita a um povoado seriamente afetado pelos conflitos.
As cifras do Ministério da Saúde do Quirguistão apontaram que o número de falecidos em conflitos organizados sobretudo por grupos quirguizes chegam a 191.
“Eu aumentaria dez vezes os números oficiais de mortos”, disse a presidente interina Roza Otunbayeva, segundo seu porta-voz Farid Niyazov. A mandatária apontou que as cifras atuais não levam em conta aqueles enterrados no mesmo dia em que morreram, tal como indicam as tradições muçulmanas locais, disse o oficial.
Por outro lado, as Nações Unidas anunciaram que um milhão de pessoas poderiam precisar de ajuda no país.
As agências de ajuda da ONU e a Organização Mundial da Saúde anunciaram que a cifra de um milhão de pessoas no Quirguistão e Usbequistão inclui um potencial número de refugiados, deslocados internos e outros que sofreram de uma forma ou outra com os distúrbios.
Christiane Berthiaume, porta-voz de UNICEF, disse que o número é uma estimativa para ajudar as agências a planejar a quantidade de ajudar necessária para preparar. Indicou que o número de pessoas que necessita de ajuda poderia ser mais alto ou mais baixo que um milhão.
Centenas de milhares de usbeques fugiram da zona afetada pelos conflitos.
O vice-secretário de Estado americano, Robert Blake, visitou nesta sexta-feira um campo de refugiados no Usbequistão, a uns cinco quilômetros da fronteira com o Quirguistão. Pediu uma investigação dos episódios de violência e disse que estava trabalhando para que os refugiados regressem as suas casas de forma segura.
Otumbayeva chegou na sexta-feira de helicóptero à praza central de Osh, uma cidade de 250.000 habitantes. Várias parte da cidade foram destruídas por grupos de homens quirguizes que queimaram casas de usbeques e atacaram seus negócios em episódios de violência que começaram no final da semana passada.
“Temos que dar esperança para restaurar a cidade, para que regressem todos os refugiados e criar todas as condições para isso”, indicou.
Insistiu que a boa vontade entre quirguizes e usbeques poria fim às hostilidades.
A ONU calcula que 400.000 personas fugiram do sul do país depois que quirguizes mataram centenas de usbeques.
Até 100.000 pessoas cruzaram a fronteira com o Usbequistão, onde recebem alimentos e água em campos de refugiados. Outras centenas de pessoas permanecem acampadas no lado quirguiz da fronteira, já que não lhes foi permitido cruzar.

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EUA lamentam ataque de Israel contra frota humanitária


31/05/2010

DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON

Um dos barcos da organização humanitária Free Gaza: Turquia pede explicações de Irael.

Nota do D’Incao

Por Luís Paulo Domingues

O assassinato de 16 (a imprensa corrigiu o número anterior (10)) pessoas durante a tentativa de romper o isolamento de Gaza, por parte de um comboio humanitário, coloca mais uma vez em xeque os clamores de Israel contra o Irã e o “radicalismo” muçulmano. Durante as duas últimas semanas, aproveitando o impasse criado pela assinatura do acordo entre Irã e OIEA (organização internacional de energia atômica) – que foi intermediado por Turquia e Brasil -, imprensa e governos de todo o mundo manifestaram-se sobre o perigo de o Irã não cumprir o acordo. Os Estados Unidos e Israel fizeram mais: desqualificaram o acordo, declarando que as reais intenções do país asiático era ganhar tempo e evitar sanções econômicas que os próprios Estados Unidos empurrariam goela abaixo da ONU e de outras organizações internacionais.

Com os assassinatos de hoje de manhã, Israel coloca-se numa situação péssima para argumentações referentes à segurança mundial – foco de todas as questões no Irã. Como um país que abre fogo contra um comboio de barcos que leva comida, roupas e remédios para uma população que está isolada a força (por Israel) pode falar sobre o assunto?

A Casa Branca vai ter muito trabalho hoje para limpar a sujeira de seu eterno aliado perante a opinião pública.


Os Estados Unidos expressaram lamentação pelo ataque do Exército de Israel à “Frota da Liberdade”, um comboio de seis navios que entregariam ajuda humanitária à Gaza, e indicaram que uma investigação deve apurar os detalhes da ação militar.

“Os EUA lamentam profundamente a perda de vidas humanas e o saldo de feridos, e neste momento tentam entender as circunstâncias
em que esta tragédia ocorreu”, sinalizou o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton.

O Exército de Israel atacou na madrugada desta segunda-feira (31) um comboio de barcos organizado pela ONG Free Gaza, um grupo de seis navios, liderados por uma embarcação turca, que transportava mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a faixa de Gaza, deixando ao menos 10 mortos e cerca de 30 feridos.

Veja vídeo
Jim Hollander/Efe
Barco israelense escolta navio da ONG Free Gaza após ataques contra a frota de ajuda humanitária
Barco israelense escolta navio da ONG Free Gaza após ataques a frota de ajuda humanitária

O grupo tentava furar o bloqueio de Israel à entrega de mercadorias aos palestinos. De acordo com a imprensa turca o ataque ocorreu em águas internacionais, mas as forças de defesa de Israel mantêm que as embarcações tinham invadido seu território.

A imprensa turca mostrou imagens captadas dentro do navio turco Mavi Marmara, nas quais se viam os soldados israelenses abrindo fogo. Em Istambul cerca de 10 mil pessoas protestaram contra os ataques.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos devido ao ataque israelense à “Frota da Liberdade”.

Em comunicado emitido na cidade cisjordaniana de Ramala através da agência oficial palestina “Wafa”, Abbas não anunciou, no entanto, uma interrupção do diálogo indireto de paz que mantém com Israel.

Reação internacional

O ataque motivou forte reação na comunidade internacional. A Turquia já pediu à ONU (Organização das Nações Unidas), uma reunião urgente sobre o tema.

A alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, se manifestou, e em seu discurso na abertura da 14ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU disse estar “comovida” com as informações do ataque, que provocou “mortos e feridos”.
Thanassis Stavrakis/AP
Na Turquia, cerca de 10 mil pessoas protestaram contra o ataque de Israel
Na Turquia, cerca de 10 mil pessoas protestaram contra o ataque de Israel

Pillay, além disso, destacou seu “profunda preocupação” com as ordens militares recentemente impostas em Israel em relação a Gaza.

“Na faixa de Gaza, o bloqueio continua menosprezando diariamente os direitos humanos de seus cidadãos. Houve muitos poucos avanços na quantidade de produtos que se permite entrar na região. A situação atual está longe de permitir que os cidadãos de Gaza levem uma vida normal e digna”, acrescentou a alta comissária, que também reiterou sua condenação ao lançamento de mísseis de Gaza a Israel.

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