Tag Histórico | "Egito"

Tags: ,

Ex-ditador do Egito é proibido de sair do país, diz TV


28/02/2011 – 08h43

Vista de resort em Sharm-el-sheik, paraíso dos afortunados egípcios, onde Mubarak está.

Folha de São Paulo

A emissora de TV estatal do Egito afirmou nesta segunda-feira que o promotor-geral do país, Abdel Meguid Mahmud, proibiu o ex-ditador Hosni Mubarak e sua família de viajarem ao exterior e afirmou que todos os seus bens estão “apreendidos”.
A ação é a última medida adotada contra a família Mubarak. No último dia 20, o promotor havia pedido que fossem congelados os bens do ex-ditador e de sua família no estrangeiro.
Antes, o Egito já havia pedido ao Reino Unido que congelasse os bens dos ex-dirigentes egípcios, segundo o ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague.
Mubarak renunciou no último dia 11 após quase 30 anos de um governo de mão de ferro.
O povo celebrou com gritos, bandeiras e canções a saída do ditador de 82 anos, após 18 dias de intensos protestos populares que chegaram a reunir mais de 1 milhão em todo país.
Nascido em 1928 no Delta do Nilo, Mubarak ascendeu na Força Aérea como piloto de combate. Em 1973, liderava as Forças Aéreas na guerra de Yom Kippur com Israel.
Ele ficou no cargo por mais dois anos, quando o então presidente, Anuar El Sadat, o nomeou como vice. Mubarak assumiu a Presidência quando islamitas mataram a tiros El Sadat, em um desfile militar em 1981. O ex-comandante da Força Aérea provou ser um líder muito mais durável do que qualquer um imaginava na época.
Após renunciar, ele entregou o poder a um conselho de militares, e acredita-se que agora ele vive com sua família, em reclusão, no resort de Sharm el Sheikh, no mar Vermelho.

Popularity: 5% [?]

Postado emAtualidadesComments (0)

Tags: , , ,

Liberdade e revolução


Pelotão de fuzilamento iraniano em ação, em 1979, logo após a revolução que derrubou a ditadura do Xá.

JOÃO PEREIRA COUTINHO*

NADA COMO uma boa revolução para deslumbrar os deslumbrados. Sempre foi assim.
Em 1789, a França abria um novo capítulo na história do mundo e um jovem parlamentar francês, Charles-Jean-François Depont (1767-1796), escrevia ao seu amigo Edmund Burke (1729-1797), o parlamentar irlandês que fora decisivo na causa independentista dos colonos americanos.
Na sua missiva, Depont fazia uma pergunta retórica: Burke aprovava a queda da Bastilha e a nova era de liberdade que prometia banhar a França e a Europa? A pergunta era retórica porque Depont estava convencido de que sim: quem, em juízo perfeito, se opõe à “liberdade”?
A resposta de Burke está contida em “Reflexões sobre a Revolução em França” (1790), obra singular na história do pensamento político. E pode ser resumida numa única palavra: depende.
A “liberdade”, em abstrato, é um valor inestimável, responde Burke. Mas, na prática, será que somos capazes de festejar a “liberdade” de um louco que abandona a cela pronto para aterrorizar a vizinhança?
A metáfora de Burke é demolidora precisamente porque dinamita a “política de abstração” dos revolucionários franceses. Contra esses valores, Burke faz uma apologia do ceticismo e da prudência: o fato de derrubarmos um governo opressivo não significa necessariamente que o próximo será melhor.
Os jornalistas ocidentais que viajaram para o Cairo nunca leram Burke. E pouco sabem sobre a história das revoluções na era moderna: na França, Rússia e, claro, no Irã.
O caso iraniano é particularmente importante porque existem semelhanças de comportamento nos observadores ocidentais: em 1979, o Irã enterrava uma monarquia opressiva e corrupta e a “intelligentsia”, com igual idealismo, olhava para o exilado Khomeini como “o Gandhi da Pérsia”.
Escusado será dizer que Khomeini não foi o Gandhi da Pérsia, antes, o patrono de uma teocracia violenta que hoje treina e financia grupos terroristas como o Hamas, em Gaza, e o Hizbollah, no sul do Líbano.

Isso significa que o caminho do Egito será o do Irã três décadas atrás?
Ninguém sabe. Ou, como diria Burke, depende. E esse desconhecimento deveria refrear o entusiasmo infantil que a imprensa e a televisão despejam sobre nós.
Para começar, o Egito não parece ter condições materiais, culturais ou institucionais para garantir uma democracia liberal, respeitadora dos direitos individuais e, fato crucial, em que a religião não domine a vida política e imponha as suas regras.
Pelo contrário: o único partido da oposição a Mubarak organizado e disciplinado -a Irmandade Muçulmana- não garante esse quadro “democrático” e “liberal”. Basta olhar para o Hamas em Gaza.
Por último, é importante recordar o básico: não existem democracias sem democratas. Anne Applebaum, uma especialista na história do comunismo, escrevia recentemente na “Spectator” que os povos que desejavam a libertação do regime comunista na Europa do Leste identificavam-se com o modelo democrático ocidental.
Ler os textos políticos de Václav Havel ou Lech Walesa é encontrar apologias expressas a uma liberdade tutelada pela lei em que a dignidade da pessoa humana e a iniciativa individual são respeitadas.
Não existe nenhum Václav Havel ou Lech Walesa no Egito de hoje. E é, no mínimo, aberrante que os jornalistas e comentadores ocidentais confundam os milhares de manifestantes da praça Tahir -muitos deles genuínos democratas- com os 80 milhões de egípcios que estão longe, muito longe, desse tipo de cosmopolitismo.
Segundo as pesquisas conhecidas, realizadas pelo conhecido Pew Research Center, em 2010, a maioria dos egípcios deseja uma maior participação do Islã na vida política, não olha para a democracia com grande entusiasmo e até apoia esmagadoramente os preceitos penais mais bárbaros da sharia.
O Egito livrou-se de um ditador. Mas é possível e provável que o futuro seja pior -para o Egito, o Oriente Médio e para nós, ocidentais.
É por isso que, nos delírios românticos dos últimos dias, a única coisa sensata foi dita pelo vice-presidente Omar Suleiman na sua comunicação ao país. Disse ele: “Espero que Deus nos ajude”.
Nem mais. Só Deus, agora, pode ajudar o Egito.

Popularity: 9% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, Filosofia, Geografia, HistóriaComments (0)

Tags: , ,

Após Egito, iemenitas voltam às ruas para exigir renúncia


12/02/2011 – 13h54

Sanaa, a capital do Iêmen: palco da revolta árabe se desloca para a penísula arábica.

DA BBC BRASIL
Publicado na Folha de São Paulo

Milhares de pessoas foram neste sábado às ruas da capital do Iêmen, Sanaa, exigindo que o presidente do país, Ali Abdullah Saleh, deixe o cargo, em mais um ato inspirado pela onda de protestos que derrubou o governo do Egito.
Os ativistas, que pediam uma revolução no país árabe, chegaram a entrar em confronto com um grupo favorável ao presidente, em frente à Universidade de Sanaa. Há relatos de que as forças de segurança também se envolveram no enfrentamento.
No último dia 2, Ali Abdullah Saleh –que está no poder do Iêmen unificado desde 1990– afirmou que não irá tentar estender o seu mandato, que termina em 2013, em meio aos protestos pró-democracia no mundo árabe.
Mesmo assim, um dia depois, mais de 20 mil manifestantes foram às ruas de Sanaa pedindo a renúncia imediata do presidente.
Em janeiro, Saleh propôs uma emenda constitucional que permitiria sua reeleição no pleito previsto para 2013. Isto deu início a uma onda de manifestações, exigindo um governo mais democrático e reformas que melhorem a situação econômica do país.
O governo de Saleh enfrenta acusações de corrupção e de concentração de poder em torno de seu clã. O partido governista, o Congresso Geral do Povo, tem ampla maioria no Parlamento.
ALIADO OCIDENTAL
Ali Abdullah Saleh assumiu a Presidência da República Árabe do Iêmen (ou Iêmen do Norte) em 1978, por meio de um golpe militar. Em 1990, ele tornou-se presidente da nova república, criada a partir a fusão entre os Iêmens do Norte e do Sul.
Saleh colaborou com os Estados Unidos na chamada guerra ao terror, durante o mandato de George W. Bush. A grande presença de militantes da rede Al Qaeda, que ameaça frequentemente o regime, é uma das maiores preocupações do governo.
As duas eleições que Saleh venceu –em 1999 e 2006– foram marcadas por acusações de fraude por parte da oposição.

Popularity: 7% [?]

Postado emAtualidades, Geografia, HistóriaComments (0)

Tags: , ,

Após 30 anos no poder, ditador Hosni Mubarak renuncia no Egito


11/02/2011 – 14h03

O ditador egípcio Hosni Mubarak renunciou depois de 30 anos no poder.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Folha de São Paulo

Após 18 dias de intensos e violentos protestos que tomaram diversas cidades do Egito, o ditador Hosni Mubarak, 82, renunciou ao poder depois de comandar uma ditadura com mão de ferro durante 30 anos. O anúncio foi feito pelo vice-presidente egípcio, Omar Suleiman, na TV estatal. Em poucos minutos, centenas de milhares estavam em festa e aos gritos na praça Tahrir, epicentro das manifestações de oposição.
“Presidente Hosni Mubarak decidir renunciar como presidente do Egito”, disse Suleiman, em um breve anúncio, acrescentando que o poder foi entregue às Forças Armadas.
Segundo Suleiman, a decisão foi tomada diante das “difíceis circunstâncias pelas quais o país passa”.
A saída de Mubarak solidifica a crise no mundo árabe, sendo a segunda ditadura a ruir na região em menos de um mês. Ainda no dia 14 de janeiro a Revolução do Jasmim levou o ditador da Tunísia, Zine el Abidine Ben Ali, a abandonar o país, em meio ao movimento que se alastrou para outros países, causando protestos na Mauritânia, Argélia, Jordânia e Iêmen.
Após o anúncio, uma explosão de alegria tomou as ruas do Cairo. Centenas de milhares de egípcios agitaram bandeiras, choraram e se abraçaram em celebração. “O povo derrubou o regime”, cantavam em coro.
A renúncia ocorre menos de 24 horas depois de fortes rumores de sua saída imediata do poder. Na noite de quinta-feira, Mubarak discursou à nação e disse que passava parte de seu poder a Suleiman, mas permaneceria até setembro –quando estão previstas eleições presidenciais. O discurso de “fico” causou fúria nos manifestantes que marcharam em direção ao Palácio Presidencial aos gritos para que deixasse o poder.
O ditador Mubarak ascendeu na Força Áérea –principalmente pelo seu desempenho na guerra de Yom Kippur com Israel– e tornou-se vice-presidente em 1975. Ele assumiu a Presidência quando islamitas mataram a tiros seu antecessor, Anwar Sadat, em um desfile militar em 1981.
Mubarak se beneficiou de artigos da Constituição egípcia que ditam mandatos presidenciais de seis anos com um número de reeleições indefinidas. Além disso, alterações à lei fizeram com que a vitória de candidatos de outro partido que não o seu fosse praticamente impossível.
Sob denúncias de corrupção e em meio a diversas acusações de abusos de autoridade e prisões tornadas possíveis devido ao estado de emergência, em vigor há 30 anos no país, a imagem de Mubarak deteriorou-se ao longo dos anos.
Aliado de Washington na região, o ditador usufruía de boas relações com o Ocidente embora fosse fato conhecido de que seu governo era uma ditadura de mão de ferro.
Mubarak também era bem visto por ter mantido um acordo de paz com Israel, assinado em 1979, país com o qual o Egito travou três guerras.
Nas eleições legislativas de novembro passado, o partido de Mubarak ganhou cerca de 90% dos assentos no Parlamento, que viu a principal oposição islâmica perder todos os seus 88 lugares, garantindo ao partido de Mubarak as decisões do Parlamento e apertando o punho Mubarak no poder.
SAÍDA DO CAIRO
Em uma tentativa de acalmar os manifestantes, Mubarak anunciou dias atrás que não concorreria às eleições presidenciais de setembro próximo, mas alertou que ficaria no poder até lá para evitar o “caos” no país. Ele mandou ainda seu vice, Omar Suleiman, negociar com a oposição –oferta que foi rejeitada. Os manifestantes exigiam que Mubarak deixasse o poder antes de iniciar qualquer diálogo.
Mais cedo, o porta-voz do partido de Mubarak havia confirmado que o mandatário e sua família viajaram para o balneário de Sharm el-Sheikh, no mar Vermelho.
“Ele está em Sharm el-Sheikh”, afirmou Mohammed Abdellah, do Partido Nacional Democrático.
Pouco antes, fontes ligadas ao governo informaram que Mubarak e a família haviam deixado o Cairo nesta sexta-feira, mas sem deixar claro qual era o destino.
A TV estatal egípcia informou também que uma importante declaração de Mubarak será transmitida em breve, mas não deu mais detalhes.
A edição digital do jornal pró-governo “Al Ahram” afirma, citando fontes próximas às Forças Armadas, que Mubarak esteve em uma base militar durante as últimas 48 horas para garantir sua segurança.
O jornal diz ainda que, “devido à situação na capital, foi impossível para o presidente mover-se com segurança com sua comitiva habitual”.
A informação sobre a viagem de Mubarak também foi divulgada pelas redes de TV árabes Al Arabiya e Al Jazeera. Sharm el-Sheikh, localizado no extremo sul da península do Sinai, é o local em que Mubarak costuma receber personalidades estrangeiras e realizar conferências internacionais.
PROTESTOS
Os violentos protestos registrados no Egito por mais de duas semanas registraram quase 300 mortes, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), além da morte de jornalistas e diversos ataques à imprensa.
Iniciadas no Cairo, as manifestações se espalharam por outras cidades, como Alexandria e Suez.
O Exército teve um papel crucial desde o início da crise, por vezes apoiando a população mas em algumas ocasiões também abrindo fogo contra os manifestantes.
Nesta sexta-feira, centenas de milhares de pessoas fizeram orações na praça Tahrir, onde clérigos traçaram paralelos entre a luta dos manifestantes contra Mubarak e a do profeta Moisés com o antigo faraó. “Que Deus force os opressores para fora!”, os clérigos diziam. “Amém, amém”, respondiam os fiéis. Depois, seguiram para o palácio presidencial.
Do lado de fora do prédio, homens rezavam atrás de veículos blindados. Os militares não interferiram, apesar de eles terem bloqueado as principais ruas que levam ao palácio, um grande complexo onde Mubarak conduz a maioria de suas tarefas oficiais.
“Abaixo, abaixo Hosni Mubarak!”, cantavam os manifestantes. Centenas deles andaram por mais de uma hora para chegar até o palácio na noite de quinta-feira, saindo do epicentro dos protestos, a praça Tahrir, no centro do Cairo.
“Saia! Por que você continua?”, gritavam cinco mulheres idosas. “Trinta anos é o suficiente”, elas diziam ao ditador, de 82 anos de idade. O número de manifestantes no palácio já era de 2.000 no início da tarde.
“Não sairemos até que Mubarak renuncie e, se Deus quiser, o protesto de hoje será pacífico”, disse Yasmine Mohamed, 23, uma estudante universitária. “Tudo ficará bem e ele renunciará com certeza.”
Um membro de um dos movimentos jovens por trás protestos, que começaram em 25 de janeiro, disse que os manifestantes iriam “tomar o palácio”. “Teremos massas de egípcios após as orações de sexta-feira para tomá-lo”, disse Ahmed Farouk, 27.
Na segunda maior cidade egípcia, Alexandria, na costa mediterrânea, centenas de milhares de pessoas foram às ruas após as orações. O xeque Ahmed al Mahalawi, em seu sermão na principal mesquita da cidade, pediu aos fiéis para não desistirem.
“Não recuem de sua revolução porque a história não irá recuar”, afirmou o xeque em um sermão transmitido pela rede Al Jazeera. Mahalawi disse aos fiéis que eles estavam derrubando um “regime corrupto” que não serve para governar.

Popularity: 4% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, HistóriaComments (0)

Tags: , ,

Fúria toma conta de egípcios no Cairo após anúncio de Mubarak


Atualizado às 23h07

Após Mubarak anunciar que ficaria, povo reagiu com protestos que causaram distúrbios no Egito.

O Estado de São Paulo

CAIRO – O clima de festa que havia tomado a Praça Tahrir, no centro do Cairo, momentos antes da esperada renúncia do presidente Hosni Mubarak deu lugar a uma atmosfera de fúria e tensão. O ditador transferiu os poderes para o vice sem deixar o posto e enfureceu os manifestantes que há 18 dias pedem sua renúncia.

Os manifestantes já estão cercando o Palácio Presidencial e alguns se dirigiram à sede da televisão estatal. O Exército está no local também. Há temores de que haja violência nas próximas horas. Mohamed ElBaradei, expoente da oposição, disse que “o Egito vai explodir”. Organizadores dos protestos convocaram uma multidão de 20 milhões de pessoas para protestar após as orações de sexta-feira.

Durante toda a quinta-feira, os rumores de que Mubarak renunciaria aumentaram. O presidente do Partido Nacional Democrático (PND), a legenda do presidente, havia dito que o ditador faria um discurso importante à noite e disse que ficaria surpreso se ele permanecesse no cargo até a sexta-feira.

Centenas de milhares de egípcios se reuniram na Praça Tahrir, principal palco dos protestos, para ouvir a provável renúncia. O presidente, porém, não atendeu à principal reivindicação dos manifestantes e pode ter dado início a uma nova – e mais forte – onda de marchas contrárias ao governo.

Relatos de uma repórter da televisão Al-Jazira afirmam que “houve um momento em que a Praça estava completamente silenciosa, todos ouviam ao pronunciamento. Mas mal pode-se ouvir o fim do discurso, porque no meio dele as pessoas tinham percebido que Mubarak não renunciaria”.

Após Mubarak, Suleiman fez um pronunciamento. Ele pediu aos manifestantes que voltassem para casa e para o trabalho. “Abrimos a porta para o diálogo. Chegamos a um acordo. Elaboramos um plano para atender a maioria das demandas. A porta ainda está aberta”, disse. Tomados pela fúria, os egípcios seguirão desobedecendo as ordens das autoridades, como fazem desde o dia 25 de janeiro.

Popularity: 3% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, HistóriaComments (0)

Tags: , ,

Islã não pode ser o judeu do século 21


07/02/2011 – 16h29

A democracia é defendida pelos EUA; mas só quando vence quem eles querem.

A democracia é defendida pelos EUA: mas só quando vence quem eles querem.

Folha de São Paulo
Clóvis Rossi

O maior erro que o Ocidente poderia cometer, em função das revoltas no mundo árabe/muçulmano, é transformar o islamismo no século 21 nos judeus do século 20, vítimas de um processo de aniquilação que é uma das grandes manchas da história da humanidade.
Cada vez há mais análises dizendo que “essa gente” não tem direito a querer a democracia porque basta que a tenham para que votem, por exemplo, no Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), que controla hoje a faixa de Gaza.
Na superfície dos fatos, é até verdade: o Hamas de fato ganhou as eleições, não na primeira mas na segunda oportunidade que tiveram para disputá-las em Gaza. Mas qualquer análise honesta teria que fazer a pergunta seguinte: por quê o Hamas ganhou?
Por quê todos os habitantes de Gaza são terroristas em potencial? Se o fossem de fato, Israel provavelmente já teria sofrido dores muito mais profundas.
O Hamas ganhou porque oferece serviços sociais e um mínimo de horizonte a uma população confinada a um gueto.
É o que oferece também a Irmandade Muçulmana no Egito, o mais antigo movimento islâmico do planeta.
Cobrem, ambos, carências (ou inexistência) dos Estados, inclusive o de Israel, que se recusa a permitir que os palestinos tenham um país minimamente viável.
Além disso, há vozes, no Ocidente, que lamentam que “uma das mais mal-relatadas histórias do século 20 é a enorme penetração das melhores ideias políticas do Ocidente –democracia e liberdade individual– na consciência muçulmana”.
Autor da frase, em artigo para o “NY Times”, Reuel Marc Gerecht, pesquisador-sênio da Fundação para a Defesa das Democracias e ex-especialista nas missões clandestinas da CIA no Oriente Médio.
Mais: “Homens e mulheres de fé, que celebram (ainda que nem sempre sigam rigorosamente) a Sharia [lei islâmica] abraçam crescentemente a subversiva ideia de que só é legítima a liderança política eleita”.
Parece muito mais sensato dar uma chance, que a revolta egípcia oferece, a uma confluência de civilizações do que promover um “pogrom” anti-islâmico que tornaria a ideia reacionária de “choque de civilizações” uma profecia que se auto-cumpre.

Popularity: 3% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, HistóriaComments (0)

Tags: ,

Ocidente teme ascensão da Irmandade Muçulmana no Egito


MUNDO | 07.02.2011

A Irmandade Muçulmana é um dos grupos mais fortes que pedem a saída do líder egípcio.

Site da Deutsche Welle

Para o Ocidente, o presidente egípcio Hosni Mubarak sempre representou a garantia de que fundamentalistas se manteriam longe do poder. No entanto, diante da enorme pressão sobre Mubarak, o temor da “islamização” do Egito paira sobre os países ocidentais.
Para o especialista em assuntos islâmicos, Lutz Rogler, o medo é infundado. Rogler argumenta que o movimento Irmandade Muçulmana, que existe já há mais de 80 anos, passou por transformações. A Irmandade não é mais um grupo militar. “Pois dentro do movimento há diferentes gerações e correntes. Além disso, o movimento se abriu para princípios democráticos e cooperação com outras forças de oposição.”
Valores democráticos
A Irmandade Muçulmana foi fundada em 1928 pelo professor de ensino fundamental Hassan Al Banna como um movimento de reforma. O objetivo era a construção de uma sociedade baseada em princípios islâmicos.
Somente depois da Segunda Guerra, a organização se desenvolveu como um movimento de massa no Egito. Mas após um atentado frustrado contra o presidente Gamal Abdel Nasser, a Irmandade se dissolveu em 1954 e muitos de seus membros foram executados.
Foi no fim da década de 1970 que o grupo voltou à cena política e formou-se, desde então, como uma forte força de oposição. Além do engajamento político, o movimento também construiu hospitais e instalações sociais, o que fortaleceu sua posição entre as camadas mais pobres da população.
Como partido, a Irmandade também continuou proibida durante o governo de Mubarak. Ainda assim, o movimento apoiou a candidatura de políticos independentes ao Parlamento egípcio, detendo assim, de fato, um quinto dos assentos desde 2005.
Não é uma revolução islâmica
Já há dias, a Irmandade Muçulmana participa dos protestos a favor da liberdade e democracia no Egito. No entanto, as manifestações não devem ser vistas como uma revolução islâmica, diz a versão oficial. Hilmi Jazzar, um dos líderes da organização, nega veementemente as alegações de que a Irmandade estaria esperando apenas o momento certo para tomar o poder.
Segundo Jazzar, a organização aguarda a chance, juntamente com todos os outros partidos, de ser eleita pela população. “Então, o mundo verá um exemplo de democracia da qual a Irmandade Muçulmana fará parte, sem dominá-la.”
Influência
Apesar do esforço da Irmandade Muçulmana de se mostrar como um partido democrático moderado, o Ocidente teme que, após a saída de Mubarak, o país sofra com um vácuo de poder. A ausência de uma liderança política pode ser usada pelos islâmicos para chegar ao poder, acredita-se.
Uma preocupação não compartilhada por Lutz Rogler. “A influência da Irmandade Muçulmana nos protestos no Egito foi superestimada. Eu acredito também que o Ocidente tem uma preocupação exagerada ao temer uma possível participação islâmica num futuro governo.” E caso haja, de fato, eleições livres, é incerta a quantidade de votos que a Irmandade Muçulmana conseguiria, adiciona o pesquisador.
Mudança liberal
Na visão de muitos observadores, a liderança da organização não está familiarizada com os desejos e exigências da maioria dos jovens manifestantes. Para o cientista político Hamed Abdel Samad, os conceitos e programas da Irmandade Muçulmana são pouco atraentes para a juventude egípcia.
O próprio Samad foi, na juventude, membro do movimento. O especialista acredita que a atual aproximação entre todos os partidos nas ruas do Cairo irá levar a uma mudança liberal dentro da Irmandade Muçulmana.
“A velha guarda pertence de fato à era Mubarak. Mas existe uma nova geração, que agora sai às ruas”, argumenta Samad. A conscientização dessa nova ala da Irmandade Muçulmana acaba se fortalecendo e se renovando durante as demonstrações. “Em torno de si, eles veem agora mulheres bonitas sem véu e politicamente ativas. E aos poucos as pessoas estão se acostumando com isso.”
Autores: Nader Alsarras / Stephanie Gebert (np)
Revisão: Carlos Albuquerque

Popularity: 3% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, HistóriaComments (0)

Tags: ,

Egípcios vão às ruas em marcha de 1 milhão contra Mubarak


01/02/2011 – 07h40

Polícia e população se enfrentam nos mais violentos protestos da era Mubarak.

Nota do D’Incao

Luís Paulo Domingues

É praticamente certo que a ditadura personalista de Hosni Mubarak esteja vivendo seus últimos dias. Não se trata, porém, de um fenômeno isolado (de um movimento político que pertence apenas ao Egito). Além da Tunísia, que já depôs seu ditador, Marrocos, Argélia, Líbia e Yêmen enfrentam o clamor da população por mudanças.

É sempre importante frisar que o modelo ditatorial dos países árabes existe desde o processo de independência dessas nações, que começou de fato após a Segunda Guerra Mundial. Muitas vezes apoiados pelos Estados Unidos em seus esforços imperialistas, os ditadores pareciam uma boa alternativa a uma democracia “perigosa” (na visão norte-americana), que poderia conduzir radicais islâmicos ao poder pela via das urnas, como aconteceu em 1979 no Irã.

Os EUA veem-se numa situação delicada, cujo jargão popular define bem como “sinuca de bico”. Com seu discurso democrático e libertário, pretendendo incorporar a imagem de porta voz das democracias do mundo, como  o governo americano poderá agora condenar a população egípcia e defender o ditador?

Folha de São Paulo

Milhares de manifestantes se concentram nesta terça-feira no Cairo, capital do Egito, no início de um dia de megaprotestos no qual a oposição espera reunir um milhão de pessoas contra o regime de Hosni Mubarak, há 30 anos no poder. Uma semana depois do início dos protestos, a marcha desta terça-feira é vista como decisiva na pressão popular contra o governo ditatorial.
Na praça Tahrir (praça Libertação), símbolo dos protestos sem precedentes na era de Mubarak, já estão concentradas milhares de pessoas. Mais de 5.000 pessoas chegaram durante a madrugada e passaram a noite, violando o toque de recolher. Os manifestantes gritam palavras de ordem como “Fora Mubarak”.
Apesar dos violentos confrontos entre manifestantes e as forças de segurança nos últimos dias, as Forças Armadas do Egito divulgaram um comunicado nesta segunda-feira admitindo o direito dos manifestantes de reivindicarem suas demandas e disseram que não usarão a força para conter os protestos.
O saldo de mortos durante os confrontos já está em 138, segundo a agência Reuters. Dada a situação caótica no país, no entanto, os números são desencontrados e não há dados oficiais confiáveis.
De qualquer forma, helicópteros militares continuam sobrevoando a cidade e os soldados mobilizados na capital desde sexta-feira controlam os pontos de acesso.
A concentração desta terça-feira está marcada para começar por volta do meio-dia (8h em Brasília) na praça Tahrir, localizada no coração do Cairo e protegida exclusivamente por unidades do Exército. A expectativa, contudo, é que os protestos ocorram também em Alexandria, no norte do país.
Até o momento, a oposição rejeitou a formação de um novo governo, cujos ministros assumiram seus cargos na segunda-feira, e a designação do chefe dos serviços de inteligência Omar Suleiman como vice-presidente. Eles prometem protestar até a queda de Mubarak.
O Movimento 6 de Abril, o grupo opositor que promoveu esta revolta, convocou o povo egípcio para que se manifestasse nesta terça-feira de forma maciça. “Queremos fazê-la (a revolta) para que seja como um carnaval, com canções, poesias e espetáculos, tudo centrado em pedir a renúncia de Hosni Mubarak”, disse um porta-voz do grupo.
Os protestos populares contam ainda com o apoio da Irmandade Muçulmana e da plataforma política liderada pelo prêmio Nobel da Paz Mohamed ElBaradei, a Assembleia Nacional para a Mudança.
Os organizadores dos protestos também convocaram uma greve geral, iniciada na segunda-feira, em um país já paralisado, com a Bolsa e os bancos fechados, os postos de gasolina sem combustíveis e os caixas automáticos vazios.
ANSIEDADE
O Egito, o mais populoso dos países árabes (80 milhões de habitantes), é um aliado do Ocidente na região e administra o Canal de Suez, essencial para o abastecimento de petróleo dos países desenvolvidos.
O barril de petróleo é negociado desde segunda-feira por mais de US$ 100, a primeira vez em dois anos.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) anunciou que está disposto a ajudar o Egito a reconstruir sua economia. “O FMI está disposto a ajudar a conceber o tipo de política econômica que poderia ser aplicado no Egito”, disse Dominique Strauss-Kahn, diretor geral da instituição.
Além disso, o Egito é um dos dois países árabes que assinou um tratado de paz com Israel (o outro é a Jordânia).
Por todos estes fatores, o desfecho da crise gera ansiedade em todo o mundo.
A Casa Branca pediu calma na segunda-feira e se disse satisfeita com a “moderação” exibida pelas forças de segurança egípcias.
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Musa, ex-ministro egípcio das Relações Exteriores, pediu uma “transição pacífica”. A União Europeia (UE) defendeu eleições “livres e justas” no país.

Popularity: 12% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, História, capaComments (0)

Tags: , , , ,

A poeira do Cairo


31/01/2011

Trânsito caótico no centro do Cairo: repórter descreve a cena urbana da capital do Egito.

Luciana Coelho

de Cambridge
Blog “Pelo Mundo”
Publicado na Folha de São Paulo

Peço licença geográfica ao leitor para dividir uma memória do Egito, onde estive em 2006. Já que o blog retrata as andanças de nós, repórteres, pelo mundo, parece que elas cabem aqui nesse momento em que o país submerge em um turbilhão revolucionário cujo rumo ainda é invisível atrás da poeira que cobre o Cairo.
Pois é uma capital caótica, barulhenta, suja, coberta em uma perpétua neve de poluição e areia. Mas o constante burburinho a fazem uma das cidades mais impressionantes e interessantes que já visitei.
Tudo ali se mistura. A elite culta (hoje menos ‘ocidentalizada’ do que no passado) em suas roupas discretas, mas modernas,  quase sumida na massa maior de camponeses emigrados para a cidade, com suas mulheres de véu da cabeça aos pés.
Os restaurantes finos do bairro das embaixadas e os bares de expatriados com sua musica eletrônica perdendo em animação para os cabarés clandestinos e os restaurantes de kebab e falafel baratos, embora os primeiros contem com álcool e os últimos não. As casas de chá onde mulheres não recebem um olhar dos garçons,  mas são observadas de esgueira pelos demais freqüentadores. Muito açúcar. Muito cigarro.
Nas ruas, em meio à poluição visual, sobressaem os cartazes com o rosto de Hosni Mubarak _como eu suponho que seja em toda ditadura de cunho personalista, embora minha experiência com ditaduras se limite ao Egito e a Cuba.
São muitos. Estão em todo lugar e são especialmente ostensivos nas imediações do imenso palácio presidencial, um gigantesco bunker diante do qual o trânsito é desviado para uma passagem subterrânea (na época achei esta uma imagem muito expressiva). Mas passam batido pelos moradores,  sem nenhuma reverência.
O Egito também tem uma blogosfera ativa – alguns desses blogueiros eu acompanhei, e um deles me deu uma excelente entrevista no auge da crise dos cartoons dinamarqueses. E uma imprensa viva, apesar da censura (como mostra a revista Economist aqui).
Sua literatura recente nos deu os textos vibrantes de Naguib Mahfouz, contemplado com um Nobel e cuja Trilogia do Cairo eu recomendo a qualquer um que queira entender melhor a complexidade do pais. Seu cinema, além de fornecer filmes para a região como a Globo fornece novelas na America Latina, produziu o intenso e caótico Edifício Yacoubian (inspirado em um livro homônimo, que eu também recomendo).
E sua política recente _porque em um país com 4.000 anos de história se há de chamar o último século de recente_ produziu o pan-arabista Gamal Abdel Nasser e também a Irmandade Muçulmana, um dos modelos primeiros de grupos com ideais pan-islâmicos ou pan-árabes.
Sufocada por Mubarak, a Irmandade ainda tem poder, mas há dúvidas de que seja um governo encabeçado por ela que os egípcios queiram/precisem neste momento.
O que a gente assiste pela TV, hoje, é o colapso de todos esses mundos, que já se trombavam diariamente e sem alarido nas ruas sujas e cheias do Cairo. Nas vielas do bairro copta. Nas cercanias da Universidade Americana do Cairo. Na saída da mesquita de Al-Azhar e sua madrassa. Nas casas de chá. Nos bazares. Nos museus e bibliotecas.
Tanta efervecência, e um pais estranhamente sem voz. Mesmo na bonita Alexandria, mais moderna e mais desinibida, como toda cidade litorânea é. Tanto orgulho nacional (quem visitou o pais ou a Grécia, e suponho que o Irã e o Iraque também sejam assim, sabe o orgulho que os descendentes das civilizações mais antigas ostenta) e um pais estranhamente sem voz.
Agora isso acabou.
É especialmente impressionante a quantidade de gente jovem, majoritariamente educada, querendo fazer, acontecer _ contrastes dos quais minha colega e ex-editora Claudia Antunes explicou brilhantemente aqui.
E não ache que eles querem ser mais ocidentais não – aliás, para mim a única coisa que ficou clara é que eles querem mais oportunidades e opções, querem romper o ciclo.
Uma jovem tradutora, de jeans e um casaquinho de manga longa que a fariam passar despercebida em qualquer cidade ocidental, cabelos longos soltos, contou-me que a irmã, de 13 anos, havia decidido usar véu porque as amigas usavam.
Os pais estavam bem com a decisão de ambas. Já os vizinhos chegaram a jogar garrafas de plástico, latas e até pedras na mais velha, um dia que ela caminhava sozinha.
Escrito por Luciana Coelho às 06h04

Popularity: 7% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, HistóriaComments (0)

Tags: , ,

Reduto da elite egípcia, cidade costeira acompanha de longe as manifestações


28/01/2011 – 08h31

Vista de Dahab: destino dos milionários egípcios mantém-se longe dos tumultos políticos.

ANDRÉ LOBATO
EM DAHAB (EGITO)
Folha de São Paulo

Enquanto a capital do Egito vive dias turbulentos, Dahab, na península do Sinai, segue pacífica, com cavalos na beira da praia, de onde se podem ver as montanhas da Arábia Saudita.
Repleta de hotéis, restaurantes e locais para mergulhar no mar Vermelho, a cidade atrai turistas israelenses e europeus e a minúscula elite ocidentalizada do Egito –que tem pouco contato com as camadas mais insatisfeitas do país.
Lá, mulheres de burca e biquíni fazem compras no mesmo supermercado. Álcool é fácil de encontrar. “Aqui, não nos sentimos no Egito, mas na Europa”, diz o gerente de hotel Shawki Meged.
Em 2006, a tranquilidade foi momentaneamente abalada com a explosão de três bombas, que deixaram 23 mortos. Nem por isso Dahab deixou de ser popular como destino turístico.
Moradores mostram um sentimento difuso de solidariedade com os manifestantes. Mas poucos estão dispostos a se juntar aos protestos.
Segundo Ahmed Emam, dono de uma livraria, “é melhor esperar um pouco” antes de ir para o Cairo.
O que ajuda a isolar Dahab é o fato de muitos voos chegarem direto de outros países. ‘Menos de 10% dos turistas daqui vêm do aeroporto do Cairo’, diz Emam.
Dois policiais que conversaram com a Folha tentaram minimizar a turbulência vivida pelo país. “Os turistas não deixam de vir. O que ocorre aqui acontece em todo lugar do mundo”, disse um deles.
Apesar da independência econômica com relação ao restante do Egito, existem demonstrações de solidariedade. No letreiro de um restaurante, podia-se ler ontem: “25/01/11. We hope for a better Egypt” (esperamos um Egito melhor).
Sentado em sua livraria com títulos em inglês, Emam define a situação da bucólica Dahab: “Nossos corações estão com eles [os manifestantes]. Mas, para nós, não faz diferença. É como tomar um chá ou não”.

Popularity: 6% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, HistóriaComments (0)

  • Populares
  • Novos
  • Comentários
  • Tags
  • Assine
Advertise Here