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Denúncias de fraude não mudarão resultado das eleições na Rússia, diz governo


12/12/2011 – 06h25

Manifestantes enchem as ruas nas principais cidades russas: Presidente diz que vai investigar fraude.

DA FRANCE PRESSE
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O governo russo considera que as fraudes denunciadas pela oposição nas eleições parlamentares de 4 de dezembro não representam motivo para alterar os resultados do pleito, declarou o porta-voz de Vladimir Putin nesta segunda-feira.
“Mesmo se adicionarmos todos esses supostos tstemunhos, isso diz respeito apenas a 0,5% do número total de votos. Portanto, mesmo que seja contestado na justiça, isso não questiona a legitimidade da votação ou dos resultados definitivos”, afirmou Dmitri Peskov.
No domingo, o presidente russo, Dmitri Medvedev, informou em sua página do Facebook ter ordenado uma investigação sobre as denúncias de fraude.
O anúncio ocorreu um dia após dezenas de milhares de pessoas em Moscou e ao redor da Rússia pedirem que as eleições ocorram novamente, na maior manifestação da oposição que a Rússia já viu em anos.
Medvedev também expressou divergências com as críticas formuladas pela oposição nas manifestações. Em sua conta no Facebook, o líder deixou claro que não concorda com as demandas e acusações.
A oposição disse que a eleição foi fraudada em favor do partido no poder, o Rússia Unida, que ganhou uma pequena maioria na Câmara Baixa.
“Não concordo com slogans ou declarações feitas nos protestos. No entanto, instruções foram dadas por mim para checagem de todas as informações nos postos eleitorais a respeito do cumprimento da legislação nas eleições”, disse Medvedev em uma postagem no site de mídia social.
Manifestantes acenaram panfletos com frases como “Os ratos devem ir embora!” e “Vigaristas e ladrões –nos dêem a nossa eleição de volta!”, durante os protestos no sábado em uma clara manifestação contra o Rússia Unida e o primeiro-ministro Vladimir Putin.
“Os cidadãos da Rússia tem a liberdade de expressão e liberdade para realizar comícios. As pessoas tem o direito de expressar a posição que mostraram ontem. Tudo aconteceu dentro da lei”, disse Medvedev em seu primeiro comentário depois das manifestações.
Putin quer retornar à presidência para possivelmente os próximos 12 anos, sendo que já cumpriu dois mandatos entre 2000 e 2008.
Medvedev, que é presidente desde 2008, é um ávido usuário de sites de mídia social como o Facebook e o Twitter.
PROTESTO HISTÓRICO
No sábado, os manifestantes de Moscou haviam denunciado fraudes nas eleições legislativas de domingo passado e exigiram às autoridades a realização de novos pleitos parlamentares, a libertação dos presos políticos e a investigação de todas as irregularidades eleitorais.
Mais de cem pessoas foram presas durante a maior manifestação no país desde o primeiro mandato do primeiro-ministro Vladimir Putin, em 2000.
Milhares foram às ruas em diversas cidades para protestar contra as eleições legislativas do domingo passado, que eles dizem serem fraudulentas, e também contra Putin. Em ato similar na última terça-feira, foram presos 500.
Segundo o Ministério do Interior russo, mais de 130 manifestantes foram detidos em todo o país, a maioria deles por participar de manifestações não autorizadas pelas autoridades locais.
A polícia afirma ter havido cerca de 30 mil pessoas apenas em Moscou, mas os organizadores estimam entre 40 mil e 80 mil participantes.
Cerca de 7.000 pessoas foram às ruas em São Petersburgo e manifestações com centenas ocorreram em ao menos outras 60 cidades.
A eleição parlamentar de domingo, em que o partido governista Rússia Unida viu sua bancada encolher em 77 deputados, embora mantendo uma ligeira maioria no Parlamento, sinalizou um crescente descontentamento contra os 12 anos de hegemonia política de Putin no maior país do mundo.
Durante a semana, o partido Rússia Unida negou as fraudes e acusou os Estados Unidos de incitarem a agitação popular. Centenas foram presos pela polícia durante a repressão a protestos logo após o término das eleições.

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Tea Party e “Ocupe Wall Street” mostram polarização nos EUA


07/11/2011 – 07h18

Inocência conservadora: direita alienada americana protesta contra Obama, que seria o causador da crise.

Folha de São Paulo

A um ano da eleição presidencial de 6 de novembro de 2012, o presidente Barack Obama e seus adversários republicanos que buscam a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos enfrentam um ambiente cada vez mais polarizado e com profundas divisões ideológicas, no qual movimentos como o Tea Party, à direita, e o “Ocupe Wall Street”, à esquerda, vêm ganhando destaque.
As eleições americanas tradicionalmente concentram todas as atenções nos candidatos democrata e republicano, com suas gigantescas máquinas eleitorais, campanhas publicitárias, debates e batalhas por Estados-chave.
Mas em 2012, o presidente Barack Obama e seu adversário republicano terão ainda de lidar com a maciça presença de protestos organizados por movimentos que nenhum dos dois lados pode controlar.
Tanto o Tea Party, que reúne diversos grupos conservadores, como os protestos contra a desigualdade, o desemprego e as grandes corporações iniciados com o “Ocupe Wall Street”, em Nova York, e espalhados por todo o país, têm em comum o descontentamento com a situação política e econômica do país e devem ter impacto na votação do próximo ano, apesar de ambos recusarem as comparações.
INCÓGNITA
Mas se o Tea Party já mostrou sua força nas eleições legislativas do ano passado, quando elegeu vários de seus candidatos, e há pré-candidatos republicanos abertamente identificados com o movimento, como Michele Bachmann, a força dos protestos inspirados no “Ocupe Wall Street”, surgido há menos de dois meses, ainda precisa ser testada.
Os participantes dos protestos do “Ocupe Wall Street” têm perfil variado e rejeitam qualquer ligação com o Partido Democrata, mas o crescimento do movimento e, principalmente, a simpatia do público americano por sua mensagem de frustração, fazem com que seja observado com atenção por ambos os partidos.
“Enquanto o Tea Party serviu de combustível para o entusiasmo do Partido Republicano nas eleições de 2010, ainda não há prova de que os manifestantes do “Ocupe Wall Street” farão o mesmo pelos democratas”, dizem os analistas Aaron Blake e Chris Cillizza, do jornal “Washington Post”.
“Dito isso, o movimento (“Ocupe Wall Street”) pode favorecer significativamente os democratas”, afirmam, ao observar que ainda é preciso saber se o movimento vai motivar os até agora pouco empolgados eleitores identificados com a esquerda a votar.
INSATISFAÇÃO
Diversas pesquisas mostram que a principal preocupação dos eleitores americanos é a economia, em um momento em que o país cresce em um ritmo considerado lento demais para baixar a taxa de desemprego — atualmente em 9%, patamar mantido há dois anos – e em que há o temor de uma nova recessão.
Uma pesquisa divulgada neste domingo pelo Washington Post e pela rede de TVABC News revela que a insatisfação com o governo atingiu níveis recordes.
Nesse cenário, analistas já afirmam que esta será a reeleição mais difícil de um presidente americano desde 1992, quando Bill Clinton tirou George Bush pai da Casa Branca.
Obama tenta evitar o mesmo destino de Bush, Gerald Ford ou Jimmy Carter, integrantes da temida lista de presidentes americanos de um só mandato, mas os problemas com a economia americana são um desafio em sua campanha.
A mesma pesquisa do “Washington Post” e da ABC, conduzida pelo instituto Langer Research Associates, revela que apenas 13% dos americanos dizem que suas vidas estão melhores agora do que antes de Obama assumir o governo.
REPUBLICANOS
Apesar da popularidade em baixa e dos problemas da economia, Obama ainda aparece com boas chances nas pesquisas, quando confrontado com os principais candidatos à indicação do Partido Republicano para concorrer no pleito de 2012.
No levantamento do Post e da ABC, Obama aparece tecnicamente empatado com o favorito Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e com o azarão Herman Cain, empresário recentemente envolvido em uma polêmica de acusações de assédio sexual, mas ainda assim dividindo a liderança nas pesquisas.
O descontentamento dos americanos se estende também ao Congresso.
De acordo com diferentes pesquisas, tanto Obama e seu Partido Democrata como os republicanos perderam pontos com o público americano depois do embate para aprovar a elevação do teto da dívida pública, que quase levou o país ao calote no meio do ano.
Nesse cenário, muitos analistas afirmam que nenhum dos pré-candidatos republicanos até agora tem demonstrado força suficiente para empolgar os eleitores do partido.
No entanto, a situação ainda pode mudar, já que as primárias para escolher o adversário de Obama na votação de 6 de novembro de 2012 começam apenas em janeiro.

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Cantor de “lambada” vive expectativa de assumir o Haiti


23/03/2011 – 07h00

Provável novo presidente do Haiti, Martelly é uma alternativa aos interesses dos ex-governantes Aristides e Baby Doc.

FOLHA DE SÃO PAULO

O cantor de kompa (o mais popular ritmo no Haiti que lembra a lambada) Michel Martelly, 50, é novato na política local, mas já vive a euforia de ser o possível futuro presidente daquele país. Na noite do último domingo (data da votação do segundo turno das eleições), rádios divulgaram boletins extraoficiais que apontavam vantagem para Martelly.
O momento, portanto, é favorável ao candidato, como relata a enviada da Folha a Porto Príncipe Flávia Marreiro no vídeo acima. A jornalista ressalta, no entanto, que os resultados preliminares, divulgados pelo Conselho Eleitoral Provisório, só estarão disponíveis em 31 de março e os definitivos em 16 de abril.
Martelly enfrentou a ex-primeira-dama Mirlande Manigat, 70, num inédito segundo turno no país que voltou a uma turbulenta democracia apenas em 1990.

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Verdades e mentiras


28/10/2010 – 07h03

A conversão de Serra em busca de votos; Dilma fez o mesmo.

Hélio Schwartsman
Folha de São Paulo

Encerra-se esta semana mais uma campanha eleitoral. Parece-me oportuno, portanto, fazer um comentário sobre a mentira. Como sempre ocorre nessas ocasiões, os candidatos recorreram a vários tipos de engodo. É preciso, contudo, evitar abordagens excessivamente moralistas da questão. Dilma, Serra e os demais postulantes empulham porque é da natureza humana fazê-lo. A mentira está praticamente inscrita em nosso DNA. O que nós cidadãos precisamos fazer é estabelecer a linha a partir da qual a manipulação da, vá lá, verdade deixa de ser uma característica inevitavelmente humana e torna-se motivo para não votarmos no candidato. Esse limite, é claro, varia de eleitor para eleitor, de acordo com sua estratégia de voto, preferências e do peso que atribui a cada um dos valores que o ajudam a definir seu sufrágio.
Um bom resumo do atual estágio das pesquisas sobre a mentira está em “The Liar in Your Life” (o mentiroso em sua vida), do psicólogo Robert Feldman. Como eu tentei fazer no parágrafo acima, o autor começa a obra desmistificando a mentira. Traz informações impressionantes.
Alguns estudos sugerem que bebês de apenas seis meses já simulam choro e gargalhadas para atrair a atenção dos pais. Entre os três e o sete anos, crianças já têm condições de concorrer a um cargo público: submetidas a experimentos em que se comprometem a não espiar à sorrelfa um objeto que precisam identificar, desobedecerão à regra em 82% das ocasiões. Pior, mentirão sobre isso até 95% das vezes.
O otimista poderá imaginar que, com uma mãozinha da religião e da sociedade, as coisas melhoram com o tempo. Otimistas estão na maioria das vezes errados: pesquisa feita pelo próprio Feldman mostrou que, no curso de uma conversação de meros dez minutos em que dois adultos se apresentam, eles mentem uma média de três vezes cada, podendo chegar a 12 nos casos mais extravagantes.
Tomemos um exemplo de campanha: falsificação de currículo. Uma empresa de recursos humanos de Wisconsin divulga bienalmente seu índice do mentiroso, isto é, a proporção de CVs fraudulentos que recebe para cargos de altíssima qualificação, como CEOs de grandes empresas. Em 2008, a taxa foi de 16%. Em 2000, registrou-se o pico de 23,3%. Se formos um pouco mais rigorosos e considerarmos como engodo também os exageros e não apenas títulos e honrarias totalmente inventados, o índice chega a 66%.
E a coisa pode ser ainda pior. Num de seus experimentos, Feldman demonstrou uma correlação positiva entre a capacidade de adolescentes de mentir de forma convincente e a sua popularidade na escola. De jovens populares a políticos é só um pulinho. No futuro talvez possamos substituir as caríssimas eleições pelos mais baratos e divertidos concursos de mentira. Torna-se presidente o candidato que convencer o júri de que nunca na vida mentiu.
Se você já está desistindo dos políticos e da própria raça humana, lembre-se de que não estamos sós. Do camaleão às pintas dos leopardos, a própria natureza recende a engodo. Alguns cientistas propõem que a mentira com vistas a obter posições sociais mais elevadas, muito mais do que a criação de ferramentas ou o cozimento da comida, foi a grande força a moldar a evolução humana. É a famosa hipótese da inteligência maquiavélica, defendida, entre outros, pelo primatologista Frans de Waal.
O importante aqui, contudo, não é determinar o que a mentira pôde fazer por nós, mas sim se ainda vale a pena buscar a honestidade. Como explica Feldman, existem vários tipos de inverdade. Há, para começar, as mentirinhas inocentes, como elogiar a comida da anfitriã mesmo quando ela é intragável ou dizer para a sua mulher que ela não engordou nadinha ao longo da última década. Essas são falsidades socialmente necessárias. Tato e mentira são muitas vezes palavras sinônimas.
Num grau um pouco acima, estão as mentiras de autopromoção, pelas quais tentamos nos vender para os outros e para nós mesmos sob uma luz mais favorável. Lidamos aqui nas fronteiras entre a edição e a farsa. É nessa franja que os políticos atuam. Eles mais do que ninguém querem ser bem vistos por todos. Só depois é que vêm contos do vigário com intenção fraudulenta. Essa última modalidade, embora mais rara, é a que roubou a cena. Quando falamos em mentira, é quase sempre este caso mais extremo que nos vem à mente.
E o problema basicamente é que essas fronteiras, que já não são exatamente nítidas para quem observa de fora, ficam inteiramente borradas quando somos parte do processo, seja como emissores seja como receptores da inverdade.
Como isso ocorre? De acordo com Feldman a causa primeira do embaralhamento é aquilo que ele chama Vantagem do Mentiroso, que reside basicamente em constatar que, por uma série de mecanismos neurológicos, mentir é muitas vezes vantajoso.
Destaco aqui dois desses mecanismos. O primeiro é o bom e velho autoengano. Ele faz com que o cérebro, para pacificar contradições percebidas (as chamadas dissonâncias cognitivas), reelabore a questão, conferindo pesos diferenciados aos termos. Assim, quando eu venço no pôquer, convenço-me de que sou um jogado exímio; quando perco, é porque tive muito azar.
No fundo, todo mundo quer acreditar nos falsos cumprimentos que recebe. Na verdade, uma parte do cérebro acredita, e isso gera reações químicas que provocam prazer. Mesmo o mais desafinado dos mortais se sente bem quando é elogiado por seu hipócrita professor de música. Em muitas das situações, somos cúmplices voluntários da mentira que nos contam, pois estamos sedentos para crer nela. (Deus e a religião, evidentemente, encontram-se nessa categoria).
O autoengano é fundamental para a sobrevivência. Cientistas que estudam a depressão descobriram que pessoas clinicamente deprimidas fazem uma avaliação surpreendentemente realistas de si mesmas. O fenômeno até foi batizado de realismo depressivo. Não se sabe ainda se é a depressão que leva à percepção mais acurada ou se é a visão mais realista que provoca os pensamentos deprimentes. De qualquer modo, o excesso de realismo não é lá muito saudável.
O segundo mecanismo é o viés de verdade. Por razões evolutivas, o padrão de nossos cérebros é aceitar como verdadeiras todas as declarações que nos chegam à cachola. Na maioria das vezes, elas são mesmo (ou a linguagem não faria muito sentido e jamais teria se desenvolvido), e o custo de duvidar de tudo o que nos chega aos ouvidos seria demasiado alto. Paranoia é um termo leve para descrever o indivíduo que desconfia até do bom dia que lhe damos.
Se misturarmos autoengano, viés de verdade e outras birutices de nosso cérebro, como o efeito maria vai com as outras e o respeito à autoridade, encontramos terreno mais do que fértil para a mentira, tanto as pequenas como as graúdas. Políticos, até um bocadinho mais que o comum dos mortais, exploram esses recônditos da natureza humana.
O que importa do ponto de vista do eleitor é, sem cair no udenismo fácil, diferenciar as inverdades politicamente relevantes das simples bobagens de campanha. É claro que falar é mais fácil do que fazer. OK, admitamos que currículos falsos fazem parte do jogo. Deixemos de lado, também, a matemática criativa, que torna o Orçamento flexível o bastante para atender a todos os pleitos. Nesse contexto, desconsidere, ainda, que os dois candidatos que foram para o segundo turno se intitulam economistas. Mas será que agnósticos se prostrando e comungando também são uma mentirinha inocente? E quanto a trair posições de uma vida inteira? Como eu disse no início, as respostas a essas perguntas dependem da visão de mundo de cada eleitor. Não deveria fazê-lo, mas lembro que, ao contrário do que dizem o TSE e a cartilha do politicamente correto, anular ou voto ou simplesmente fugir da urna (a multa, se não me engano, é de R$ 3,00) são opções legítimas para quem se sente sem opções.
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PV se reúne em Brasília para buscar consenso sobre apoio no 2º turno


13/10/2010 – 13h13

Folha de São Paulo

FLÁVIA FOREQUE
DE BRASÍLIA

Marina Silva e o PV devem decidir apoio a um dos candidatos esta semana.

A Executiva Nacional do Partido Verde se reúne nesta quarta-feira (13) em Brasília em busca de um consenso sobre a posição da legenda neste segundo turno. Tanto o tucano José Serra como Dilma Rousseff (PT) buscam o apoio do PV e de Marina Silva. Oficialmente, o partido tomará a decisão de apoio a um dos candidatos ou de neutralidade no próximo dia 17, durante convenção nacional do partido, mas a reunião de hoje pretende dar um indicativo do posicionamento da legenda. Terceira colocada na corrida presidencial com quase 20 milhões de votos no primeiro turno, a senadora participa do encontro, que deve terminar no início da tarde. Marina já afirmou que pode seguir uma posição diferente do partido nesta etapa, mas a intenção de dirigentes verdes é que haja uma decisão única. “É importante que o partido e a Marina sigam o mesmo caminho”, disse o deputado federal Fernando Gabeira (PV) ao chegar à reunião. Segundo colocado na disputa pelo governo do Rio de Janeiro, Gabeira reconheceu, entretanto, que manifestações de dirigentes estaduais já indicam que, em caso de neutralidade, cada Estado terá a liberdade de apoiar o candidato que quiser. “Com uma única recomendação: que não utilizem os símbolos do partido”, afirmou Gabeira, que defende apoio ao candidato do PSDB ao Palácio do Planalto. Cerca de 30 pessoas participam do encontro, entre dirigentes e candidatos do PV aos governos estaduais.

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Quanta ignorância, meu Deus


07/10/2010 – 08h01

Pílula do dia seguinte e gravidez: na trilha do fanatismo eleitoral.

Gilberto Dimenstein

Folha de São Paulo

Uma indicação do perigo de colocar a fé acima da ciência é que, nessa eleição, aproveitando a polêmica do aborto, começaram a atacar a pílula do dia seguinte, acusando-a de abortiva. Lembro que esse medicamento tem ajudado comprovadamente a evitar abortos.

As pesquisas disponíveis indicam, em síntese, que a pílula retarda a ovulação e/ou dificulta que o espermatozóide chegue até o óvulo. Isso é abortivo? Se for, pílula anticoncepcional também é abortiva.

Não, claro, mas do jeito histérico que está esse debate – a tal ponto que Dilma e Serra fazem pose de cristãos, obedientes aos mandamentos divinos -, corremos o risco de impedir a disseminação da distribuição da pílula do dia seguinte nos postos de saúde. Diga-se que essa política é acertadamente feita pelo PT e PSDB.

Volto a dizer que se tivéssemos nos rendido a preceitos religiosos não haveria distribuição gratuita nem de camisinhas nem de pílulas anticoncepcionais. O custo seriam mais abortos.

Se os políticos não tiverem coragem de deixar essas questões nas mãos da saúde pública, vamos pagar um preço caro.

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Eleições: o que o Brasil tem de pior


03/10/2010 – 23h45

Fernando Callazans
Folha de São Paulo

Debate político: instrumento decisivo para os eleitores esvaziado pelos próprios candidatos.

Deveria ter sido o contrário. Um momento para se discutir os grandes desafios do Brasil.
Mas a eleição de 2010 foi, até aqui, um festival de incongruências e enganações.
É o grande paradoxo do Brasil: o país tem eleições livres que coroam um período de realizações importantes, com um futuro promissor.
Mas o momento cívico maior só revela, mais uma vez, o que o país tem de pior.
Movida a gastos públicos insustentáveis, a economia brasileira deve crescer também insustentáveis 8% neste ano. A poupança para controlar a dívida pública está comprometida pela sanha gastadora. Tudo para aprofundar a sensação de bem estar dos eleitores e a popularidade de Lula e de sua candidata.
Ao final do processo, ficamos sabendo que a mulher de confiança de Dilma Rousseff na Casa Civil, Erenice Guerra, era o gancho de um enorme cabide de empregos de seus parentes. Alguns trabalhando em negociatas corruptas dentro do Palácio do Planalto.
A revelação do caso gera ataques furiosos de Lula e Dilma à imprensa. Como se os jornais tivessem inventado tudo. Para completar, Lula diz que gostaria de exterminar um partido de oposição ao seu governo, o DEM.
Na oposição, o principal candidato, José Serra (que vive criticando a “farra nos gastos públicos”) promete reajustar para R$ 600, sem mais nem menos, o salário mínimo. Pela regra em voga, o aumento seria quase zero, mas ele promete 18%.
Sem saber do que falava, mas também atrás de votos, Serra disse ainda que o aumento do mínimo elevaria o número de pessoas elegíveis para o Bolsa Família. Uma coisa não tem nada a ver com a outra. O mínimo nunca (nem no governo FHC) foi parâmetro para esse tipo de benefício social.
No final, Serra é pego telefonando para um ministro do STF, Gilmar Mendes, para falar sobre a obrigatoriedade de se levar dois documentos para a seção eleitoral neste ano. O ministro adia a votação, cujo desfecho não interessava aos tucanos.
O STF e o TSE deixam decisões cruciais para a undécima hora. A da obrigatoriedade dos dois documentos caiu na semana final da eleição. A decisão sobre contabilizar ou não os votos dos “fichas-sujas” ficou para depois.
Toda a configuração do Congresso pode ser alterada no futuro, assim como o peso dos partidos na Casa. Numa confusão digna de uma República de Bananas.
No mais, a Justiça em vários Estados ajudou a censurar notícias, a circulação de jornais e a divulgação de pesquisas eleitorais.
Isso tudo sem falar de Tiririca e Mulher Pêra. Ou de candidatos como Dilma, Quércia, Aloysio Nunes e Roriz que dizem guardar milhares de reais em casa sem nenhuma explicação plausível ou lógica.
Ao final, nada sobre infraestrutura, deficit gigantesco nas contas externas, dólar em baixa matando indústrias ou boas propostas para grandes problemas.
Difícil esperar um segundo turno mais edificante e honesto.

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Quem é o palhaço?


por Jose Roberto de Toledo
Folha de São Paulo

Valdemar da Costa Neto: votando em Tiririca, você elege gente muito pior que ele.

Francisco Everardo Oliveira Silva corre o risco de ser o deputado federal mais votado do Brasil em 3 de outubro. Não se espante se você não reconhece o nome, nem seus próprios eleitores reconheceriam. Oliveira Silva é conhecido apenas por seu apelido, Tiririca.

Ele aparece em primeiro lugar no conjunto de pesquisas do Ibope sobre a eleição para a Câmara dos Deputados em São Paulo. Como é o Estado com o maior eleitorado, não será surpresa se Oliveira Silva acabar sendo o campeão nacional de votos de 2010.

Se você não tem visto muita TV nas últimas décadas e passou incólume pela propaganda eleitoral até agora, Tiririca é ator e palhaço profissional. Tem 45 anos, lê e escreve, se auto-define como “abestado” e seu slogan é “pior que tá num fica, vote Tiririca”.

Não é uma piada. É um projeto político. Oliveira Silva é candidato pelo PR, em coligação que inclui o PT e o PC do B. Prova da seriedade do projeto é que, até o último dia 3, o partido havia investido R$ 594 mil, oficialmente, na campanha do palhaço. E não deve parar por aí.

Tiririca é o principal puxador de votos do PR, do PT e do PC do B em São Paulo. Se chegar a um milhão de sufrágios, seu excedente de votos elegerá mais quatro ou cinco deputados da coligação. O eleitor vota em Tiririca e pode eleger Valdemar Costa Neto (PR), Ricardo Berzoini (PT) ou o delegado Protógenes (PC do B).

O “projeto Tiririca” é um bom retrato do sistema de coligações que impera nas eleições parlamentares brasileiras -uma salada farta de siglas, conexões improváveis, legendas de aluguel, e uma pitada muito pequena de ideologia.

Das 27 legendas que disputam as eleições para a Câmara dos Deputados, apenas os quatro partidos de esquerda (PSTU, PCO, PSOL e PCB) são seletivos nas coligações: não se misturam na grande maioria das vezes. Melhor deixá-los em um prato à parte.

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Entre as outras 23 legendas da salada, vale quase tudo. O PP, por exemplo, coligou-se 169 vezes a todos os outros 22 partidos, em 26 das 27 unidades da Federação. O PRB fez igual. Isso significa aliar-se ora ao PT, ora ao seu arquiinimigo PSDB, conforme a conveniência.

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PP e PRB são os campeões das alianças, mas não são exceção. Das 23 legendas da salada coligada, só o PV fez menos de 100 conexões com outros partidos. Mas bateu na trave: 97. A salada é sortida. Tem de PT com DEM (uma vez) a comunista com democrata-cristão (seis vezes). Só não tem petista com tucano.

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Se dividirmos a travessa em duas partes, numa ponta está o PT, na outra, o PSDB. O PMDB fica no meio. Perseguidos pelo poder, os peemedebistas aparecem como fortes aliados tanto de tucanos (6 vezes) quanto de petistas (11 vezes).

As conexões mais intensas do PT são com PC do B, PR, PRB, PSB, PDT e PMDB. E as do PSDB são com DEM, PPS, PSC, PMN, PR, PRB e PMDB. Mas as relações são abertas, não pressupõem exclusividade. Vez ou outra uma legenda dá uma escapadinha para o outro lado, sem culpa ou ressentimentos.

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Os mais cínicos dirão que a política partidária brasileira continua a mesma. Mudam os nomes, mas não os sobrenomes. No seu “Deputados 2010”, o Ibope identificou uma penca de herdeiros do poder (apud Francisco Antonio Doria) entre os favoritos a se elegerem para a Câmara.

São rostos novos para nomes conhecidos. Como os de Ana Arraes (Pernambuco), Ratinho Jr. e Zeca Dirceu (ambos no Paraná), ACM Neto (Bahia), Rodrigo Maia e Leonardo Piciani (ambos no Rio de Janeiro).

Nomes fortes foi justamente o que faltou para o PT paulista. O partido precisou improvisar nova estratégia. Além de se coligar ao PR de Tiririca, ressuscitou a tática de pedir votos para a legenda do partido. Está dando certo: a sigla do PT está em segundo lugar em citações no ranking do Ibope.

A falta de nomes conhecidos está confundindo os paulistas. Instado pelo Ibope a dizer em quem votará para deputado federal, há quem responda “Serra”, “Fernando Henrique Cardoso”, “Marina Silva”, “Alckmin”, “Mercadante” ou até quem evoque “Mario Covas”.

De todos os Estados onde o Ibope faz seu ranking para a Câmara, São Paulo é onde menos eleitores são capazes de citar um candidato a deputado federal: apenas 12%. Em Pernambuco essa taxa já chegou a 19%, e no Distrito Federal, a 21%.

Não é de espantar, portanto, que Tiririca seja o mais lembrado entre os paulistas. Nem de que alguém tenha pensado em usar um palhaço como puxador de votos. Pensando bem, até faz sentido.

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Roriz diz que não desistirá de 5º mandato por responder a ‘desígnio de Deus’


O candidato do PSC foi barrado pela Ficha Limpa e recorre ao STF para que possa concorrer ao cargo
09 de setembro de 2010

Joaquim Roriz: o abnegado servo de Deus diz que não desistirá.

Nota do D’Incao

O candidato ao governo do Distrito Federal Joaquim Roriz tem um imenso histórico de escândalos em seu nome, por conta dos 5 (cinco!) mandatos em que exerceu o cargo de governador. Seu último vexame foi a explicação dada para os milhões de reais que apareceram em sua conta repentinamente. ele disse que teria emprestado a vultosa soma de Nenê Constantino, dono da Gol, para comprar uma vaca.

Como a explicação não colou, Roriz foi obrigado a renunciar o mandato de Senador (que exercia na época), não sem antes protagonizar um espetáculo sem precedentes de falta de caráter, dissimulação e mentiras, digno somente de alguém que não tem escrúpulo algum.

O episódio (está postado no final desta página) foi devidamente registrado pelas câmeras e postado no You Tube, sendo campeão de acessos na ocasião.


Carol Pires, do estadão.com.br

BRASÍLIA – Joaquim Roriz (PSC) disse nesta quinta-feira, 9, que sua candidatura responde a um “desígnio de Deus” e que por isso não desistirá de concorrer a um quinto mandato à frente do Distrito Federal, a não ser que o Supremo Tribunal Federal (STF) negue seu último recurso.

“Eu não vou desistir de ser candidato. Eu vou até o fim, que é a Corte do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Roriz, após participar de sabatina na Federação da Agricultura e Pecuária do Distrito Federal (FAPE-DF). “Eu tenho certeza que o STF vai me dar ganho de causa. A não ser que eles rasguem a Constituição”, completou.

Roriz teve a candidatura barrada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) com base na lei da Ficha Limpa, uma vez que, em 2007, renunciou ao mandato de senador para escapar de um processo disciplinar que poderia ser concluído com a cassação do mandato e dos direitos políticos dele. A decisão de barrar a candidatura dele foi confirmada no último dia 31 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Roriz, no entanto, ainda tem várias possibilidades de recurso antes que sua candidatura seja impugnada em definitivo. Até lá, ele pode continuar em campanha. O ministro Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal (STF) negou um desses recursos na madrugada desta quinta-feira.

“Eu não tenho uma condenação. Eu tenho denúncias, mas não condenação. Se eu tivesse o poder divinatório que haveria uma lei três anos depois que seria proibido, eu não teria renunciado”, argumentou Joaquim Roriz. “Eu não estou aqui por acaso, eu estou por desígnio de Deus”, continuou.

Recursos

Para tentar reverter a impugnação da candidatura, a defesa de Roriz está atuando em duas frentes. A primeira tentativa feita pelos advogados foi recorrer da decisão ao próprio TSE, sob o argumento de que a lei, sancionada em junho deste ano, não poderia retroagir para prejudicar Roriz. Cabe ao presidente do TSE, Ricardo Levandowski, decidir se este recurso será encaminhado ao STF ou não. Caso Levandowski negue este recurso, a defesa de Roriz ainda pode recorrer ao STF.

Em outro plano, os advogados de Joaquim Roriz foram diretamente ao STF apresentar uma “reclamação”, alegando que o TSE desobedeceu ao princípio da anualidade ao barrar a candidatura de Roriz com base na lei da Ficha Limpa. Na avaliação da defesa, todas as leis, inclusive a da Ficha Limpa, só podem ser colocadas em prática após um ano de sua sanção. Como a lei da Ficha Limpa foi sancionada em junho, a regra não poderia ser colocada em prática nas eleições de outubro do mesmo ano.

Foi esta reclamação a negada esta madrugada por Ayres Britto. A defesa de Roriz anunciou, porém, que recorrerá também desta decisão para levar o caso ao plenário do STF.

Assista gora ao vídeo de Roriz, em duas partes:

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Capitalismo à brasileira


Eike Batista: "-Não vou ter negócios atrapalhados pela política."

Fernando Rodrigues
Folha de São Paulo

BRASÍLIA – Empresário sem ideologia há no planeta inteiro. Em períodos eleitorais, fica bem com todos no establishment. Nos EUA, em 2008, essa gente doou para o democrata Barack Obama e para o republicano John McCain.
Mas há limites em sociedades mais sofisticadas. Muitos escolhem ter um lado. Steve Jobs, da Apple, doou US$ 229 mil desde 1982 a políticos e a partidos. Desse total, destinou só US$ 1.000 a um candidato republicano ao Senado. Suas doações são quase exclusivamente para democratas. A Apple, como se sabe, atravessou muito bem os anos da dinastia Bush. Já Bill Gates, da Microsoft, pulveriza recursos meio a meio entre democratas e republicanos -compreensível.
No Brasil, é raro um grande empresário revelar em público sua intenção de doar só a Dilma Rousseff (PT) ou a José Serra (PSDB). Nesta semana, o maior homem de negócios do país, Eike Batista, declarou ter dado dinheiro à petista e ao tucano, de maneira indistinta. Por quê? “Em prol da democracia”, respondeu. Em seguida, no programa “Roda Viva”, da TV Cultura, deu mais clareza ao seu ato: “Não vão atrasar os meus projetos nos vários Estados por causa de política”.
Democracia e negócios não devem ser nem são excludentes. Mas Eike Batista, banqueiros e empreiteiros fazem pouco “em prol da democracia”. O dinheiro sai de seus bolsos por uma razão utilitária. O recurso não é oferecido a um candidato porque sua proposta na área da educação é considerada ótima.
Grandes empresários -com as exceções de praxe- costumam reclamar da má qualidade dos políticos. Poucos têm coragem de fazer críticas em público. Pusilânimes, doam a quase todos os candidatos com alguma chance de vitória. Perpetuam um ambiente no qual prosperam sempre. Um capitalismo à brasileira, sem risco. Mais um oximoro produzido pela forma invertebrada de se fazer política no Brasil.

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