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O inferno de Evo Morales


Segunda, 02 de Outubro de 2011, 03h06
Fonte: O Estado de São Paulo

De cabeça para baixo: governo de Evo Morales enfrenta crise em sua base de apoio.

Quando se lançou candidato à presidência da Bolívia em 2005, Evo Morales conseguiu atrair bolivianos de todos as bandeiras. Por mais que esse líder sindical de ascendência aimará ostentasse suas raízes sectárias, muita gente da elite boliviana – branca, urbana e abastada – apostou na sua destreza política e articulação social.

Se não morriam de amores por seus arroubos socialistas, pelo menos enxergavam nesse jovem e carismático líder um bálsamo para as profundas fendas sociais e raciais do convulsionado país andino. “Acreditava que ele, só ele, era capaz de promover a paz”, disse um ex-diretor de uma agência internacional de desenvolvimento com larga experiência na Bolívia.

Bons tempos, aqueles. Hoje a Bolívia está mais dividida que nunca. A divisão não é apenas o fosso milenar, entre brancos e índios ou ricos fazendeiros da baixada e pobres camponeses dos Andes. Na Bolívia de Evo, é o índio contra o mestiço, cocaleiros contra ambientalistas, governo contra governo, e todos contra a polícia.

A explosão social se desenha há anos, mas se potencializou nos últimos dias, com a polêmica sobre a construção de uma nova estrada que atravessará o seio do país, do norte ao sul. São 306 quilômetros apenas, uma obra modesta pelo padrão heroico da engenharia sul-americana. 

A OAS, construtora brasileira que toca a obra, já encarou empreitadas bem mais complexas. Mas a julgar pela convulsão que se criou, deve ser a maior encrenca por quilômetro do hemisfério. E, se o imbróglio se alastrar, pode acabar trincando ainda mais a quebradiça nação andina, fragilizando um governo já enfraquecido e ainda contaminando as relações entre a Bolívia e seu maior parceiro econômico, o Brasil. 

Lançada há dois anos, a rodovia ligará a pequena San Ignacio dos Moxos, no departamento amazônico do Beni, a Villa Tunari, em Cochabamba, ao custo de US$ 415 milhões. Apesar de cruzar terras remotas e pouco interessantes à economia brasileira, terá financiamento de US$ 322 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pelo acordo celebrado com pompa pelos governos de Evo e Lula, com direito a juras fraternas e muita flor de coca, safra principal da região e matéria-prima da cocaína.

Sim, a estrada corta áreas protegidas, o Parque Nacional e Território Indígena Isiboro-Securé ( Tipnis), com impactos incertos sobre a fauna, flora e diversas comunidades nativas que lá moram. Mas tudo valia pela “integração nacional” e pelo resgate das preteridas etnias, artigos de fé da nova Bolívia, rebatizada ao sabor da Constituição de Evo de Estado Plurinacional.

Os indígenas do Tipnis tiveram outra ideia e, em agosto, começaram uma longa – e pacífica – caminhada de protesto rumo à La Paz. A caminho, o protesto engordou, com adesões de peso, de diversas comunidades indígenas, a nata do eleitorado de Evo.

O governo reagiu e, seguindo ordens que ninguém assume, enviou a tropa de choque à frente. Houve cassetetes, gás lacrimogêneo, tiros, dezenas de feridos e crianças desaparecidas. Agora vem o sismo político. Uma meia dúzia de ministros e autoridades do governo caíram e Evo leu um pedido de desculpas forçado à nação. 

A julgar pelo clima nas cordilheiras, foi pouco. O Movimento Sem Medo, ex-aliado de Evo e agora oposição ferrenha, abriu queixa no Ministério Público contra os responsáveis pela repressão. Sobrou ainda para OAS, acusada de superfaturar a estrada. A suspeita – sempre negada pela construtora – é antiga e já vazou até pelo WikiLeaks, mas ganhou nova vida no rescaldo da crise do Evo.

Corrupção, conflito e bravatas. A história política da Bolívia é a de um país com memória longa e pavio curto. Só na última década, irrupções sociais levaram a confrontos violentos, derrubando os presidentes Gonzalo Sánchez de Lozada, em 2003, e Carlos Mesa, dois anos depois. Assim emergiu Evo, esperança das cinzas. Agora, arrisca-se acabar nelas.

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Campanha na Bolívia incentiva indígenas a fazerem plástica no nariz


12/08/2010

DA BBC BRASIL

Governo pode subsidiar até 100% da operação, mas tem gente reclamando de descaracterização da cultura indígena.

Uma campanha publicitária na Bolívia está incentivando pessoas com traços indígenas a fazerem cirurgias plásticas para se livrarem de “deformidades do nariz”.
Algumas cirurgias são subsidiadas pelo governo e chegam a ser feitas até sem custo para os pacientes. Muitos descendentes de indígenas na Bolívia têm narizes grandes como traço característico da sua etnia, mas o atributo é considerado indesejado por alguns, que dizem sofrer com preconceito.
Mas submeter-se à cirurgia, no entanto, seria desferir um golpe no “orgulho indígena” pregado pelo presidente boliviano, Evo Morales. No ano passado, o próprio Morales passou por uma cirurgia no nariz para corrigir um problema respiratório, mas se recusou a alterar sua aparência, alegando que a plástica afetaria sua etnicidade.
IDENTIDADE INDÍGENA
Em vários países, cirurgias plásticas são um artigo caro, mas na Bolívia –um dos países mais pobres da América do Sul– a operação é muito barata. Algumas cirurgias para pessoas mais carentes chegam a ser totalmente subsidiadas.
As cirurgias são anunciadas em campanhas publicitárias ao redor Bolívia, com outdoors espalhados nas cidades e até mesmo com crianças distribuindo panfletos.
O cirurgião boliviano Richard Herrera afirma já ter feito mais de cinco mil cirurgias do tipo, que estão se popularizando na Bolívia.
No seu consultório, o jovem Juan Carlos Calamar, de 19 anos, afirma que sofre descriminação, e por isso procurou o cirurgião.
“Eu quero melhorar minha imagem. E também quero evitar a humilhação de ser caçoado por causa do meu nariz. É algo muito sério para mim”, disse o jovem à BBC.
“As pessoas me discriminam muito. Eu ouço muitas pessoas dizendo: ‘Lá vai o Nariz Grande’. Outros também sofrem com isso.”
Calamar diz que a cirurgia é feita apenas por causa dos comentários, mas não afeta sua identidade como indígena.
“Só meu rosto mudará. Minhas raízes e minha cultura vão se manter iguais”, afirma. O cirurgião Richard Herrera, que também coordena algumas das campanhas publicitárias, defende o direito dos bolivianos de passarem pelas operações.
“Nós fizemos essas campanhas com o objetivo de alcançar as pessoas que não poderiam pagar normalmente por este tipo de operação. Agora elas podem, e elas sentem que precisam mudar a sua imagem”, afirmou Herrera à BBC.
Para o ex-ministro da Cultura da Bolívia e especialista em identidade indígena, Pablo Groux, as cirurgias plásticas como forma de mudar características étnicas são um fenômeno do mundo globalizado e há pouco que se possa fazer para combater isso.
“Este é um efeito do domínio do padrão de beleza ocidentalizado no mundo. Comunidades Aymara e Quéchua, que ficam nos centros urbanos, não são imunes a essas pressões.”

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Rússia poderá vender US$5 bi em armas à Venezuela, diz Putin


Seg, 05 Abr, 01h27
MOSCOU (Reuters)

Hugo Chávez e Evo Morales: armas contra o Tio Sam

- As vendas de armamentos russos para a Venezuela poderão chegar a um total de 5 bilhões de dólares, disse o primeiro-ministro Vladimir Putin nesta segunda-feira, depois de retornar de uma visita à nação sul-americana.
Putin encontrou-se na sexta-feira com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, em Caracas, para discutir uma cooperação nos setores de petróleo, defesa e energia nuclear, mas nenhum novo acordo para venda de armas foi firmado.
Os Estados Unidos frequentemente demonstram preocupação com a venda de armas russas para a Venezuela, um dos maiores críticos de Washington na América Latina.
Chávez diz que o aumento de seu arsenal tem como objetivo conter um planejado crescimento militar norte-americano na Colômbia, principal aliado dos EUA na região e vizinha da Venezuela.
“Nossa delegação acaba de voltar da Venezuela e o volume total de pedidos pode superar os 5 bilhões de dólares”, disse Putin, segundo agências de notícias russas, numa reunião com empresários do setor bélico.
Putin afirmou que o valor inclui uma linha de crédito de 2,2 bilhões de dólares para a compra de armas russas concedida pelo governo de Moscou a Chávez durante visita do presidente venezuelano em setembro.
Com esse montante serão adquiridos tanques T-72 e um avançado sistema anti-aéreo S-300, segundo a agência de notícias RIA. As reportagens não continham mais detalhes.
Nos últimos anos a Venezuela comprou mais de 4 bilhões de dólares em armas da Rússia, desde caças de combate Sukhoi até fuzis Kalashnikov.

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Bolívia pedirá US$ 100 milhões à Rússia para comprar equipamento militar


Publicado no site da Yahoo pela Agência EFE

Sex, 02 Abr, 02h40

Militares bolivianos: a defesa do país diante de um possível aumento de bases americanas no continente.

La Paz, 2 abr (EFE).- A Bolívia quer conseguir junto à Rússia um crédito superior a US$ 100 milhões para a compra de equipamento militar de logística, com o objetivo de também adquirir helicópteros para tarefas de defesa civil.

O vice-presidente boliviano, Álvaro García Linera, disse à imprensa que o presidente do país, Evo Morales, retomará o assunto na reunião que terá hoje com o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, em Caracas.

Linera lembrou que a Bolívia tenta obter desde 2009 um empréstimo de até US$ 100 milhões para “repor material” das Forças Armadas e para a compra de veículos militares.

O Governo de Evo Morales esclareceu que o plano de equipamento e modernização das Forças Armadas não é para provocar seus vizinhos, mas para defender a unidade do país e seus recursos naturais.

Uma parte do empréstimo russo servirá também para financiar a compra de um novo avião presidencial que será fabricado pela empresa estatal russa Ilyushin Finance Co.

Morales também se reunirá com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, para conversar sobre temas bilaterais de caráter comercial.

Nota do D’Incao: com um efetivo de apenas 31.000 soldados, contando com apenas forças terrestres, o exército boliviano sente a necessidade de se aparelhar diante da nova polarização esquerda-direita que toma grande vulto na América Latina. A Rússia, tentando manter influência na política mundial, ajuda de bom grado.

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