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EUA pedem que Coreia do Sul reduza importações de petróleo do Irã


17/01/2012 – 04h53

DA EFE

O assessor especial do Departamento de Estado americano para a não proliferação e o controle de armas, Robert Einhorn, fez um apelo voltado à Coreia do Sul nesta terça-feira para que a nação asiática reduza suas importações de petróleo do Irã, informou a agência de notícias Yonhap.

O funcionário americano formulou o pedido ao vice-ministro das Relações Exteriores sul-coreano, Kim Jae-shin, com o qual manteve uma reunião em meio à campanha liderada por Washington para punir o governo iraniano por seu programa nuclear.

“Estamos apelando a todos os nossos parceiros para que nos ajudem e colaborem conosco para exercer mais pressão sobre o governo do Irã”, declarou Einhorn, que chegou a Seul na segunda-feira para uma visita de três dias.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, assinou em 31 de dezembro uma lei que impõe duras sanções às entidades que mantêm negócios com o Banco Central do Irã.

Atualmente, a Coreia do Sul negocia com a autoridade monetária iraniana para realizar os pagamentos de suas importações de petróleo.

Por sua parte, o vice-ministro sul-coreano assegurou que Seul está “fortemente comprometido a apoiar e participar dos esforços internacionais para resolver este problema”.

No entanto, insistiu que a medida pode afetar a economia do Irã, mas desejou que EUA e Coreia do Sul cooperem “estreitamente” entre si para “tratar de minimizar este efeito adverso”.

As autoridades do Japão, o outro grande aliado dos EUA na região e com uma dependência do petróleo iraniano similar à da Coreia do Sul, expressaram idêntica preocupação na semana passada sobre a proposta de Washington.

A Coreia do Sul mantém uma alta dependência do petróleo iraniano, que representou 9,6% do total de importações sul-coreanas nos primeiros 11 meses do ano passado.

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Líder supremo do Irã dá ultimato 
para Ahmadinejad deixar Presidência


Presidente e aliados são acusados de “feitiçaria” por lideranças religiosas do regime

O presidente do Irã enfrenta ameaças do clero.

Site da R7
de Teerã

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, deu um ultimato para que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad deixe o poder, caso não aceite a imposição de reempossar um ministro. As informações são do jornal britânico The Guardian, que acrescenta que há um elemento religioso pitoresco envolvendo a questão, já que aliados do presidente estariam sendo acusados de “feitiçaria” pelo líder espiritual.
Segundo o Guardian, o conselheiro moral do presidente iraniano, Morteza Agha Tehrani, disse em uma reunião com aliados do governo nesta sexta-feira (6) que Ahmadinejad e Khamenei recentemente tiveram uma reunião na qual o líder supremo deu um prazo para que o presidente aceitasse a restituição ao cardo de um ministro demitido ou renunciasse à presidência.
Na quinta-feira (5), a agência de notícias oficial do regime, Mehr, reportou que vários membros do Parlamento já começaram a coletar assinaturas para interrogar Ahmadinejad sobre “eventos recentes”. Segundo boatos relatados pelo jornal britânico, até 90 parlamentares já teriam entrado de acordo com a petição, quando pela lei iraniana, são necessárias 175 assinaturas para pedir o impeachment do presidente.
A rixa entre os dois líderes iranianos veio à tona a partir do momento em que o presidente se negou oficialmente a aceitar o pedido de reintegração de cargo do ministro de Inteligência, Heydar Moslehi, demitido por Ahmadinejad no dia 17 de abril. O presidente chegou a pedir o afastamento do cargo por 11 dias, em protesto contra a decisão do aiotalá, mas retomou suas funções no último domingo (1º).
Apesar de Khamenei não poder, constitucionalmente, intervir no governo, todos os oficiais iranianos são obrigados a obedecer ao líder supremo sem questionamentos. Religiosos próximos ao aiotalá lançaram uma campanha para aumentar o papel político do líder. Segundo seus aliados, desobedecer ao aiotalá seria desobedecer a Deus, já que ele seria o seu representante na Terra.
Líder supremo acusa aliados de Ahmadinejad de “feitiçaria”
Aliados próximos do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, vêm acusando o presidente e seus pares de se utilizarem de “poderes sobrenaturais” no governo.
Segundo reportagem do britânico The Guardian, o presidente não esteve presente nas últimas reuniões religiosas na residência de Khamenei, onde foi duramente criticado por aliados do líder supremo nas últimas semanas. Normalmente, políticos e lideranças iranianas são obrigados a participar de tais cerimônias para não transparecer quaisquer desavenças políticas que possam comprometer o poder de Khamenei.

Aliados de Khamenei dizem que Ahmadinejad está cercado de “infiéis” em seu círculo pessoal, incluindo seu controverso chefe de gabinete, Esfandiar Hamim Mashaei, que defende a diminuição de poder de religiosos no regime. Mashaei, apontado como o sucessor natural de Ahmadinejad, foi preso durante a semana, em data não divulgada, por “envolvimento com feiticeiros” e por supostamente invocar djinns, criaturas sobrenaturais do folclore muçulmano, para aumentar seu poder dentro do regime.

A polêmica em torno das divisões religiosas no regime iraniano ganhou força graças ao notório envolvimento de Ahmadinejad com uma vertente do Islã xiita que acredita no retorno do profeta Mahdi – a crença é comparada à noção da segunda vinda de Jesus Cristo por fundamentalistas cristãos.
O presidente chegou inclusive a financiar um documentário sobre o retorno de Mahdi, no qual acusa os Estados Unidos de tentar impedir sua vinda. Ahmadinejad também costuma citá-lo em discursos oficiais.

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Dilma está mal informada sobre Sakineh, diz chefe de imprensa do Irã


14/03/2011 – 07h57

O chefe de imprensa do governo iraniano afirma que não há gays no Irã.

ELIANE CANTANHÊDE
COLUNISTA DA FOLHA
FÁBIO ZANINI
EDITOR DE MUNDO

Chefe de Imprensa do governo do Irã e um dos principais conselheiros do presidente Mahmoud Ahmadinejad, Ali Akbar Javanfekr, 51, afirma que a presidente Dilma Rousseff está “mal informada” sobre a pena de apedrejamento para a iraniana Sakineh Ashtiani, acusada de adultério.
Segundo ele, há “2.500 Sakinehs nas prisões brasileiras”. “Se a presidente Dilma está preocupada, também podia criticar os EUA [na questão dos direitos humanos]“, afirma.
É mais uma demonstração do desconforto iraniano com a mudança de tom da diplomacia brasileira sobre abusos praticados pelo país.
Dilma classificou como “bárbara” a possível execução de Sakineh. Seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, silenciava sobre o tema.
Javanfekr defende que o país “é livre”, respeita a oposição, a imprensa e os cineastas. Sua visita ao Brasil tem como objetivo tratar da abertura de um escritório da agência de notícias estatal Irna no Brasil.
Ele deu entrevista à Folha na última sexta-feira, na sede do jornal. Falou em farsi, com tradução de funcionário da Embaixada do Irã.
Folha – Há preocupação quanto a uma mudança de posição do governo brasileiro, sobretudo na área de direitos humanos, depois que a presidente Dilma se manifestou contrariamente ao apedrejamento de Sakineh?
Ali Akbar Javanfekr – Encontrei poucas informações sobre a realidade iraniana aqui no Brasil. Há notícias distorcidas e falsas. Isso é preocupante. Minha presença aqui é para tentar divulgar as informações corretas. No caso de Sakineh, informações que chegaram à presidente Dilma Rousseff não foram corretas.
A presidente Dilma está mal informada?
Sim. Foi mal informada sobre esse caso.
Independentemente do caso Sakineh, existe a pena de apedrejamento de mulheres, e a presidente Dilma se manifestou sobre isso.
Nosso presidente do Poder Judiciário enviou carta aos juízes dizendo que existem penas semelhantes que podem ser aplicadas. Esse não é o caminho correto [criticar direitos humanos], é um caminho que não tem fim. Existem 2.500 Sakinehs nas prisões brasileiras, acusadas de homicídio. Nos EUA, uma mulher foi executada recentemente. Se a presidente está preocupada, também podia criticar os EUA.
O Conselho de Direitos Humanos da ONU deve votar a designação de um relator especial para investigar abusos no Irã, e o Brasil tende a apoiar. Como isso seria encarado?
Nossa esperança é que [o apoio do Brasil] não ocorra.
E se acontecer?
Vamos esperar…
Qual o objetivo da sua vinda ao Brasil?
Conversei com autoridades da Secretaria de Comunicação da Presidência e do Itamaraty para aumentar nossa cooperação. Senti grande interesse nisso.
Em que pé está a relação entre os dois países?
Nos últimos dois anos houve grandes passos para incrementar as relações em diferentes campos. Trocamos mais de cem delegações entre os dois países. As relações comerciais atingiram mais de US$ 2 bilhões. E existem muitas áreas em que podemos aumentar nossas cooperações, como na industrial, na agricultura, medicina, tecnologia, programas nucleares. Compramos do Brasil 190 mil toneladas de carne, 40% disso de de São Paulo.
O sr. concorda com Ahmadinejad, para quem o Holocausto é um mito?
Se o Holocausto é uma realidade histórica, por que não se permite que seja estudado? Qualquer pessoa que questiona é logo condenada. Devemos ficar preocupados com a distorção da história.
Existe farta evidência do massacre de judeus…
Se existiu, podia ser objeto de várias pesquisas. Por que não permitir?
Como está o programa nuclear iraniano hoje, depois do veto da ONU ao acordo mediado por Brasil e Turquia?
Estamos prosseguindo nossas atividades dentro dos regulamentos da Agência Internacional de Energia Atômica [AIEA]. Existem conversas com o grupo P5+1 [EUA, Reino Unido, França, China e Rússia, que integram o Conselho de Segurança da ONU, mais a Alemanha].
O Irã pensa algum gesto adicional ao P5+1 para quebrar o impasse?
Cremos que temos de receber, não dar, mais.
Uma arma nuclear está descartada?
Não é nossa ideia ir por esse caminho.
Por que a ONU rejeitou o acordo para enriquecer urânio iraniano em um terceiro país?
O Conselho de Segurança age por influência dos EUA. Todo mundo sabe disso.
Que avaliação o Irã faz das revoltas árabes?
Estamos preocupados com a ameaça às vidas das pessoas. A nossa política é apoiar a vontade e a expressão dos povos.
O Irã e seu regime islâmico são exemplo para Egito, Tunísia e, eventualmente, Líbia?
Não apresentamos modelo de governança para ninguém. Cada nação é livre para tomar suas decisões.
Não é contraditório o Irã apoiar movimentos árabes e não tolerar atos parecidos em sua casa?
Não devemos misturar as coisas. A oposição do Irã tem direitos definidos na lei. Mas nenhum país permite conspirações apoiadas por forças externas.
Esse era o discurso do Egito, é o da Líbia…
Por que vocês comparam as duas coisas?
Porque a oposição iraniana diz que é reprimida, sem direito de manifestação.
Não foi reprimida. Eles têm jornais, publicam matérias criticando…
A ONG Repórteres sem Fronteiras coloca o Irã como o quarto pior país do mundo para a imprensa, só à frente de Turcomenistão, Coreia do Norte e Eritreia.
Convidamos vocês jornalistas a visitar nosso país e ver de perto a situação. Jornalismo é um trabalho sagrado. Esses relatórios são tendenciosos e irreais. Sabemos quem os patrocina.
Quem?
Sionistas.
É verdade, como diz o presidente Ahmadinejad, que não há gays no Irã?
Não temos.
É o único país do mundo que não tem gay?
Na República Islâmica do Irã, não há.
Se houver, há punições?
Nossa visão sobre esse tema é diferente da de vocês. É um ato feio, que nenhuma das religiões divinas aceita. Temos a responsabilidade humana, até divina, de não aceitar esse tipo de comportamento. Existe uma ameaça sobre a saúde da humanidade. A Aids, por exemplo. Uma das raízes é esse tipo de relacionamento.
A Aids é uma punição divina aos gays?
Não creio nisso. Mas vi que no Carnaval [do Brasil] foram distribuídos 90 milhões de preservativos, e isso é muito feio. Não é a favor da saúde da humanidade.
Por que o cineasta iraniano Jafar Panahi foi preso e proibido de filmar?
Temos milhares de cineastas trabalhando no Irã, produzindo filmes, ganhando prêmios em festivais internacionais. Se um deles pratica um crime que tem punição pela lei, será que é uma restrição das atividades do cineasta? Ser cineasta significa ter imunidade? Esse senhor praticou um ato ilegal.

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Após um morto, Irã reprime protestos; EUA apoiam revolta


14/02/2011 – 23h02

Estímulo à revolta: Estados Unidos apoiaram os protestos de parte da população do Irã.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Folha de São Paulo

Após um dia de intensos confrontos entre milhares de manifestantes e policiais munidos de bombas de gás lacrimogêneo que deixou ao menos um morto em Teerã, as ruas da capital iraniana ficaram vazias ao cair da noite. Inspirados pelos egípcios, os revoltosos contam com o apoio dos EUA, que defendem uma revolução no Irã “como a do Egito”.
De acordo com a agência estatal Fars, um manifestante foi morto pelas forças de segurança.
“Um iraniano morre mas não aceita humilhações. Morte ao ditador”, gritavam os manifestantes na tarde de segunda-feira, em referência ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.
A imprensa estrangeira foi barrada e não pôde cobrir os protestos que contaram com o apoio direto dos Estados Unidos.
Em meio aos intensos confrontos, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, disse que seu país apoia as demandas dos opositores e saudou a “coragem” e as “aspirações” dos que protestam contra o governo de Ahmadinejad. Segundo ela, a República Islâmica precisa “abrir” seu sistema político.
“Queremos para a oposição e o povo heroico nas ruas e nas cidades de todo o Irã as mesmas oportunidades que alcançaram seus homólogos egípcios na semana passada”, disse Clinton à imprensa.
“Apoiamos os direitos universais do povo iraniano. Merecem os mesmos direitos [dos exigidos pelos egípcios], que são parte de seus direitos naturais”, disse.
TWITTER
Ainda no domingo (13), o Departamento de Estado dos EUA começou a escrever mensagens em farsi no Twitter para dirigir-se aos iranianos e insistir na necessidade de que o Irã permita que sua população se manifeste de forma pacífica e livre, como no Egito.
No lançamento de sua nova conta no site de microblogs, @USAdarFarsi, os Estados Unidos evocaram “o papel histórico” que as redes sociais tiveram para os iranianos nos protestos, após as eleições presidenciais de 2009. “Queremos nos unir a vocês, às suas conversas diárias”, diz uma mensagem.
PRISÃO DOMICILIAR
Milhares de iranianos saíram às ruas da capital Teerã nesta segunda-feira impulsionados pela oposição que desde as contestadas eleições de 2009, quando o presidente Mahmoud Ahmadinejad se reelegeu, buscam amplas reformas democráticas na República Islâmica. O governo mantém em prisão domiciliar o líder opositor Mir Hossein Mousavi, informa o site Kaleme.org.
Segundo o site, censurado no país, também foram cortadas as linhas telefônicas de Mousavi, que junto ao outro líder opositor iraniano Mehdi Karroubi tinha convocado para esta segunda-feira um protesto que foi proibido pelo regime.
Karroubi encontra-se na mesma situação desde quarta-feira passada, quando as forças de segurança proibiram a entrada e a saída de pessoas em sua residência em Teerã.
“Vários carros da polícia proíbem os acesso à rua. Além disso, as linhas telefônicas, tanto fixas quanto móveis, de Mousavi e de sua esposa, Zahra Rahnavard, estão cortadas desde o domingo”, explicou o site.
Mousavi e Karroubi lideraram em 2009 os protestos contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que qualificaram como fraudulenta.
Na repressão a essas manifestações, mais de 30 manifestantes morreram, segundo os números oficiais, enquanto a oposição denuncia que foram mais de 70 os mortos.
Além disso, milhares de iranianos foram detidos e mais de cem foram condenados a diferentes penas, inclusive à forca, por supostamente conspirar com forças estrangeiras para derrubar o regime.
CONFRONTOS
Sites de oposição censurados dentro do Irã e agências internacionais indicam que os manifestantes enfrentam forte resistência da polícia e forças de segurança iranianas.
Na Praça Azadi (liberdade, em farsi), em Teerã, jovens gritavam: “morte ao ditador!” — um slogan usado contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad após as eleições presidenciais de 2009.
O site Kaleme.com afirmou que de acordo com “informes não confirmados, centenas de manifestantes foram presos em Teerã”.
Não houve confirmação oficial de nenhuma prisão.
Os manifestantes, reunidos apesar de proibição, realizaram os primeiros protestos contra o governo em Teerã desde 11 de fevereiro de 2010, quando ativistas foram às ruas para lembrar o 31º aniversário da Revolução Islâmica.
O site de oposição Rahesabz.net informou que os confrontos também foram registrados perto da Universidade de Teerã e na avenida que liga a Praça Azadi à Praça Enghelab.
Há informações de que bombas de gás foram lançadas pela polícia enquanto manifestantes gritavam “Ya Hossein, Mir Hossein”, um slogan de 2009 em apoio a Mousavi.
O site Rahesabz.net também reportou gritos contra o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, com gritos de “Ben Ali Mubarak, é sua vez Ali!”.
REPRESSÃO
“A polícia também entrou em ônibus parados no trânsito (em uma avenida entre a praça Azadi e a Enghelab) e bateram em mulheres para espalhar medo entre os passageiros”, informou o Kaleme.com.
Segundo os relatos, manifestantes em cabines telefônicas e utilizando celulares com câmera também foram alvos da polícia.
Sites e testemunhas informaram que milhares de manifestantes opositores tomaram as ruas de Teerã em apoio às revoltas árabes, apesar da grande mobilização policial.
Alguns colocaram fogo em latas de lixo enquanto gritavam slogans em aparente referência a Ahmadinejad.
Celulares foram cortados e houve blecautes em áreas onde os protestos ocorreram, disseram testemunhas.
Enquanto a população iraniana apoia as revoltas na Tunísia e no Egito, o ministro do Interior proibiu nesta segunda-feira os protestos planejados por Mousavi e Karroubi.
Em Londres, a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional condenou as autoridades “por interromper uma manifestação pacífica”.

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Irã apresenta mísseis e satélites e dá aviso a seus inimigos


07/02/2011

O Irã apresenta novas armas e segue sua trajetória de desafio aos EUA.

Folha de São Paulo
através da REUTERS

O Irã exibiu nesta segunda-feira novos mísseis e nova tecnologia de satélites, dizendo a seus inimigos que tem “domínio completo” sobre a entrada do Golfo Pérsico, rico em petróleo.
Como parte das comemorações anuais da revolução do Irã, um momento tradicionalmente acompanhado por novos avanços tecnológicos e militares, o presidente Mahmoud Ahmadinejad apresentou satélites de fabricação nacional, enquanto um comandante sênior exibiu mísseis produzidos em massa.
“Devemos chegar a um ponto no qual poderemos transferir nosso conhecimento e nossa tecnologia no campo aeroespacial a outros países”, disse Ahmadinejad em discurso, exibindo os satélites, que afirmou terem finalidades científicas, e um filme sobre um foguete portador de satélite.
Embora o Irã não esteja envolvido em nenhum conflito militar, o país vive em alerta constante contra possíveis ataques dos Estados Unidos e Israel, que não excluem a possibilidade de lançar ataques preventivos para impedir Teerã de ter acesso a armas nucleares.
O Irã afirma que não tem a intenção de fabricar bombas nucleares e que seu programa atômico –que é alvo de sanções dos EUA, Europa e ONU (Organização das Nações Unidas)– é inteiramente pacífico.
Em 2009, o Irã pôs em órbita pela primeira vez um satélite de fabricação doméstica. A medida intensificou o receio do Ocidente de que a República Islâmica esteja procurando fabricar uma bomba nuclear e sistemas de envio de mísseis.
O comandante-chefe da Guarda Revolucionária, Mohammad Ali Jafari, disse que o novo míssil produzido em massa poderá alvejar inimigos no mar.
“Sua velocidade é três vezes superior à velocidade do som. Ele não pode ser rastreado ou desativado por inimigos”, disse Jafari, segundo a agência de notícias oficial Irna.
Outro comandante da Guarda Revolucionária, Ali Fadavi, reiterou a ameaça iraniana de fechar o Estreito de Hormuz, o canal estreito pelo qual passa 40% do comércio petrolífero marítimo do mundo.
“O Golfo Pérsico e o Estreito de Hormuz estão sob o controle total da Guarda Revolucionária e serão bloqueados em caso de uma ameaça”, disse ele, segundo a agência de notícias semi-oficial Mehr.
Analistas estrangeiros dizem que o Irã relutaria em tomar essa medida drástica, já que ela cortaria suas próprias exportações de petróleo.

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Irã começa a injetar combustível nuclear em Bushehr


Usina nuclear de Bushehr, no Irã: eletricidade a partir de 2011.

Euronews Portugal

Os peritos iranianos começam a injectar esta terça-feira a primeira carga de combustível na central nuclear de Bushehr, Golfo Pérsico. Trata-se de um passo crucial para o programa nuclear iraniano. O objectivo é produzir electricidade no início de 2011.
O combustível chegou à central em Agosto, mas só agora é injectado no reactor, de acordo com as autoridades iranianas. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros definiu a ocasião como “uma vitória do Irão” sobre as grandes potências, que impuseram sanções ao país.
Mas os países ocidentais temem que a finalidade seja a concepção da bomba atómica. O programa nuclear continua a suscitar dúvidas. A porta-voz da diplomacia europeia convidou o Irão a sentar-se à mesa com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU mais a Alemanha para retomar as conversações sobre o dossiê nuclear.
A reunião está prevista para decorrer entre 15 a 17 de Novembro, em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atómica.

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Presidente do Afeganistão admite receber “bolsas de dinheiro” do Irã


25/10/2010 – 08h23

Hamid Karzai, presidente do Afeganistão, diz que recebe ajuda "transparente" do Irã.

DA FRANCE PRESSE

O presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, admitiu nesta segunda-feira que um de seus assessores recebeu “bolsas de dinheiro” do Irã, mas afirmou que os pagamentos são “transparentes” e uma forma de ajuda de um país amigo.
“O governo iraniano nos ajuda uma ou duas vezes ao ano com 500 mil, 600 mil ou 700 mil euros por vez”, disse Karzai em uma entrevista coletiva.
“É tudo transparente. [...] O dinheiro chega em bolsas”, completou.
Segundo o jornal americano “The New York Times”, o assessor presidencial afegão Umar Daudzai recebeu regularmente dinheiro do Irã.
“É basicamente um fundo para subornos”, afirmou uma fonte ocidental citada pelo “New York Times”.
“A missão de Daudzai é promover os interesses iranianos”, completou.
“É ajuda oficial, Daudzai recebe o dinheiro do governo iraniano sob minhas instruções”, declarou Karzai.
A embaixada do Irã em Cabul qualificou de “ridículas e ofensivas” as afirmações do New York Times.

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Chancelaria iraniana confirma suspensão do apedrejamento de Sakineh


08/09/2010

Chancelaria iraniana confirma que mulher não vai mais ser apedrejada.


DA REUTERS, EM TEERÃ

O Ministério de Relações Exteriores do Irã confirmou nesta quarta-feira que a sentença de morte por apedrejamento contra Sakineh Mohammadi Ashtiani, acusada de adultério, foi suspensa. “O veredicto sobre o caso extramarital foi suspenso e está sendo revisto”, disse Ramin Mehmanparast, porta-voz da chancelaria, à TV estatal Press TV.
A embaixada iraniana em Londres, no Reino Unido, já havia anunciado meses atrás a suspensão da condenação por apedrejamento diante das duras críticas de diversos países pela crueldade da punição. O caso, contudo, continuou em julgamento.
Na véspera, o governo iraniano havia afirmado que países estrangeiros não devem interferir no sistema legal do país e deveriam parar de tentar converter o caso em “problema de direitos humanos”.
O filho da iraniana disse nesta semana temer que a sentença fosse executada depois do fim do Ramadã, o mês sagrado de jejum dos muçulmanos que acabará em 10 de setembro. Em conversa telefônica com o escritor francês Bernard Henri Levy, Sajjad Mohammadi Ashtiani, 22, lembrou que a lei islâmica permite que as execuções sejam retomadas após o mês sagrado.
Ele disse ainda estar sem notícias da mãe desde a suposta confissão exibida pela televisão iraniana em 11 de agosto. “As visitas semanais estão proibidas”, afirmou o filho mais velho de Sakineh.
Na semana passada, Sajjad pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cujo pedido de asilo foi rejeitado, que continue insistindo ante o governo do Irã para salvar sua mãe.
Ele contou que sua mãe foi chamada à presença de um juiz, que a condenou a 99 chibatadas. “Isso por uma falsa acusação de difundir a indecência em razão de uma foto que se presumia era dela sem o hijab [um dos tipos de véus utilizados pelas mulheres iranianas]“, afirmou o filho de Sakineh ao jornal britânico “Observer”.
CASO SAKINEH
Mãe de dois filhos, Sakineh foi condenada em maio de 2006 a receber 99 chibatadas por ter um “relacionamento ilícito” com um homem acusado de assassinar o marido dela. Sua defesa diz que Sakineh era agredida pelo marido e não vivia como uma mulher casada havia dois anos, quando houve o homicídio.
Mesmo assim, ela foi, paralelamente à primeira ação, julgada e condenada por adultério. Ela chegou a recorrer da sentença, mas um conselho de juízes a ratificou, ainda que em votação apertada –3 votos a 2.
Diplomatas iranianos afirmam que foi encerrado o processo de adultério e que a mulher é acusada “apenas” pelo assassinato do marido. Os juízes favoráveis à condenação de Sakineh à morte por apedrejamento votaram com base em uma polêmica figura do sistema jurídico do Irã chamada de “conhecimento do juiz”, que dispensa a avaliação de provas e testemunhas.
Assassinato, estupro, adultério, assalto à mão armada, apostasia e tráfico de drogas são crimes passíveis de pena de morte pela lei sharia do Irã, em vigor desde a revolução islâmica de 1979. O apedrejamento foi amplamente utilizado nos anos após a revolução, mas a sentença acabou em desuso com o passar dos anos.
Sob as leis islâmicas, a mulher é enterrada até a altura do peito e recebe pedradas até a morte.

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Após desistência dos EUA, Irã oferece apoio ao Exército do Líbano


11/08/2010

Míssil é disparado em Israel em direção ao sul do Líbano, supostamente para atingir guerrilheiros do Hizbollah.

Nota do D’Incao:

Muitos devem se perguntar o que faz o Irã se meter em um assunto entre o Líbano e Israel. Nem fronteira o Irã faz com esses países. Pois bem, no teatro da guerra que se desenvolve há décadas no Oriente Médio,  é bem presente a provocação do inimigo por pura diversão, ou mesmo para se fazer presente e ameaçador nos noticiários. Um dia depois de os Estados Unidos anunciarem o fim do financiamento ao exército libanês (que tinha como objetivo conter a influência e o poder do Hizbolah na região), o Irã aparece para prometer ajuda. O mesmo Irã que, também um dia antes, viu o conselho de segurança da Onu aprovar sanções contra ele por causa do suposto desenvolvimento bélico de seu programa nuclear.

DA REUTERS, EM BEIRUTE (LÍBANO)
Publicado na Folha de São Paulo

O Irã ofereceu apoio ao Exército libanês, uma semana depois de o Congresso dos EUA bloquear a ajuda financeira de US$ 100 milhões aos militares libaneses por temor de uma influência exacerbada do grupo xiita Hizbollah. O grupo é considerado terrorista por Israel e EUA, mas é apoiado por Teerã.
A oferta do Irã pode alimentar a preocupação ocidental de que o governo iraniano estaria tentando ampliar sua influência perto da fronteira norte de Israel.
O governo israelense diz que se queixou aos EUA e à França a respeito das verbas para o Exército libanês depois do conflito que resultou na morte de quatro libaneses e um oficial militar de Israel. Esse incidente foi o pior na região da fronteira desde a guerra de 2006 entre Israel e o Hizbollah.
Na segunda-feira, o embaixador iraniano em Beirute se reuniu com o comandante do Exército do Líbano, general Jean Kahwaji, e disse que seu país quer colaborar com o Exército libanês “em qualquer área que ajude os militares a cumprirem seu papel nacional na defesa do Líbano.”
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deve visitar Beirute no mês que vem.
O Departamento de Estado dos EUA afirmou que a declaração iraniana mostra a necessidade de que Washington não se distancie de Beirute.
“Achamos que as atividades, direta ou indiretamente, por parte do Irã na verdade comprometem a soberania libanesa”, disse o porta-voz P.J. Crowley a jornalistas. “As declarações do Irã são expressamente a razão pela qual acreditamos que a continuidade do apoio ao governo libanês e aos militares libaneses seja do nosso interesse.”
Dois parlamentares democratas disseram estar bloqueando uma verba de US$ 100 milhões já aprovada para o Exército libanês, mas ainda não entregue pelos EUA. O deputado republicano Eric Cantor defendeu que futuras ajudas sejam interrompidas enquanto o confronto deste mês é investigado.
Cantor disse que os limites entre o Hizbollah –que participa da coalizão de governo–, os militares libaneses e o governo se tornaram difusos demais.
Analistas afirmam que o Hizbollah tem uma capacidade militar muito superior à do Exército libanês, que desde 2006 recebeu mais de US$ 720 milhões em assistência norte-americana.
O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, considera que foi um erro equipar os militares libaneses com armas avançadas, porque elas estão sendo usadas contra o seu país.
Crowley disse não saber do uso de qualquer equipamento dos EUA durante o incidente e afirmou que o Departamento de Estado vai tentar resolver as preocupações do Congresso a respeito das verbas militares.

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Teerã diz que iraniana é homicida, além de adúltera, e confirma execução


05 de agosto de 2010

Jamil Chade correspondente / Genebra – O Estado de S.Paulo

Lapidação: o condenado é enterrado até o peito e depois apedrejado até a morte


A Corte Suprema do Irã ignorou ontem apelos de defensores dos direitos humanos e atendeu ao pedido do Ministério Público para que a iraniana Sakineh Ashtiani seja executada. Em uma aparente tentativa de aplacar as críticas internacionais, Teerã mudou o teor da principal acusação contra Sakineh – de adultério para assassinato. O tribunal definirá na próxima semana se ela será enforcada ou apedrejada. Não cabe recurso.
Em entrevista ao Estado, Gholan Dehghani, diretor de Assuntos Políticos Internacionais da chancelaria iraniana, deixou clara a posição de Teerã: “Ela (Sakineh) é uma criminosa. E esse caso não é político, é criminoso”, disse. “A história foi apresentado como sendo de adultério. Mas isso é uma forma de enganar a opinião pública mundial. Essa mulher é acusada de assassinato e muitas coisas mais terríveis que eu não tenho nem coragem de descrever.”
Na terça-feira, o Irã disse que o presidente Lula só se ofereceu para receber Sakineh no Brasil porque não tinha informações sobre o caso. Segundo o assessor de Assuntos Internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, o chanceler Celso Amorim havia conversado três semanas antes com autoridades iranianas. Na ocasião, manifestou a preocupação do governo brasileiro com a situação de Sakineh. Aparentemente, a acusação de assassinato não foi mencionada. Garcia disse ontem que o desfecho do caso não altera as relações entre Brasil e Irã. “Obviamente, não vai mudar de jeito nenhum. Não tem razão para mudar.”
Grupos de direitos humanos alegam que a acusação de assassinato foi retomada para amenizar as críticas internacionais, uma vez que países como os EUA também preveem a pena capital para homicidas. “Há dois dias, voltaram a usar esse argumento para justificar sua execução”, disse ao Estado Mina Ahadi, ativista que vive refugiada na Alemanha e trabalha no apoio a Sakineh.
Execução. Ontem, a audiência final na Corte Suprema de Teerã foi marcada pelo pedido oficial do promotor Hossein Nobacht para executar Sakineh. A Corte, segundo Ahani, rejeitou o pedido dos advogados de defesa para reabrir o caso. A informação foi repassada a um filho de Sakineh por telefone, pois os advogados não acompanharam a audiência. O principal defensor de Sakineh pediu asilo na Turquia (mais informações nesta página). “A confirmação da ordem de execução pode significar que ela pode ser morta muito em breve. Pedimos às organizações de direitos humanos, governos e indivíduos que continuem a pressionar o governo do Irã”, disse Ahadi. / COLABOROU LEONENCIO NOSSA

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