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Rebeldes anunciam captura de Gaddafi em Sirte, dizem agências


20/10/2011 – 09h32

A queda: Gaddafi é capturado por rebeldes em sua cidade natal.

Folha de São Paulo

Atualizado às 09h39.
O ditador líbio, Muammar Gaddafi, foi capturado e ferido nas duas pernas, disse Abdel Majid, uma autoridade do CNT (Conselho Nacional de Transição), órgão político dos rebeldes, nesta quinta-feira.
“Ele foi capturado. Ele está ferido nas duas pernas…Ele foi levado pela ambulância”, disse o oficial de alta patente do CNT à Reuters por telefone.
Outro comandante rebelde, Mohamed Leith, confirmou a informação à agência de notícias France Presse. “Ele foi capturado. Ele está muito ferido, mas ainda está respirando”, afirmou.
O comandante do CNT afirmou que viu Gaddafi e que estava vestido uniforme cáqui e um turbante. O canal de TV “Libya lil Ahrar” também informou a detenção do ditador.
Forças rebeldes da Líbia capturaram nesta quinta-feira as últimas posições mantidas pelos partidários de Muammar Gaddafi em Sirte, cidade natal do ditador.
“Sirte foi liberada. Não há mais forças de Gaddafi”, disse o coronel Yunus Abdali, chefe de operações na parte oriental da cidade. “Agora estamos caçando seus combatentes, que estão em fuga”.
Outro comandante da linha de frente confirmou a captura da cidade costeira no Mediterrâneo, que era o último bastião de importância de combatentes pró-Gaddafi.
A ofensiva final contra a cidade natal do ditador começou por volta das 8h no horário local e durou cerca de 90 minutos antes de os soldados leais ao regime fugirem.
Pouco tempo antes, cerca de cinco veículos de combatentes gaddafistas tentaram escapar da cidade, mas os passageiros foram mortos pelos soldados do CNT.
Os rebeldes realizavam uma grande operação de busca na cidade, revistando prédios e residências na tentativa de encontrar algum combatente leal ao regime que pudesse estar escondido.
Mais cedo, um comandante do CNT já havia afirmado que a queda de Sirte era iminente, depois que suas forças entraram no último bairro da cidade que não estava sob seu controle.
“É o último dia da batalha, dentro de algumas horas anunciaremos a queda de Sirte”, declarou o tenente-coronel Hussein Abdel Salam, da Brigada Misrata.
A captura de Sirte é considerada pelos rebeldes essencial para a consolidação da queda do regime de Muammar Gaddafi, há 42 anos no poder. O CNT afirmou que só começará a instauração de uma democracia na Líbia quando todo o território estivesse sob seu controle.
FUGA
Pessoas ligadas a autoridades do regime de Gaddafi fugiam da cidade de Sirte desde segunda-feira (17), entre elas a mãe e o irmão de Mussa Ibrahim, porta-voz de Gaddafi, informou um comandante do CNT.
“São parentes de autoridades do regime. A mãe e o irmão de Musa Ibrahim estão entre eles”, afirmou Wissam ben Hamidi.
Quase 150 combatentes do novo regime se reuniram ao redor dos veículos, o que provocou cenas de confusão, antes que as famílias fossem retiradas rapidamente do local. De acordo com Hamidi, comandante das operações na frente leste de Sirte, alguns ocupantes dos veículos eram pessoas procuradas pelos rebeldes, mas nenhuma era considerada importante.
BANI WALID
A cidade líbia de Bani Walid, que era um dos últimos redutos fiéis a Gaddafi, a 170 km ao sudeste de Trípoli, foi “totalmente libertada” na segunda-feira (17), segundo anúncio de Ahmed Bani, um dos chefes militares do CNT.
De acordo com moradores, homens leais a Gaddafi recuaram devido ao avanço das forças rebeldes. Segundo relato do morador Moammar Warfali, combatentes do governo de transição cercaram o centro, um hospital e vários edifícios que eram usados por franco-atiradores leais a Gaddafi para impedir o avanço.
Bani Walid é a terra da tribo Warfalla, a maior e uma das mais influentes do país. A cidade está sitiada há semanas, e as autoridades negociavam uma rendição com os líderes tribais.

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Forças de Gaddafi resistem à ofensiva rebelde em quartel-general


22/08/2011 – 08h27

Últimos momentos: o regime de Gaddafi agoniza depois de 42 anos.

Folha de São Paulo
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

As forças leais ao ditador líbio, Muammar Gaddafi, resistem nesta segunda-feira à ofensiva dos rebeldes oposicionistas no complexo de Bab al-Aziziyah, quartel-general do ditador e um dos últimos bastiões do regime na capital Trípoli.

O porta-voz rebelde Nouri Echtiwi disse à agência de notícias Reuters que picapes com metralhadoras emergem do complexo. “Eles disparam aleatoriamente em todas as direções, assim que ouvem disparos”.

Um médico líbio que mora perto do local disse à rede de TV americana CNN que pode ouvir disparos e confrontos nas ruas vizinhas e que vê diversos tanques.
Há rumores de que Gaddafi está em Bab al-Aziziyah, mas não há confirmação nem mesmo se o ditador continua em Trípoli.
Em Roma, o ministro italiano das Relações Exteriores, Franco Frattini, afirmou mais cedo que o regime líbio controla apenas entre 10% e 15% da capital.
“Ao redor do aeroporto, que é uma área chave, as últimas formas de agressão estão sendo eliminadas, atiradores estão sendo detidos e em alguns casos se rendem”, disse o chefe da diplomacia italiana.
A agência de notícias France Presse diz que os rebeldes avançam em massa para o centro de Trípoli, assim como um grupo de responsáveis pelo Conselho Nacional de Transição, o órgão político da rebelião líbia.
“Membros do CNT saíram de Benghazi [capital rebelde no leste do país] de avião e chegaram até as montanhas do oeste de Jebel Nefusa”, afirmou um rebelde, em condição de anonimato. Eles devem viajar a Trípoli de carro.
O CNT foi criado el 27 de fevereiro em Benghazi, poucos dias depois do início da rebelião contra o regime de Gaddafi.
AVANÇO
Os primeiros grupos rebeldes conseguiram chegar à periferia da capital líbia ainda na noite do sábado (20) e rapidamente tomaram os principais bairros da cidade, sem encontrar grande resistência por parte das forças de Gaddafi.
A este primeiro grupo de rebeldes, uniram-se mais tarde os combatentes da Frente Ocidental e os comandos localizados no sul e em Misrata, que conseguiram entrar por mar na capital líbia.
Apesar do controle quase total de Trípoli, Mahmud Jibril, um dos principais membros do CNT, alertou os combatentes rebeldes para que fiquem atentos a possíveis “bolsões” de resistência pró-Gaddafi na capital.
“Devem ser prudentes. O combate não acabou. Mas, se Deus quiser, em algumas horas nossa vitória será completa”, afirmou ele, que exerce o cargo de primeiro-ministro à frente do Executivo rebelde.
Durante a noite de domingo, as forças rebeldes líbias anunciaram que possuíam o controle de grande parte da cidade de Trípoli, com exceção do complexo de Bab al-Aziziyah e de alguns destes “bolsões de resistência”.
Imagens das redes de TV Sky News e Al Jazeera mostravam durante a noite uma multidão de pessoas reunidas na emblemática praça Verde, no coração de Trípoli, comemorando a chegada dos rebeldes.
O local era até então um dos símbolos do regime líbio, e desde o princípio da rebelião as redes de televisão oficiais transmitiram ao vivo manifestações de partidários de Gaddafi neste local.
APELO
Em sua terceira mensagem de áudio divulgada pela TV estatal líbia em menos de 24 horas, Gaddafi fez um apelo no domingo a seus partidários para que tomassem armas e defendessem Trípoli “dos novos colonialistas”, em alusão aos rebeldes e à Otan.
“Bela Trípoli, eles vão entrar em uma cidade destruída. Imãs nas mesquitas, vocês precisam sair agora e marchar. Vão agora com suas armas. Todos vocês. Não deve haver medo”, disse o ditador.
“Temo que, se não agirmos, eles [os insurgentes] vão queimar Trípoli. Não teremos mais água, comida, eletricidade ou liberdade. (…) Vamos lá, estou com vocês até o fim. Estou em Trípoli. Vamos vencer.”
FILHOS DETIDOS
Em meio à ofensiva deste domingo em Trípoli, os rebeldes anunciaram a captura de três filhos de Gaddafi. Aboubakr Traboulsi, um dos porta-vozes da rebelde Aliança 27 de Fevereiro, afirmou que dois filhos do ditador, Saif al-Islam e Saad, foram capturados enquanto estavam em uma área turística da capital.
A prisão de Seif al-Islam, considerado por muitos como o sucessor do pai, foi confirmada pelo Tribunal Penal Internacional, onde ele tem contra si um mandado de prisão para crimes contra a Humanidade.
Já Mohammed Gaddafi, filho mais velho do ditador líbio, entregou-se às forças rebeldes após ter sua casa cercada. Em declarações à Al Jazzera ele afirmou que recebeu garantias por parte dos rebeldes sobre sua segurança e a de sua família.
QUEDA IMINENTE
A tomada de Trípoli e o avanço em direção ao quartel-general de Gaddafi parecem sinalizar que essa é a fase decisiva de um conflito que já dura seis meses e se transformou no mais sangrento da chamada “Primavera Árabe”.
Em Bruxelas, o secretário-geral da Otan, Anders Fogh Ramsussen, assegurou que o regime de Gaddafi estava “claramente desmoronando”, e sustentou que o líder líbio “não pode ganhar a batalha” contra seus próprios cidadãos.
“Agora é o momento de cessarem todas as ameaças contra os civis, como exigiu o Conselho de Segurança da ONU. Agora é o momento de criar uma nova Líbia, um Estado baseado na liberdade e não no medo; na democracia e não na ditadura; a vontade da maioria e não o capricho de alguns poucos”, disse.
Já o presidente americano, Barack Obama, divulgou um comunicado neste domingo dizendo que o ditador da Líbia, Muammar Gaddafi, precisa aceitar que seu regime acabou.
”Hoje, a oposição contra o regime de Gaddafi atingiu seu limite. Trípoli está se libertando de uma tirania. O modo mais certo de dar fim ao derramamento de sangue é simples: Muammar Gaddafi e seu regime precisam admitir que seu governo acabou”, afirmou Obama.

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Análise: Vale a pena armar os rebeldes líbios?


30/03/2011 – 21h32

Restos de avião durante guerra na Bósnia: OTAN armou muçulmanos contra sérvios.

JONATHAN MARCUS
 DA BBC BRASIL

Publicado na Folha de São Paulo

Com a oscilação de resultados das forças oposicionistas líbias, há uma preocupação crescente entre a coalizão de que apenas bombardeios aéreos possam não ser suficientes para impedir a derrota rebelde, levando a temores de atrocidades que possam ser cometidas por Muammar Gaddafi.
Dada a disparidade de poder bélico entre os dois lados, alguns países da coalizão já discutem a possibilidade de superar as possíveis restrições do embargo de armas para a Líbia e passar a fornecer treinamento e equipamentos para os rebeldes.
Logicamente, já passamos por isso e as lições do passado podem nos oferecer dicas interessantes.
Na Bósnia, durante o começo da década de 1990, as forças muçulmanas foram totalmente superadas em termos militares pelos sérvios. O embargo de armas da ONU (Organização das Nações Unidas) serviu apenas para manter essa disparidade.
Após Bill Clinton assumir o governo americano, ocorreu um amplo debate, dentro e fora de sua administração, a respeito de assumir uma posição nova na crise. As conclusões foram quatro palavras: “cancelar”, “armar”, “treinar” e “atacar”.
Soa familiar?
A ideia era acabar com o embargo de armas, armar e treinar forças muçulmanas e, enquanto isso ocorria, atacar com o poderio bélico americano para manter distantes as forças sérvias.
À época, o plano não foi implementado, mas a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se viu cada vez mais envolvida no conflito, primeiro por meio de ataques aéreos para implementar uma zona de exclusão aérea (isso também soa familiar?).
A crise se tornou uma enorme campanha contra alvos sérvios na Bósnia. Um subsequente acordo de paz foi mantido com a presença de cerca de 60 mil tropas da Otan no local.
O que aconteceu no Afeganistão recomenda ainda mais cautela. Na década de 1980, os EUA financiaram rebeldes anti-soviéticos. Boa parte do dinheiro para comprar armas chegou ao Afeganistão por meio do Paquistão.
Muitos dos recursos foram para grupos islâmicos radicais que lutavam e em quem o Paquistão confiava para implementar suas metas estratégicas na região.
A decisão americana se transformou em um fantasma que voltou para assombrar administrações futuras. Quando os soviéticos deixaram o Afeganistão, muitos dos grupos armados pelos EUA passaram a se dedicar ao movimento jihadista internacional, tendo os Estados Unidos como alvo.
Não espanta, portanto, que a declaração do comandante militar americano na Europa, James Stavridis, de que o serviço secreto dos EUA teria detectado “sinais de possíveis simpatizantes da Al Qaeda” entre os rebeldes líbios, cause alarme.
Mas além dessas questões políticas a respeito de armar ou não os rebeldes da Líbia, existem questões práticas cruciais também.
O tempo pode não estar do lado dos opositores de Gaddafi. Mesmo equipamentos relativamente simples precisam ser manejados como um mínimo de técnica para ter algum impacto no campo de batalha.
E além do equipamento, o ponto mais fraco dos rebeldes pode ser organização. Muitos deles são pouco mais do que civis armados.
É verdade que eles parecem ter tanques e lançadores de mísseis operados por desertores do regime, mas agrupar todos eles em uma força militar funcional e capaz não é trabalho de semanas, mas sim de meses.
Se existir tempo suficiente, onde deve ocorrer o treinamento e quem deve fornecê-lo? Necessitará de especialistas estrangeiros?
Este é o tipo de trabalho que as Forças Especiais americanas realizaram em vários lugares, mas claramente necessita do envio de tropas que atuem no solo.
Apenas o fato de que o debate a respeito de armar e treinar a oposição já começou é sinal inequívoco de oscilação na coalizão. Medo de que a derrota das forças de Gaddafi possa não ser inevitável mesmo com a aplicação de seu vasto poderio aéreo.
Se as derrotas rebeldes continuarem, o volume do debate só tende a aumentar.

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Gaddafi e seus aliados podem estar tentando exílio, diz Hillary


22/03/2011 – 21h02

Hilary Clinton aborda possibilidade de exílio para Gaddafi.

DA REUTERS, EM WASHINGTON
Folha de São Paulo

O ditador líbio, Muammar Gaddafi, e seus aliados, que enfrentam uma ofensiva de bombardeios de países ocidentais, podem estar considerando o exílio, embora não esteja claro se ele realmente renunciaria, afirmou a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, nesta terça-feira.
“Uma parte disso tudo é encenação”, afirmou Hillary em entrevista à ABC News, acrescentando que os EUA ficaram sabendo que pessoas “supostamente por parte de Gaddafi” estão tentando avaliar as opções do líder frente às operações dos aliados internacionais em seu país.
“Muito se deve ao modo como ele se comporta. É um tanto imprevisível”, afirmou. “Mas achamos que uma parte disso é explorar possibilidades…quais seriam minhas opções, para onde eu poderia ir, o que eu poderia fazer. E nós encorajaríamos isso.”
OTAN
Os países ocidentais que apoiam uma zona de exclusão aérea na Líbia para proteger civis concordaram nesta terça-feira em usar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para conduzir o esforço militar, mas autoridades afirmaram que a aliança estava dividida e longe de concordar sobre detalhes da missão.
Gaddafi, em sua primeira aparição desde o início da campanha aérea, prometeu continuar lutando para permanecer no poder.
Hillary Clinton também afirmou que o governo norte-americano recebeu relatos não-confirmados de que pelo menos um dos filhos de Gaddafi pode ter sido morto durante os ataques. Ela disse que os “indícios não são suficientes” para confirmar a notícia.
A secretária de Estado disse que detalhes sobre qual será o país a assumir a liderança da coalizão ainda estão sendo ajustados. Ela afirmou não estar preocupada com a transição.
A reunião dos países-membros da Otan, contudo, não definiu se a aliança vai assumir a liderança da operação, que atualmente é comandada pelos Estados Unidos.
A participação da Otan tem dividido seus países-membros. A Itália e o Reino Unido defendem que a aliança tem melhor capacidade de coordenar os esforços. Já França teme que a liderança da aliança atlântica pode afastar os países árabes. Há ainda os países-membros como Turquia e Alemanha, que têm objeções quanto aos ataques internacionais e se negam a participar.
“A Otan completou seus planos para ajudar a aplicar a zona de exclusão, para dar nossa contribuição, se for necessário, de forma claramente definida, ao amplo esforço internacional para proteger o povo da Líbia da violência do regime de [Muammar] Gaddafi”, disse o secretário-geral Anders Fogh Rasmussen, em comunicado, sem mais detalhes.
A Otan encerra assim a fase de planejamento, que tinha sido adiada no fim de semana passado diante do racha interno. Uma fonte da aliança, citada pela agência Efe, diz que haverá uma nova fase das discussões internas, para definir qual será o papel na aplicação da zona de exclusão –o que pode se prolongar por dias.
Os embaixadores dos países-membros voltam a se reunir nesta quarta-feira, em Bruxelas, para abordar o assunto.
ACIDENTE
Mais cedo, a imprensa divulgou que um F-15E Strike Eagle dos Estados Unidos caiu na noite desta segunda-feira na Líbia. Os dois pilotos a bordo conseguiram se ejetar e estão bem, segundo o Comando Americano na África.
Vince Crawley, porta-voz do comando, disse que ambos os pilotos sofreram ferimentos leves. Eles usaram paraquedas para se ejetar do F-15E Strike Eagle, ainda em uma grande altitude, e acabaram caindo em lugares diferentes. Um deles foi encontrado pelos rebeldes, o outro foi resgatado por um avião de resgate e salvamento da Marinha americana.
A aeronave partiu da base italiana de Aviano, como parte da operação Aurora da Odisseia. A queda ocorreu às 19h30 de segunda-feira.
O comando não divulgou o local do acidente, mas o correspondente do jornal britânico “Daily Telegraph” disse ter encontrado os destroços perto de Benghazi.
A causa da queda está sendo investigada, mas segundo o correspondente do jornal britânico, o F-15E Eagle americano sofreu uma falha mecânica.
“Acabei de encontrar um avião de guerra dos EUA em um campo. Acredito que uma falha mecânica causou a queda”, disse o correspondente do jornal Rob Crilly, em seu Twitter. “O avião caiu ontem a noite. A tripulação estaria bem”, disse Crilly, que cobre os conflitos nos arredores de Benghazi.
A Força Aérea dos EUA disse que aviões B-2, F-15 e F-16 estão participando das operações na Líbia. Eles estão sendo coordenados pelo Comando Americano na África, que tem como base Stuttgart, na Alemanha.
VÍTIMAS
Apesar dos ataques da coalizão internacional, as forças de Gaddafi mantêm ampla ofensiva contra os rebeldes.
Um morador, citado pela agência de notícias Reuters, diz que ao menos 40 mortos na segunda-feira por forças leais ao ditador na cidade rebelde de Misrata.
O morador, Mohammed Ahmed, disse que o número lhe foi passado por um membro do comitê rebelde encarregado do atendimento médico. Ele não especificou quantos dos mortos eram civis e quantos eram combatentes.
Nesta terça-feira, os moradores de Misrata voltaram a relatar bombardeios das forças governistas.
“A situação está muito ruim. Os tanques começaram a atacar com artilharia nesta manhã”, disse um morador que se identificou apenas como Mohammed. “Franco-atiradores estão participando da operação também”.
Ele afirma que as vítimas da ofensiva incluem quatro crianças, a mais velha com 13 anos, que estavam em um carro atingido pela artilharia.
Testemunhas em Zintan, perto da fronteira com a Tunísia, disseram que a cidade foi atacada novamente nesta terça-feira, com artilharia pesada.
Várias casas foram destruídas, assim como o minarete de uma mesquita.
“Novas forças foram enviadas hoje para dominar a cidade. Há ao menos 40 tanques no pé das montanhas perto de Zintan”, disse Abdulrahmane Daw.
As informações não puderam ser verificado independentemente e autoridades líbias não confirmaram.

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Sob ataque, Gaddafi convoca marcha rumo a reduto dos rebeldes no leste


Rebelde líbio comemora resolução da ONU sobre pilha de livros.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Publicado na Folha de São Paulo

O ditador líbio, Muammar Gaddafi, convocou nesta segunda-feira o povo líbio a realizar uma “marcha popular estratégica” em direção à cidade de Benghazi, reduto dos rebeldes de oposição no leste da Líbia, para impedir “a agressão estrangeira”.
A Líbia é alvo há três dias da operação Aurora do Amanhecer, uma ampla ofensiva militar das forças ocidentais contra as forças de Gaddafi. A operação visa a impedir os ataques do ditador aos civis e rebeldes líbios, que pedem sua renúncia, e impor a zona de restrição aérea –medidas aprovadas na quinta-feira (17) pelo Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).
Segundo a agência oficial líbia Jana, Gaddafi pediu ainda que os líbios levem ramos de oliveira nas mãos, para “lidar com os problemas de forma pacífica e não dar oportunidade aos inimigos que atacam a Líbia e buscam roubar suas riquezas”.
O ditador quer reagrupar dezenas de tribos líbias de todas as regiões. A agência Jana disse que mesmo tribos de Benghazi participariam da marcha.
Apesar dos bombardeios ocidentais, Gaddafi mantém a ofensiva contra os rebeldes no leste do país, principalmente em Misrata, terceira maior cidade líbia. Segundo os opositores, as forças leais ao ditador chegaram a trazer civis de cidades vizinhas para usá-los como escudos humanos.
GUERRA
As explosões marcaram a noite de domingo e a madrugada desta segunda-feira em Trípoli, onde um edifício do complexo residencial de Gaddafi foi destruído por um míssil da coalizão ocidental. O céu da capital foi tomado por aviões da coalizão procedentes de bases na Itália e pelos disparos da defesas antiaérea líbia.
O prédio, situado a cerca de 50 metros da tenda onde Gaddafi recebe geralmente seus convidados importantes, foi totalmente destruído. A coalizão alega que o prédio era de uso militar e continha armas. Já o governo líbio disse se tratar de um prédio administrativo.
“Foi um bombardeio bárbaro, que poderia ter atingido centenas de civis congregados na residência de Muammar Gaddafi, a cerca de 400 metros do prédio atingido”, declarou o porta-voz do regime, Musa Ibrahim, aos jornalistas estrangeiros, denunciando as “contradições do discurso ocidental”.
“Os países ocidentais dizem querer proteger os civis, mas atacam uma residência onde sabem que há civis no interior”, criticou.
A troca de fogo ocorreu mesmo com a declaração de um novo cessar-fogo pelo regime líbio, na tarde deste domingo.
A trégua foi recebida com desconfiança pela comunidade internacional e o conselheiro do presidente americano para a Segurança Nacional, Tom Donilon, afirmou que o anúncio era “uma mentira” e que havia sido “imediatamente violado” pelas forças de Gaddafi.
ALVO
No Pentágono, o vice-almirante Bill Gortney negou contudo que o objetivo dos ataques da coalizão seja o ditador Gaddafi. “Posso garantir que (Gaddafi) não figura na lista dos nossos alvos. Não visamos sua residência”, declarou o almirante.
Até agora o Pentágono não registrou nenhuma perda de aeronaves nos ataques da coalizão contra as tropas terrestres da Líbia nem mortes de civis, afirmou Gortney.
O vice-almirante afirmou ainda que a coalizão, inicialmente formada por EUA, Reino Unido, França, Itália e Canadá, foi ampliada para incluir Bélgica e Qatar.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, assinalou que seria “insensato” matar Gaddafi na operação militar da coalizão para deter o regime em Trípoli.
“Acredito na importância de operarmos com base na resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Se começarmos a acrescentar objetivos, acredito que vamos gerar outro problema neste sentido. Não é sensato estabelecer metas que talvez não possamos atingir”.

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Após resolução da ONU, Líbia anuncia cessar-fogo imediato


Sem armas: a partir do cessar-fogo, Gaddafi terá que encarar os revoltosos sem armas.

FOLHA DE SÃO PAULO

O governo da Líbia anunciou nesta sexta-feira um cessar-fogo imediato no país, em obediência à resolução do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) aprovada na noite de quinta-feira e que permite aos países usar a força militar no país africano para proteger os civis.

A aprovação da resolução pela ONU era o obstáculo que os países citavam para não iniciar uma intervenção na guerra que se arrasta há um mês na Líbia, entre as forças leais ao ditador Muammar Gaddafi e rebeldes de oposição. Não há um saldo oficial atualizado, mas estimativas de organizações humanitárias falam em até 6.000 vítimas em mais de um mês de confrontos.

Pouco depois da aprovação, a França já iniciava seus preparativos e falava em um ataque “em horas”. O Reino Unido já deslocou seus aviões de guerra para bases próximas e a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) também já iniciara seus preparativos para uma intervenção.

Diante de jornalistas, o ministro de Relações Exteriores líbio, Moussa Koussa, leu um comunicado no qual garante que o grande interesse da Líbia é proteger os civis e criticou alguns itens da medida, como a criação de uma zona de exclusão aérea, que prejudicam a vida dos cidadãos líbios.

“Considerando que a Líbia é membro da ONU, nós aceitamos a resolução e, portanto, a Líbia decidiu por um cessar-fogo imediato e o interrompimento de todas as operações militares”, disse Koussa. “Meu país vai fazer o melhor que puder com esta resolução”.

A notícia deve ser celebrada pelos rebeldes, que enfrentavam grande revés diante da ofensiva aérea do governo. Dias após chegarem a cerca de 50 km de Trípoli, os militantes se organizavam para tentar resistir a uma grande ofensiva em seu reduto no leste, Benghazi.

Aparentemente ignorando as críticas internacionais pela violenta repressão ao movimento rebelde, o ministro afirmou ainda que o governo oferecerá aos líbios “toda a ajuda humanitária necessária” e que espera que todos os direitos humanos sejam respeitados.

“Nós enfatizamos e concordamos com o artigo [da resolução] que fala da proteção dos civis e da unidade territorial da Líbia”, disse o ministro.

Koussa reiterou ainda a oferta de Trípoli para que os países e ONGs enviem equipes ao país para verificar de perto as condições do confronto e tomar as decisões certas.

Ele disse ainda que a Líbia busca uma solução através do diálogo “com todos”, o que levaria à retomada da paz e segurança ao país.

RESOLUÇÃO

A criação da zona de exclusão aérea autoriza o abate de aviões do ditador líbio que decolem para atacar tropas opositoras. Em outras palavras, a ONU liberou o uso da força militar para que a resolução seja respeitada.

A medida endurece ainda o embargo e as sanções contra Gaddafi, seus familiares e círculo mais próximo de colaboradores implementadas no mês passado. Bens e fundos de investimento do ditador e sua família na Suíça e na União Europeia há haviam sido congelados semanas atrás.

Os Estados-membros da ONU podem agora adotar “todas as medidas necessárias” –o que incluiria ataques aéreos– para “proteger os civis e as áreas povoadas por civis sob ataque na Líbia, incluindo Benghazi”.

O texto, contudo, exclui a presença de “qualquer força de ocupação estrangeira de qualquer tipo, em qualquer parte do território líbio”.

A resolução foi aprovada por dez votos a favor (incluindo EUA, França e Reino Unido), nenhum contra e cinco abstenções –Rússia, China, Alemanha, Índia e Brasil.

O Brasil alegou temer que a resolução resulte em mais confrontos e disse defender uma solução pacífica aos confrontos.

DANOS AOS CIVIS

Koussa não poupou críticas, contudo, à resolução e “expressou tristeza de que a resolução inclui de medidas contra a nação líbia”.

Ele citou como exemplo a zona de restrição aérea, que proíbe não apenas os aviões militares das tropas do ditador líbio, Muammar Gaddafi, como voos comerciais de circular no espaço aéreo do país. “[A medida] aumentará o sofrimento do povo líbio e terá impacto negativo na vida do povo líbio”, disse.

Koussa citou ainda o congelamento de todos os bens e investimentos da Líbia no exterior, “que terá grande impacto na vida dos líbios e [...] na forma como a Líbia cumpre seus contratos internacional e nacionalmente”.

“A comunidade internacional deveria ter excluído os civis da resolução, para garantir sua qualidade de vida”, disse.

O ministro argumentou ainda que o uso de poderio militar estrangeiro vai claramente contra o artigo 42 da Carta da ONU, além de ser uma violação da soberania nacional da Líbia.

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Assessor de Obama diz acreditar em vitória de Gaddafi


10/03/2011 – 19h44

Manifestantes líbios protestam com antiga bandeira da época da monarquia.

DA BBC BRASIL
Publicado na Folha de São Paulo

O general James Clapper, principal conselheiro de inteligência do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quinta-feira acreditar que o líder líbio, Muammar Gaddafi, sairá vitorioso da batalha contra rebeldes em seu país e permanecerá no poder.
Em audiência no Senado em Washington, Clapper, que ocupa o cargo de diretor da Inteligência Nacional dos Estados Unidos, afirmou que as forças do governo da Líbia têm melhores equipamentos e estão mais treinadas que os oposicionistas do regime.
Segundo ele, isso provavelmente resultará na vitória de Gaddafi no longo prazo.
Outro possível desfecho, disse Clapper, seria a divisão da Líbia em três Estados semiautônomos.
VIAGEM
Também nesta quinta-feira, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou que viajaria ao Egito e à Tunísia para apoiar a transição de ambos os países rumo a “uma democracia genuína”.
Ela também pretende se encontrar com líderes da oposição líbia durante a viagem. Segundo Clinton, um de seus objetivos é construir um consenso internacional que embase qualquer ação contra Gaddafi.
O anúncio de Hillary ocorre num momento em que as forças de Gaddafi intensificam ataques contra os rebeldes, retomando o controle de cidades chave.
Nesta quinta-feira, a TV estatal líbia informou que rebeldes deixaram Ras Lanuf, uma cidade portuária importante para a indústria de petróleo líbia, que vinha sendo alvo de pesados bombardeios nos últimos dias.
Também nesta quinta-feira, Saif Al Islam, filho de Muammar Gaddafi, disse que está sendo preparada uma grande ofensiva contra os opositores do regime.

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Qual Gaddafi?


Para os EUA, quando interessou, Gaddafi era "bonzinho".

Ruy Castro

Folha de São Paulo

RIO DE JANEIRO – Woody Allen disse certa vez que a Revolução Russa poderia ter acontecido muito antes de 1917. Mas os mencheviques e os bolcheviques, atirando-se mutuamente às carótidas sobre o que fazer depois que tomassem o poder, custaram a perceber que o Tzar e o Czar eram a mesma pessoa.
O mesmo pode ter se dado na Líbia, onde o ódio ao ditador Muammar Gaddafi vem de longe, mas, até há pouco, os rebeldes não se decidiam sobre quem derrubar: Gaddafi, Khadafi, Gathafi, Quathafi, Qadhafi ou Qadhdhafi? Eu próprio, que nunca me dediquei apaixonadamente à biografia do homem e costumo me perder quando abro um Atlas naquela região, já cheguei a pensar que fossem ditadores diferentes, talvez meio aparentados.
Vestígios dessa confusão ainda devem pairar por aí. É a única explicação para o fato de que Gaddafi, com 2/3 do território líbio em mão dos revoltosos, incluindo os poços de petróleo, abandonado por seus embaixadores, antigos aliados e metade do Exército, tendo contra si os EUA, a ONU e a União Europeia, com seu país sob bloqueio econômico e suas contas pessoais congeladas na Suíça, ainda não tenha sido posto para fora. Estarão atacando o Gaddafi certo?
A depender da rede de televisão ABC, do jornal “New York Times”, da agência Associated Press e de outros possantes veículos de comunicação, essa possibilidade de confusão existe. Uns pelos outros, eles já grafaram o nome de Gaddafi de 112 formas diferentes desde que o cujo tomou o poder, em 1969.
Na verdade, há um imbróglio nisto, mas de outra natureza: qual Gaddafi os EUA pretendem enxotar? O atual, que o povo líbio sempre quis ver pelas costas, ou o de, digamos, 2008, que era louvado pela secretária de Estado americana Condoleezza Rice como “nosso forte parceiro na guerra contra o terrorismo” e cuja cooperação ela chamava de “excelente”?

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Cresce isolamento a ditador da Líbia; Europa teme êxodo árabe


23/02/2011 – 23h37

Perto do fim: Kadhafi em pronunciamento, após assumir o poder em 1969

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Folha de São Paulo

Após perder o controle da região leste do país e também o apoio de pilotos da Força Aérea, o ditador da Líbia Muammar Gaddafi viu-se forçado a enviar mais soldados e mercenários à capital Trípoli e à região oeste, onde a oposição diz já ter conquistado a importante cidade de Misratah. Nos EUA, o presidente Barack Obama fechou o cerco ao regime e chamou o mundo à uma “ação conjunta” enquanto a Europa teme a chegada de até 1,5 milhão de imigrantes ilegais da região.
Em um breve discurso em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, voltou a condenar os atos “ultrajantes” de violência do regime do ditador Muammar Gaddafi contra os civis e disse que seu país estuda várias medidas contra a Líbia –desde sanções unilaterais até ações conjuntas com outras nações.
O presidente americano condenou fortemente o “banho de sangue inaceitável” que ocorre no país após os repetidos ataques militares contra a própria população e disse que o mundo precisa “falar com uma só voz”.
As declarações de Obama chegam horas após relatos sobre a perda de controle de Gaddafi da região leste da Líbia –onde está a cidade de Tobruk e grande parte dos campos produtores de petróleo– e em meio a relatos de que mais de 640 já morreram no país, de acordo com grupos de direitos humanos.
O número representa mais que o dobro do balanço oficial do governo líbio de 300 mortos. A FIDH menciona 275 mortos em Trípoli e 230 na cidade de Benghazi, epicentro dos protestos.
Em Trípoli moradores indicaram que a presença de membros de milícias e mercenários estrangeiros contratados pelo governo aumentou consideravelmente e que as trocas de tiros nas ruas têm ficado mais violentas.
Obama destacou ainda que os protestos na Líbia e na região são gerados pelo próprio povo e que não têm influência alguma de Washington ou de qualquer outro país e destacou uma frase de um líbio como emblemática para caracterizar os motivos das revoltas: “só queremos viver como seres humanos”.
Entre as medidas concretas que o governo americano já tomou em reação à crise estão o alerta às suas embaixadas e consulados para dar total assistência aos americanos que tentam deixar a Líbia; o envio do sub-secretário do Departamento de Estado, Bill Burns, a diversos países da região e da Europa para debater as revoltas; e a presença de Hillary Clinton em Genebra na segunda-feira (28) para debater uma “ação multilateral” junto a outros países que integram o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
PILOTOS DESERTAM
Moradores da capital relataram clima de tensão em meio às novas investidas do regime contra os civis. “Muitas pessoas estão com medo de deixar suas casas em Trípoli já que atiradores de milícias pró-Gaddafi estão nas ruas ameaçando qualquer um que se junte em grupos”, disse o tunisiano Marwan Mohammed, logo após cruzar a fronteira com a Tunísia.
As manobras de Gaddafi, que chegam horas após dois pilotos terem se ejetado de um jato de guerra que caiu em Benghazi, são vistas pela mídia internacional como “desesperadas” e indicam que a perda de controle do país tende a aumentar.
Um avião da Força Aérea da Líbia caiu perto de Benghazi (leste) depois que sua tripulação se recusou a obedecer as ordens de bombardear a cidade e se ejetou da aeronave –uma Sukhoi-22 de fabricação russa–, caindo em segurança em terra firme com a ajuda de paraquedas.
A recusa dos militares mostra que o ditador Muammar Gaddafi está cada vez mais isolado até mesmo dentro das suas Forçar Armadas.
ÊXODO
O governo italiano revelou nesta quarta-feira o temor de que a queda do ditador líbio Muammar Gaddafi possa estimular a partida de milhares de imigrantes ilegais rumo à Itália e outros países europeus como a Grécia. Já a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas (Frontex) estima que entre 500 mil e 1,5 milhão de líbios possam pedir refúgio do outro lado do Mediterrâneo.
O chanceler da Itália Franco Frattini alertou em entrevista ao jornal “Corriere della Sera” que a fuga de líbios pode se converter num “êxodo bíblico”, sendo uma onda até dez vezes maior do que a crise registrada em 1997 quando refugiados da Albânia migraram rumo ao país.
“Na Líbia, um terço da população não é originária do país, mas subsaariana. Estamos falando de 2,5 milhões de pessoas que, no caso da queda do sistema do país, escaparão porque ficarão sem trabalho. Nem todos [virão] à Itália. Grécia está muito mais perto de Cirenaica e Benghazi”, avaliou o chanceler, acrescentando que a parte leste do país é “terra de ninguém”.
“Na Cirenaica, como se sabe, existem tribos e nós não temos ideia de quem são”, revelou, destacando que o que se sabe deles é que são perigosos e contam com integrantes da rede terrorista Al Qaeda, e que por isso no fim de 2006 a Itália decidiu fechar seu consulado na região.
EUROPA EM ALERTA
A agência da União Europeia (UE) encarregada de guardar as fronteiras do bloco manifestou preocupação com o êxodo de imigrantes ilegais que pode ser ocasionado em meio à crise no norte da África.
“Trata-se de pessoas de origem subsaariana que trabalham na Líbia e o norte da África” e que “se dirigiriam principalmente à Itália, Malta e Grécia”, alertou a Frontex em comunicado.
Os ministros de Interior da UE se reunirão na quinta-feira em Bruxelas para debater pela primeira vez as consequências na imigração das revoltas do norte da África.
Além disso, a Comissão Europeia, Frontex e o governo italiano informarão ao resto dos estados-membros sobre a operação Hermes em Lampedusa.
A agência dedica atualmente a maior parte de sua capacidade nessa operação após as revoltas na Tunísia chegaram ao redor de 5,5 mil imigrantes.
“Será a primeira oportunidade que terão os 27 [países integrantes da UE] de discutir em conselho a crise da imigração e avaliar os seguintes passos a serem dados”, informou um porta-voz da Presidência húngara que atualmente comanda o bloco.
LAMPEDUSA
Após a queda do ditador da Tunísia Zine el Abidine Ben Ali, na metade de janeiro, mais de 5.000 imigrantes já tentaram entrar na ilha de Lampedusa, na Itália, e barcos com egípcios também já foram apreendidos.
A Itália, porta de entrada por questão geográfica, quer dividir a responsabilidade com o resto da Europa e já pediu a criação de fundo de 100 milhões de euros para cuidar do problema.
O país alega que esses imigrantes não desejam ficar na Itália, mas ir para a França, onde têm família. Há também a facilidade da língua: o país foi colônia francesa, e a maioria dos tunisianos fala o idioma.
Acordo entre os países da União Europeia determina que imigrantes em busca de asilo devem ficar no país a que chegaram até a solução de seu caso.

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Artigo: Khadafi, a cara da Líbia


Khadafi, em evento oficial na Líbia: como seria o país sem ele?

Luís Paulo Domingues

D’Incao Intituto de Ensino

A Líbia é um país surrealista. Ela se tornou independente da Itália depois da Segunda Guerra Mundial, quando os italianos quiseram formar um “portão” no Mar Mediterrâneo – a Líbia de um lado e a Itália do outro. Um lugar coberto por desertos seria, então, usado para dominar o mar.
Assim que se tornou independente, a Líbia foi governada pelo Rei Idris I, que não fez muita coisa. O povo se revoltou e colocou o Muamar Khadafi no lugar do rei. Só que isso foi em 1969, e ele está lá até hoje. Veio pra ficar. Tanto isso é verdade, que Khadafi não é o presidente do país (lá não tem presidente) e sim o “Líder Fraternal e Guia da Revolução”.
Um dos problemas de Khadafi é estético. Nos anos 1970 ele aderiu ao visual 1970. E nunca mais o abandonou. Khadafi se veste, até hoje, com ternos e uniformes cortados no estilo 1970. Parece o professor Girafális, no tamanho, no físico e nas roupas. Suas fotos em uniforme militar de gala são impagáveis. Tem uniforme verde claro, cor de vinho, azul calcinha… tudo adornado com aqueles galardões e medalhas imensas e breguíssimas, com um quepe igualmente gigante, que fica por cima de uma cabeleira rebelde semelhante às da dupla sertaneja “Leo Canhoto e Robertinho”. E de Ray Ban.
Ultimamente, deu pra se vestir com roupas de beduíno do Saara. Também de Ray Ban. Dizem que se retira para sua tenda no deserto e fica orando, por dias.
Agora, pense bem:
Dá pra acreditar num cara desses?
Porém, mesmo com todo esse comportamento de Renato Aragão, Khadafi colou sua imagem na de seu país de tal forma, que agora o povo da Líbia tem um grande problema nas mão. Se o Khadafi cair, a Líbia não é mais a Líbia. Terão que mudar o nome do país.
Fico imaginando se foi a mente brilhante de Khadafi que escolheu a bandeira da Líbia. A bandeira da Líbia é só um pano verde. Não tem uma listra, um símbolo, uma estrela, nada. Nem mesmo uma galinha, como tem a de Uganda. A bandeira da Líbia é só verde e pronto. Coisa de ditador decidido.
“-Líder Fraternal, como será nossa bandeira?”, pergunta um escravo.
“-Verde”, diz Khadafi.
“-Sim, mas verde com quê? Uma estrela, um símbolo, um…”
“-Verde.”
Bom, foi mais inovador que o rei. A bandeira anterior era vermelha, branca e preta, como quase todas as outras bandeiras árabes.
Derrubar Hosni Mubarak tudo bem; derrubar Khadafi é acabar com a Líbia – pelo menos com “esta Líbia” que está aí. Quem olharia para ela se não fosse Kadhafi? Seria como os Estados Unidos sem a estátua da liberdade, uma França sem Paris, Portugal sem bacalhau, um Brasil sem Sarney. Não existe.
Na página da Líbia na Wikipédia tem uma foto do país sendo bombardeado por zepelins italianos. Imagine a cena:
“-Fujam! Os zepelins italianos estão chegando!”
Não tem o mesmo peso que:
“-Fujam! Os bárbaros estão chegando!”
Ou: “-Fujam! Os russos estão vindo!”
O que é melhor? Enfrentar um russo, um ostrogodo ou um italiano? Um italiano, é claro. Imagine, então, ser colonizado por italianos, com aquelas cantorias e aquele jeito de falar. O torturador vai te espancar e fica gritando:
“-Mamma Mia! Ma quê? Porca Miséria!”
Nestas alturas do campeonato, o melhor que os líbios poderiam fazer é arrumar um lugar para o Khadafi no meio artístico. Seria um bom apresentador de programas no estilo Silvio Santos.
Mas engana-se, contudo, quem acha que Muammar está lá de brincadeira, com esse comportamento freak. Ele sabe exatamente o que faz. Domingo, seu filho apareceu em pronunciamento na TV falando (não em árabe, mas no dialeto líbio) que os inimigos da revolução querem derrubar o governo e que se eles saírem, o país entra em guerra civil.
E é verdade. Se Khadafi sair, há grandes possibilidades de a Líbia entrar em guerra civil e se esfacelar em pequenas regiões feudais, voltando a ser o que era antes de 1952. Eles não têm outro líder. Ou melhor, Khadafi construiu com maestria a imagem de líder único.
Nem é bom dizer isto aqui, porque jornalismo é coisa de democracia e etc, mas talvez a Líbia seja ruim com Khadafi, e pior sem ele. Igual ao Iraque sem Saddam.

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