Tag Histórico | "meio ambiente"

Tags: , , ,

Código Florestal: conseguiremos respirar?


Desenvolvimento e preservação: desafio de todos os códigos florestais.

D’Incao Instituto de Ensino

Luís Paulo Domingues

Pergunto ao leitor: o que faria um Deputado Federal brasileiro trabalhar na madrugada de terça para quarta-feira?
Resposta: a votação do novo Código Florestal Brasileiro.
Gostaria de acreditar que o meio ambiente é um assunto tão importante para nossos políticos, que conseguiu mover corações e mentes para, arduamente, conseguirem concentrar seus esforços na votação do Código, essencial para o bem estar da nação.
O novo Código Florestal foi aprovado no Congresso pelo massacrante placar de 410 votos a favor, 63 contra e 1 abstenção. Por mais que eu tente, não consigo crer em um surto de boas intenções de parlamentares repentinamente comprometidos com o desenvolvimento do país. O placar é elástico demais. Não dá para não ver que há um lobby poderoso da bancada ruralista que, sabe-se lá como, convenceu até a base aliada do governo (que é contra o Código) a votar a favor da aprovação do novo texto.
Vejamos o que disse o Deputado Federal Ronaldo Caiado (DEM-GO) sobre o assunto, em seu site – lembrando que Caiado é da turma ruralista:
“-O Brasil disputa com o protecionismo internacional uma agricultura de ponta. Agricultura que preserva o meio ambiente e que, de 851 milhões de hectares, só ocupa 236 milhões de hectares. Exatamente um quarto do território. O restante é de floresta nativa”.
Bom, então vamos destruir mais um quarto? Assim a gente se equipara aos Estados Unidos e à maioria dos países europeus em poder de destruição?
É verdade que quando se analisa uma questão polêmica como esta, temos que ser cautelosos em nossos julgamentos. Temos que entender que o meio ambiente deve ser preservado, mas que também é essencial que o país promova o desenvolvimento da agricultura.
Há um grande interesse dos países do primeiro mundo nessa questão. Para eles, o ideal seria que o Brasil não expandisse sua agricultura e preservasse tudo o que resta das matas. Já houve até teorias conspiratórias nesse sentido, que diziam que a Amazônia seria internacionalizada por ser o “pulmão do mundo”. Depois, cientistas declararam que a Amazônia não é o pulmão do mundo coisa alguma e que as algas marinhas teriam um poder muito maior de fotossíntese.
Mas há uma maneira mais fácil para decidirmos de que lado ficar quanto às decisões políticas no Brasil. Quando se trata do nosso Parlamento, basta observarmos o voto de alguns Deputados e Senadores “figurinhas fáceis”, para sabermos como nos posicionar. O Ronaldo Caiado é um deles. Se ele está a favor da aprovação do Código, é porque (muito provavelmente) há alguma coisa errada nele. Funciona assim:
Se o Epitácio Cafeteira, o Almeida Lima, o Wellington Salgado, o Renan Calheiros, o Paulo Maluf, o Fernando Collor, o José Sarney e o Ronaldo Caiado (olha o time!) são a favor de seja lá o que for, o certo é sermos contra. Se eles são contra, o certo é sermos a favor. Quase nunca falha, é incrível!
No caso do Código Florestal, que vai agora para votação no Senado, a Presidente Dilma já avisou que irá usar o poder de veto, porque ele prevê a anistia a todos os proprietários que desmataram terras ilegalmente até Junho de 2008.
Está muito certo. Desmatou irregularmente, tem que pagar. Você não paga suas multas? Os fazendeiros devem pagar as suas e regularizar sua situação.
Outro modo de decidirmos como opinar sobre esse tema tão difícil é pensarmos no que é mais urgente: o desenvolvimento agrícola ou a preservação? Os dois lados devem ser abordados pela lei, mas todos estamos “carecas” de saber que (não só no Brasil, mas no mundo todo) chegamos a uma situação limite em relação à destruição do meio ambiente.
Chegou a hora de privilegiarmos a preservação em detrimento da lógica mega-empresarial do Blairo Maggi, por exemplo. O que ele faz no Mato Grosso pode movimentar a economia do Estado, empregar muita gente, impulsionar a agricultura do Brasil e nos tornar competitivos mundialmente. Mas a longo prazo, isso de nada nos servirá quando nossos netos não conseguirem respirar.

Popularity: 8% [?]

Postado emAtualidades, Biologia, E.P.CComments (0)

Tags: ,

Virou jardim


Morador do Jardim Pagani transforma viela com mato em verdadeiras obras paisagísticas, inclusive usando material reciclável.

Jardim construído com material reciclado: iniciativa pessoal é lição para poder público.

João Rosan
Jornal da Cidade – Bauru – SP

Por iniciativa de um morador, o Jardim Pagani acaba de ganhar um novo jardim. Cansado de ver as vielas do bairro tomadas pelo mato alto, especialmente a que fica a poucos metros de sua casa, o aposentado Osmar Antônio Godoy, 67 anos, decidiu pôr a mão na massa – e no bolso – para transformar o local em um espaço de rara beleza.
Ainda faltam alguns acabamentos, como a pintura de toda a calçada, dos muros e das muretas que ficam nos dois extremos da viela, mas o principal, que é o jardim, já está pronto.

Osmar diz ter começado o trabalho na metade deste ano. Num esforço solitário, solicitou ajuda de empresas para limpar o terreno, recorreu à prefeitura para conseguir mudas de plantas e placas de gramas. O morador pagou do próprio bolso praticamente tudo o que tem no jardim. A mão de obra também é dele. Desde o plantio das mudas até o serviço de encanamento, já que parte da água de algumas residências vizinhas da viela eram despejadas no local.

Apesar do trabalho, do gasto e do prejuízo (parte do material utilizado foi furtada ou danificada por vândalos durante a montagem do jardim), Osmar não desistiu de sua empreitada. Hoje, ele olha com orgulho para o resultado de sua persistência. “Não fiz isso para me aparecer, mas para que sirva de exemplo para todos que é possível deixar o bairro mais bonito. Se precisarem da minha ajuda, estarei à disposição”, declara. Segundo ele, existem em torno de 15 vielas no bairro.

O morador usou cerca de 1.200 garrafas pet para dar um toque especial à sua obra. Ele encheu uma a uma com água e colocou corante para deixá-las coloridas. Osmar conta que comprou as garrafas de catadores de recicláveis. Ele comprou também cerca de 75 mudas de árvores ornamentais para paisagismo, que se somaram às 40 que ele ganhou da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma).

Segundo ele, as chuvas dos últimos dias ajudaram a melhorar a cor do jardim. O verde, agora, está mais vivo, e em algumas plantas começam a brotar as primeiras flores, tornando o ambiente ainda mais colorido e belo.

Apesar das chuvas, que começam a cair com mais frequência, Osmar não descuida do jardim. Pelo menos uma vez por dia ele rega as plantas e a grama com o uso de uma mangueira. Quando não é possível contar com a ajuda dos vizinhos que ficam ao lado da viela, ele coloca a mangueira na torneira da casa dele e atravessa a rua com ela, mesmo correndo o risco de um veículo pesado, como um caminhão, por exemplo, danificá-la. Para não correr mais esse risco e não precisar ficar contando com a boa vontade dos vizinhos, o aposentado vai solicitar que o Departamento de Água e Esgoto (DAE) instale um bico de água na viela.

O morador Rafael Norato, 29 anos, acompanhou todo o trabalho do vizinho. Vendo a transformação pela qual passou a viela, ele elogiou a iniciativa e o esforço de Osmar. “Ficou muito bonito. Mudou totalmente o visual, ficou mais agradável. Ao invés de mato alto, agora temos um jardim muito bem cuidado e bem feito”, observa.

Popularity: 31% [?]

Postado emAtualidades, Biologia, CulturaComments (0)

Tags: , , ,

Má restauração de floresta pode ser pior que manter área devastada


04/08/2010 – 14h57

Floresta devastada: replante sem critérios pode ser mais prejudicial do que a própria devastação.

SABINE RIGHETTI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Obrigar agricultores a recuperarem áreas devastadas em grandes propriedades (com mais de quatro módulos agrícolas), como propõe o novo Código Florestal, pode ter impactos desastrosos ao meio ambiente.
Isso porque nem todas as recuperações de áreas ambientais são feitas com vegetação nativa e adequada para as características do bioma.
“Já vi plantio de árvores em regiões com pouca água que acabaram morrendo por competição. A região ficou sem vegetação e a morte das árvores gerou carbono”, exemplificou a engenheira florestal Giselda Durigan, do Instituto Florestal do Estado de São Paulo.
O plantio de vegetação exótica (não nativa) é outro problema comum nas recuperações florestais promovidas por agricultores. “Ao tentar restaurar uma área, um agricultor pode destruir um ecossistema”, diz Durigan.
O novo Código Florestal determina que no máximo 50% das áreas recuperadas podem ser compostas por espécies exóticas.
“Mas não está claro qual é a riqueza da flora que deve ser plantada, alternando plantas exóticas e nativas. Posso plantar só café e peroba na minha reserva?”, questiona-se o biólogo Sergius Gandolfi, da USP de Piracicaba.
PLANO B
Uma alternativa à recuperação de uma área devastada, para Durigan, do Instituto Florestal, pode ser a compensação, ou seja, a compra ou doação à União de área preservada de mesma proporção do que foi devastado pelo agricultor.
Para o biólogo Otávio Marques, do Instituto Butantan, no entanto, a compensação florestal não resolve o impacto ambiental da fauna.
“Não se pode tirar um réptil de uma área e colocar em outra região distante. Espécies diferentes não vivem em regiões distintas”, explica.
O novo Código Florestal obriga grandes agricultores –donos de 80% da área rural do país– a restaurarem APPs (áreas de proteção permanente) desmatadas e dá incentivos econômicos para proprietários as restaurarem.
Gandolfi, da USP, é contra incentivos para preservação de florestas em propriedades agrícolas. “Não há incentivos para que as fábricas não emitam poluentes na atmosfera”, compara.
A discussão sobre o novo Código Florestal aconteceu nesta terça-feira (3), na Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), em uma reunião de cientistas organizada pela coordenação do projeto Biota/Fapesp.
O novo Código Florestal, proposto pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP), foi aprovado no mês passado por uma comissão do Câmara, e ainda precisa ser votado no Congresso.

Popularity: 39% [?]

Postado emAtualidades, Biologia, E.P.CComments (0)

Tags: , , , , ,

 Nova Zelândia lança esquema de comércio de emissões


Notícias /
Reportagens CarbonoBrasil

01/07/2010   –   Autor: Fabiano Ávila
Fonte: CarbonoBrasil/Agências Internacionais

As 46 milhões de ovelhas da Nova Zelândia respondem por quase metade da emissão de gases do efeito estufa advindos de suas flatulências.

Mesmo com o temor de que prejudique a economia do país, o governo colocou em prática nesta quinta-feira um modelo semelhante ao EU ETS, que obriga que as indústrias a comprarem permissões para emitir gases do efeito estufa

A Nova Zelândia possui uma das maiores taxas per capita de emissão de gases do efeito estufa do planeta e desde 1990 essa liberação cresceu 23% devido ao aumento da pecuária e do uso do carvão para gerar energia. Além disso, o país, que tem no turismo uma grande fonte de divisas, presencia diariamente o derretimento de geleiras que são seus cartões postais. Esses fatores, somados a uma população com alto nível de educação, facilitaram que o governo estabelecesse nessa quinta-feira (1) um esquema nacional de comércio de emissões.
Sob o esquema, que seguirá o mesmo formato do já consolidado modelo europeu (EU ETS), as empresas terão que adquirir “New Zealand Units” (NZUs) para cada tonelada de dióxido de carbono equivalente (TCO2e) que emitirem.
Geradoras de energia, refinarias, transportes e indústrias de aço, cimento e papel, que respondem por 51% das emissões da Nova Zelândia, já terão que adquirir permissões a partir desta quinta-feira.
A pecuária, responsável por outros 46.6% das emissões, só ingressará no esquema em 2015. Aterros sanitários entram em 2013.
A cada cinco anos será realizada uma revisão do esquema, sendo que a primeira delas será já no ano que vem.
“O comércio de permissões é o modo mais eficiente para reduzir as emissões, alcançar nossos compromissos internacionais e proteger nosso futuro”, afirmou o ministro de mudanças climáticas Nick Smith.
Funcionamento
Durante essa primeira fase de implementação, as indústrias terão a opção de pagar um preço fixo de US$ 17 por permissão e poderão ainda entregar apenas 50% delas no momento de justificar seus números, diminuindo assim os custos iniciais do esquema. A data estimada para que as empresas façam isso é maio de 2011.
Apenas companhias que exportem seus produtos para países que não possuem limites de emissões receberão permissões gratuitas. A percentagem de permissões gratuitas começará em 90% ou 60%, dependendo da categoria da empresa. Essa quantidade será reduzida a uma taxa de 1,3% ao ano a partir de 2013.
Geradoras de energia e o setor de transportes não terão acesso a esse beneficio.
O governo não estabeleceu metas de redução de emissões, mas trabalha com os cortes já definidos no passado de 10% a 20% em 2020 com relação aos níveis de 1990, dependendo do resultado das negociações internacionais.
Impactos
Estimativas indicam que os preços dos combustíveis e da eletricidade devem subir, com o governo prevendo que cada residência terá um custo extra de US$ 5 por semana.
Exportadores também esperam ter prejuízos com o esquema. “De hoje em diante, as companhias da Nova Zelândia estarão em clara desvantagem contra aquelas de países que não possuem esquemas de carbono”, disse David Venables, diretor da Greenhouse Policy Coalition, entidade que reúne sindicatos e empresas neozelandesas.
De qualquer forma, o Primeiro Ministro John Key já alertou as empresas para que não haja uma subida desnecessária dos preços. “Não queremos ver as companhias começarem a culpar o esquema por todos os seus problemas e usá-lo como justificativa para aumentar os preços de seus produtos. Tomaremos as medidas devidas para evitar esse tipo de prática”, afirmou.
A criação do esquema parece não ter agradado também ONGs e políticos ligados a causas ambientais. O líder da oposição Phil Goff comentou que os custos para as indústrias estão muito baixos e que isso dificilmente levará a elas a realizarem algum corte significativo nas emissões.
O governo espera que o comércio de permissões ajude no financiamento de políticas públicas de sustentabilidade e de incentivo às energias limpas.
A Nova Zelândia é o 29º país a ter um esquema nacional de comércio de permissão de emissões.
Imagem: A termoelétrica de Huntly, o maior ponto de emissões da Nova Zelândia / Greenpeace

Popularity: 17% [?]

Postado emBiologiaComments (0)

Tags: , , , , , , ,

Belo Monte de equívocos


SEGUNDA-FEIRA, 19 DE ABRIL DE 2010

Autor: Célio Berman
da Folha de S. Paulo

O autor defende que Belo Monte será construída para abastecer usinas e mineradoras de grandes grupos empresariais.

Nota do D’Incao On Line:

O texto abaixo, publicado na Folha de São Paulo, contém argumentos convincentes contra a construção da polêmica usina de Belo Monte. Leiam também o texto relacionado do jornalista Zarcillo Barbosa, publicado no Jornal da Cidade de Bauru, há uma semana, e que contém argumentos favoráveis à construção da usina e, portanto, contrários aos ativistas ambientais.

A insistência do governo de levar adiante o projeto de Belo Monte mostra que a lógica técnica e econômica cedeu o lugar à obsessão. Com graves consequências que não se restringem às populações indígenas e comunidades ribeirinhas do rio Xingu. Elas serão também sentidas nos bolsos de todos nós, consumidores de eletricidade.

O espectro do “apagão” parece ser a única justificativa para a construção dessa usina. Entretanto, ela também aponta o modelo de desenvolvimento que se quer dar à região amazônica e ao nosso país. A energia a ser produzida pela usina não será utilizada para aliviar a pobreza e incorporar uma parcela da população que sempre esteve excluída das benesses do consumo.

Ela será destinada a satisfazer a demanda de grandes grupos mínero-metalúrgicos na perpetuação do modelo que se apropria dos recursos naturais e das águas dos rios da região para produzir bens de baixo valor agregado e de alto conteúdo energético para exportação. A isso chamam de desenvolvimento. E a que custos?

As tentativas de reduzir as consequências socioambientais da obra, com a operação a fio d’água, isto é, sem um grande reservatório capaz de regular a vazão, apenas trouxeram mais problemas e proporcionaram uma sucessão de equívocos, técnicos e econômicos.

Belo Monte foi superdimensionada. A capacidade de 11,2 mil MW só estará disponível durante três meses do ano. Nos meses de setembro e outubro, quando o rio Xingu fica naturalmente mais seco, a capacidade instalada aproveitável da hidrelétrica não será maior do que 1.088 MW médios.
O resultado é que a energia terá um preço elevado.

A definição pelo governo do preço-teto em R$ 83 por MWh, além de já ter afugentado potenciais investidores (Odebrecht e Camargo Corrêa, que constituíam um consórcio, já abandonaram a disputa do leilão), somente será assegurada por meio do aporte do Tesouro Nacional, isto é, de nós, contribuintes.

Outro equívoco: o custo do empreendimento passou dos iniciais R$ 4,5 bilhões para os atuais R$ 19 bilhões. As empresas envolvidas com as obras (empreiteiras e fabricantes de equipamentos), por sua vez, estimam um custo mínimo de R$ 30 bilhões. O BNDES se dispõe a financiar 80% do custo.

Ao mesmo tempo, o banco espera uma nova capitalização do Tesouro para assegurar essa participação. Assiste-se a um exercício de engenharia financeira para viabilizar a obra com toda sorte de renúncia fiscal e isenções que trarão aumento desproporcional da dívida pública.

Apesar de todas as críticas, levantadas de forma sistemática por um painel de especialistas constituído por diversos cientistas e professores de importantes universidades do país, a intenção de manter o leilão para a licitação na próxima semana demonstra que são apenas os interesses eleitoreiros que prevalecem.

É preciso reabrir o debate do modelo de desenvolvimento que queremos para o nosso país. Está na hora de rever a concepção dos projetos hidrelétricos na Amazônia. E abandonar aqueles que levam à destruição de seus rios e de culturas de seus habitantes.

Popularity: 14% [?]

Postado emAtualidades, E.P.C, Geografia, HistóriaComments (0)

Tags: ,

Morcegos atacam pessoas no norte do Brasil


A devastação das matas e a introdução da pecuária são as causas dos ataques

Luís Paulo C. Domingues

D’Incao On Line

Aumento de ataques é fruto do desequilíbrio ambiental.

Ao contrario do que pensa a imaginação popular, apenas três das quase mil espécies de morcegos existentes na Terra alimentam-se de sangue. Destas, só uma utiliza sangue de mamíferos. Trata-se do Desmodus rottundus, encontrado no Brasil.

Mesmo assim, é muito raro ocorrerem ataques a seres humanos. Quando isso acontece, o desequilíbrio ambiental é sempre a causa do problema. O desmatamento e a caça indiscriminada são os principais motivos de os morecegos saírem das matas e invadirem os ambientes humanos.

O folclore popular, curiosamente importado do leste europeu, criou a fama de que os morcegos são animais maléficos, que chupam o sangue das pessoas para matá-las e apoderar-se de sua energia, mas a verdade é que, mesmo quando os ataques em humanos acontecem, a quantidade que pode ser retirada de uma pessoa é de, no máximo, 20 mililitros, o equivalente a três colheres de sopa e, portanto, insuficiente para matar. O perigo, tanto para os animais quanto para os humanos, é a transmissão da raiva, que acontece se o morcego estiver infectado.

Todos os anos, dezenas de pessoas morrem no Norte e Nordeste do Brasil, principalmente nos Estados do Maranhão e Pará, vítimas da raiva transmitida pela saliva desses animais. Os dados não são precisos por causa da falta de pessoal habilitado para a contagem, mas estima-se que o número de ataques tenha aumentado nove vezes nos últimos dois anos, chegando há mais de oito mil. É importante frisar, no entanto, que só uma pequena parcela da população de morcegos está infectada com a raiva.

O desmatamento das florestas nativas para a implantação de pastos e lavouras, ou para a extração de madeira, é o que motiva o Desmodus rottundus a sair de seu ambiente natural e a procurar os pequenos vilarejos nas bordas das matas. A introdução do gado em regiões onde antes ele não se encontrava também é responsável por uma oferta excedente de alimento para os morcegos hematófagos (eles se alimentam principalmente com o sangue dos bois), o que causa um aumento desmedido da população desses animais.

Uma vez instalada no organismo humano, a raiva é incurável e leva o infectado à morte na grande maioria dos casos.

Para efetivar seu ataque, o morcego “vampiro” consegue identificar o calor do sangue da vítima por baixo da pele. No caso do homem, geralmente ele crava seus dentes incisivos nos dedos dos pés enquanto as pessoas estão dormindo. A mordida é praticamente indolor e imperceptível. O morcego injeta uma substância anticoagulante, a desmoteplase, que faz com que a ferida sangre continuamente enquanto ele chupa o sangue com a língua. Por esse motivo, a medicina já estuda um modo de usar  essa substância anticoagulante no tratamento de várias moléstias coronarianas, tirando proveito do que hoje é uma praga para muitos vilarejos e pequenas localidades.

É importante salientar que os morcegos, em geral, são animais muito úteis e indispensáveis para o equilíbrio ambiental. A grande maioria das espécies se alimenta de pequenas frutas, polinizando as matas e espalhando sementes que garantem a manutenção da flora nativa.

Os ataques de morcegos hematófagos contra animais e humanos, bem como a transmissão da raiva e de outras doenças podem ser combatidas por ações sanitárias governamentais. Já a matança indiscriminada de morcegos é extremamente danosa para o meio ambiente.

Popularity: 21% [?]

Postado emBiologiaComments (1)

Tags: , , ,

Por que o Pará não é Pandora


E nem os índios do Xingu são os Na’vi de Avatar

SEG, 12/04/10
POR ALEXANDRE MANSUR

O diretor James Cameron confundindo atraso com preservação ambiental.

O diretor James Cameron, de Avatar, está no Brasil para protestar contra a construção da Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. Hoje, participou de uma manifestação ao lado de Sigourney Weaver, estrela do filme. A intenção de Cameron e estabelecer um paralelo entre a obra da hidrelétrica e a história do filme Avatar.
Em um olhar superficial, as duas histórias têm semelhanças. O governo pretende contruir uma hidrelétrica no rio Xingu. Para a obra, será preciso abrir um canal de centenas de quilômetros para retificar uma parte do rio melhorar o rendimento das turbinas. Pelas dimensões da obra, ela está sendo comparada a construção do Canal do Panamá. Os índios estão prostestando. Suas terras não são diretamente afetadas pela hidrelétrica. Mas temem que as obras no rio perturbem a migração de peixes (importantes para a alimentação e a cultura dos índios), além de reduzir a vazão de um trecho de rio com centenas de quilômetros, prejudicando as populações de lá.
A obra em terra indígena pode lembrar o tema do Avatar. No filme, uma empresa gananciosa abre uma mineração no planeta Pandora, habitado pelos nativos Na’vi, um povo que vive em uma floresta tropical luxuriante, tem uma conexão com a biodiversidade, mantém a harmonia com a natureza e luta para salvar tudo isso da devastação.
Mas as semelhanças acabam aí. Ao contrário dos Na’vi, seres de outro planeta que serão massacrados pela mineração, os povos do Pará (sejam indígenas, agricultores e ribeirinhos) também vão se beneficiar da energia gerada pela hidrelétrica. Não tem ninguém querendo massacrá-los. E a obra passou por um longo processo de licenciamento, que previu medidas para reduzir e compensar os impactos ambientais e sociais, com participação dos órgãos ambientais e representantes dos índios. Prevêem medidas para regularizar as terras na região. Isso sim seria um grande ganho para reduzir o desmatamento
Além disso, de certa forma, se o país não explorar seu potencial hídrico, terá que depender mais de combustíveis fósseis para gerar energia. E estes sim lançam na atmosfera os gases que provocam o aquecimento global que pode dizimar a floresta amazônica. A melhor solução para o Brasil é construir usinas hidrelétricas como a de Belo Monte na Amazônia. Claro, com os cuidados devidos.
Nenhuma dessas sutilezas está no roteiro dos protestos de James Cameron. Ele, assim como uma turma de ONGs internacionais, parecem mais interessadas em aumentar a confusão do que contribuir para resolver os impasses que travam uma obra necessária ao país. Até o roqueiro Sting entrou na malhação de Belo Monte. Afinal, protestar ao lado de índios gera boa repercussão na mídia. Principalmente na internacional.
(Alexandre Mansur)

Popularity: 13% [?]

Postado emAtualidades, CulturaComments (2)

Tags: , , , ,

Contaminação por necrochorume afeta subsolo de cemitérios em São Paulo


Líquido da decomposição de cadáveres se infiltra nos terrenos e pode até mesmo atingir lençol freático;

O subsolo de dois grandes cemitérios de São Paulo, Vila Formosa, na zona leste, e Vila Nova Cachoeirinha, na zona norte, está contaminado por necrochorume, líquido que vaza na decomposição dos cadáveres. Esse líquido começa a ser eliminado após um ano da morte e pode transmitir doenças, dada a sua perigosa carga biológica, de vírus e bactérias.

Em geral, cada corpo produz diariamente 200 mililitros de necrochorume, por pelo menos seis meses. Trata-se de um escoamento viscoso, acinzentado, e que, com a chuva, pode atingir o lençol de água subterrânea de pequena profundidade e outras regiões próximas aos cemitérios. Reportagem de Eduardo Reina, O Estado de S.Paulo.

De acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ligada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente, as áreas onde estão os cemitérios de Vila Formosa e Vila Nova Cachoeirinha estão classificadas como suspeitas de contaminação desde 2006. A Cetesb aguarda que o Serviço Funerário Municipal envie estudos complementares para confirmar essa suspeita e o grau de contaminação.

A decomposição que provoca o vazamento do líquido chamado necrochorume começa cerca de 30 dias após o enterro. O necrochorume é formado por 60% de água, 30% de sais minerais e 10% de substâncias orgânicas, duas delas altamente tóxicas: a putrescina e a cadaverina. Os micro-organismos liberados na decomposição dos corpos podem transmitir doenças por meio de contato com água contaminada ou ingestão dela. Entre as enfermidades, estão hepatite A, tuberculose e escarlatina.

Infiltração. Na Vila Formosa e na Vila Nova Cachoeirinha, o líquido que vazou da decomposição de corpos para o solo se infiltrou na terra até chegar ao lençol freático e contaminá-lo com bactérias e vírus, principalmente em camadas superficiais. Estudos pedidos pela Cetesb e pelo Ministério Público é que determinarão quais são os agentes contaminantes.

O Serviço Funerário informou que os sepultamentos não são feitos em áreas com lençol freático raso, na Vila Formosa e Vila Nova Cachoeirinha. Mas admite a possibilidade de contaminação do solo, por isso deverá fazer estudos. A autarquia alega que não há contaminação de terrenos vizinhos aos dois cemitérios e tampouco casos semelhantes em outras regiões da cidade.

“O Serviço Funerário do Município de São Paulo já iniciou a elaboração técnica do edital para a contratação de empresa que irá realizar a análise do solo dos dois cemitérios, em conjunto com Cetesb e Secretaria do Verde e do Meio Ambiente. Até o fim do semestre, o Serviço Funerário vai iniciar esses trabalhos”, diz nota enviada pela Prefeitura.

Processo parado. Entretanto, processo para contratação de empresa para elaborar laudo sobre as condições ambientais dos dois cemitérios está aberto desde 2007. O processo para realização da licitação está parado desde 5 de novembro de 2009.

A demora levou a promotoria do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual a cobrar agilidade. Em 1.º de março foi enviado ofício pedindo a reinstalação de poços de monitoramento do subsolo e coleta de amostras químicas e físicas em Vila Formosa e Vila Nova Cachoeirinha.

“O Serviço Funerário chegou a fazer investigação do solo em 2008, mas, durante os trabalhos, normas técnicas foram alteradas, o que criou a necessidade de novas investigações”, defende-se a Prefeitura. “Até o fim desta, não há como determinar ou especificar eventuais contaminantes.”

”O ideal seria cremar os corpos, é a solução sanitária para isso”

Popularity: 33% [?]

Postado emBiologiaComments (1)

Tags: , , ,

Meio ambiente é o ca…


André Sant’anna, em “Piauí”

Segundo o prefeito do texto, Carlos Minc personifica "esses pessoal do meio ambiente", que seriam todos homossexuais

Esses pessoal da ecologia, do meio ambiente, salve as baleias, são uns chatos. Eles quer impedir o pogresso do município. Querem acabar com o turismo, com o comércio. Querem que a cidade fique sempre pequena. Mas eu vou passar por cima deles tudo. Eu posso até não ser uma pessoa instruída, mas nasci aqui, conheço todas as família. Por isso que eu já fui prefeito cinco vezes e ainda vou ser mais. Ano que vem, entra meu filho que eu já tô no segundo mandato. Mas depois eu volto.

Já expliquei tudo pro Junior. Primeiro, vâmo acabar com essa lei de prédio com menos de três andar. Antes, até dava. Mas o turismo tá crescendo, cada vez vem mais veranista pra passar o verão e a gente tem que agüentar receber todo mundo. Se não fosse esses pessoal que ficaram enchendo o saco pra tombar os morro, a gente dava um jeito de facilitar as construtora pra fazer mais uns condomínio. Mas agora só dá pra crescer pra cima. Versiti, verfiqui… vestiliza… verti… Porra, crescer pra cima, fazer prédios mais alto. A culpa é desse pessoal da USP que vem pra cá botar coisa na cabeça dos pessoal, dessa turma daqui que é inguinorante que nem eu, só que fica falando esses negócio de meio ambiente, projeto de tartaruga, núcleo sei lá do quê. Núcleo é o caralho. Eu quero lá saber de tartaruga?

Eu quero ver é o dinheiro dos turista entrando, o comércio vendendo bem na temporada. Mas esses pessoal fica lá perturbando. Não pode som alto de noite, não pode treiler na praia, não pode carro entrar nas cachoeira. E os barzinho de noite? Como é que fica? Os turista gosta de música, de ouvir MPB ao vivo e beber cerveja. Aí esses pessoal verde não quer deixar. Só que eles vão ver que quem manda nessa porra é eu. Vou botar a guarda municipal, que foi eu que inventou, pra tomar conta das construção dos prédio novo. E se vier meio ambiente, eu mando atirar. Se o povo votou ni mim, é porque eles apóia os meus projeto. Na Câmara não tem pobrema. Os vereador tá tudo comigo. Sou eu que pago eles, caralho. Eles tudo vai votar na lei que deixa construir os prédio. Depois não pode mais mudar. Vai ser lei municipal.

Mas esses pessoal da ecologia não desiste, e pode reparar: esses pessoal da ecologia é os mesmos que nadam pelado na praia, que usam tóxico. Eles é que agride as família do município, eles é que fica com AIDS espalhando pra todo mundo com esse negócio de homossexual. Pra mim, esse negócio de homossexual é todos viados. Construir condomínio nos morro não pode porque é do governo federal que não quer nem saber dos município. Mas construir prédio alto é da Prefeitura e dos vereador. E eu vou construir mesmo, já até abri umas concorrência das empreiteira. Agora também não pode escolher quem vai fazer as obra. Tem que abrir concorrência. Eu até preferia que as firma particular fizesse as obra, mas elas ficam com medo desses pessoal da ecologia, do meio ambiente.

Só que eu não vou desistir, não. Vou fazer as obra com os recurso do município. Depois, quando os turista trouxer bastante dinheiro, todo mundo vai me agradecer, até o meio ambiente quando tiver ganhando dinheiro. São esses pessoal que vedem sanduíche na praia. Sanduíche natural, essas coisa de homossexual. E se os turista não vier, eles também não vende e fica tudo com AIDS, lá na Santa Casa, pedindo os coquetel que o Governo Federal manda. A Santa Casa tá lá, cheia de homossexual. Não tem nem espaço pras família direitas. Antigamente só tinha um homossexual, que era o Eunápio, que nem era homossexual mesmo, era só bicha. O Eunápio servia porque ele fazia os concurso de miss, o carnaval, essas coisa de cultural. Agora tá cheio de homossexual viado pelas rua, abrindo salão de cabeleleiro. Junta tudo, os pessoal do meio ambiente, os pessoal da USP, os pessoal dos surfista, os viado e até os aluno do colégio. Vão tudo lá fazer passeata de bagunça só pra atrasar o pogresso.

Eles acha que são moderno, mas eles é é muito atrasado. Moderno é os prédio alto. Moderno é os turista que traz dinheiro pro município. Moderno é as obra que eu tô tocando pra fazer os estacionamento pros carro dos turista.

Esses pessoal do meio ambiente fala que eu sou ladrão, mas é tudo mentira. Eu tenho os meu terreno, as minha imobiliária, os meus posto de gasolina, os meus bares. Não preciso ficar roubando nada, porque eu já sou rico. E o povo sabe disso, por isso é que sempre votam ni mim. É só vender uns terreno, uns apartamento pros turista, que eu já ganho dinheiro. Esses pessoal do meio ambiente gosta é de tumultuar. Eles fica tentando fazer impiche comigo, mas não adianta porque os vereador é tudo meu e os juiz também e eles sabe que eu não roubo, que eu só quero o pogresso do município.

Qualquer hora, eles vão me encher tanto, que aí eu não me candidato mais. Aí o município vai ficar tudo com esses pessoal homossexual do meio ambiente. Aí não vai vim mais turista e vai ficar todo mundo com uma mão na frente e outra atrás, cheio de tartaruga do núcleo dos pessoal da ecologia. Aí é que eu quero ver. Porque esses pessoal é muito chato. Não pode matar tartaruga, não pode matar lagosta, não pode matar até uns tipo de peixe com ova. Quando eu não querer mais ser prefeito, até os índio vão voltar. Vai ficar todo mundo atrasado que nem índio, que fica dormindo lá no coreto da praça e a gente não pode nem mandar a polícia pra jogar creolina neles pra eles ir embora. Os pessoal da ecologia também tem essa mania de índio. Eles nem sabe que eu dei uns terreno que eu tinha pros índio fazer aldeia e não ficar na praça vendendo cesto e pedindo dinheiro, enchendo o saco dos turista.

Só que esse negócio de meio ambiente é só moda desses pessoal da ecologia. Depois que a moda passar, vocês vão ver, vai tudo ficar do meu lado de novo, porque eles sabe que eu sou bom pro município, que eu é que faço o pogresso, que deixo os pessoal construir as coisas deles sem mandar fiscal da prefeitura pra ver se as planta estão certa. Eu é que quebro o galho dos pessoal que quer abrir os treiler na praia sem banheiro. Eu é que deixo os pescador pescar lagosta, tartaruga, essas coisa que o meio ambiente não deixa. Se não fosse eu, ia ter até onça no município. Ia ter até trombadinha, que eu boto no ônibus e mando pra longe. Se não fosse eu, o meio ambiente já tinha tomado conta de tudo.

Popularity: 13% [?]

Postado emAtualidades, Biologia, capaComments (1)

Tags: ,

Brasil: Desafios Ambientais do Século XXI


Washington Novaes


Por qualquer ângulo que se aproxime do tema, qualquer que seja o nó que se tente desfazer, constata-se que, para vencer os grandes desafios que terá no século XXI, o Brasil deverá mudar radicalmente sua postura – colocar a questão ambiental no início e no centro de todas as políticas, para que ela perpasse todas as concepções e todas as ações. Se não for assim, caminhará de precariedade em precariedade, retornará sempre a um ponto de partida cada vez mais complexo e grave.

Vejamos um dos principais desafios contemporâneos: Em boa parte do agrobusiness, um dos custos do modelo é uma taxa brutal de erosão, que pode chegar a 10 quilos de solo perdidos por quilo de grão produzido e a uma perda anual de um bilhão de toneladas de solo por ano, segundo documentos governamentais. Solo cuja fertilidade terá de ser reposta por insumos químicos, de alto custo, mas que não melhorarão o preço das commodities exportadas.

O modelo de desmatamento intensivo – para que haja mecanização intensiva –, aliado à aração e revolvimento da terra na entressafra, deixa o solo exposto à erosão pelas chuvas, pelos ventos e pelo sol. O solo carreado para os cursos d’água desprotegidos vai assorear os leitos e degradar os recursos hídricos, inclusive pela carga de agrotóxicos. O custo pode ser estratosférico, como demonstra o caso do Oeste catarinense. Mas há mais ainda. O mesmo modelo de mecanização intensiva é causa determinante do êxodo rural, uma das razões para o aumento brutal da população urbana no país, com toda a seqüela de acontecimentos que determinou e determina.

Nos 40 anos que vão do Censo de 1960 à contagem populacional de 2000, a população urbana brasileira cresceu mais de 90 milhões de pessoas (31,3 milhões para 123 milhões), enquanto a rural caía de 38,7 milhões para 33,9 milhões. No Centro-Oeste, exemplo dramático, acompanhando a chamada expansão da fronteira agrícola, a população urbana nesse período passou de um milhão para 8,8 milhões, enquanto a rural decrescia de 1,9 para 1,6 milhão. Embora as fortes taxas de natalidade nesse período respondam por uma parte do crescimento populacional urbano, a elas se somaram os índices migratórios.

Nas grandes cidades, esse movimento correspondeu à expansão desordenada das periferias, onde a especulação imobiliária transferiu para um poder público exaurido os custos de implantação de todas as infra-estruturas – de transportes, energia, abastecimento e saneamento básico, educação, saúde, limpeza urbana, lazer etc. A implantação não aconteceu, na maior parte dos casos, gerando o quadro de difícil abordagem observado hoje, que culmina na  insegurança ampla aliada ao desemprego e a outras carências.

Além do mais, essa expansão urbana gerou a devastação ambiental e a ocupação de áreas de risco e/ou de preservação permanente. Simultaneamente, seguiu o processo de assoreamento dos rios, agora pela deposição de esgotos não-tratados, erosão de margens desprotegidas e carreamento do lixo não-recolhido. O quadro periódico de inundações que se tornou familiar às grandes cidades brasileiras no período de chuvas é um dos resultados finais de todo o processo, fruto ainda da impermeabilização progressiva do solo urbano – e esta, conseqüência do descaso na fiscalização dos códigos de obras que exigem a manutenção de áreas permeáveis. Soma-se a tudo a progressiva ocupação das margens de rios, áreas de inundação natural, por grandes vias expressas. E chega-se ao panorama caótico das temporadas de verão, com as grandes cidades submetidas a inundações freqüentes, não raro simultâneas a racionamento no abastecimento de água – já que não podem ser utilizados os mananciais que cortam o território urbano, tal sua carga de poluição.

A ocupação inadequada do solo – rural e urbano – é uma das características mais fortes do modelo brasileiro hoje. Nas áreas urbanas, as matrizes de transportes e de energia, combinadas, levaram ao contra-senso de mais de 50% do solo estarem, segundo a Associação Nacional de Transportes Públicos, ocupados por vias de transporte ou instalações auxiliares (estacionamentos, garagens, etc…). O que deveria ser meio transforma-se em fim em si mesmo. E gera os transtornos dos congestionamentos, dos rodízios, da lentidão dos deslocamentos.

O questionamento de novas barragens não pode ser ignorado, pois o problema não ocorre apenas pelo ângulo das perdas e desperdícios na matriz energética – cuja eliminação deveria ser prioritária. Vem também pelo ângulo ambiental. As 800 mil barragens que hoje existem no mundo têm reservatórios que, juntos, formariam um território maior que o da França. Só de barragens acima de 15 metros são 45 mil (no Brasil, mais de 500). A construção dessas barragens deslocou mais de 10 milhões de pessoas.

Tucuruí, com seu reservatório de 2.875 km2, deslocou mais de 40 mil pessoas, sepultou 2,9 milhões de m3 de madeira tropical, inviabilizou a pesca a jusante, disseminou a malária, concentrou mercúrio em níveis cinco vezes acima do máximo permitido legalmente. As barragens, principalmente em áreas de floresta, estão sofrendo contestação progressiva. Uma das razões está na liberação, pela matéria orgânica retida pelos reservatórios e em decomposição, de mais dióxido de carbono e metano, este último, 20 vezes mais prejudicial que o outro, em termos de contribuição para o efeito estufa do que uma termelétrica de igual porte.

Um dos exemplos que têm sido citados pela Comissão Mundial de Barragens é o da hidrelétrica de Balbina, que libera três milhões de toneladas de CO2 por ano, quase 10 vezes mais que uma termelétrica de igual porte. Argumentos desse tipo reforçam as dúvidas com relação ao programa de implantação de novas e grandes geradoras hidrelétricas na região amazônica.

A Amazônia talvez seja, na verdade, o maior dos desafios que o país terá de enfrentar no século XXI. E para o qual parece não haver ainda estratégia definida. A maior parte dos estudos sobre a região aponta a inadequação da quase totalidade dos solos para um modelo agropecuário tradicional. Ainda assim, os programas oficiais brasileiros continuam a prever a abertura de novos “eixos” de penetração, na verdade corredores destinados a facilitar a expansão dessa fronteira agropecuária, com produção destinada essencialmente à exportação e com os inconvenientes já mencionados.

Por outro ângulo, só recentemente o Ministério de Assuntos Fundiários proibiu por portaria novos assentamentos de reforma agrária em áreas de floresta primária. Já em 1997, uma Comissão Externa da Câmara dos Deputados apontava, em relatório sobre a atuação de madeireiras estrangeiras na região, que os assentamentos de reforma agrária eram responsáveis por mais de 50% do desmatamento na Amazônia. Nos últimos 30 anos, 88,15% das terras destinadas à reforma agrária estavam na Amazônia. E a razão é simples: trata-se da área com menor resistência política e empresarial às desapropriações, além de a que mais terras públicas contém.

O processo é conhecido. Definida uma área para o assentamento, os lotes são demarcados e os assentados para eles encaminhados. Sem recursos, sem crédito e sem assistência técnica, os assentados fazem acordos com madeireiras para que derrubem a floresta e abram espaço à casa, às roças de “lavoura branca” e às pastagens. Ao fim de algum tempo, vendem ou alugam o lote para um fazendeiro vizinho e saem em busca de novo lote, onde reproduzirão o procedimento. É o que se chama de “desmatamento itinerante”.  Em alguma medida, o processo reproduz-se também nos cerrados, onde a proibição de assentamentos em área de vegetação nativa não vigora.

As atuais políticas brasileiras não conseguiram ainda sequer encontrar formatos que levem a um uso sustentável da madeira na região amazônica. Admite-se plenamente que pelo menos 80% da madeira amazônica continuem a ser extraídos ilegalmente e em grande parte exportados. O processo dá forte contribuição às queimadas, no chamado “arco do desmatamento”, por abrir caminho ao fogo com a derrubada e abandono da vegetação de menor porte.

Um problema adicional, principalmente nos cerrados, está na degradação e/ou esgotamento dos recursos hídricos, dadas as mudanças no uso da terra – problema para o qual se dispõe de pouquíssima informação sistematizada e que também constituirá enorme desafio para as próximas décadas. Juntamente com políticas de proteção aos biomas, de modo a permitir que eles continuem prestando os serviços naturais (fertilidade do solo, recursos hídricos, conservação da vida nos manguezais, absorção de carbono etc.), de valor estimado pelo Ibama em R$ 4 trilhões, pelo menos cinco vezes o Produto Interno Bruto nacional.

Tanto nos cerrados quanto na Amazônia, estão diante de todos os desafios de definir políticas adequadas para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, a mais rica do planeta, fonte dos futuros medicamentos, dos novos alimentos, dos novos materiais que substituirão os que se esgotarem. Da mesma forma, o desafio de definir uma política de conservação e uso sustentável para esses biomas – que substitua o atual vale tudo, onde as migrações constituem um precaríssimo substituto para a ausência de políticas de renda e emprego.

Em síntese, o grande desafio brasileiro para o século XXI será definir e executar uma política de desenvolvimento verdadeiramente sustentável.

Popularity: 32% [?]

Postado emBiologiaComments (0)

  • Populares
  • Novos
  • Comentários
  • Tags
  • Assine
Advertise Here