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Tea Party e “Ocupe Wall Street” mostram polarização nos EUA


07/11/2011 – 07h18

Inocência conservadora: direita alienada americana protesta contra Obama, que seria o causador da crise.

Folha de São Paulo

A um ano da eleição presidencial de 6 de novembro de 2012, o presidente Barack Obama e seus adversários republicanos que buscam a indicação do partido para concorrer à Presidência dos Estados Unidos enfrentam um ambiente cada vez mais polarizado e com profundas divisões ideológicas, no qual movimentos como o Tea Party, à direita, e o “Ocupe Wall Street”, à esquerda, vêm ganhando destaque.
As eleições americanas tradicionalmente concentram todas as atenções nos candidatos democrata e republicano, com suas gigantescas máquinas eleitorais, campanhas publicitárias, debates e batalhas por Estados-chave.
Mas em 2012, o presidente Barack Obama e seu adversário republicano terão ainda de lidar com a maciça presença de protestos organizados por movimentos que nenhum dos dois lados pode controlar.
Tanto o Tea Party, que reúne diversos grupos conservadores, como os protestos contra a desigualdade, o desemprego e as grandes corporações iniciados com o “Ocupe Wall Street”, em Nova York, e espalhados por todo o país, têm em comum o descontentamento com a situação política e econômica do país e devem ter impacto na votação do próximo ano, apesar de ambos recusarem as comparações.
INCÓGNITA
Mas se o Tea Party já mostrou sua força nas eleições legislativas do ano passado, quando elegeu vários de seus candidatos, e há pré-candidatos republicanos abertamente identificados com o movimento, como Michele Bachmann, a força dos protestos inspirados no “Ocupe Wall Street”, surgido há menos de dois meses, ainda precisa ser testada.
Os participantes dos protestos do “Ocupe Wall Street” têm perfil variado e rejeitam qualquer ligação com o Partido Democrata, mas o crescimento do movimento e, principalmente, a simpatia do público americano por sua mensagem de frustração, fazem com que seja observado com atenção por ambos os partidos.
“Enquanto o Tea Party serviu de combustível para o entusiasmo do Partido Republicano nas eleições de 2010, ainda não há prova de que os manifestantes do “Ocupe Wall Street” farão o mesmo pelos democratas”, dizem os analistas Aaron Blake e Chris Cillizza, do jornal “Washington Post”.
“Dito isso, o movimento (“Ocupe Wall Street”) pode favorecer significativamente os democratas”, afirmam, ao observar que ainda é preciso saber se o movimento vai motivar os até agora pouco empolgados eleitores identificados com a esquerda a votar.
INSATISFAÇÃO
Diversas pesquisas mostram que a principal preocupação dos eleitores americanos é a economia, em um momento em que o país cresce em um ritmo considerado lento demais para baixar a taxa de desemprego — atualmente em 9%, patamar mantido há dois anos – e em que há o temor de uma nova recessão.
Uma pesquisa divulgada neste domingo pelo Washington Post e pela rede de TVABC News revela que a insatisfação com o governo atingiu níveis recordes.
Nesse cenário, analistas já afirmam que esta será a reeleição mais difícil de um presidente americano desde 1992, quando Bill Clinton tirou George Bush pai da Casa Branca.
Obama tenta evitar o mesmo destino de Bush, Gerald Ford ou Jimmy Carter, integrantes da temida lista de presidentes americanos de um só mandato, mas os problemas com a economia americana são um desafio em sua campanha.
A mesma pesquisa do “Washington Post” e da ABC, conduzida pelo instituto Langer Research Associates, revela que apenas 13% dos americanos dizem que suas vidas estão melhores agora do que antes de Obama assumir o governo.
REPUBLICANOS
Apesar da popularidade em baixa e dos problemas da economia, Obama ainda aparece com boas chances nas pesquisas, quando confrontado com os principais candidatos à indicação do Partido Republicano para concorrer no pleito de 2012.
No levantamento do Post e da ABC, Obama aparece tecnicamente empatado com o favorito Mitt Romney, ex-governador de Massachusetts, e com o azarão Herman Cain, empresário recentemente envolvido em uma polêmica de acusações de assédio sexual, mas ainda assim dividindo a liderança nas pesquisas.
O descontentamento dos americanos se estende também ao Congresso.
De acordo com diferentes pesquisas, tanto Obama e seu Partido Democrata como os republicanos perderam pontos com o público americano depois do embate para aprovar a elevação do teto da dívida pública, que quase levou o país ao calote no meio do ano.
Nesse cenário, muitos analistas afirmam que nenhum dos pré-candidatos republicanos até agora tem demonstrado força suficiente para empolgar os eleitores do partido.
No entanto, a situação ainda pode mudar, já que as primárias para escolher o adversário de Obama na votação de 6 de novembro de 2012 começam apenas em janeiro.

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Obama apresenta plano de US$ 447 bi para gerar empregos nos EUA


08/09/2011 – 20h57

Obama explica medidas de recuperação de empregos ao Congresso americano: o problema é com o imposto dos ricos.


Folha de São Paulo

O presidente dos EUA, Barack Obama, apresentou nesta quinta-feira à noite ao Congresso o aguardado plano de geração de empregos e estímulo ao crescimento econômico. Embora não tenha mencionado em momento algum o valor total de investimentos necessários para implementar as medidas, detalhes divulgados pela Casa Branca mostram que o pacote custará US$ 447 bilhões aos cofres públicos.
Em seu quinto pronunciamento a uma sessão conjunta do Congresso, reunindo deputados e senadores, Obama apresentou detalhes de seu plano para acelerar a retomada do crescimento da economia americana, que ainda patina após a crise, com a atual taxa de desemprego em 9,1%.
Quando assumiu o poder, em 2008, Obama encontrou um país em recessão no período da crise financeira internacional, e desde então os índices econômicos americanos não tomaram uma rota estável de recuperação. A recessão de 2007 a 2009 durou 18 meses, a mais longa desde a Grande Depressão.
Durante o discurso o presidente mencionou a necessidade de reformas em escolas (mais de 35 mil devem receber investimentos) e infraestrutura.
Sinalizando as origens dos recursos necessários, Obama lançou uma provocação aos congressistas, sobretudo à oposição republicana, ao mencionar que o país poderia aumentar a taxação aos mais ricos.
A medida foi aplicada recentemente na França, em Portugal e na Itália, mas deve ser vetada pelos republicanos, tradicionalmente adeptos do “small government”, que dita regras de um Estado enxuto e aversão a altas cargas tributárias.
Obama, cujo plano de reeleição em 2012 depende de sua habilidade de reduzir a taxa de desemprego propôs estender o seguro-desemprego a um custo de US$ 49 bilhões, modernizar escolas com gasto de US$ 30 bilhões e investir mais US$ 50 bilhões em infraestutura de transporte.
Mas a maior parte do plano consiste em uma renúncia fiscal de US$ 240 bilhões, com a redução à metade de impostos sobre a contratação para empregadores no próximo ano e redução de impostos para empregados.
“Vocês deveriam aprovar isto [o plano] imediatamente”, repetiu Obama diversas vezes durante o discurso.
REELEIÇÃO
A recuperação econômica é crucial para Obama, que disputa a reeleição em 2012, e analistas relembram que desde Franklin Roosevelt, nenhum presidente americano conseguiu se reeleger com uma taxa de desemprego acima de 7,2%.
Uma pesquisa de opinião encomendada pelo jornal “Washington Post” e a emissora NBC mostrou que 60% dos entrevistados rejeita a maneira com que o presidente conduz a economia americana, a taxa mais baixa desde que ele assumiu o poder.
No entanto, o democrata pode ser bem sucedido se o plano apresentado nesta noite surtir um efeito semelhante ao que ocorreu na década de 40.
O historiador Robert Dallek disse ao “Washington Post” que vê um paralelo entre a estratégia de Truman e a de Obama, que mesmo enfraquecido pode se beneficiar de um cenário onde o Congresso vetaria seu plano.
Truman sabia que o Congresso não aprovaria seu plano, e no mês seguinte lançou um relatório deixando claro que os congressistas fracassaram. Embora ele tivesse poucas chances na corrida eleitoral, a estratégia lhe valheu a reeleição meses depois.
Em julho de 1948, o presidente Harry Truman discursou ao Congresso alertando para a necessidade de aprovar imediatamente medidas econômicas para evitar “outra Grande Depressão”, diz o “Washington Post”.
Obama alertou repetidamente o Congresso para que “aprove imediatamente” o plano e ameaçou que divulgará a responsabilidade dos parlamentares frente ao desafio aos “quatro cantos do país”.

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Obama diz à TV que não vai divulgar fotos de Bin Laden morto


04/05/2011 – 14h31

Foto Osama Fake

Folha de São Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta-feira ao programa “60 minutes”, da rede americana CBS, que não vai divulgar as fotos de Osama bin Laden morto.
“Os riscos da divulgação superam os benefícios”, disse Obama, em programa que deve ser exibido na noite desta quarta-feira.
“As teorias de conspiração ao redor do mundo vão alegar que as fotos são montagens de qualquer forma e há um risco real de que divulgar as fotos servirá apenas para inflamar a opinião pública do Oriente Médio”, completou o presidente, em trechos adiantados no site da emissora.
“Imagine como o povo americano reagiria se a Al Qaeda matasse um de nossos soldados ou líderes militares e colocasse a foto do corpo na internet. Osama bin Laden não é um troféu. Ele está morto e vamos focar agora em continuar a lutar até que a Al qaeda seja eliminada”.
Segundo a CBS, que diz ter tido acesso às imagens, a foto do corpo mostra o líder da rede terrorista Al Qaeda com um grande ferimento na cabeça e com perda de massa encefálica.
Na foto, que a Casa Branca qualificou na terça-feira (3) como “truculenta”, pode ser visto o ferimento provocado por um projétil que acertou Bin Laden acima de seu olho esquerdo.
Bin Laden, segundo informações do governo americano, recebeu dois disparos à queima roupa ao oferecer resistência à prisão, embora estivesse desarmado. Ele foi atingido na cabeça e no peito por um dos militares da força de elite Seals, que conduziu a operação na casa do terrorista no Paquistão.
Nesta terça-feira, questionado sobre as fotos, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, afirmou na terça-feira que a publicação das fotos do corpo de Bin Laden pode ter um efeito “incendiário”.

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Obama questiona Arquimedes em série sobre mitos populares


04/02/2011 – 11h20

Os apresentadores do programa Mythbuster, que Obama desafiou.

JULIANA VAZ
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Em concomitância com a política, parece que Barack Obama vem fazendo carreira na televisão americana.

Após ter participado de programas como “The Daily Show” e “The View”, o presidente dos Estados Unidos faz agora uma breve aparição em “Mythbusters – Os Caçadores de Mitos”, série destinada ao público jovem que visa esclarecer mitos populares através da ciência.

Declarando-se fã da atração, ele e as filhas, Obama pede aos apresentadores, Jamie Hyneman e Adam Savage, que comprovem o mito da arma solar de Arquimedes.

Obama com a dupla de apresentadores de “Mythbusters”

Diz a lenda: para defender Siracusa, sua cidade natal, o matemático grego ateou fogo na frota romana usando um jogo de espelhos que direcionavam os raios solares para os navios inimigos.

A dupla à frente do programa enfrenta adversidades para cumprir a missão, mas, por fim, mobiliza um exército de 500 estudantes para fazer o mito cair por terra.

Exibido em dezembro nos EUA, o episódio fez parte de uma campanha da Casa Branca para incentivar a matemática e a ciência.

MYTHBUSTERS – OS CAÇADORES DE MITOS
Episódio especial com Barack Obama
QUANDO hoje, 20h, Discovery
CLASSIFICAÇÃO 12 anos

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Chávez afirma que ‘matariam’ Obama se ele não fosse um homem ‘prático’


21/01/2011 – 19h41

Para o presidente da Venezuela, Obama tem boas intenções e por isso corre perigo.

DA FRANCE PRESSE
Publicado pela Folha de São Paulo

Para Hugo Chávez, presidente venezuelano, Barack Obama, o presidente dos EUA poderia ser assassinado, se não fosse um “homem prático”, que renuncia a muitos projetos por seguir uma linha conservadora.
“O presidente Obama, creio, é um homem de boa fé, que quis fazer muitas coisas, mas também creio que é um homem prático que decidiu viver”, disse Chávez em um ato político nesta sexta-feira.
“Ele sabe que se sair de uma linha…Se mataram Kennedy, que era membro dessa família, desse clã, imagina Obama: com mais gosto o matariam! Que deus cuide de Obama e o proteja dessas ameaças.”
Chávez se referiu a Obama ao criticar recentes viagens de deputados opositores de seu governo aos EUA.
Na semana passada, um grupo de líderes opositores venezuelanos se reuniram em Washington com o secretário geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), José Miguel Insulza, para pedir-lhe que o organismo atue em frente a “devastação da democracia” que Chávez estaria provocando na Venezuela, segundo declararam.
Chávez, que também castigou a “ultradireita norteamericana” por criticar a democracia venezuelana, assegurou que seguirá “lutando para que o império não possa deter a marcha da revolução bolivariana”.

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Em coletiva ao lado de Obama, Hu diz que ‘há muito a fazer’ por direitos humanos na China


19/01/2011 – 17h26

Hu Jintao responde a jornalista, sobre direitos humanos: "-Pensei que a pergunta era pra ele", apontando Obama.

Nota do D’Incao

A China tem um histórico de ações repressivas criticadas pelo mundo capitalista por, supostamente, ferir os princípios básicos dos direitos humanos. Os Estados Unidos, porém, sofrem acusações da mesma natureza referentes às suas operações militares no Afeganistão e no Iraque, e por manter a prisão anti terrorismo da base de Guantánamo, em Cuba, onde os presos ficam confinados sob condições rigorosas, sofrem torturas e não têm direito a julgamento ou defesa.

Folha de São Paulo

O presidente da China, Hu Jintao, disse nesta quarta-feira em coletiva ao lado do presidente americano, Barack Obama, em Washington, que seu país teve “progresso significativo” na área dos direitos humanos, mas que ainda há “muito a fazer”.
A princípio, ele tentou ignorar a pergunta feita por um jornalista sobre o tema. Um segundo repórter voltou a fazê-la, e o líder chinês não teve como escapar. Ele alegou que não havia respondido por ter pensado que a pergunta era dirigida para o colega americano.
O presidente dos EUA, Barack Obama, ao lado do presidente chinês, Hu Jintao, em coletiva na capital americana”Existem divergências, como o presidente Obama disse, em termos de direitos humanos entre China e EUA, mas estamos conversando constantemente sem que um país interfira nos assuntos internos do outro”, afirmou o líder chinês.
E disse que a China “está comprometida com a paz, com o bom relacionamento com todas as nações”. Não deixou de falar sobre democracia, um tema que resulta em seguidas críticas ao regime chinês, conhecido por ser avesso à transparência. “Vamos continuar nossos esforços para promover a democracia”, disse Hu.
Na apresentação, antes da abertura para as perguntas dos repórteres, os dois enfatizaram a importância de as sociedades americana e chinesa se integrarem. Para isso, segundo eles, é importante que os governos adotem uma política de amizade e interação entre os povos, através do uso dos jovens. “Acreditamos nas pessoas jovens”, afirmou Hu Jintao.
Na economia, o destaque ficou por conta da emergência chinesa em diversos setores. “Queremos vender para a China todos os tipos de coisas. Queremos vender para vocês aviões, carros, software”, disse o presidente Obama.
Quando perguntado por um repórter se os EUA se sentiam desconfortados com o avanço chinês, o presidente americano respondeu que o “crescimento econômico pacífico da China é bom para todo o mundo”. Ele ainda destacou que jamais na história do mundo um país conseguiu se aproveitar do crescimento da economia para tirar tantas pessoas da pobreza.
O presidente americano também afirmou que a China se tornou “um dos maiores mercados para as exportações americanas”, e essas exportações, acordos comerciais no valor de US$ 45 bilhões, ajudaram a criar meio milhão de empregos nos EUA.
Ambos os presidentes disseram que a união entre os países é importante para lidar com grandes questões mundiais, como o terrorismo, a mudança climática, a crise econômica e a pobreza. “Nós concordamos em continuar com a relação de cooperação e compreensão entre China e EUA para construir uma parceria baseada no respeito e benefício mútuos”.
A tensão na península Coreana é uma das questões que precisam da intermediação das duas nações. Obama afirmou que ele e Hu concordam que “a Coreia do Norte precisa evitar novas provocações”, e que as sanções internacionais aplicadas ao Irã têm de ser reforçadas.
ENCONTRO MAIS CEDO
Mais cedo, Obama recebeu Hu na Casa Branca, onde ambos discursaram pelo aprofundamento das relações bilaterais, reiteraram os benefícios mútuos das duas potências serem parceiras e trocaram discretas críticas.
Após uma cerimônia com direito aos hinos nacionais e a cumprimentar as pessoas presentes, Obama foi o primeiro a subir no pódio.
“Enquanto alguns duvidam da vantagem da relação bilateral, nós temos muito em jogo no sucesso do outro. Na atual economia globalizada, nações como as nossas serão mais prósperas e seguras se trabalharmos juntos”, disse Obama, traduzido de tempos em tempos para o chinês.
O democrata lembrou o encontro, em 1979, do então vice-premiê chinês Deng Xiaoping com o então presidente americano Jimmy Carter que estabeleceu as relações diplomáticas entre os dois países.
“Está claro agora que os últimos 30 anos foram um tempo de trocas crescentes e entendimento”, disse Obama, acrescentando que, com a atual visita de Hu, “podemos lançar a base para os próximos 30 anos”.
“Os EUA recebem bem a força da China e que o sucesso chinês traga vantagens para nosso povo e o de vocês”, disse Obama. “Mesmo que nossas nações compitam em algumas horas, cooperamos em várias outras, sempre pensando no respeito mútuo”, completou o presidente americano.
COOPERAÇÃO
O presidente chinês manteve o tom de cooperação e entendimento mútuo, deixando para longe das câmeras as arestas que marcam as relações –como a Coreia do Norte, o programa nuclear do Irã, a ação contra o Google na China e a manipulação do câmbio do yuan.
“Nos últimos 32 anos das relações diplomáticas, nossa relação cresceu e obteve significativa importância global. Desde [a posse do] o presidente Obama, esforços dos dois lados produziram resultados frutíferos e trouxeram verdadeiros benefícios para os dois povos, além de contribuir para a paz mundial e o progresso”.
Hu, que repetiu inúmeras vezes a importância dos dois países trabalharem pela paz mundial e desenvolvimento das nações, afirmou ainda que os dois países devem trabalhara para “aumentar a confiança, aprofundar a cooperação e avançar a relação compreensiva entre os EUA e a China no século 21″.
“EUA e China têm amplos interesses em comum e também importantes responsabilidades. Devemos buscar um caminho comum apesar das diferenças e o desenvolvimento consistente e estável das relações”, continuou.
O premiê reconheceu ainda que o destino da China depende cada vez mais de outros países e terminou com um pedido para que as duas nações trabalhem com os outros países para “construir um mundo harmonioso de prosperidade comum e paz”.
TROCA DE FARPAS
Em meio ao esperado discurso de cooperação e ganhos mútuos, Obama e Hu aproveitaram para dar discretas “alfinetadas” durante o encontro na Casa Branca.
Obama afirmou que “as sociedades são mais harmoniosas, o mundo é mais justo e as nações têm mais êxito quando se respeitam os direitos, incluindo os direitos humanos individuais”.
O abuso dos direitos humanos na China é uma das arestas mais delicadas das relações bilaterais. Mas, nas últimas semanas, o governo Obama deu sinais de que adotaria tom mais duro com a parceira asiática.
A secretária de Estado, Hillary Clinton, já criticou a falta de liberdade da sociedade chinesa em um discurso esta semana.
Do seu lado, Hu afirmou que a cooperação como parceiros deve ter base no respeito e que, “por vivermos em um mundo diverso, os EUA devem respeitar a escolha do caminho de desenvolvimento”.
A escolha seria uma referência a desvalorização artificial do yuan.

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Parem as máquinas, Obama ressuscitou


da Folha Online

PARIS - Já escrevi algumas vezes, na Folha, sobre a aceleração dos tempos que é uma das grandes características da era contemporânea.Mas começo, sinceramente, a ficar em dúvida se os tempos de fato se aceleraram ou se o jornalismo é que está adotando o modelo “fast food”, rápido para fabricar e para comer.
O caso mais recente se dá em torno de Barack Obama. Há apenas um ano e dois meses, tomava posse como uma espécie de novo Messias, o homem que viera para fazer a tal de “change”, a mudança, fosse lá o que isso significasse.

Começou, de fato, com todo o gás, lançando iniciativas aqui e ali, internas e externas. Não demorou muito e seu prestígio começou a cair, cair, cair, até que, no início do ano, perdeu a eleição para preencher a vaga aberta pela morte de Ted Kennedy como senador por Massachusets. Pronto, foi o suficiente para que Obama fosse dado como morto e enterrado, para que pipocassem movimentos de extrema-direita, de uma reacionarismo feroz, como o “Tea Party”.

Não se passaram nem mais dois meses e eis que a Câmara de Representantes aprova o plano de saúde de Obama. Não o original, é bom que se diga, mas o possível, o melhor possível nas circunstâncias.

Pronto, eis que Obama ressuscita, na análise mais ou menos consensual.Ou seja, em um ano e dois meses, o presidente dos Estados Unidos passou da glória ao túmulo e dele diretamente para o céu.Parece muito pouco tempo para tanto movimento. O mais razoável é acreditar que nem Obama havia morrido nem, consequentemente, ressuscitou agora.

Afinal, a maioria democrata continuava existindo em ambas as casas do Congresso. Um senador a mais nem era tão fundamental assim, se se levar em conta o resultado da votação na Câmara: 34 democratas votaram contra o plano de saúde afinal aprovado. É razoável supor que, com 60 senadores, como era a bancada democrata antes da morte de Ted Kennedy, ou com 59 como ficou depois da derrota em Massachusets, haveria defecções como houve na Câmara. Mas a maioria ganha, como ganhou.

E a vitória não significa que não haverá mais “tea parties” nem que as pesquisas voltarão a ser favoráveis ao presidente.É bom não esquecer, aliás, que ter perdido prestígio segundo as pesquisas não muda o fato de que o que conta é o voto popular, não a pesquisa.Vale para Obama o raciocínio que François Fillon, o primeiro-ministro francês, fez sobre o resultado das eleições regionais de domingo aqui na França, um desastre para o governo de Nicolas Sarkozy (a oposição ganhou em 21 das 22 regiões em que se divide o país): ele reconheceu a derrota mas lembrou que o governo se pauta pelo resultado nacional, o que elegeu Sarkozy faz quase três anos, e não por números regionais.

Não estou querendo, com essas observações, nem minimizar o impacto favorável a Obama da votação de domingo nem o impacto desfavorável a Sarkozy dos resultados do mesmo dia. Só acho que é prudente pôr as coisas em perspectiva: foi uma vitória histórica, sim, mas não quer dizer que, só por ela, Obama vai ganhar também a guerra no Afeganistão, arrancar sanções ao Irã ou obter a paz no Oriente Médio.

Tomara até que consiga tudo isso, mas sejamos razoáveis: mortes e renascimentos de presidentes raramente ocorrem na velocidade com que se tratou o caso Obama.

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