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A luta continua no Marrocos


05/8/2011 – 10h55

Mohamed IV, rei do Marrocos: monarquia marroquina tem que ceder espaço ao parlamentarismo.

Envolverde
por Abderrahim El Ouali, da IPS
Casablanca, Marrocos, 5/8/2011 –

A monarquia do Marrocos continua sendo alvo de críticas de ativistas apesar da emenda constitucional aprovada, de antecipação de eleições gerais para outubro e das várias reformas sociais e econômicas realizadas. A nova Constituição, confirmada por referendo do dia 1º de julho, reduziu os poderes do rei Mohamed VI sobre o Poder Legislativo e o Executivo.

Agora, o primeiro-ministro será eleito pelo partido que tiver maioria no parlamento nas próximas eleições. A aprovação de leis passa a ser responsabilidade exclusiva do parlamento e o primeiro-ministro tem o poder de designar e destituir funcionários políticos, salvo oficiais do exército, que continua sendo competência do rei.

A Primavera Árabe foi relativamente moderada no Marrocos, em comparação com o que viveram seus vizinhos, embora tenha ficado claro nas mobilizações que a preferência é por uma monarquia parlamentar na qual o rei domine, mas não governe. Entretanto, há setores que buscam reformas mais profundas. “Nossa revolução continua. A população decidirá o destino do regime”, disse Hamza Mahfud, um dos líderes do Movimento 20 de Fevereiro.

Encabeçada por ativistas independentes, a agrupação protesta todos os domingos pela nova Constituição e reclama uma verdadeira monarquia parlamentar. “A nova Constituição é apenas um truque para evitar as reclamações populares por democracia, liberdade e dignidade”, disse Mahfud. Mas há especialistas que não compartilham dessa opinião.

“A nova Constituição fortaleceu as liberdades públicas e individuais”, disse o professor de ciências políticas, Driss Lagrini, da Universidade Al Kadi Iyad, de Marrakesh, 250 quilômetros ao sul de Casablanca. A lei fundamental foi redigida por uma comissão de 19 especialistas, todos designados pelo rei, duas semanas após as manifestações de 20 de fevereiro, quando 50 mil pessoas, segundo fontes oficiais, ou centenas de milhares, segundo os organizadores, reclamaram uma nova Constituição com base em uma monarquia parlamentar.

Realizar manifestações sem autorização prévia é um crime punido com cinco anos de prisão no Marrocos. As autoridades decidiram não enviar policiais, mas divulgar o que estava ocorrendo e as reclamações pela televisão pública, em um fato considerado um sinal de sua vontade de negociação, inclusive se falou da “exceção marroquina”. “A exceção marroquina é simplesmente uma mentira”, disse Mahfud. “Todos os regimes árabes violam os direitos de seus povos”, acrescentou. A única exceção, segundo ele, é que as autoridades locais “são hipócritas e demonstraremos isso com nossas ações”.

Entretanto, a tolerância demonstrada pelo regime em 20 de fevereiro não durou muito. A polícia recorreu à violência no dia 13 de março deixando centenas de feridos. Nos dias 22 e 29 daquele mês ocorreu o mesmo e o saldo foi um morto e centenas de casos de fraturas e traumatismos cranianos e torácicos. “São poucos os que reclamaram o fim do regime em reação à repressão policial”, disse Sulaiman Raissuni, jornalista que cobriu os protestos para o jornal Al Massae.

O regime marroquino reagiu com flexibilidade aos protestos, disse Abdelhadi Dahraui, ativista do Movimento 20 de Fevereiro. “Não se pode comparar com as atrocidades cometidas na Líbia ou na Tunísia”, afirmou. A resposta das autoridades não foi casual, segundo o professor Lagrini. “Os protestos no Marrocos sempre foram um rito cotidiano. As reformas não são uma novidade. O país optou pelo pluralismo político nos anos 1960 e realizou reformas legais e políticas na década de 1990”, acrescentou.

“Não podíamos ir mais além da monarquia parlamentar. Mas o rei manteve certos poderes interessantes na Constituição”, disse Dahraui. O monarca agora pode dissolver o parlamento e destituir ministros, tendo informado previamente ao primeiro-ministro. O rei anunciou a nova Constituição no dia 17 de junho e destacou que não se trata de um documento definitivo.

No dia 30 de junho declarou que o espírito da lei fundamental refletia a vida cotidiana dos cidadãos ao garantir a liberdade, a boa governança e a dignidade de todos os marroquinos. Porém, nem todos estão contentes. “Me bateram sem piedade no dia 13 de março, apenas cinco dias depois do discurso no qual o rei se referiu a maiores liberdades públicas. Nada foi ampliado, salvo os paus em nossas cabeças”, lamentou Mahfud. Envolverde/IPS

(IPS)

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Mísseis atingem palácio presidencial e ferem ditador do Iêmen


Folha de São Paulo

O ditador do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, ficou levemente ferido nesta sexta-feira em um ataque de mísseis que atingiu a mesquita do palácio presidencial, na capital Sanaa.
Segundo as agências de notícias e a TV Al Arabiya, o ataque deixou ao menos quatro seguranças mortos. Os mísseis também feriram gravemente o presidente do Parlamento, Yahya Ali al-Raee, e o primeiro-ministro, Ali Muhammad Mujawar.
Uma TV de oposição chegou a anunciar a morte de Saleh no ataque, mas a informação não foi confirmada por nenhuma outra fonte.
“O primeiro-ministro e o presidente do Parlamento, assim como várias personalidades políticas, que assistiam a oração de sexta-feira na mesquita do palácio presidencial, foram feridos pelos disparos de obuses”, declarou o porta-voz do governista Congresso Popular Geral (CPG), Tarek Shami.
O palácio presidencial foi atingido por mísseis nesta sexta-feira, na esteira dos confrontos entre as forças de Saleh e militantes do clã tribal Hashid, que transformaram Sanaa em um campo de batalha desde 23 de maio.
Shami acusou o chefe da Hashid de ter “superado todos os limites toleráveis” com o ataque.
Testemunhas citadas pela agência de notícias Efe disseram que mais de dez explosões atingiram nesta sexta-feira em um bairro habitado por diplomatas no sul de Sanaa. Não há, contudo, relatos de vítimas.
Fontes da Hashid disseram que as explosões tinham como alvo a casa do filho mais novo do líder da tribo, Hamid, empresário e destacado opositor do regime de Saleh.
Após quatro meses de protestos populares violentamente reprimidos pelo regime de Saleh, que se nega a deixar o poder, a revolta adquiriu outra magnitude com o início de combates intensos em Sanaa entre forças leais ao presidente e partidários do influente líder dos Hashid, o xeque Sadek al Ahmar.
Os confrontos começaram quando forças de segurança tentaram invadir a residência de Ahmar em Sanaa, no último dia 23. Desde então, forças de segurança do governo e guardas tribais trocam disparos de armas pesadas e mísseis pelas ruas da capital. Mais de 150 pessoas morreram e a população de Sanaa foge em pânico, com temor de uma guerra civil.
Saleh pertence à Hashid, mas o xeque Ahmar anunciou em março passado que apoiaria a revolta popular contra o ditador. O xeque apelou a alianças históricas para trazer outras influentes tribos iemenitas, donas de milícias bem armadas, para o confronto.

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Síria prende opositor após entrevista; milhares protestam nas ruas


20/04/2011 – 12h37

O presidente da Síria e a primeira-dama: se não flexionar o regime, Al Assad certamente cairá.

Folha de São Paulo
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O opositor sírio Mahmud Issa foi detido na cidade de Homs (centro), no momento em que se aguarda para esta quarta-feira a suspensão do estado de emergência em vigor na Síria desde 1963 –uma das principais reivindicações do movimento de protesto iniciado há mais de um mês.
Também hoje, milhares de estudantes protestaram na Síria contra o regime autoritário que vigora no país, exigindo que o ditador Bashar al Assad cumpra as declarações feitas sobre uma possível reforma do país. Rebeldes também prometeram “uma grande demonstração” nesta quarta-feira.
Já o opositor Mahmud Issa foi detido na noite de terça-feira, depois de conceder uma entrevista ao canal Al-Jazeera, informou o presidente do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdel Rahman.
Mahmud Issa ficou detido de 1992 a 2000 por integrar o Partido do Trabalho (comunista, proibido) e de 2006 a 2009 por ter assinado um texto Damasco-Beirute que pedia um Líbano soberano e independente.
Na entrevista, o opositor citou a morte do general Abdo Jodr al-Telawi na região de Homs. Ele afirmou ignorar a identidade do assassino e pediu uma investigação sobre o crime, segundo Abdel Rahman.
A agência oficial Sana e os jornais estatais afirmaram na terça-feira que “grupos de criminosos armados que bloqueiam as estradas e espalham o medo surpreenderam o general Abdo Jodr al-Telawi, seus dois filhos e um sobrinho, que foram assassinados a sangue frio em Homs”.
Desde o início dos protestos em 15 de março na Síria, o regime acusa “grupos armados criminosos” de terem iniciado a violência.
Segundo o jornal “Al Watan”, ligado ao governo, o presidente Bashar al-Assad tinha previsto publicar nesta quarta-feira o decreto de suspensão do estado de emergência, que limita as liberdades públicas.
Esta é uma das principais reivindicações do movimento de protesto no país, que ganhou força nos últimos dias.
O estado de emergência está em vigor desde a chegada ao poder do partido Baath em 1963. Assad prometeu no sábado passado que a medida seria revogada em uma semana no máximo.
A lei de emergência impõe restrições à liberdade de reunião e de deslocamento e permite a detenção de suspeitos ou pessoas que ameacem a segurança.
O governo também anunciou na terça-feira que aboliria a Corte de Segurança do Estado, assim como a lei que regulamente o direito de manifestação.
A Anistia Internacional expressou satisfação com os anúncios e pediu a Assad uma ação imediata e concreta para que acabar com a onda de assassinatos de militantes opositores pelas forças de segurança.
Mas Assad, que chegou ao poder no ano 2000, após a morte do pai Hafez, também afirmou que não aceitaria mais novas manifestações.
Mais de um mês depois do início dos protestos, as manifestações se tornaram mais radicais e passaram dos pedidos por reformas a exigências pela queda do regime.
PROTESTOS
Pelo menos 200 pessoas foram mortas desde o começo dos protestos contra a ditadura na Síria.
Hoje, 4.000 estudantes universitários de Daara e regiões próximas protestaram perto da cidade al-Omari Mosque.
Ativistas disseram também que dezenas de estudantes protestaram hoje na Universidade Aleppo, parte norte do país. Houve confronto no campus entre estudantes favoráveis e contrários ao regime. Não há, no entanto, registro de mortos ou feridos.

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Governo da Síria suspende estado de emergência, diz agência


/04/2011 – 10h54

Damasco, capital da Síria: livre do estado de emergência em vigor há 50 anos.

Folha de São Paulo

O governo da Síria aprovou nesta terça-feira a suspensão do estado de emergência vigente há 50 anos no país, informou a agência de notícias estatal. A medida era a principal reivindicação dos manifestantes oposicionistas, que protestam em várias cidades do país há semanas.
Um legislador afirmou à agência de notícias Reuters que a lei foi aprovada no Parlamento e que o ditador Bashar al-Assad ainda precisa assinar o documento. A assinatura, contudo, é uma mera formalidade e tida como garantida.
A agência de notícias Sana diz que o governo sírio aboliu ainda a corte de segurança estatal, que lidava com os julgamentos dos prisioneiros políticos e aprovou uma lei permitindo o direito dos cidadãos a protestos pacíficos.
Ao menos 30 pessoas morreram e outras 90 ficaram feridas somente nos últimos dois dias durante os distúrbios ocorridos na cidade síria de Homs, que se intensificaram na madrugada desta terça-feira.
As forças de segurança sírias têm reagido com dureza contra as manifestações de oposicionistas, iniciadas um mês atrás na cidade de Deraa, no sul, e que se espalharam por todo o país.
Os protestos representam o maior desafio já enfrentado por Assad, que assumiu a presidência em 2000 depois que seu pai, Hafez al Assad, morreu ao fim de 30 anos no poder.
Depois de prometer suspender a lei, Assad nem ao menos citou a medida em seu primeiro pronunciamento público desde o início dos levantes, em 30 de março. Na época, ele disse ainda que as reformas políticas não são prioritárias e culpou uma grande conspiração internacional, que teria usado falsas informações para instigar as diferenças étnicas e levar o povo às ruas.
No sábado (16), Assad voltou a dizer que a legislação que substituirá quase meio século de lei de emergência deve estar pronta nesta semana. Dirigindo-se a seu recém-formado gabinete, Assad disse que os ministros devem preparam uma lei para regulamentar as manifestações, que são ilegais pela lei de emergência vigente há 48 anos e que proíbe ajuntamentos de mais de cinco pessoas.
No entanto, sua promessa pouco serviu para apaziguar os manifestantes que pedem maiores liberdades na Síria ou para conter a violência que organizações de direitos humanos dizem ter vitimado pelo menos 200 pessoas.
Nesta segunda-feira, após milhares de pessoas reunirem-se na cidade de Homs para os funerais dos mortos durante manifestações do fim de semana na Síria, o Ministério do Interior sírio chegou a classificar os protestos como uma “insurreição armada”.
Países ocidentais vêm condenando a violência mas não mostram sinais de que agirão contra Assad, ator central na política do Oriente Médio que consolidou a aliança anti-Israel de seu pai com o Irã e apoia os grupos islâmicos Hamas e Hezbollah, enquanto mantém conversas de paz indiretas e intermitentes com Israel.

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Cresce isolamento a ditador da Líbia; Europa teme êxodo árabe


23/02/2011 – 23h37

Perto do fim: Kadhafi em pronunciamento, após assumir o poder em 1969

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Folha de São Paulo

Após perder o controle da região leste do país e também o apoio de pilotos da Força Aérea, o ditador da Líbia Muammar Gaddafi viu-se forçado a enviar mais soldados e mercenários à capital Trípoli e à região oeste, onde a oposição diz já ter conquistado a importante cidade de Misratah. Nos EUA, o presidente Barack Obama fechou o cerco ao regime e chamou o mundo à uma “ação conjunta” enquanto a Europa teme a chegada de até 1,5 milhão de imigrantes ilegais da região.
Em um breve discurso em Washington, o presidente dos EUA, Barack Obama, voltou a condenar os atos “ultrajantes” de violência do regime do ditador Muammar Gaddafi contra os civis e disse que seu país estuda várias medidas contra a Líbia –desde sanções unilaterais até ações conjuntas com outras nações.
O presidente americano condenou fortemente o “banho de sangue inaceitável” que ocorre no país após os repetidos ataques militares contra a própria população e disse que o mundo precisa “falar com uma só voz”.
As declarações de Obama chegam horas após relatos sobre a perda de controle de Gaddafi da região leste da Líbia –onde está a cidade de Tobruk e grande parte dos campos produtores de petróleo– e em meio a relatos de que mais de 640 já morreram no país, de acordo com grupos de direitos humanos.
O número representa mais que o dobro do balanço oficial do governo líbio de 300 mortos. A FIDH menciona 275 mortos em Trípoli e 230 na cidade de Benghazi, epicentro dos protestos.
Em Trípoli moradores indicaram que a presença de membros de milícias e mercenários estrangeiros contratados pelo governo aumentou consideravelmente e que as trocas de tiros nas ruas têm ficado mais violentas.
Obama destacou ainda que os protestos na Líbia e na região são gerados pelo próprio povo e que não têm influência alguma de Washington ou de qualquer outro país e destacou uma frase de um líbio como emblemática para caracterizar os motivos das revoltas: “só queremos viver como seres humanos”.
Entre as medidas concretas que o governo americano já tomou em reação à crise estão o alerta às suas embaixadas e consulados para dar total assistência aos americanos que tentam deixar a Líbia; o envio do sub-secretário do Departamento de Estado, Bill Burns, a diversos países da região e da Europa para debater as revoltas; e a presença de Hillary Clinton em Genebra na segunda-feira (28) para debater uma “ação multilateral” junto a outros países que integram o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.
PILOTOS DESERTAM
Moradores da capital relataram clima de tensão em meio às novas investidas do regime contra os civis. “Muitas pessoas estão com medo de deixar suas casas em Trípoli já que atiradores de milícias pró-Gaddafi estão nas ruas ameaçando qualquer um que se junte em grupos”, disse o tunisiano Marwan Mohammed, logo após cruzar a fronteira com a Tunísia.
As manobras de Gaddafi, que chegam horas após dois pilotos terem se ejetado de um jato de guerra que caiu em Benghazi, são vistas pela mídia internacional como “desesperadas” e indicam que a perda de controle do país tende a aumentar.
Um avião da Força Aérea da Líbia caiu perto de Benghazi (leste) depois que sua tripulação se recusou a obedecer as ordens de bombardear a cidade e se ejetou da aeronave –uma Sukhoi-22 de fabricação russa–, caindo em segurança em terra firme com a ajuda de paraquedas.
A recusa dos militares mostra que o ditador Muammar Gaddafi está cada vez mais isolado até mesmo dentro das suas Forçar Armadas.
ÊXODO
O governo italiano revelou nesta quarta-feira o temor de que a queda do ditador líbio Muammar Gaddafi possa estimular a partida de milhares de imigrantes ilegais rumo à Itália e outros países europeus como a Grécia. Já a Agência Europeia de Gestão da Cooperação Operacional nas Fronteiras Externas (Frontex) estima que entre 500 mil e 1,5 milhão de líbios possam pedir refúgio do outro lado do Mediterrâneo.
O chanceler da Itália Franco Frattini alertou em entrevista ao jornal “Corriere della Sera” que a fuga de líbios pode se converter num “êxodo bíblico”, sendo uma onda até dez vezes maior do que a crise registrada em 1997 quando refugiados da Albânia migraram rumo ao país.
“Na Líbia, um terço da população não é originária do país, mas subsaariana. Estamos falando de 2,5 milhões de pessoas que, no caso da queda do sistema do país, escaparão porque ficarão sem trabalho. Nem todos [virão] à Itália. Grécia está muito mais perto de Cirenaica e Benghazi”, avaliou o chanceler, acrescentando que a parte leste do país é “terra de ninguém”.
“Na Cirenaica, como se sabe, existem tribos e nós não temos ideia de quem são”, revelou, destacando que o que se sabe deles é que são perigosos e contam com integrantes da rede terrorista Al Qaeda, e que por isso no fim de 2006 a Itália decidiu fechar seu consulado na região.
EUROPA EM ALERTA
A agência da União Europeia (UE) encarregada de guardar as fronteiras do bloco manifestou preocupação com o êxodo de imigrantes ilegais que pode ser ocasionado em meio à crise no norte da África.
“Trata-se de pessoas de origem subsaariana que trabalham na Líbia e o norte da África” e que “se dirigiriam principalmente à Itália, Malta e Grécia”, alertou a Frontex em comunicado.
Os ministros de Interior da UE se reunirão na quinta-feira em Bruxelas para debater pela primeira vez as consequências na imigração das revoltas do norte da África.
Além disso, a Comissão Europeia, Frontex e o governo italiano informarão ao resto dos estados-membros sobre a operação Hermes em Lampedusa.
A agência dedica atualmente a maior parte de sua capacidade nessa operação após as revoltas na Tunísia chegaram ao redor de 5,5 mil imigrantes.
“Será a primeira oportunidade que terão os 27 [países integrantes da UE] de discutir em conselho a crise da imigração e avaliar os seguintes passos a serem dados”, informou um porta-voz da Presidência húngara que atualmente comanda o bloco.
LAMPEDUSA
Após a queda do ditador da Tunísia Zine el Abidine Ben Ali, na metade de janeiro, mais de 5.000 imigrantes já tentaram entrar na ilha de Lampedusa, na Itália, e barcos com egípcios também já foram apreendidos.
A Itália, porta de entrada por questão geográfica, quer dividir a responsabilidade com o resto da Europa e já pediu a criação de fundo de 100 milhões de euros para cuidar do problema.
O país alega que esses imigrantes não desejam ficar na Itália, mas ir para a França, onde têm família. Há também a facilidade da língua: o país foi colônia francesa, e a maioria dos tunisianos fala o idioma.
Acordo entre os países da União Europeia determina que imigrantes em busca de asilo devem ficar no país a que chegaram até a solução de seu caso.

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Artigo: Khadafi, a cara da Líbia


Khadafi, em evento oficial na Líbia: como seria o país sem ele?

Luís Paulo Domingues

D’Incao Intituto de Ensino

A Líbia é um país surrealista. Ela se tornou independente da Itália depois da Segunda Guerra Mundial, quando os italianos quiseram formar um “portão” no Mar Mediterrâneo – a Líbia de um lado e a Itália do outro. Um lugar coberto por desertos seria, então, usado para dominar o mar.
Assim que se tornou independente, a Líbia foi governada pelo Rei Idris I, que não fez muita coisa. O povo se revoltou e colocou o Muamar Khadafi no lugar do rei. Só que isso foi em 1969, e ele está lá até hoje. Veio pra ficar. Tanto isso é verdade, que Khadafi não é o presidente do país (lá não tem presidente) e sim o “Líder Fraternal e Guia da Revolução”.
Um dos problemas de Khadafi é estético. Nos anos 1970 ele aderiu ao visual 1970. E nunca mais o abandonou. Khadafi se veste, até hoje, com ternos e uniformes cortados no estilo 1970. Parece o professor Girafális, no tamanho, no físico e nas roupas. Suas fotos em uniforme militar de gala são impagáveis. Tem uniforme verde claro, cor de vinho, azul calcinha… tudo adornado com aqueles galardões e medalhas imensas e breguíssimas, com um quepe igualmente gigante, que fica por cima de uma cabeleira rebelde semelhante às da dupla sertaneja “Leo Canhoto e Robertinho”. E de Ray Ban.
Ultimamente, deu pra se vestir com roupas de beduíno do Saara. Também de Ray Ban. Dizem que se retira para sua tenda no deserto e fica orando, por dias.
Agora, pense bem:
Dá pra acreditar num cara desses?
Porém, mesmo com todo esse comportamento de Renato Aragão, Khadafi colou sua imagem na de seu país de tal forma, que agora o povo da Líbia tem um grande problema nas mão. Se o Khadafi cair, a Líbia não é mais a Líbia. Terão que mudar o nome do país.
Fico imaginando se foi a mente brilhante de Khadafi que escolheu a bandeira da Líbia. A bandeira da Líbia é só um pano verde. Não tem uma listra, um símbolo, uma estrela, nada. Nem mesmo uma galinha, como tem a de Uganda. A bandeira da Líbia é só verde e pronto. Coisa de ditador decidido.
“-Líder Fraternal, como será nossa bandeira?”, pergunta um escravo.
“-Verde”, diz Khadafi.
“-Sim, mas verde com quê? Uma estrela, um símbolo, um…”
“-Verde.”
Bom, foi mais inovador que o rei. A bandeira anterior era vermelha, branca e preta, como quase todas as outras bandeiras árabes.
Derrubar Hosni Mubarak tudo bem; derrubar Khadafi é acabar com a Líbia – pelo menos com “esta Líbia” que está aí. Quem olharia para ela se não fosse Kadhafi? Seria como os Estados Unidos sem a estátua da liberdade, uma França sem Paris, Portugal sem bacalhau, um Brasil sem Sarney. Não existe.
Na página da Líbia na Wikipédia tem uma foto do país sendo bombardeado por zepelins italianos. Imagine a cena:
“-Fujam! Os zepelins italianos estão chegando!”
Não tem o mesmo peso que:
“-Fujam! Os bárbaros estão chegando!”
Ou: “-Fujam! Os russos estão vindo!”
O que é melhor? Enfrentar um russo, um ostrogodo ou um italiano? Um italiano, é claro. Imagine, então, ser colonizado por italianos, com aquelas cantorias e aquele jeito de falar. O torturador vai te espancar e fica gritando:
“-Mamma Mia! Ma quê? Porca Miséria!”
Nestas alturas do campeonato, o melhor que os líbios poderiam fazer é arrumar um lugar para o Khadafi no meio artístico. Seria um bom apresentador de programas no estilo Silvio Santos.
Mas engana-se, contudo, quem acha que Muammar está lá de brincadeira, com esse comportamento freak. Ele sabe exatamente o que faz. Domingo, seu filho apareceu em pronunciamento na TV falando (não em árabe, mas no dialeto líbio) que os inimigos da revolução querem derrubar o governo e que se eles saírem, o país entra em guerra civil.
E é verdade. Se Khadafi sair, há grandes possibilidades de a Líbia entrar em guerra civil e se esfacelar em pequenas regiões feudais, voltando a ser o que era antes de 1952. Eles não têm outro líder. Ou melhor, Khadafi construiu com maestria a imagem de líder único.
Nem é bom dizer isto aqui, porque jornalismo é coisa de democracia e etc, mas talvez a Líbia seja ruim com Khadafi, e pior sem ele. Igual ao Iraque sem Saddam.

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ONG denuncia 24 manifestantes mortos em protestos na Líbia


18/02/2011 – 07h56

A bela e histórica Trípoli é o mais novo foco das revoltas árabes.

Folha de São Paulo
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

A organização Human Rights Watch (HRW), com sede em Nova York, afirmou nesta sexta-feira que as forças de segurança da Líbia já mataram pelo menos 24 manifestantes e feriram dezenas deles desde terça-feira, ao disparar diretamente contra a multidão que participa dos protestos pacíficos contra o regime do ditador Muammar Gaddafi.

“As autoridades deveriam parar de utilizar a força, a menos que seja absolutamente necessário, para proteger vidas, e abrir uma investigação independente sobre as mortes”, indicou a HRW em um comunicado.
A nota acrescenta ainda que, “segundo várias testemunhas, as forças de segurança líbias dispararam e mataram manifestantes para dispersar as passeatas de protesto”.
Na quinta-feira, centenas de manifestantes marcharam nas cidades de Benghazi, Al Bayda, Zentan, Rijban e Darnah. A agência de notícias Associated Press, baseando-se em informações fornecidas por sites da oposição, ativistas líbios residentes no exterior e ONGs de direitos humanos, afirmou que 20 pessoas morreram em 48 horas.
Um veículo de informação líbio e fontes médicas mantêm o balanço informado na quinta-feira: nove mortos.
A Irmandade Muçulmana da Líbia denuncia que as forças de segurança estão usando munição real contra os manifestantes.
Em meio aos protestos, o Ministério do Interior líbio destituiu um alto responsável pela segurança local após a morte de duas pessoas em manifestações contrárias ao governo em Al Bayda, cidade localizada 1.200 km a leste da capital do país, Trípoli.
Segundo o jornal “Quryna”, que cita “fontes de segurança bem informadas”, o ministério destituiu o coronel Hasan Kardaui, diretor da segurança de Al Jabal al Akhdar, capital da região, após a “morte de dois jovens” na noite da quarta-feira.
Gaddafi governa a Líbia desde 1969 e é o mais veterano líder africano. Agora o país começa a sentir os efeitos das revoltas que recentemente derrubaram ditaduras nos vizinhos Egito e Tunísia.
Na Líbia, o golpe militar que levou o coronel ao poder em 1969 é chamado de revolução.
Em Trípoli, não havia sinais de protestos contra o governo. Na rua Omar al Mokhtar, principal artéria da capital, o tráfego era normal. Bancos e lojas estavam abertos, e não havia reforço policial.
Sem citar os distúrbios, Gaddafi declarou numa entrevista divulgada na quarta-feira que “os revolucionários” –seus partidários– irão prevalecer. “Abaixo os inimigos, abaixo em todo lugar; abaixo os fantoches em todo lugar, os fantoches estão caindo, as folhas do outono estão caindo”, afirmou ele, segundo a BBC. “Os fantoches dos EUA, os fantoches do sionismo estão caindo.”
EUA
Nesta quarta-feira, os Estados Unidos pediram que o regime do ditador Gaddafi, há 42 anos no poder, assim como os de outros países atingidos por protestos, atendam às demandas sociais.
“Os países da região têm o mesmo tipo de objetivos em termos demográficos, aspirações do povo e necessidade de reformas”, disse em coletiva de imprensa o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip J. Crowley.

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Bahrein usa tanques para dispersar manifestantes; 4 morreram


17/02/2011 – 09h02

Início da ocupação da praça Pearl, em Manama: a revolta árabe chega aos países ricos.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Folha de São Paulo

Nota do D’Incao

Luís Paulo Domingues

A revolta das populações árabes que começou com a deposição do ditador da Tunísia, no início do ano, se espalhou pelo norte da África e Oriente Médio. Marrocos, Líbia, Egito, Iêmen, Jordânia, Irã, Iraque e até a ultra policiada Síria estão enfrentando problemas com protestos da população por diferentes demandas. Todos esses países são nações com grande população, onde uma porcentagem significativa das massas se encontra nas estatísticas da pobreza e da exclusão social e cultural.

A novidade no Bahrein é que, pela primeira vez nesta onda de protestos, um dos “paraísos” árabes do Golfo Pérsico foi atingido. Devido à extrema riqueza e às ótimas condições de vida de seu povo, países como o Bahrein, Kwait, Qatar, União dos Emirados Árabes e Omã não apareciam nas previsões dos analistas que monitoram as recentes revoltas no mundo árabe. Porém, a monarquia sunita do Bahrein, que governa uma população majoritariamente xiita há mais de 200 anos, acabou caindo na esteira dos protestos islâmico.

Os líderes xiitas do Bahrein dizem que não querem a queda da monarquia, mas sim uma maior participação da população xiita no parlamento e nas decisões do Estado.

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
Folha de São Paulo

Forças de segurança do Bahrein, apoiadas por dezenas de tanques blindados, invadiram sem aviso prévio a praça Pearl, no centro da capital, Manama, para expulsar, com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, milhares de manifestantes antigoverno. Ao menos quatro pessoas morreram e cem ficaram feridas, elevando a seis o número de mortos durante quatro dias de protestos.
Milhares de manifestantes xiitas saíram às ruas do país nesta semana pedindo reformas políticas e melhorias econômicas no país, onde uma família de muçulmanos sunitas governa uma população que é majoritariamente xiita.
Centenas de pessoas acamparam na praça Pearl, um cruzamento na capital que eles pretendiam transformar em base dos protestos como aconteceu com a praça Tahrir, no Cairo, que levou à renúncia do ditador egípcio, Hosni Mubarak, na última sexta-feira.
Mas a praça bareinita estava praticamente vazia no início desta manhã, depois de a polícia ter invadido o local, que estava cheio de barracas abandonas, cobertores e lixo, O cheiro de gás lacrimogêneo pairava no ar.
“Eu estava lá. Os homens estavam correndo, mas as mulheres e as crianças não podiam correr tão facilmente”, disse Ibrahim Mattar, um parlamentar do principal bloco de oposição xiita, o Wefaq, que abandonou o Parlamento do país.
Mahmoud Mansouri, um manifestante, disse que a polícia cercou a praça e então, rapidamente, a invadiu. “Gritamos ‘estamos em paz! Paz!”. Mulheres e crianças foram atacadas como o resto de nós”, contou. “Eles moveram assim que a imprensa nos deixou. Eles sabiam o que estavam fazendo.”
O médico Sadek Akikri, 44, disse que estava atendendo manifestantes em uma tenda improvisada quando a polícia a invadiu. Ele contou ter sido amarrado e espancado.
“Eles estavam me espancando tão forte que eu não podia mais ver. Tinha muito sangue escorrendo da minha cabeça”, contou.
Os manifestantes começaram a acampar no local na última terça-feira, debaixo de um monumento de 90 metros representando uma pérola gigante (pearl, em inglês, significa pérola), fazendo da praça o centro nervoso dos primeiros protestos antigoverno que atingiram o golfo Pérsico desde as revoltas populares na Tunísia e no Egito.
O Parlamento do Bahrein se reuniu em uma sessão de emergência. Um membro pró-governo, Jamila Salman, derramou lágrimas.
Muitas famílias foram separadas no caos. Um fotógrafo da Associated Press viu policiais reunindo crianças perdidas e as levando para veículos.
O correspondente da rede americana ABC News, Miguel Marquez, foi apanhado no meio da multidão e espancado por homens que levavam cassetetes. No entanto, ele não teve ferimentos graves.
Funcionários de hospitais, falando sob condição de anonimato porque não estavam autorizados a conversar com a imprensa, afirmaram que quatro pessoas foram mortas nesta terça-feira. O número de feridos chega a dezenas –o espanhol “El País” cita 300.
Choques esporádicos entre policiais e manifestantes continuaram pela manhã, com antigovernistas jogando pedras e depois recuando. Um grupo de jovens homens quebrou o pavimento para conseguir mais pedras.
Um corpo coberto com um lençol branco estava em meio a uma poça de sangue em uma rua localizada a 20 metros da praça.
Tanques e veículos blindados eram vistos em algumas ruas –o primeiro sinal de envolvimento militar na crise– e autoridades enviaram uma mensagem de texto para telefones celulares que dizia: “O Ministério do Interior alerta todos os cidadãos e residentes para não saírem de casa devido a conflito potencial em todas as áreas do Bahrein”.
PROTESTOS
Os protestos no Bahrein começaram na última segunda-feira como um pedido para que a monarquia sunita que comanda o país afrouxe o controle, incluindo não indicar mais pessoas para os cargos governamentais mais altos e abrir mais oportunidades para a população xiita, que é maioria no país e há muito reclama de ser excluída do processo de tomada de decisões.
Mas as demandas rapidamente ficaram maiores. Muitos manifestantes pedem que o governo ofereça mais empregos, melhores moradias e liberte todos os prisioneiros políticos. Eles também gritam frases contra a monarquia que tem liderado o Bahrein por mais de 200 anos.
Chamados feitos por meio de redes sociais na internet pressionam para que a população leve adiante os protestos, além de estarem cheias de insultos por parte de supostos partidários do governo que chamam os manifestantes de traidores e de agentes do xiita Irã.
O líder do maior bloco político xiita, xeque Ali Salman, afirmou que não há pedidos por um papel do islã na política. “Não estamos buscando um governo religioso como o do Irã, mas queremos um governo civil que represente xiitas e sunitas”, afirmou em uma entrevista coletiva.
O grupo, o Al Wefaq, tem 18 cadeiras em um Parlamento composto por 40, mas boicotou a Casa em protesto pela violência contra os manifestantes.

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Após Egito, iemenitas voltam às ruas para exigir renúncia


12/02/2011 – 13h54

Sanaa, a capital do Iêmen: palco da revolta árabe se desloca para a penísula arábica.

DA BBC BRASIL
Publicado na Folha de São Paulo

Milhares de pessoas foram neste sábado às ruas da capital do Iêmen, Sanaa, exigindo que o presidente do país, Ali Abdullah Saleh, deixe o cargo, em mais um ato inspirado pela onda de protestos que derrubou o governo do Egito.
Os ativistas, que pediam uma revolução no país árabe, chegaram a entrar em confronto com um grupo favorável ao presidente, em frente à Universidade de Sanaa. Há relatos de que as forças de segurança também se envolveram no enfrentamento.
No último dia 2, Ali Abdullah Saleh –que está no poder do Iêmen unificado desde 1990– afirmou que não irá tentar estender o seu mandato, que termina em 2013, em meio aos protestos pró-democracia no mundo árabe.
Mesmo assim, um dia depois, mais de 20 mil manifestantes foram às ruas de Sanaa pedindo a renúncia imediata do presidente.
Em janeiro, Saleh propôs uma emenda constitucional que permitiria sua reeleição no pleito previsto para 2013. Isto deu início a uma onda de manifestações, exigindo um governo mais democrático e reformas que melhorem a situação econômica do país.
O governo de Saleh enfrenta acusações de corrupção e de concentração de poder em torno de seu clã. O partido governista, o Congresso Geral do Povo, tem ampla maioria no Parlamento.
ALIADO OCIDENTAL
Ali Abdullah Saleh assumiu a Presidência da República Árabe do Iêmen (ou Iêmen do Norte) em 1978, por meio de um golpe militar. Em 1990, ele tornou-se presidente da nova república, criada a partir a fusão entre os Iêmens do Norte e do Sul.
Saleh colaborou com os Estados Unidos na chamada guerra ao terror, durante o mandato de George W. Bush. A grande presença de militantes da rede Al Qaeda, que ameaça frequentemente o regime, é uma das maiores preocupações do governo.
As duas eleições que Saleh venceu –em 1999 e 2006– foram marcadas por acusações de fraude por parte da oposição.

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Fúria toma conta de egípcios no Cairo após anúncio de Mubarak


Atualizado às 23h07

Após Mubarak anunciar que ficaria, povo reagiu com protestos que causaram distúrbios no Egito.

O Estado de São Paulo

CAIRO – O clima de festa que havia tomado a Praça Tahrir, no centro do Cairo, momentos antes da esperada renúncia do presidente Hosni Mubarak deu lugar a uma atmosfera de fúria e tensão. O ditador transferiu os poderes para o vice sem deixar o posto e enfureceu os manifestantes que há 18 dias pedem sua renúncia.

Os manifestantes já estão cercando o Palácio Presidencial e alguns se dirigiram à sede da televisão estatal. O Exército está no local também. Há temores de que haja violência nas próximas horas. Mohamed ElBaradei, expoente da oposição, disse que “o Egito vai explodir”. Organizadores dos protestos convocaram uma multidão de 20 milhões de pessoas para protestar após as orações de sexta-feira.

Durante toda a quinta-feira, os rumores de que Mubarak renunciaria aumentaram. O presidente do Partido Nacional Democrático (PND), a legenda do presidente, havia dito que o ditador faria um discurso importante à noite e disse que ficaria surpreso se ele permanecesse no cargo até a sexta-feira.

Centenas de milhares de egípcios se reuniram na Praça Tahrir, principal palco dos protestos, para ouvir a provável renúncia. O presidente, porém, não atendeu à principal reivindicação dos manifestantes e pode ter dado início a uma nova – e mais forte – onda de marchas contrárias ao governo.

Relatos de uma repórter da televisão Al-Jazira afirmam que “houve um momento em que a Praça estava completamente silenciosa, todos ouviam ao pronunciamento. Mas mal pode-se ouvir o fim do discurso, porque no meio dele as pessoas tinham percebido que Mubarak não renunciaria”.

Após Mubarak, Suleiman fez um pronunciamento. Ele pediu aos manifestantes que voltassem para casa e para o trabalho. “Abrimos a porta para o diálogo. Chegamos a um acordo. Elaboramos um plano para atender a maioria das demandas. A porta ainda está aberta”, disse. Tomados pela fúria, os egípcios seguirão desobedecendo as ordens das autoridades, como fazem desde o dia 25 de janeiro.

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