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Denúncias de fraude não mudarão resultado das eleições na Rússia, diz governo


12/12/2011 – 06h25

Manifestantes enchem as ruas nas principais cidades russas: Presidente diz que vai investigar fraude.

DA FRANCE PRESSE
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O governo russo considera que as fraudes denunciadas pela oposição nas eleições parlamentares de 4 de dezembro não representam motivo para alterar os resultados do pleito, declarou o porta-voz de Vladimir Putin nesta segunda-feira.
“Mesmo se adicionarmos todos esses supostos tstemunhos, isso diz respeito apenas a 0,5% do número total de votos. Portanto, mesmo que seja contestado na justiça, isso não questiona a legitimidade da votação ou dos resultados definitivos”, afirmou Dmitri Peskov.
No domingo, o presidente russo, Dmitri Medvedev, informou em sua página do Facebook ter ordenado uma investigação sobre as denúncias de fraude.
O anúncio ocorreu um dia após dezenas de milhares de pessoas em Moscou e ao redor da Rússia pedirem que as eleições ocorram novamente, na maior manifestação da oposição que a Rússia já viu em anos.
Medvedev também expressou divergências com as críticas formuladas pela oposição nas manifestações. Em sua conta no Facebook, o líder deixou claro que não concorda com as demandas e acusações.
A oposição disse que a eleição foi fraudada em favor do partido no poder, o Rússia Unida, que ganhou uma pequena maioria na Câmara Baixa.
“Não concordo com slogans ou declarações feitas nos protestos. No entanto, instruções foram dadas por mim para checagem de todas as informações nos postos eleitorais a respeito do cumprimento da legislação nas eleições”, disse Medvedev em uma postagem no site de mídia social.
Manifestantes acenaram panfletos com frases como “Os ratos devem ir embora!” e “Vigaristas e ladrões –nos dêem a nossa eleição de volta!”, durante os protestos no sábado em uma clara manifestação contra o Rússia Unida e o primeiro-ministro Vladimir Putin.
“Os cidadãos da Rússia tem a liberdade de expressão e liberdade para realizar comícios. As pessoas tem o direito de expressar a posição que mostraram ontem. Tudo aconteceu dentro da lei”, disse Medvedev em seu primeiro comentário depois das manifestações.
Putin quer retornar à presidência para possivelmente os próximos 12 anos, sendo que já cumpriu dois mandatos entre 2000 e 2008.
Medvedev, que é presidente desde 2008, é um ávido usuário de sites de mídia social como o Facebook e o Twitter.
PROTESTO HISTÓRICO
No sábado, os manifestantes de Moscou haviam denunciado fraudes nas eleições legislativas de domingo passado e exigiram às autoridades a realização de novos pleitos parlamentares, a libertação dos presos políticos e a investigação de todas as irregularidades eleitorais.
Mais de cem pessoas foram presas durante a maior manifestação no país desde o primeiro mandato do primeiro-ministro Vladimir Putin, em 2000.
Milhares foram às ruas em diversas cidades para protestar contra as eleições legislativas do domingo passado, que eles dizem serem fraudulentas, e também contra Putin. Em ato similar na última terça-feira, foram presos 500.
Segundo o Ministério do Interior russo, mais de 130 manifestantes foram detidos em todo o país, a maioria deles por participar de manifestações não autorizadas pelas autoridades locais.
A polícia afirma ter havido cerca de 30 mil pessoas apenas em Moscou, mas os organizadores estimam entre 40 mil e 80 mil participantes.
Cerca de 7.000 pessoas foram às ruas em São Petersburgo e manifestações com centenas ocorreram em ao menos outras 60 cidades.
A eleição parlamentar de domingo, em que o partido governista Rússia Unida viu sua bancada encolher em 77 deputados, embora mantendo uma ligeira maioria no Parlamento, sinalizou um crescente descontentamento contra os 12 anos de hegemonia política de Putin no maior país do mundo.
Durante a semana, o partido Rússia Unida negou as fraudes e acusou os Estados Unidos de incitarem a agitação popular. Centenas foram presos pela polícia durante a repressão a protestos logo após o término das eleições.

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Operação antiterrorismo na Inguchétia mata vários líderes de guerrilhas


29/03/2011 – 04h00

Doku Umarov: terrorista mais procurado da Rússia, auto proclamado emir do cáucaso.

DA EFE
Folha de São Paulo

Vários chefes de guerrilhas islâmicas morreram em uma operação antiterrorista empreendida na segunda-feira na Inguchétia, declarou nesta terça o presidente da república do norte do Cáucaso, Yunus-Bek Yevkúrov.
“Sabemos que havia ali uma série de líderes”, disse Yevkúrov à agência Interfax ao comentar a destruição de um acampamento guerrilheiro em território inguche.
Segundo boletim do Centro Nacional Antiterrorista (CNA) da Rússia, as forças de segurança mataram 17 guerrilheiros em uma operação que incluiu um ataque aéreo de alta precisão e ações em terra.
De acordo com o relatório oficial, dois agentes do Serviço Federal de Segurança (FSB, antigo KGB) e um policial morreram na operação.
Fontes do Ministério do Interior inguche não descartaram a possibilidade de que entre os guerrilheiros mortos esteja o terrorista número um da Rússia, Doku Umárov, que se autoproclama o “Emir do Cáucaso” e que reivindicou a autoria de vários atentados terroristas.
“Desde as primeiras horas da manhã os investigadores trabalham no local (da operação). Já se verá”, disse o presidente inguche, respondendo a pergunta que contestava se Umárov está entre os guerrilheiros mortos no acampamento, onde segundo o CNA os terroristas recebiam treinamento terrorista suicida.
Na segunda-feira (28), as forças de segurança também capturaram na Inguchétia dois homens envolvidos no atentado suicida contra o aeroporto moscovita de Domodedovo, que em 24 de janeiro deixou 37 mortos e quase 200 feridos.
O ataque terrorista foi perpetrado por Magomed Yevlóev, um estudante de contabilidade de 20 anos oriundo da Inguchétia que detonou uma potente bomba que levava consigo no terminal de chegadas internacionais de Domodedovo, o maior aeroporto de Moscou.
A Justiça russa já acusou formalmente de terrorismo os irmãos e um amigo do terrorista suicida.
O atentado em Domodedovo foi reivindicado por Umárov em um vídeo divulgado através da internet no qual assegura que o terrorista suicida agiu sob suas ordens e promete uma nova onda de ataques na Rússia.

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Líder tchetcheno reivindica atentado em aeroporto de Moscou


07/02/2011 – 22h55

Vista da capital da Tchetchênia, Grosny, bombardeada pelos russos em várias ocasiões.

Nota do D’Incao

Por Luís Paulo Domingues

A Tchetchênia (também pode ser escrito Chechênia) é uma das repúblicas autônomas que pertencem à federação russa. Assim como seus vizinhos do Daguestão, Kabardino-Balkhária, Abkásia e parte da população das duas Ossétias (do sul e do norte), a Tchetchênia localiza-se na região do Cáucaso, que é a rota de passagem dos maiores oleodutos de petróleo e gás que escoam toda a produção de combustível da Rússia. A região do Cáucaso também produz esses combustíveis.

Porém, a população da região é de predominância islâmica, uma herança dos séculos de dominação turca, antes de esses territórios passarem para a administração russa. Os clamores separatistas começaram com mais intensidade após o colapso da União Soviética e o terrorismo foi a estratégia encontrada pelos que desejam a independência desses países.

Folha de São Paulo
DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O líder do grupo rebelde islâmico Emirado do Cáucaso, o tchetcheno Doku Umarov, reivindicou na noite desta segunda-feira o atentado suicida do mês passado no principal aeroporto de Moscou que deixou 35 mortos, em um vídeo postado no site do porta-voz do grupo.

“Esta operação foi realizada sob minha ordem”, afirmou em um vídeo publicado nesta segunda-feira no site kavkazcenter.com, se referindo ao ataque suicida do dia 24 de janeiro no aeroporto de Domodedovo.
Na última semana, o líder autoproclamado do chamado “Emirado do Cáucaso” prometeu em um vídeo tornar 2011 no ano “do sangue e das lágrimas”.
ATENTADO
A bomba foi detonada em um atentado suicida nas esteiras de bagagem do terminal de chegadas internacionais às 16h40 locais (11h40 no horário de Brasília), deixando vários corpos no chão e cobrindo o local de fumaça. A lista de vítimas atualizada inclui dois austríacos, dois cidadãos do Tadjiquistão, um britânico, um alemão e um cidadão da Ucrânia e um do Uzbequistão.
Um dia após o ataque, o presidente russo culpou os responsáveis pela segurança do aeroporto Domodedovo e exigiu demissão dos responsáveis pela segurança dos meios de transporte.
Dmitri Medvedev disse que a gerência do Aeroporto Domodedovo deve responder pelo ataque, já que o terrorista suicida conseguiu passar pela segurança. “O que aconteceu mostra que há claras violações na segurança”, disse, acrescentando que as medidas foram reforçadas depois de terroristas explodirem dois aviões que decolaram do mesmo aeroporto em 2004, matando 90 pessoas.
O Aeroporto de Domodedovo negou no mesmo dia responsabilidade pela explosão. “O aeroporto sustenta que não deve ser responsabilizado pela explosão, porque, repito, estamos cumprindo plenamente todos os requisitos de segurança do transporte aéreo pelos quais somos responsáveis”, disse a porta-voz Yelena Galanova.

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Tribunal tailandês paralisa extradição do Mercador da Morte para os EUA


04/10/2010 – 07h52

Viktor Bout, considerado o maior traficante de armas do mundo, no momento em que foi preso em Bankog.


Folha de S. Paulo

Um tribunal de Justiça de Bancoc, na Tailândia, decidiu não retirar as acusações adicionais contra o suposto traficante de armas russo Viktor Bout, conhecido como Mercador da Morte, e paralisou assim sua extradição para os Estados Unidos.
Bout, ex-piloto e agente da KGB (o serviço secreto soviético), foi detido em março de 2008, no luxuoso hotel Sofitel de Bancoc, por membros da agência antidroga dos EUA que se faziam passar por compradores de armas das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).
As autoridades tailandesas se disponibilizaram em princípio a processá-lo por um delito de apoio ao terrorismo, mas desistiram perante a falta de provas. A extradição aos EUA havia sido decidida em 20 de agosto passado, sob duras críticas da Rússia que chamou o veredicto de politico.
A magistratura rejeitou agora o pedido dos EUA, feito em fevereiro passado, para retirar as novas acusações de fraude e lavagem de dinheiro. Os EUA queriam que a Tailândia desistisse das acusações para acelerar a extradição de Bout ao país, onde enfrentará acusações de terrorismo.
Bout apelou da decisão de agosto de extraditá-lo, argumentando que sua vida correria risco nos EUA. Ele chegou à corte nesta segunda-feira em uma van blindada, sob forte segurança e com colete a prova de balas.
PERFIL
Bout afirma ser um honrado empresário, fala seis idiomas e é conhecido por oito nomes diferentes. Ele nega envolvimento no tráfico ilegal de armas e alega que estava envolvido apenas no transporte das cargas. Segundo os serviços de inteligência ocidentais, o suposto traficante aproveitou o fim da União Soviética para comprar de generais corruptos e a baixo preços, arsenais inteiros na Bulgária, Moldova ou Ucrânia, para vendê-los a regiões de conflito, principalmente à África.
O Mercador da Morte se transformou no principal provedor de armas para as guerras em Serra Leoa, Angola e República Democrática do Congo. Bout teria fornecido ao menos 800 mísseis, 5.000 fuzis AK-47, minas e explosivos C-4 às Farc.
A organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional afirma que ele chegou a operar uma frota de mais de 50 aviões que transportavam armas por todo o continente africano, onde conseguiu até mesmo evitar um embargo internacional para fazer negócios com Charles Taylor, ex-presidente da Libéria e notório “senhor da guerra”, que atualmente está sendo julgado em Haia por crimes de guerra.
Sua fama inspirou o filme de Hollywood “O Senhor das Armas”, cujo protagonista, interpretado por Nicolas Cage, relata orgulhoso que aproveitou a queda da União Soviética para ganhar muito dinheiro com os arsenais que adquiriu mediante subornos a generais corruptos.
Segundo o FBI (Polícia federal americana), Bout também tentou adquirir uma bateria antiaérea e conspirou para assassinar cidadãos americanos ao fornecer armas para a rede terrorista Al Qaeda.

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Saldo de mortos no Quirguistão pode chegar a 2.000, diz governo


Prática muçulmana de entrerrar mortos pode dificultar a contagem do governo
18 de junho de 2010
O Estado de S. Paulo

Polícia se protege de manifestantes em Bishkek, capital do Quirguistão.

OSH – O número de mortos devido aos distúrbios étnicos que sacudiram o sul do Quirguistão poderia chegar a quase 2.000, disse nesta sexta-feira, 18, a presidente interina do país enquanto realizava sua primeira visita a um povoado seriamente afetado pelos conflitos.
As cifras do Ministério da Saúde do Quirguistão apontaram que o número de falecidos em conflitos organizados sobretudo por grupos quirguizes chegam a 191.
“Eu aumentaria dez vezes os números oficiais de mortos”, disse a presidente interina Roza Otunbayeva, segundo seu porta-voz Farid Niyazov. A mandatária apontou que as cifras atuais não levam em conta aqueles enterrados no mesmo dia em que morreram, tal como indicam as tradições muçulmanas locais, disse o oficial.
Por outro lado, as Nações Unidas anunciaram que um milhão de pessoas poderiam precisar de ajuda no país.
As agências de ajuda da ONU e a Organização Mundial da Saúde anunciaram que a cifra de um milhão de pessoas no Quirguistão e Usbequistão inclui um potencial número de refugiados, deslocados internos e outros que sofreram de uma forma ou outra com os distúrbios.
Christiane Berthiaume, porta-voz de UNICEF, disse que o número é uma estimativa para ajudar as agências a planejar a quantidade de ajudar necessária para preparar. Indicou que o número de pessoas que necessita de ajuda poderia ser mais alto ou mais baixo que um milhão.
Centenas de milhares de usbeques fugiram da zona afetada pelos conflitos.
O vice-secretário de Estado americano, Robert Blake, visitou nesta sexta-feira um campo de refugiados no Usbequistão, a uns cinco quilômetros da fronteira com o Quirguistão. Pediu uma investigação dos episódios de violência e disse que estava trabalhando para que os refugiados regressem as suas casas de forma segura.
Otumbayeva chegou na sexta-feira de helicóptero à praza central de Osh, uma cidade de 250.000 habitantes. Várias parte da cidade foram destruídas por grupos de homens quirguizes que queimaram casas de usbeques e atacaram seus negócios em episódios de violência que começaram no final da semana passada.
“Temos que dar esperança para restaurar a cidade, para que regressem todos os refugiados e criar todas as condições para isso”, indicou.
Insistiu que a boa vontade entre quirguizes e usbeques poria fim às hostilidades.
A ONU calcula que 400.000 personas fugiram do sul do país depois que quirguizes mataram centenas de usbeques.
Até 100.000 pessoas cruzaram a fronteira com o Usbequistão, onde recebem alimentos e água em campos de refugiados. Outras centenas de pessoas permanecem acampadas no lado quirguiz da fronteira, já que não lhes foi permitido cruzar.

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Sanções contra o Irã são ‘bofetada na diplomacia dos emergentes’, diz jornal britânico


Imprensa estrangeira se divide sobre papel de Brasil e Turquia na questão

EUA mostram suas reais intenções: sabotar o Irã até as últimas consequências, que são a queda do regime ou a guerra.

Nota do D’Incao: Os donos da bola (no mau sentido)

O desenrolar do acordo arrancado a duras penas pelos governos brasileiro e turco com o Irã foi risível – para não dizer patético. Os americanos fizeram o papel daquele garoto que empresta a bola para todos os outros jogarem na rua, mas só até o jogo estar favorável a ele. Como segunda-feira a Turquia e o Brasil venceram, os americanos paralizaram o jogo e levaram a bola embora. E carregaram a China e a Rússia com eles, pelo mesmo motivo.

As sanções anunciadas na terça-feira contra o Irã demonstram que as intenções americanas são muito mais profundas do que aquilo que estava escrito no papel que Ahmadinejad assinou na madrugada de segunda. Os EUA querem mesmo é pressionar e sabotar a economia e o governo iranianos, até que o governo caia e o regime dos aiatolás seja substutuído por outro que reze e obedeça a cartilha do governo e das empresas de petróleo americanas.

obs: ler também “EUA anunciam acordo no Conselho da ONU para sanções contra Irã”; “Brasil e Turquia formalizam acordo nuclear com Irã em meio a ceticismo” e “Entenda a polêmica envolvendo o programa nuclear do Irã”, publicados neste site.





Publicado pela BBC Brasil

Um editorial do jornal britânico The Guardian afirma que a resolução proposta pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU prevendo sanções contra Teerã é uma “bofetada nos esforços de negociação” das potências emergentes.
O texto defende o acordo negociado na segunda-feira por Brasil e Turquia com o Irã. Para o jornal, o entendimento turco-brasileiro é “o mais perto que chegamos até agora do início de uma resolução” para a questão nuclear iraniana.
Por isso, diz o Guardian, “a proposta de resolução (promovida pelos EUA) pode ser interpretada como uma bofetada das grandes potências nos esforços de negociação de outros países. Mas, em um mundo multipolar, Barack Obama não pode simplesmente fazer isso.”
“A Turquia está emergindo como uma importante potência diplomática no Oriente Médio. Turquia e Brasil, o outro mediador do acordo, são membros não-permanentes do Conselho de Segurança e signatários do tratado de não-proliferação. O Japão, igualmente, compartilha o comprometimento de encontrar uma solução diplomática neste impasse com o Irã. Juntas, essas nações assumiram o papel de mediadores honestos abandonados pela Grã-Bretanha, a França e a Alemanha.”

Melindre
A questão suscitou artigos incisivos nesta quarta-feira em diversos jornais estrangeiros. Na França, o matutino Le Figaro se pergunta por que a manobra iraniana “uniu as grandes potências” em torno da resolução americana, incluindo países tradicionalmente contrários às sanções, como Rússia e China.
Chocados por uma diplomacia turco-brasileira tão desenvolta no conteúdo quanto na forma, os chineses e russos cederam (à proposta americana).
Análise, Le Figaro
“A realidade é que a Rússia e a China não gostaram nem um pouco que o Brasil e a Turquia se permitissem fazer um acordo nuclear com Teerã sem se dar ao trabalho de consultar Moscou e Pequim de antemão”, opina o jornal.
“Chocados por uma diplomacia turco-brasileira tão desenvolta no conteúdo quanto na forma, os chineses e russos cederam (à proposta americana).”
Já alguns dos principais jornais americanos fizeram duras críticas ao Brasil e à Turquia por patrocinar o acordo com o Irã.
O The New York Times aponta que ambos os países “estão ávidos para desempenhar um maior papel internacional” e “ávidos para evitar um conflito com o Irã”.
“Respeitamos estas ambições. Mas como todo mundo, eles foram manipulados por Teerã”, afirma o editorial, lembrando que desde 2006 o governo iraniano “desafia as reivindicações do Conselho de Segurança de suspender seu programa nuclear”.
Para o NYT, a nova resolução “provavelmente não é dura o suficiente para fazer Teerã mudar de ideia. Mas o fato de a Rússia e a China terem concordado deve gerar nervosismo entre alguns atores dentro do dividido governo iraniano.”
“Brasil e Turquia deveriam se unir às outras potências e votar a favor da resolução do Conselho de Segurança da ONU. Mesmo antes disto, deveriam voltar a Teerã e pressionar os mulás por um acordo crível e por negociações sérias.”

Ironia
Os EUA incentivaram a diplomacia de Lula como uma maneira de angariar apoio para uma resolução de sanções na ONU. Em vez disso, Lula usou a abertura para triangular sua própria solução diplomática.

Editorial, The Wall Street Journal
Mais incisivo, o diário americano Wall Street Journal diz que o governo brasileiro aproveitou a boa vontade de Washington para entrar na negociação iraniana e “triangular sua própria solução diplomática”. Para o diário financeiro, o acordo de Brasil e Turquia com o Irã foi um “fiasco” para a diplomacia Obama.
“O governo tentou se recuperar rapidamente anunciando, no dia seguinte, que havia chegado a um acordo com a Rússia e a China para sanções na ONU”, afirma o editorial. O jornal diz que esta situação é um “fracasso” diplomático, que deve ser “totalmente creditado à estratégia diplomática infeliz do governo Obama”.
“O duplo constrangimento é que os EUA incentivaram a diplomacia de Lula como uma maneira de angariar apoio para uma resolução de sanções na ONU. Em vez disso, Lula usou a abertura para triangular sua própria solução diplomática. Assim, em vez de EUA e Europa colocarem o Irã contra a parede, foi Ahmadinejad quem colocou Obama no canto.”
Para o jornal, a política de “mão estendida” para o Irã resultou em que o Irã está hoje menos isolado diplomaticamente, e mais perto de desenvolver uma bomba atômica.
“Israel terá de considerar seriamente suas opções militares. Tal confrontação é muito mais provável hoje graças ao presidente americano, cujo principal sucesso diplomático foi convencer os vilões de que lhe falta determinação para conter suas ambições destrutivas.”

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Brasil e Turquia formalizam acordo nuclear com Irã em meio a ceticismo


17/05/2010 – 07h40
Publicado na Folha de São Paulo

Lula (Brasil), Ahmadinejad (Irã), Erdogan (Turquia) e o ministro dos negócios estrangeiros turco (Ahmet Davutoglu ), na assinatura do acordo.

Leia antes a nota do D’Incao Instituto de Ensino, por Luís Paulo Domingues e Carlos D’Incao:

Até a última hora, o mundo não acreditou na possibilidade de o Brasil sair com sucesso dessa intermediação entre o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, que regula as questões nucleares no mundo). Não acreditava ou torcia contra, visto que os Estados Unidos querem bloquear o desenvolvimento do Irã em todos os setores, já que trata-se de uma nação opositora aos seus interesses econômicos e políticos na região. A direita brasileira, representada na imprensa principalmente pela revista Veja e pelos grandes jornais paulistas( Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo), quer um motivo para desqualificar o governo federal que, embora seja muito criticável em inúmeros aspectos, parece romper com a histórica posição de servilismo do país em relação às grandes questões internacionais.

O acordo foi assinado nesta madrugada (segunda, 17/05). Não deu tempo nem de comemorar a boa atuação da diplomacia brasileira (até o presidente russo disse que dava uns 30% de possibilidade de o acordo dar certo, o que representou dizer que Ahmadinejad não o assinaria em hipótese alguma), e a mesma imprensa já publica manchetes do tipo: Mundo vê acordo no Irã com ressalvas”.

O fato é que o acordo cumpre as exigências das normas da AIEA e do Conselho de Segurança da ONU. Com a participação da vizinha Turquia, um país considerado aliado pelos Estados Unidos, o Irã vai trocar urânio enriquecido em porcentagens estipuladas pela AIEA, porcentagens estas que não permitirão a produção da bomba atômica.

Então devemos refletir o porquê de as manchetes nacionais, além do Estado de Israel e os Estados Unidos verem o acordo com tantas ressalvas. No caso de Israel, parece óbvio: o sucesso do acordo fortalece o Irã e, indiretamente, a causa palestina. No caso dos Estados Unidos, o sucesso do acordo possibilita uma maior estabilidade para o Oriente Médio, estabilidade esta que não corresponde aos interesses imperialistas dos americanos. Na lógica imperialista, a divisão é a melhor forma para dominar. Por isso, os Estados Unidos não querem a paz e muito menos a estabilidade. Já a imprensa brasileira está preocupada  com as eleições presidenciais no Brasil. O governo Lula, para eles, não pode ter nenhuma virtude e a atitude do Brasil em tentar interceder nessa questão deve ser vista como algo patético. O Brasil precisa ser pequeno e seu povo, menor ainda. Esse tem sido o projeto da direita no Brasil nos últimos 500 anos.


Publicado na Folha de S. Paulo On Line

Por Vahid Salemi/AP

O Irã assinou na manhã desta segunda-feira, ao lado de Brasil e Turquia, o acordo de troca de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear negociado neste fim de semana.
O documento, um marco nas negociações sobre o controverso programa nuclear de Teerã, ainda é visto com ceticismo por Israel e pelas potências ocidentais.
Muitos duvidam que um país como Irã, que desafia as sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e resiste a permitir examinadores internacionais em suas usinas nucleares, vai se ater aos termos do acordo.
Vahid Salemi/AP

Iraniano Mahmoud Ahmadinejad comemora assinatura de acordo nuclear com Luiz Inacio Lula da Silva, e o turco Recep ErdoganO ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou em Teerã que o acordo não foi discutido com as potências, mas cumpre as determinações da proposta mediada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em outubro passado, e que o Irã rejeitou.
O acordo determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França –suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.
A troca acontecerá na Turquia, país com proximidades com Ocidente e Irã, e sob supervisão da AIEA e vigilância iraniana e turca.
Os presidentes Mahmoud Ahmadinejad e Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, decidiram enviar a proposta no prazo de uma semana para a AIEA.
Israel analisa com ceticismo o acordo. Fontes oficiais israelenses disseram à agência de notícias Efe que o Irã já aceitara uma oferta muito parecida “e depois, na hora de passar à ação, a rejeitou. É preciso examinar isto, portanto, com ceticismo”.
“Pode ser que desta vez o Irã tenha decidido mudar sua política, ou que tenha manipulado a Turquia e o Brasil, explorando as boas intenções e a inexperiência diplomática brasileira em assuntos do Oriente Médio”, disseram as fontes.
Pela proposta das potências em outubro passado, o Irã embarcaria 70% do seu estoque de urânio baixamente enriquecido, que seria convertido na França ou Rússia em cápsulas de combustível compatíveis para produção de isótopos de uso médico.
Teerã recusou a proposta dizendo que o projeto de acordo não apresentava as garantias necessárias para a entrega do combustível. Depois disso, o país apresentou uma contraproposta para um intercâmbio gradual.
A classe política e, em particular o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, adverte do perigo que o Irã adquira capacidade de produzir armas nucleares e pede à comunidade internacional que tome medidas pela desnuclearização de Teerã.
Já o governo da Alemanha destacou nesta segunda-feira que nada pode substituir um acordo entre Teerã e a AIEA.
“Continua sendo importante que Irã e AIEA cheguem a um acordo”, declarou o porta-voz adjunto do governo da Alemanha, Christoph Steegmans. “Isto não pode ser substituído por um acordo com outros países”, completou.
Sanções
Amorim e seu colega turco, Ahmet Davutoglu, disseram nesta segunda-feira que o acordo nuclear fecha o caminho para a possibilidade que a comunidade internacional imponha novas sanções ao regime iraniano.
Com a paralisação das negociações no ano passado, o Irã anunciou que começou a enriquecer o urânio a 20% em fevereiro, mesmo diante da repreensão das potências. Desde então, os EUA lideram uma campanha por uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU, à qual o Brasil se opõe.
Em entrevista coletiva em Teerã, Amorim assegurou que o compromisso adquirido pelas autoridades iranianas fecha a porta para novas sanções.
Além disso, o chefe da diplomacia brasileira acrescentou que este acordo representa o princípio para abordar outras questões sobre o conflito nuclear.
Amorim destacou que é a primeira vez que o Irã se compromete por escrito a enviar urânio ao exterior para recuperá-lo tempo depois, como já propuseram Rússia, Estados Unidos e Reino Unido em novembro do ano passado.
Nesta ocasião, explicou o ministro brasileiro, o Irã recebeu as garantias que pedia para fechar um acordo.
Lula está há dois dias em visita oficial no Irã e hoje participará da inauguração da 14ª Cúpula do G15 (grupo dos 15 países em desenvolvimento), na capital iraniana.
Com agências internacionais

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Os Bric: pensando no futuro


Enquanto alguns dos principais países deixavam prosperar excessos especulativos, os Bric promoveram crescimento focado no trabalho e na prudência
16 de abril de 2010 | 0h 00

Luiz Inácio Lula da Silva – O Estado de S.Paulo

Presidente da Índia, Rússia, China e Brasil: Lula tem razão no texto, mas os BRICs podem pleitear mais.

Leia antes

Nota do D’Incao Instituto de Ensino

A imprensa marrom se adiantou a dizer que o encontro entre China, Brasil, Índia e Rússia de nada valia, pois os países teriam interesses divergentes quando os EUA e os interesses da Europa entravam no jogo. Mesmo assim, um encontro com quatro países em desenvolvimento, exportadores de tecnologia, que ocupam uma considerável área do planeta e que, juntos, possuem metade da população do planeta, não é de se jogar fora. Mesmo para a Veja.

O grupo Bric nasceu há dez anos como uma mera sigla. Identificava um grupo de países que começava a transformar a realidade global.
Essas mudanças começam pelo fato de que, juntos, Brasil, Rússia, Índia e China já contribuem com 15% do PIB mundial. Somos países onde tudo é em grande escala. Representamos quase metade da população mundial, 20% da superfície terrestre e possuímos recursos naturais abundantes.
Somos, sobretudo, nações conscientes de nosso potencial como agentes de renovação. Por isso, os Bric já não são apenas um conjunto de letras. São uma referência incontornável na tomada das principais decisões internacionais. Estamos unindo esforços e coordenando posições para propor uma discussão mais transparente e democrática dos desafios que defrontam a humanidade como um todo.
É esta a mensagem que o Brasil levará à segunda reunião em nível presidencial dos Bric, que se realiza, no próximo dia 16 de abril, em Brasília. Apostamos numa articulação diplomática criativa e pragmática.
Já demonstramos nosso compromisso com o enfrentamento de desafios globais como os da segurança alimentar e da produção de energia no contexto das ameaças da mudança climática.
Mas o verdadeiro batismo de fogo do grupo ocorreu durante a crise global. A sólida reação dos quatro países à derrocada econômica do mundo desenvolvido abriu alternativas, por distintos caminhos, aos surrados dogmas herdados de ontem.
A recessão global não diminuiu o peso dos Bric – muito pelo contrário.
Propusemos estratégias coletivas para superar a crise e dar aos países em desenvolvimento um peso compatível na agenda internacional.
O colapso dos mercados financeiros é sintomático da falência de paradigmas antes tidos como inquestionáveis. Desabaram as verdades sobre a desregulamentação dos mercados. Ruiu o ideal do Estado mínimo.
A flexibilização dos direitos trabalhistas deixou de ser um mantra para combater o desemprego. Quando despencaram todas essas ortodoxias, foi a mão visível do Estado que protegeu o sistema econômico do colapso criado pela mão invisível do mercado.
Enquanto alguns dos principais países deixavam prosperar excessos especulativos, os Bric promoveram crescimento focado no trabalho e na prudência. No Brasil, nunca perdemos de vista o imperativo de enfrentar a desigualdade social. Como resultado, desde 2003, 20 milhões de brasileiros deixaram a pobreza e ganharam os direitos da cidadania plena.
No G-20, propomos saídas para a crise apoiadas em políticas anticíclicas, regulação dos mercados, combate aos paraísos fiscais e renovação das instituições de Bretton Woods.
Não podemos deixar que os sinais incipientes de recuperação da economia mundial sirvam de pretexto para abandonar os compromissos de reforma dessas organizações. Os membros do Bric não injetaram quase US$ 100 bilhões no FMI para que tudo ficasse como antes.
Seguiremos defendendo a democratização do processo multilateral de tomada de decisão. Os países pobres e em desenvolvimento têm o direito de serem ouvidos. Reduzir o fosso que os separa dos países ricos não é só questão de justiça. Disso depende a estabilidade econômica, social e política mundial. É nossa melhor contribuição para a paz.
Os recursos necessários para superar a fome e a pobreza são volumosos, mas modestos, quando comparados ao custo de resgatar bancos falidos e instituições financeiras vítimas de sua ganância especulativa. Não adianta oferecer alimentos e caridade, se não ajudarmos os países a realizar seu potencial econômico e agrícola.
Mesmo esses esforços estruturantes serão insuficientes para reverter a insegurança alimentar que aflige centenas de milhões enquanto persistir a distorção do comércio agrícola mundial. Os subsídios abusivos dos países ricos desestimulam a produção local, fomentam a dependência e desviam recursos melhor aplicados em programas de desenvolvimento. Por isso, é inadiável a conclusão da Rodada Doha.
Em nenhum tema o impasse negociador é tão grave quanto na questão ambiental. Por isso, os Bric estão empenhados em ajudar a fechar o acordo que faltou em Copenhague. Reduzir os gases de efeito estufa e manter o crescimento robusto nos países em desenvolvimento requer que todos façam sua parte, como vêm demonstrando os Bric com iniciativas ambiciosas para mitigar suas emissões.
Por isso, os grandes poluidores históricos têm um encargo especial. O equilíbrio que o Protocolo de Kyoto estabelece é indispensável para podermos avançar juntos.
O cenário internacional está repleto de antigos problemas, ao mesmo tempo em que despontam novas ameaças. Nem os membros do Bric, nem qualquer outro país, tem condições de enfrentá-los isoladamente. O unilateralismo nos levou no passado a impasses, quando não a catástrofes humanas, como a do Iraque.
Dependemos cada vez mais uns dos outros. É imprescindível forjar uma governança global mais representativa e transparente, capaz de inspirar unidade de propósito e revitalizar a vontade coletiva em busca de soluções consensuais. Os Bric cumprirão com suas responsabilidades nessa caminhada.

Nota do D’Incao Instituto de Ensino

A imprensa marrom se adiantou a dizer que o encontro entre China, Brasil, Índia e Rússia de nada valia, pois os países teriam interesses divergentes quando os EUA e os interesses da Europa entravam no jogo. Mesmo assim, um encontro com quatro países em desenvolvimento, exportadores de tecnologia, que ocupam uma considerável área do planeta e que, juntos, possuem metade da população do planeta, não é de se jogar fora. Mesmo para a Veja.

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Alternância On Line de poder


Luís Paulo Domingues
D’Incao on line

Policiais se abrigam em muro contra o ataque de populares

Esta é a prova de que o poder é algo extremamente sedutor. Mesmo sendo presidente de uma república sem muita expressão (sem nenhuma) mundial, com pouco mais de 5 milhões de habitantes encravados nas montanhas da Ásia central, Kurmanbek Bakiyev tentava, até há poucos minutos se manter no poder.
Bakiyev já havia deixado a capital, Bishkek, na semana passada, depois que violentos confrontos entre a polícia e a população tomaram os noticiários de todo o mundo e deixaram mais de 80 mortos. O povo pedia e renúncia do presidente por conta de seu envolvimento com a corrupção e o nepotismo.
Hoje (15/04/10), os jornais on line noticiaram que mais de vinte seguranças tentavam deter os manifestantes que investiram contra Bakiyev quando este fazia um comício em Osh, no sul do país.
A partir das 15:08 (horário de Brasília), os principais sites de notícia publicavam a fuga de Bakiyev do Quirguistão em um avião com destino ao Cazaquistão, e o site Wikipédia já trazia uma nova chefe de Estado em sua página, a conhecida política e líder da oposição Rosa Otunbaeyeva.

Presidente deposto do Quirguistão deixa o país
Plantão | Publicada em 15/04/2010 às 13h19m
BBC
 Publicado em O Globo

Com a popularidade visivelmente em baixa, Bakiyev foge do perigo e embarca para o Cazaquistão.

Um representante do governo do Quirguistão disse nesta quinta-feira que o presidente deposto, Kurmanbek Bakiyev, deixou o país, embarcando em um avião para o Cazaquistão.
De acordo com o repórter da BBC James Rodgers, a partida de Bakiyev ocorreu horas depois de uma manifestação interrompida por tiros na cidade de Osh, no sul do país, na qual ele falava a seus partidários.
Após os disparos, o presidente foi levado para o carro por seus seguranças e então viajou de volta à sua casa na região da cidade de Jalalabad.
O comboio do presidente foi visto depois chegando a um aeroporto da região, antes da decolagem do avião na direção do Cazaquistão, segundo Rodgers.
Negociações
Segundo informações de agências de notícias russas, Bakiyev teria deixado o país para negociações com o presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbayev.
A partida do presidente deposto ocorreu depois dos violentos protestos do dia 7 de abril, e que resultaram na morte de mais de 80 pessoas.
As manifestações em várias cidades foram o ápice de semanas de descontentamento público gerado pela inflação e por acusações de corrupção no governo do Quirguistão.
Roza Otunbayeva, líder do governo interino estabelecido logo depois dos protestos, sugeriu que Bakiyev fosse a julgamento devido aos protestos.
Bakiyev afirmou que estava disposto a renunciar ao poder se a segurança dele e de sua família fosse garantida.
Agora, segundo James Rodgers, o futuro de Bakiyev, no longo prazo, não está claro.
O governo interino, por sua vez, alertou que ele ainda poderá ser preso.
Para mais notícias, visite o site da BBC Brasil
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Coelhinho da Páscoa


segunda-feira, 5 de abril de 2010 | 11:16 – Folha de São Paulo – Tony belloto

Domingo o coelhinho da Páscoa me deixou um recado estranho. Uma foto de Dzhennet Abdurakhmanova. Ela é uma menina de 17 anos suspeita de ser uma das mulheres-bomba que se detonaram no metrô de Moscou e mataram, além de si próprias, mais de 40 pessoas.

Estou tentando entender que tipo de mensagem o coelhinho da Páscoa quis me passar com essa foto. Em primeiro lugar, eu não acredito no coelhinho da Páscoa. Estranho que ele queira provar sua existência de forma tão chocante. Estaria me pedindo socorro? Deve ser terrível para o coelhinho ver que meninas de 17 anos estão matando a si mesmas, e a muitos outros inocentes, em nome de fanatismo religioso e político. Meninas de 17 anos deveriam estar comendo ovinhos de chocolate, não explodindo estações de metrô. E em nome de quê, mesmo? Passo a você o problema. Me ajude a resolver essa questão, por favor. Depois te envio um chocolate, juro. É só mandar o endereço pela seção de comentários.

Vamos olhar com atenção, nós dois, a foto de Dzhennet. É uma criança vestida de negro segurando uma arma. Seu rosto não expressa ira, raiva, desejo de vingança ou mesmo consciência de qualquer espécie. Um pouco de arrogância, talvez. Mas aquela arrogância inconsequente comum em adolescentes. Observo na expressão de Dzhennet quase uma inocência, embora seu rosto guarde um sorriso velado, ao mesmo tempo sutil e desafiador.

Em vez da arma, Dzhennet poderia estar segurando um brinquedo. Ou um cgarro. Um livro. Um violão, uma raquete de tênis. Ao lado dela vemos um homem mais velho, mas ainda um jovem, também empunhando uma arma. As notícias dizem que era seu noivo e foi morto por tropas russas na Tchechênia. O que leva uma menina como Dzhennet a tomar uma atitude como essa? Matar-se, levando junto um monte de gente inocente? Doutrinação? E em nome de quê, mesmo? É intrigante que na Páscoa, festa cristã que celebra a ressurreição de Cristo, o coelhinho tenha me enviado a foto de Dzhennet. O que ele quis dizer com isso?

Opinião do D’Incao:
Menos, Tony Belloto. Resumir um problema tão significativo quanto o do terrorismo à idolatria por essa banda insossa é ignorância.

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