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Autoridades iniciam retirada de moradores de “cidade do câncer” na Turquia


10/11/2010 – 08h41

Vista parcial de Tuzkoy: governo turco vai transferir população para evitar incidência alta de câncer.

JONATHAN HEAD
BBC NEWS, TUZKOY

As autoridades turcas iniciaram a construção de moradias para abrigar a população de vilarejos declarados zonas de desastre por conta de altos índices de câncer entre os moradores.
A região da Capadócia, no centro da Turquia, é tida como uma verdadeira maravilha geológica, conhecida por suas paisagens fantásticas, com rochas porosas talhadas pelo tempo e ruínas históricas que atraem 2 milhões de turistas por ano.
As rochas características da região, escavadas para a construção de igrejas-cavernas e cidades subterrâneas, foram depositadas no local milhões de anos atrás pela erupção de vulcões que cercam a planície.
A riqueza trazida pelo turismo tem sido uma benção para muitos na região. Mas em alguns pontos isolados, o que os vulcões deixaram foi uma maldição.
DOENÇAS RESPIRATÓRIAS
À primeira vista, o vilarejo de Tuzkoy não parece muito diferente das outras cidadezinhas da vizinhança. A maioria das construções é feita com a rocha amarelada, porosa, típica da região.
Historicamente, os moradores de Tuzkoy apresentam altos índices de doenças respiratórias, que são responsáveis por cerca de metade de todas as mortes no vilarejo. Até recentemente, ninguém sabia por que.
A causa foi descoberta pelo médico Izzettin Baris, que, em meados da década de 70, começou a estudar pacientes de Tuzkoy e de duas outras cidadezinhas afetadas pelo problema –Karaiun e Sarahidir.
“Na época, os médicos estavam diagnosticando esses pacientes com tuberculose, que era muito comum no período”, diz Baris. “Mas eles não entendiam por que o tratamento habitual para tuberculose não estava funcionando.”
Baris descobriu que os pacientes estavam na verdade sofrendo de mesotelioma, uma forma violenta de câncer causada por exposição a amianto, também conhecido como asbesto, uma fibra natural que pertence ao grupo dos silicatos cristalinos hidratados.
MINERAL RARO
Os índices da doença na área eram centenas de vezes mais altos do que em qualquer outro lugar na Turquia. Mas não havia amianto na região.
Mais pesquisas demonstraram que a causa era um mineral raro, chamado erionita, que tem propriedades similares a do amianto e é muito presente nas rochas nos arredores de Tuzkoy.
Como a rocha é macia e porosa, é muito fácil inalar os fragmentos de erionita, ele explicou. “As mulheres com frequência iam aos celeiros e escovavam a poeira das paredes. Então inalavam os fragmentos. Mesmo se uma criança nascida no vilarejo se muda durante a infância, ela não pode escapar do mesotelioma. É uma doença horrível e causa muita dor”, disse Baris.
NOVA CIDADE
Outros estudos mostraram que pessoas de Tuzkoy que haviam se mudado para lugares como Istambul ou Suécia também apresentavam altos índices de mesotelioma. A única solução, disse Baris, seria transferir a cidadezinha para outro local.
Mais de 30 anos após a descoberta inicial do médico, a transferência está prestes a acontecer. Uma nova cidade está sendo construída na montanha nos arredores de Tuzkoy, uma área livre de erionita.
O governo central liberou recursos para a obra após partes do vilarejo terem sido declaradas zonas de desastre. Existe hoje um comitê especial no Parlamento turco para decidir o que fazer com a cidadezinha.
Mas ainda há pessoas vivendo na zona de perigo. Alguns se recusam a acreditar no vínculo entre a rocha de que as casas são feitas e o câncer.
RÓTULO
Baris diz que não é mais bem-vindo em Karain, uma das três cidadezinhas afetadas, porque os moradores o acusam de ter rotulado o lugar de “cidade do câncer”.
Outros moradores, por uma razão ou outra, não se qualificam para receber uma nova habitação.
Dondu Guler e seus filhos, por exemplo, continuam vivendo em uma casa emprestada por parentes em Tuzkoy. Como ela não é dona da propriedade, não tem direito a se mudar para uma das casas novas.
Muitos dos parentes de Guler morreram de mesotelioma, mas seus filhos continuam a brincar entre os prédios cujas paredes quase certamente possuem os fragmentos letais de erionita.
Outros moradores dizem que pessoas que saíram do vilarejo há anos, mas ainda possuem propriedades na zona de perigo, receberam novas casas e as estão alugando.
Apenas 250 casas foram construídas, mais de mil moradores permanecem na cidadezinha.
NOVA GERAÇÃO
O prefeito, Umit Balak, disse estar ciente das reclamações. Ele elogia o governo atual por ser o primeiro a lidar com o problema extraordinário de saúde que afeta Tuzkoy, mas diz que precisa de mais ajuda.
“Planejo voltar para Ancara, para falar com o primeiro-ministro em pessoa, se necessário, e explicar que o vilarejo inteiro de Tuzkoy deveria ser declarado uma zona de desastre, para que mais fundos sejam liberados e todos possam se mudar”.
“Isto é urgente, para que podemos salvar a nova geração.”
O prefeito gostaria de demolir o vilarejo, cobrir a área com terra e plantar árvores no local. Mas Baris se opõe à ideia.
“emolir as casas é inútil e perigoso. Imagine toda a poeira. E quem iria fazer o serviço?”, ele pergunta.
Ele propõe que a cidade seja cercada e que se deixe a natureza tomar conta do lugar.
Baris disse que o mineral erionita está presente em outras áreas da Turquia, mas em camadas mais profundas do solo. Apenas nesses três vilarejos o mineral é encontrado na superfície.
O médico explica que as cidades vizinhas da Capadócia, onde turistas com frequência se hospedam em hotéis escavados na rocha, são perfeitamente seguras.

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O MAIOR INIMIGO DE ISRAEL


SEGUNDA-FEIRA, 7 DE JUNHO DE 2010

Barreira israelense: exército patrocina a humilhação dos palestinos ao invés de defender Israel.

Gustavo Ioschpe

Revista Veja 06/2010

Sou judeu, neto de sobreviventes do Holocausto. Devotei minha juventude à militância em movimento sionista e hoje sou casado com uma israelense. Essas circunstâncias pessoais, aliadas à curiosidade, me levaram a estudar o Oriente Médio há muito tempo. Por conta desse interesse, eu me manifestei sempre que o estado de Israel foi atacado injustamente.

Seria vigarice intelectual ficar quieto diante do ocorrido na semana passada, pois as ações do governo israelense são uma afronta ao direito internacional, às básicas noções de moralidade e ao que se espera de um estado judeu que se declarou, na sua criação, “baseado na liberdade, justiça e paz, conforme prevista pelos profetas de Israel”.

A interceptação da flotilha destinada a Gaza é apenas a mais recente trapalhada do governo israelense, hoje o maior inimigo de Israel. Não há como defender a legalidade de uma abordagem em águas internacionais, não havendo nenhuma quebra da soberania israelense, ainda mais contra uma embarcação lotada de civis e suprimentos.

A existência de um Israel pujante e democrático não é apenas uma alegria para o povo judeu como pode ser um auxílio ao mundo civilizado no combate ao extremismo islâmico – desde que haja paz. Países são ideias, que só ganham concretude quando compartilhadas pela comunidade internacional. Os sucessos militares de Israel, somados à sua relação com os Estados Unidos, parecem ter embriagado o país a ponto de fazê-lo pensar que a superioridade das armas resolve tudo.

Essa visão procedia quando da fundação do estado, atacado por seus vizinhos, mas desde a guerra de 1967 e a construção da usina nuclear de Dimona ela se tornou anacrônica. O poder bélico deve estar a serviço da consolidação de paz, não da manutenção da guerra eterna. Até porque as superioridades militares não duram muito, e é bem possível que daqui a algumas décadas Israel precise das salvaguardas das instituições internacionais que hoje despreza.
Em um mundo que se defronta com crescentes ameaças internacionais – do aquecimento global à proliferação nuclear -, não podemos mais deixar que um país ignore o direito internacional. No caso israelense, a aderência às regras de convivência pacífica é fundamental para um país menor que Alagoas e que precisa exportar para crescer.

Se o Hamas estivesse no comando de Israel, dificilmente conseguiria causar tanto estrago, em tão pouco tempo, quanto a dupla Olmert-Netanyahu. Em menos de dois anos, o país prejudicou suas relações com seus aliados, isolou-se, fortaleceu os extremistas e antissionistas do mundo todo e criou vergonha entre seus apoiadores e ódio em suas vítimas. O bloqueio a Gaza, além de imoral, é inútil.

A única maneira de acabar com o Hamas é fortalecer os elementos moderados entre os palestinos. O bloqueio precisa acabar, a construção de assentamentos em territórios ocupados precisa acabar, a ocupação precisa acabar e Israel precisa chegar a um acordo que estabeleça um estado palestino viável nas fronteiras pré-1967. Antes que seja tarde demais.

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Atentado de separatistas curdos mata ao menos cinco pessoas na Turquia


Folha de São Paulo

Investigador turco analisa ônibus atingido próximo a Ancara, capital da Turquia.

Uma bomba escondida em uma estrada na capital da Turquia matou ao menos cinco pessoas que estavam em um ônibus militar nesta segunda-feira.
A autoria do ataque — o pior ocorrido em Istambul desde 2008, quando duas bombas mataram 17 pessoas — foi assumido por separatistas curdos, que lutam por um Estado independente no sul do país.
O artefato explosivo foi detonado perto de um complexo de alojamentos militares no distrito de Halkali. Entre os mortos estão três sargentos, um soldado e uma garota de 17 anos. Cerca de 14 pessoas ficaram feridas.
“Isto foi um ataque terrorista e seu objetivo é claro — criar divisões, tensões e desespero”, disse Huseyin Avni Mutlu, governador de Istambul.
As autoridades aumentaram a segurança em todo o país, temendo ataques suicidas ou contra turistas, como já aconteceu no passado. O ministro da Energia turco, Taner Yildiz, disse que foi reforçado o controle nos dois maiores oleodutos do país.
Logo após os ataques com bombas o primeiro-ministro turco disse que seu país manterá a “luta contra o terrorismo” com firmeza e insistiu que o governo dará apoio total ao Exército para combater os rebeldes. “Não vamos nos render à esta linguagem de violência”, disse.
Para Erdogan não há dúvidas de que militantes curdos estejam por trás dos atentados. O grupo Falcões da Liberdade do Curdistão assumiu a autoria do ataque.
“Esta ação planejada por nós foi direcionada contra um veículo militar. As forças de segurança turcas já usaram civis como escudos no passado e o Estado turco é completamente responsável pela perda de vidas de civis nesta ação”, disse o grupo em comunicado.
As autoridades acreditam que os extremistas tenha ligação com os militantes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerados como “terroristas” pela Turquia e pelos EUA.
Ofensiva
Onze soldados turcos morreram neste sábado (19) em dois ataques de rebeldes curdos, os mais intensos dos últimos dois anos. Um primeiro ataque foi praticado por um grupo de rebeldes na noite de sexta-feira (18) contra um posto militar próximo a Semdinli, no extremo sudeste da Turquia, na fronteira iraquiana, matando oito soldados e ferindo 14, segundo um comunicado do Exército.
Caças turcos bombardearam posteriormente diversas posições do PKK no norte do Iraque, onde essa organização possui bases de retaguarda.
Na segunda-feira (21) duas delegacias foram atacadas na noite na província sudeste de Diyarbakir, deixando um soldado morto e outros dois feridos.
As baixas levaram o governo de Ancara a convocar uma reunião de segurança de emergência na segunda, quando foi anunciada a decisão de enviar mais tropas e intensificar a luta contra os militantes do PKK.
De acordo com a agência estatal Anatolian, tropas de elite do Exército turco cercaram rebeldes curdos numa operação ao longo da fronteira com o norte do Iraque, onde fica localizada a maioria das bases dos militantes curdos.
A operação turca incluiu o bombardeio com metralhadoras na região montanhosa das Províncias de Hakkari e Sirnak, onde há suspeitas de núcleos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), indicaram fontes militares. “O PKK é um inimigo comum da Turquia e dos Estados Unidos”, disse o embaixador americano na Turquia, James Jeffrey.
Minoria
Erdogan sinalizou que mais direitos culturais devem ser garantidos à minoria curda. Recentemente o governo turco permitiu cursos de idiomas, abriu escolas e permitiu a transmissão de programas da televisão estatal turca em curdo.
“Nós vamos continuar agindo com responsabilidade e bravura pelas próximas gerações. Não faremos concessões quanto à democracia, apesar dos atos terroristas e de sabotagem”, disse o primeiro-ministro.
“Se cancelarmos o processo de abertura, os terroristas, chefes de gangues e vampiros que se alimentam do sangue dos jovens venceriam”, acrescentou.

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Exército turco entra no Iraque em perseguição a curdos


Publicado no jornal O Globo

Guerrilheira do Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK) arma criança contra turcos.

Nota do D’Incao: Entenda a problemática dos Curdos

Os curdos lutam há séculos por autonomia e/ou independência na região onde hoje estão as fronteiras entre a Turquia, o Iraque e a Armênia. Durante o Império Turco Otomano, os curdos foram uma das principais forças de resistência, sofrendo, por isso, uma opressão implacável do governo imperial, que incluía torturas, assassinatos em massa e pleiteava até a aniquilação da própria cultura curda.

Durante a primeira guerra mundial, os curdos combateram os turcos apoiados pelos ingleses, que os haviam prometido uma nação independente depois da guerra. Tiveram uma atuação implacável durante todo o conflito, mas receberam uma verdadeira bofetada dos ingleses quando esses foram repartir o mapa do Oriente Médio entre os vencidos: os ingleses criaram o Estado do Iraque, dividindo o novo país entre três regiões (uma menor, curda; uma maior, xiita; uma intermediária, sunita). O resto dos curdos ficaram jogados e expremidos em uma região árida e desértica do que sobrara da Turquia, e em um pequeno pedaço  da Armênia, que logo passaria ao poder soviético.

Durante a ditadura de Sadam Husseim, os curdos foram compulsoriamente oprimidos e explorados em seus interesses, havendo diversos massacres do exército iraquiano contra sua população. Do outro lado da fronteira, igualmente, os curdos foram continuamente agredidos e humilhados pelos sucessivos governos turcos.

Só recentemente, depois da dominação americana no Iraque, a população curda daquele país conseguiu uma cert autonomia e uma relativa paz no chamado Curdistão iraquiano. No território turco, porém, os embates entre os guerrilheiros e o exército turco ainda continuam acirrados.

obs: recomendamos assistir ao filme “Tartarugas podem voar”, passado no curdistão iraquiano, na fronteira com a Turquia.

Notícia:

O Globo: A Turquia enviou centenas de tropas de elite ao norte do Iraque nesta quarta-feira para capturar guerrilheiros curdos, numa operação que poderá aumentar ainda mais as tensões na região. Os soldados turcos mataram quatro insurgentes que escaparam após um ataque fracassado contra uma unidade turca perto da fronteira, informou o Exército da Turquia. O exército não informou quando os soldados, apoiados pela aviação militar turca, irão se retirar do Curdistão iraquiano. Mas o canal de televisão NTV da Turquia disse, sem citar fontes, que as tropas já estão regressando.
Os militares turcos têm desfechado vários ataques contra os insurgentes curdos no norte do Iraque. A última grande operação foi lançada em fevereiro de 2008, quando centenas de soldados fizeram uma ofensiva de uma semana contra os curdos turcos na região, alarmando os curdos iraquianos. O website dos militares turcos informou que três companhias de comandos e um batalhão das forças especiais entraram 3 quilômetros no Iraque hoje.

Os curdos iraquianos têm cooperado com a Turquia na luta de Ancara contra os insurgentes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, na sigla em curdo), compartilhando informações sobre os movimentos e as posições da guerrilha. Contudo, a incursão em curso poderá ativar protestos de Bagdá e da região semiautônoma do Curdistão iraquiano. A incursão turca ocorre no momento em que os insurgentes curdos turcos aumentam seus ataques contra a Turquia, matando mais de 30 soldados turcos nos últimos meses e provocando um ultraje popular nas maiores cidades turcas.

O conflito entre o governo turco e o PKK já deixou mais de 40 mil pessoas mortas desde o seu início em 1984. Muitos guerrilheiros do PKK se escondem em cavernas e abrigos nas montanhas na fronteira entre Turquia e Iraque, de onde saem para atacar os soldados turcos. O PKK é considerado uma organização terrorista pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

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Entenda o bloqueio de Israel a Gaza


Israel mantém restrições à navegação por estar em ‘estado de conflito armado com o regime do Hamas’
31 de maio de 2010
Publicado no Estado de S. Paulo

Davi e Golias: garoto lança pedra contra tanque israelense em Gaza.


O governo de Israel mantém o bloqueio à Faixa de Gaza desde que o Hamas, grupo militante palestino, tomou o controle do território à força, em 2007. O Hamas não reconhece a existência do Estado de Israel e é considerado por este país, pelos EUA e pela União Europeia como uma organização terrorista.

Com o bloqueio, o governo israelense impões restrições de viagens e entrada de ajuda à Faixa de Gaza. Israel só permite a entrada de ajuda humanitária a Gaza através de pontos controlados na fronteira terrestre entre os territórios. No caso da Frota da Liberdade, o governo havia permitido o desembarque no porto de Ashdod, onde haveria revista da ajuda destinada ao território ocupado, mas avisou que não toleraria o ingresso de embarcações no espaço marítimo de Gaza.
Os organizadores da frota – o movimento Gaza Livre e a ONG turca Insani Yardim Vakfi – consideraram a sugestão de Israel de desembarcar no porto de Ashdod como “ridícula e ofensiva”. “Seus bloqueios, seus ‘canais oficiais’ são o que estão causando a crise humanitária”, disseram por meio de comunicado.
O major-general Eitan Dangot, o comissário-chefe para assuntos militares de Israel para territórios palestinos ocupados, disse que a política de Israel sobre o bloqueio era bastante clara. “Não vamos deixar nenhum barco atracar em Gaza enquanto o Hamas estiver no controle”, disse o militar durante a semana, quando foram feitos os primeiros contatos entre a frota e os militares israelenses.
A especialista em leis humanitárias e marítimas do Ministério do Exterior israelense, Sarah Weiss, informou que o bloqueio marítimo está em vigor “porque Israel está atualmente em estado de conflito armado com o regime do Hamas” em Gaza. A justificativa dada por ela é de que “muitos os ataques feitos pelo grupo palestino contra o território israelense foram realizados com armamentos contrabandeados também pelo mar”.
A ajuda humanitária enviada a Gaza é constituída de materiais para construção como concreto e metais, material escolar e outros bens. Os materiais para construção, porém, se tornou bastante restrito, já que Israel alega que o Hamas os usa como matéria prima para construir esconderijos e mísseis.
‘Free Gaza’
O movimento Gaza Livre (Free Gaza, em inglês) tenta desde 2008 furar o bloqueio israelense ao enviar suprimentos para o território controlado pelo Hamas. A frota atual, composta por seis navios, carregava 600 passageiros e havia sido organizada por órgãos da Grécia, da Suécia, da Turquia e da Malásia.
O Gaza Livre, cuja sede está localizada em Nicosia, no Chipre, se descreve como uma grupo de direitos humanos com coordenadores internacionais e grupos afiliados na Grécia, na Alemanha, na Irlanda e na Escócia. A ONG é respaldada por figuras públicas de peso, como o arcebispo sul-africano Desmond Tutu.
Em agosto de 2008, dois pequenos barcos da comitiva do Gaza Livre viajaram de Piraeus, na Grécia, até um porto de Gaza. Em outubro, uma embarcação maior desembarcou no território levando medicamentos.
Várias outras viagens foram realizadas desde então, e muitas falharam devido a ação dos militares israelenses. Em 2009, um barco foi interceptado por Israel e levado até o porto de Ashdod, onde a ajuda humanitária foi recolhida e, segundo o governo, direcionada a Gaza por vias terrestres depois de passar por um controle de segurança.

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EUA lamentam ataque de Israel contra frota humanitária


31/05/2010

DA FRANCE PRESSE, EM WASHINGTON

Um dos barcos da organização humanitária Free Gaza: Turquia pede explicações de Irael.

Nota do D’Incao

Por Luís Paulo Domingues

O assassinato de 16 (a imprensa corrigiu o número anterior (10)) pessoas durante a tentativa de romper o isolamento de Gaza, por parte de um comboio humanitário, coloca mais uma vez em xeque os clamores de Israel contra o Irã e o “radicalismo” muçulmano. Durante as duas últimas semanas, aproveitando o impasse criado pela assinatura do acordo entre Irã e OIEA (organização internacional de energia atômica) – que foi intermediado por Turquia e Brasil -, imprensa e governos de todo o mundo manifestaram-se sobre o perigo de o Irã não cumprir o acordo. Os Estados Unidos e Israel fizeram mais: desqualificaram o acordo, declarando que as reais intenções do país asiático era ganhar tempo e evitar sanções econômicas que os próprios Estados Unidos empurrariam goela abaixo da ONU e de outras organizações internacionais.

Com os assassinatos de hoje de manhã, Israel coloca-se numa situação péssima para argumentações referentes à segurança mundial – foco de todas as questões no Irã. Como um país que abre fogo contra um comboio de barcos que leva comida, roupas e remédios para uma população que está isolada a força (por Israel) pode falar sobre o assunto?

A Casa Branca vai ter muito trabalho hoje para limpar a sujeira de seu eterno aliado perante a opinião pública.


Os Estados Unidos expressaram lamentação pelo ataque do Exército de Israel à “Frota da Liberdade”, um comboio de seis navios que entregariam ajuda humanitária à Gaza, e indicaram que uma investigação deve apurar os detalhes da ação militar.

“Os EUA lamentam profundamente a perda de vidas humanas e o saldo de feridos, e neste momento tentam entender as circunstâncias
em que esta tragédia ocorreu”, sinalizou o porta-voz da Casa Branca, Bill Burton.

O Exército de Israel atacou na madrugada desta segunda-feira (31) um comboio de barcos organizado pela ONG Free Gaza, um grupo de seis navios, liderados por uma embarcação turca, que transportava mais de 750 pessoas e 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a faixa de Gaza, deixando ao menos 10 mortos e cerca de 30 feridos.

Veja vídeo
Jim Hollander/Efe
Barco israelense escolta navio da ONG Free Gaza após ataques contra a frota de ajuda humanitária
Barco israelense escolta navio da ONG Free Gaza após ataques a frota de ajuda humanitária

O grupo tentava furar o bloqueio de Israel à entrega de mercadorias aos palestinos. De acordo com a imprensa turca o ataque ocorreu em águas internacionais, mas as forças de defesa de Israel mantêm que as embarcações tinham invadido seu território.

A imprensa turca mostrou imagens captadas dentro do navio turco Mavi Marmara, nas quais se viam os soldados israelenses abrindo fogo. Em Istambul cerca de 10 mil pessoas protestaram contra os ataques.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos devido ao ataque israelense à “Frota da Liberdade”.

Em comunicado emitido na cidade cisjordaniana de Ramala através da agência oficial palestina “Wafa”, Abbas não anunciou, no entanto, uma interrupção do diálogo indireto de paz que mantém com Israel.

Reação internacional

O ataque motivou forte reação na comunidade internacional. A Turquia já pediu à ONU (Organização das Nações Unidas), uma reunião urgente sobre o tema.

A alta comissária para os Direitos Humanos da ONU, Navi Pillay, se manifestou, e em seu discurso na abertura da 14ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU disse estar “comovida” com as informações do ataque, que provocou “mortos e feridos”.
Thanassis Stavrakis/AP
Na Turquia, cerca de 10 mil pessoas protestaram contra o ataque de Israel
Na Turquia, cerca de 10 mil pessoas protestaram contra o ataque de Israel

Pillay, além disso, destacou seu “profunda preocupação” com as ordens militares recentemente impostas em Israel em relação a Gaza.

“Na faixa de Gaza, o bloqueio continua menosprezando diariamente os direitos humanos de seus cidadãos. Houve muitos poucos avanços na quantidade de produtos que se permite entrar na região. A situação atual está longe de permitir que os cidadãos de Gaza levem uma vida normal e digna”, acrescentou a alta comissária, que também reiterou sua condenação ao lançamento de mísseis de Gaza a Israel.

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Sanções contra o Irã são ‘bofetada na diplomacia dos emergentes’, diz jornal britânico


Imprensa estrangeira se divide sobre papel de Brasil e Turquia na questão

EUA mostram suas reais intenções: sabotar o Irã até as últimas consequências, que são a queda do regime ou a guerra.

Nota do D’Incao: Os donos da bola (no mau sentido)

O desenrolar do acordo arrancado a duras penas pelos governos brasileiro e turco com o Irã foi risível – para não dizer patético. Os americanos fizeram o papel daquele garoto que empresta a bola para todos os outros jogarem na rua, mas só até o jogo estar favorável a ele. Como segunda-feira a Turquia e o Brasil venceram, os americanos paralizaram o jogo e levaram a bola embora. E carregaram a China e a Rússia com eles, pelo mesmo motivo.

As sanções anunciadas na terça-feira contra o Irã demonstram que as intenções americanas são muito mais profundas do que aquilo que estava escrito no papel que Ahmadinejad assinou na madrugada de segunda. Os EUA querem mesmo é pressionar e sabotar a economia e o governo iranianos, até que o governo caia e o regime dos aiatolás seja substutuído por outro que reze e obedeça a cartilha do governo e das empresas de petróleo americanas.

obs: ler também “EUA anunciam acordo no Conselho da ONU para sanções contra Irã”; “Brasil e Turquia formalizam acordo nuclear com Irã em meio a ceticismo” e “Entenda a polêmica envolvendo o programa nuclear do Irã”, publicados neste site.





Publicado pela BBC Brasil

Um editorial do jornal britânico The Guardian afirma que a resolução proposta pelos Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU prevendo sanções contra Teerã é uma “bofetada nos esforços de negociação” das potências emergentes.
O texto defende o acordo negociado na segunda-feira por Brasil e Turquia com o Irã. Para o jornal, o entendimento turco-brasileiro é “o mais perto que chegamos até agora do início de uma resolução” para a questão nuclear iraniana.
Por isso, diz o Guardian, “a proposta de resolução (promovida pelos EUA) pode ser interpretada como uma bofetada das grandes potências nos esforços de negociação de outros países. Mas, em um mundo multipolar, Barack Obama não pode simplesmente fazer isso.”
“A Turquia está emergindo como uma importante potência diplomática no Oriente Médio. Turquia e Brasil, o outro mediador do acordo, são membros não-permanentes do Conselho de Segurança e signatários do tratado de não-proliferação. O Japão, igualmente, compartilha o comprometimento de encontrar uma solução diplomática neste impasse com o Irã. Juntas, essas nações assumiram o papel de mediadores honestos abandonados pela Grã-Bretanha, a França e a Alemanha.”

Melindre
A questão suscitou artigos incisivos nesta quarta-feira em diversos jornais estrangeiros. Na França, o matutino Le Figaro se pergunta por que a manobra iraniana “uniu as grandes potências” em torno da resolução americana, incluindo países tradicionalmente contrários às sanções, como Rússia e China.
Chocados por uma diplomacia turco-brasileira tão desenvolta no conteúdo quanto na forma, os chineses e russos cederam (à proposta americana).
Análise, Le Figaro
“A realidade é que a Rússia e a China não gostaram nem um pouco que o Brasil e a Turquia se permitissem fazer um acordo nuclear com Teerã sem se dar ao trabalho de consultar Moscou e Pequim de antemão”, opina o jornal.
“Chocados por uma diplomacia turco-brasileira tão desenvolta no conteúdo quanto na forma, os chineses e russos cederam (à proposta americana).”
Já alguns dos principais jornais americanos fizeram duras críticas ao Brasil e à Turquia por patrocinar o acordo com o Irã.
O The New York Times aponta que ambos os países “estão ávidos para desempenhar um maior papel internacional” e “ávidos para evitar um conflito com o Irã”.
“Respeitamos estas ambições. Mas como todo mundo, eles foram manipulados por Teerã”, afirma o editorial, lembrando que desde 2006 o governo iraniano “desafia as reivindicações do Conselho de Segurança de suspender seu programa nuclear”.
Para o NYT, a nova resolução “provavelmente não é dura o suficiente para fazer Teerã mudar de ideia. Mas o fato de a Rússia e a China terem concordado deve gerar nervosismo entre alguns atores dentro do dividido governo iraniano.”
“Brasil e Turquia deveriam se unir às outras potências e votar a favor da resolução do Conselho de Segurança da ONU. Mesmo antes disto, deveriam voltar a Teerã e pressionar os mulás por um acordo crível e por negociações sérias.”

Ironia
Os EUA incentivaram a diplomacia de Lula como uma maneira de angariar apoio para uma resolução de sanções na ONU. Em vez disso, Lula usou a abertura para triangular sua própria solução diplomática.

Editorial, The Wall Street Journal
Mais incisivo, o diário americano Wall Street Journal diz que o governo brasileiro aproveitou a boa vontade de Washington para entrar na negociação iraniana e “triangular sua própria solução diplomática”. Para o diário financeiro, o acordo de Brasil e Turquia com o Irã foi um “fiasco” para a diplomacia Obama.
“O governo tentou se recuperar rapidamente anunciando, no dia seguinte, que havia chegado a um acordo com a Rússia e a China para sanções na ONU”, afirma o editorial. O jornal diz que esta situação é um “fracasso” diplomático, que deve ser “totalmente creditado à estratégia diplomática infeliz do governo Obama”.
“O duplo constrangimento é que os EUA incentivaram a diplomacia de Lula como uma maneira de angariar apoio para uma resolução de sanções na ONU. Em vez disso, Lula usou a abertura para triangular sua própria solução diplomática. Assim, em vez de EUA e Europa colocarem o Irã contra a parede, foi Ahmadinejad quem colocou Obama no canto.”
Para o jornal, a política de “mão estendida” para o Irã resultou em que o Irã está hoje menos isolado diplomaticamente, e mais perto de desenvolver uma bomba atômica.
“Israel terá de considerar seriamente suas opções militares. Tal confrontação é muito mais provável hoje graças ao presidente americano, cujo principal sucesso diplomático foi convencer os vilões de que lhe falta determinação para conter suas ambições destrutivas.”

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Brasil e Turquia formalizam acordo nuclear com Irã em meio a ceticismo


17/05/2010 – 07h40
Publicado na Folha de São Paulo

Lula (Brasil), Ahmadinejad (Irã), Erdogan (Turquia) e o ministro dos negócios estrangeiros turco (Ahmet Davutoglu ), na assinatura do acordo.

Leia antes a nota do D’Incao Instituto de Ensino, por Luís Paulo Domingues e Carlos D’Incao:

Até a última hora, o mundo não acreditou na possibilidade de o Brasil sair com sucesso dessa intermediação entre o Irã e a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, que regula as questões nucleares no mundo). Não acreditava ou torcia contra, visto que os Estados Unidos querem bloquear o desenvolvimento do Irã em todos os setores, já que trata-se de uma nação opositora aos seus interesses econômicos e políticos na região. A direita brasileira, representada na imprensa principalmente pela revista Veja e pelos grandes jornais paulistas( Folha de S. Paulo e Estado de S. Paulo), quer um motivo para desqualificar o governo federal que, embora seja muito criticável em inúmeros aspectos, parece romper com a histórica posição de servilismo do país em relação às grandes questões internacionais.

O acordo foi assinado nesta madrugada (segunda, 17/05). Não deu tempo nem de comemorar a boa atuação da diplomacia brasileira (até o presidente russo disse que dava uns 30% de possibilidade de o acordo dar certo, o que representou dizer que Ahmadinejad não o assinaria em hipótese alguma), e a mesma imprensa já publica manchetes do tipo: Mundo vê acordo no Irã com ressalvas”.

O fato é que o acordo cumpre as exigências das normas da AIEA e do Conselho de Segurança da ONU. Com a participação da vizinha Turquia, um país considerado aliado pelos Estados Unidos, o Irã vai trocar urânio enriquecido em porcentagens estipuladas pela AIEA, porcentagens estas que não permitirão a produção da bomba atômica.

Então devemos refletir o porquê de as manchetes nacionais, além do Estado de Israel e os Estados Unidos verem o acordo com tantas ressalvas. No caso de Israel, parece óbvio: o sucesso do acordo fortalece o Irã e, indiretamente, a causa palestina. No caso dos Estados Unidos, o sucesso do acordo possibilita uma maior estabilidade para o Oriente Médio, estabilidade esta que não corresponde aos interesses imperialistas dos americanos. Na lógica imperialista, a divisão é a melhor forma para dominar. Por isso, os Estados Unidos não querem a paz e muito menos a estabilidade. Já a imprensa brasileira está preocupada  com as eleições presidenciais no Brasil. O governo Lula, para eles, não pode ter nenhuma virtude e a atitude do Brasil em tentar interceder nessa questão deve ser vista como algo patético. O Brasil precisa ser pequeno e seu povo, menor ainda. Esse tem sido o projeto da direita no Brasil nos últimos 500 anos.


Publicado na Folha de S. Paulo On Line

Por Vahid Salemi/AP

O Irã assinou na manhã desta segunda-feira, ao lado de Brasil e Turquia, o acordo de troca de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear negociado neste fim de semana.
O documento, um marco nas negociações sobre o controverso programa nuclear de Teerã, ainda é visto com ceticismo por Israel e pelas potências ocidentais.
Muitos duvidam que um país como Irã, que desafia as sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e resiste a permitir examinadores internacionais em suas usinas nucleares, vai se ater aos termos do acordo.
Vahid Salemi/AP

Iraniano Mahmoud Ahmadinejad comemora assinatura de acordo nuclear com Luiz Inacio Lula da Silva, e o turco Recep ErdoganO ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou em Teerã que o acordo não foi discutido com as potências, mas cumpre as determinações da proposta mediada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em outubro passado, e que o Irã rejeitou.
O acordo determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França –suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.
A troca acontecerá na Turquia, país com proximidades com Ocidente e Irã, e sob supervisão da AIEA e vigilância iraniana e turca.
Os presidentes Mahmoud Ahmadinejad e Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, decidiram enviar a proposta no prazo de uma semana para a AIEA.
Israel analisa com ceticismo o acordo. Fontes oficiais israelenses disseram à agência de notícias Efe que o Irã já aceitara uma oferta muito parecida “e depois, na hora de passar à ação, a rejeitou. É preciso examinar isto, portanto, com ceticismo”.
“Pode ser que desta vez o Irã tenha decidido mudar sua política, ou que tenha manipulado a Turquia e o Brasil, explorando as boas intenções e a inexperiência diplomática brasileira em assuntos do Oriente Médio”, disseram as fontes.
Pela proposta das potências em outubro passado, o Irã embarcaria 70% do seu estoque de urânio baixamente enriquecido, que seria convertido na França ou Rússia em cápsulas de combustível compatíveis para produção de isótopos de uso médico.
Teerã recusou a proposta dizendo que o projeto de acordo não apresentava as garantias necessárias para a entrega do combustível. Depois disso, o país apresentou uma contraproposta para um intercâmbio gradual.
A classe política e, em particular o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, adverte do perigo que o Irã adquira capacidade de produzir armas nucleares e pede à comunidade internacional que tome medidas pela desnuclearização de Teerã.
Já o governo da Alemanha destacou nesta segunda-feira que nada pode substituir um acordo entre Teerã e a AIEA.
“Continua sendo importante que Irã e AIEA cheguem a um acordo”, declarou o porta-voz adjunto do governo da Alemanha, Christoph Steegmans. “Isto não pode ser substituído por um acordo com outros países”, completou.
Sanções
Amorim e seu colega turco, Ahmet Davutoglu, disseram nesta segunda-feira que o acordo nuclear fecha o caminho para a possibilidade que a comunidade internacional imponha novas sanções ao regime iraniano.
Com a paralisação das negociações no ano passado, o Irã anunciou que começou a enriquecer o urânio a 20% em fevereiro, mesmo diante da repreensão das potências. Desde então, os EUA lideram uma campanha por uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU, à qual o Brasil se opõe.
Em entrevista coletiva em Teerã, Amorim assegurou que o compromisso adquirido pelas autoridades iranianas fecha a porta para novas sanções.
Além disso, o chefe da diplomacia brasileira acrescentou que este acordo representa o princípio para abordar outras questões sobre o conflito nuclear.
Amorim destacou que é a primeira vez que o Irã se compromete por escrito a enviar urânio ao exterior para recuperá-lo tempo depois, como já propuseram Rússia, Estados Unidos e Reino Unido em novembro do ano passado.
Nesta ocasião, explicou o ministro brasileiro, o Irã recebeu as garantias que pedia para fechar um acordo.
Lula está há dois dias em visita oficial no Irã e hoje participará da inauguração da 14ª Cúpula do G15 (grupo dos 15 países em desenvolvimento), na capital iraniana.
Com agências internacionais

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